Já apresentamos, acima, algumas razões para que o Rio do Colégio, com curso inteiramente na zona cristalina, saia da RH-VII e seja incorporado à RH-IX. Os interesses do Comitê da RH-VII estão mais voltados para a Bacia do Rio Grande ou Dois Rios. O Rio do Colégio, por sua vez, tem toda a sua bacia muito próxima do centro de decisão da RH-IX, que deveria pleitear o Rio do Colégio e toda sua Área de Preservação Permanente da margem esquerda. Do contrário, é de se esperar que ele fique abandonado.
Trata-se de um rio com forte vocação turística, desde que devidamente restaurado e revitalizado.
protegidos efetivamente. Acresça-se que o manguezal sito no delta do Rio Paraíba do Sul foi tombado por ato do poder executivo do estado do Rio de Janeiro em 9 de dezembro de 1985, medida que também não o salvou de ataques predatórios. O mesmo poder-se-á dizer dos demais manguezais da região norte-fluminense, com apenas o do Rio Paraíba do Sul incluído como Área Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.
Rio Guaxindiba
Também já procuramos demonstrar as ligações da bacia do Guaxindiba com a sub-bacia do Paraíba do Sul em seu curso final. A restinga de Paraíba do Sul, em sua seção norte, alcançou a foz do Rio Guaxindiba.
Entre ele e o baixo curso do Paraíba do Sul, formaram-se sistemas hídricos que promoviam a ligação de ambos. Os dois principais são os Brejos do Campelo e do Mundeuzinho, que ligavam ambos em tempos de cheia. Pelo Mundeuzinho, construiu-se o Canal de Cacimbas, com vistas à navegação, na década de 1840, comunicando o Rio Paraíba do Sul à Lagoa de Macabu e, por outros sistemas hídricos, ao Rio Guaxindiba (Soffiati, 2007). Um depoimento colhido a um idoso morador da praia de Guaxindiba dá conta de que, nas cheias, era possível alcançar, de canoa, a margem direita do Rio Paraíba do Sul, pois todos os baixos divisores de água ficavam submersos. Assim, os moradores de Guaxindiba podiam fazer compras na famosa Casa Sincera, hoje à margem da rodovia BR-356, que liga Campos a São João da Barra.
Nos anos de 1970, o DNOS aproveitou o Brejo do Campelo para abrir o Canal Engenheiro Antônio Resende, ligando a Lagoa do Campelo (por sua vez, já ligada naturalmente ao Rio Paraíba do Sul pelo Córrego da Cataia e, depois, pelo Canal do Vigário) à foz do Rio Guaxindiba, que passou a desembocar no canal.
Assim, entende-se que toda a bacia do Guaxindiba, com as Áreas de Preservação Permanente na margem esquerda de todos os rios que a formam, deve integrar a RH-IX.
Figura 14 - Abertura do Canal Engenheiro Antonio Resende pelo DNOS, em 1976
Fonte: DNOS
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Gestão de águas no baixo Paraíba do Sul: região hidrográfica IX do estado do Rio de Janeiro
Canal Campos-Macaé e a entrada de Macaé na RH-IX
Examinando-se a sequência de mapas apresentada por Martin, Suguiu, Dominguez e Flexor (1997) sobre a formação geológica da planície fluviomarinha do Rio Paraíba do Sul, salta aos olhos a tendência dos cursos d’água no seu interior. Ao sair da zona cristalina, em Itereré, o Paraíba do Sul se ramifica em quatro braços que descrevem, com meandros acentuados, uma trajetória norte-sul e, depois, oeste-leste.
A título de ensaio, podemos explicar a direção desse curso primeiramente pela força da água do rio ao desembocar na semilaguna criada pelo movimento de transgressão do mar. Reduzida a velocidade do jato em função das águas calmas da semilaguna, consideremos que a corrente marinha predominante, ao sul da futura planície, tinha e ainda tem, a direção oeste-leste. Mesmo protegidos pela semilaguna, os cursos d’água em formação parece terem sofrido sua influência, orientando-se também para leste. Deve-orientando-se considerar ainda que a elevada unidade de tabuleiro a oeste impõe o rumo oeste-leste aos cursos d’água que se formaram com as derivações do Paraíba do Sul, notadamente os Córregos de Itereré, Cacumanga e Cula. Formada a Lagoa Feia, verifica-se também que o Rio Iguaçu, verifica-seu defluente, ruma para leste à procura de uma saída no mar.
A unidade de tabuleiro a oeste da semilaguna se constituiu no poderoso divisor de águas da bacia do baixo Paraíba do Sul e de rios menores, que a sulcaram em direção ao mar, como a bacia de Carapebus, principalmente, e do Rio Macabu, que passou a desembocar na Lagoa Feia, também descrevendo um curso em direção a leste. Acima de tudo, essa unidade de tabuleiro constitui o grande divisor de águas entre os Rios Paraíba do Sul e Macaé.
Assim, a abertura do Canal Campos-Macaé contraria a tendência natural dos formadores do delta do Paraíba do Sul. Ele apresenta a direção leste-oeste. Para alcançar o Rio Macaé, foi necessário romper os divisores de água entre ambos, em muitos casos, usando lagoas.
Por este prisma, parece-nos que a inclusão do Município de Macaé no âmbito da RH-IX é inteiramente artificial. Pelo prisma geológico e hidrológico, não há como justificar a presença dentro da RH-IX, pois artificial é também o Canal Campos-Macaé.
Ecossistemas hídricos em Unidades de Conservação
Pelos planos de manejo das unidades de conservação de proteção integral, a gestão dos sistemas hídricos em seu interior é de responsabilidade da direção da UC. Nos limites propostos neste trabalho para a RH-IX, existem três unidades de conservação de proteção integral: o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, o Parque Estadual do Desengano e a Estação Ecológica Estadual de Guaxindiba. Os sistemas hídricos dentro da primeira unidade têm pouca extensão fora dela, como é o caso da Lagoa de Carapebus. Os cursos dos rios que nascem em terras do Parque Estadual do Desengano e desembocam nos subsistemas do Paraíba do Sul e da Lagoa Feia, em sua maior parte, estão fora da UC. O mesmo se aplica à Estação Ecológica Estadual de Guaxindiba. Assim, parece que uma gestão compartilhada é a melhor alternativa.
Gestão compartilhada dos afluentes do Paraíba que nascem em Minas Gerais Situação semelhante é a dos sistemas hídricos da bacia, na RH-IX, que correm entre os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, como o Pirapetinga, o Pomba, o Muriaé e o Carangola. A solução proposta é também a gestão compartilhada entre estados, Regiões Hidrográficas e Municípios.
RH como Região Ambiental
Nos Comitês de Bacia, há uma forte tendência pragmática para valorizar tão somente a água como recurso que, para ser explorado, está sujeito a cobranças. Nada contra esta atitude. O usuário que aufere lucros com a água deve pagar por ela. Mas entende-se como reducionista só considerar o elemento água, separando-o de subsolo, solo, vegetação nativa, clima, economia, sociedade e política. A Região Hidrográfica deveria se transformar em Região Ambiental, e cada comitê deveria tratar a água dentro de seu contexto, passando, assim, a ser Comitê de Ambiente, tomando cada bacia como unidade de gestão em seu todo.
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Gestão de águas no baixo Paraíba do Sul: região hidrográfica IX do estado do Rio de Janeiro