Um aspecto específico que se demonstrou com a experiência da TRENSURB é o reaproveitamento do conhecimento construído em trabalhos de pensamento sistêmico anteriores. O caso da TRENSURB proporcionou um ambiente onde isto pode ser observado, pela existência de mais de um trabalho desenvolvido na mesma organização. Entendimentos já construídos em momentos anteriores puderam ser utilizados como fundamentos para novos entendimentos59.
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A: “[...] [Tome por exemplo a] reforma na estrutura que diminuiu o número de caixinhas em alguns lugares e aumentou em outros. Isto fez a coisa ficar mais fragmentada. Pessoas que antes tinham que se comunicar, ficaram isoladas. Os problemas foram duplicados.” [...] B: “Cá entre nós, para que 3 SEEST’s? [SEEST são seções que controlam algumas estações; são 3 no total; B é da SEEST3] Uma coisa que era única ficou três!?”
C: “Outro dos nossos grandes problemas é a falta de uma estrutura de planejamento.” [Na reforma parece que
uma estrutura de planejamento foi cortada. Coloquei, voltando novamente à questão, que para ter pensamento sistêmico era necessário uma visão integrada do técnico, político e cultural, pois as ações de alavancagem podem ser dos três tipos.] A: “Para tu saíres do técnico, D, é difícil, tu tens que estar aberto a mudar.” C: “Uma nova postura gerencial.”
O caso mais típico é as diferentes explicações que as pessoas, dentro da empresa, dão para o motivo da queda da demanda do trem. Observe esta passagem: D: “No arquétipo ‘Limites do Crescimento’ [Senge, 1990, p.336] algo cresce e ‘inexplicavelmente pára de crescer’. Testei isto com o pessoal do projeto SESI/ONU, no caso da demanda em crescimento, estagnando-se e caindo, e confirmou-se que as pessoas dão diversas explicações para a parada do crescimento e queda.” B: “A maioria explica pelas deficiências da integração. Isto passa ‘batido’.”
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Observe notas de campo sobre este reaproveitamento, a partir do trabalho da demanda de novembro de 1996: “Nesta reunião não sobrou muito tempo para traçar curvas de comportamento. De qualquer forma, eu dei indicações sobre alguns dados que já existiam previamente [derivados do trabalho da demanda de novembro
Por exemplo, alguns padrões de comportamentos de variáveis puderam ser utilizados dos trabalhos anteriores, sendo aproveitados na íntegra, ou refinados à luz de novos entendimentos e diálogos. Além disso, partes de estruturas foram úteis no entendimento de outras situações, uma vez observando-se a sua interligação. Isto remete a dois aspectos úteis no entendimento do desenvolvimento do pensamento sistêmico dentro de organizações.
Primeiro, através da cumulatividade do conhecimento, níveis cada vez mais refinados de estruturas sistêmicas podem ser construídos para o entendimento da realidade organizacional de uma maneira abrangente. À medida que as pessoas e os grupos participam de diferentes esforços com pensamento sistêmico, começa a haver um entendimento ampliado do inter-relacionamento dos diferentes fatores da organização, formando um corpo de conhecimentos que, se acessível a todas as partes da organização, tende a aumentar a probabilidade de ação efetiva e alinhada sobre a realidade, derivada do entendimento sistêmico comum.
A acessibilidade deste conhecimento, neste caso, aponta para o segundo aspecto, ou seja, das infra-estruturas de armazenamento e disseminação do conhecimento sistêmico dentro da organização, vital para o bom funcionamento do primeiro aspecto, pois o entendimento comum requer comunicação com as bases de conhecimento anteriores60. Aliás, estas bases de conhecimento podem ser concebidas como ‘a história viva’ da organização61.
de 1996] sobre o comportamento de alguns fatores: a própria demanda, a qualidade, a motivação e a receita. Perguntei aos presentes se, à luz do que se está vendo nos gráficos, estaria existindo desenvolvimento organizacional. O pessoal indicou que só do ponto-de-vista da receita, mas que aparentemente ela pode estar em rota de estabilização ou queda. Ou seja, à luz dos fatores até agora apresentados, não está havendo desenvolvimento. Pelo contrário, está havendo retrocesso.” Neste caso, o aproveitamento dos gráficos foi total. Porém, em outras ocasiões, o conhecimento anterior lança as bases para um entendimento superior, mais refinado: “A motivação dos metroviários foi obtida com base nos dados do trabalho da demanda de 11/96, com alguns assinalamentos e aperfeiçoamentos sugeridos em uma das reuniões. Pico no início da operação, queda inicial no pós-Cruzado, quando mercado de trabalho externo fez com que algumas ‘pessoas boas’ deixassem a empresa, reduzindo a motivação dos que ficaram. Plano Collor causou grande queda, com demissões e congelamento salarial. Retomada com esperança de que administração Faraco em 93 trouxesse novos rumos à empresa, voltando a cair quando dos resultados e desdobramentos dos seminários de integração. Motivação baixa com tendência estável”, foi o que concluiu o grupo. Porém, o grupo do projeto SESI/ONU sugeriu ainda maior refinamento a esta curva, a partir de outras visões e informações da realidade. 60
A, em uma das reuniões, inicia uma discussão importante sobre uma das estruturas-chave para apoiar o pensamento sistêmico: a existência de dados relevantes e o acesso eles. Nos seus comentários sobre o trabalho da demanda, ressaltou a necessidade de dados essenciais do passado que, ou não estavam disponíveis, ou eram coletados e sistematizados e deixaram de sê-lo de um momento para outro. Ao mesmo tempo, os relatórios gerenciais contêm dados demais. “As pessoas não têm culpa disso,” comentou A. “Somente com uma integração maior entre as áreas para que sejam disponibilizados os dados adequados” comentou B, pensando na existência de uma área que cuidasse da questão estatística da empresa. Aliás, o