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Receitas do Estado

No documento Conta Geral do Estado (páginas 77-117)

Situação Financeira das Administrações Públicas

III.1. Receitas e Despesas das Administrações Públicas Ótica de Contabilidade Nacional

III.1.1. Receitas e Despesas do Estado

III.1.1.1. Receitas do Estado

Face à previsão que estava subjacente ao OE2013 inicial, verificou-se que a receita efetiva decorrente da execução orçamental apresentou um valor praticamente semelhante, apenas superando aquela em 0,2%. Considerando as alterações orçamentais que ocorreram, quer por via de orçamentos retificativos, quer por meio de créditos especiais, a execução orçamental da receita efetiva dos SI resultou num comportamento superior em 0,7% face ao orçamento corrigido.

(Milhões de euros)

2011 2012 2013 2013/2012

Receita corrente 38.020,2 35.756,6 40.526,8 13,3

Receita de capital 3.620,4 4.102,9 689,3 -83,2

Despesa corrente 45.534,0 45.933,8 47.232,1 2,8

Despesa de capital 3.150,3 2.821,7 1.648,4 -41,6

Receita Efetiva 41.640,6 39.859,5 41.216,1 3,4

Despesa Efetiva 48.684,4 48.755,5 48.880,6 0,3

Saldo global -7.043,8 -8.896,0 -7.664,5

Saldo primário -1.004,6 -2.022,0 -821,9

Por memória:

Endividamento líquido 13.277,2 20.802,3 12.527,7

Ativos financeiros líquidos 6.833,4 11.346,2 4.942,6

Classificação económica Execução Orçamental Variação (%)

Conta Geral do Estado de 2013

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Situação Financeira das Administrações Públicas

QUADRO 28 - Receitas do Estado - Cobrança líquida - Comparação da execução com a previsão

Fonte: DGO.

Nota: A receita efetiva não inclui ativos e passivos financeiros.

Para a ligeira melhoria da execução orçamental da receita efetiva perante o orçamento corrigido deve-se destacar o contributo positivo da receita fiscal, amenizado, essencialmente, pelo desempenho menos conseguido do que era previsto das “Transferências correntes”, dos “Saldos da gerência anterior”, da “Venda de bens e serviços correntes” e das “Outras receitas de capital”.

No que concerne à receita fiscal, tal como já foi referido no ponto III.1.1, apesar de os valores do orçamento inicial se fundamentarem num pacote de medidas de política fiscal que se previa terem um impacto positivo na arrecadação de receita fiscal, posteriormente revistos em baixa na estimativa inerente ao 1.º Orçamento Retificativo, verificou-se que a execução orçamental revelou um comportamento que superou, inclusive, os montantes previstos no orçamento inicial, sendo, para tal, relevantes as razões que mais adiante se apontarão, em sede de análise comparativa da variação homóloga, quer do IRS, quer do IRC, bem como do IVA.

(Milhões de euros)

Receitas correntes: 39 848,9 39 504,4 40 349,9 845,5 2,1 102,1

Impostos diretos 16 555,9 16 501,8 17 415,1 913,3 5,5 105,5

Impostos indiretos 19 271,8 18 403,8 18 857,9 454,1 2,5 102,5

Contribuições para a SS, a CGA e ADSE 436,6 527,8 494,0 -33,8 -6,4 93,6

Taxas, multas e outras penalidades 666,6 754,0 752,3 -1,7 -0,2 99,8

Rendimentos da propriedade 947,7 1 130,5 1 129,5 -1,0 -0,1 99,9

Transferências correntes 1 009,7 1 196,0 886,7 -309,3 -25,9 74,1

Venda de bens e serviços correntes 546,2 552,6 399,8 -152,8 -27,7 72,3

Outras receitas correntes 414,4 437,9 414,6 -23,3 -5,3 94,7

Receitas de capital: 143 583,4 147 016,1 102 954,2 -44 061,9 -30,0 70,0

Venda de bens de investimento 101,6 161,2 65,7 -95,5 -59,2 40,8

Transferências de capital 139,3 144,5 72,4 -72,1 -49,9 50,1

Ativos financeiros 2 482,0 2 999,8 3 192,8 193,0 6,4 106,4

Passivos financeiros 140 110,2 143 108,8 99 171,0 -43 937,8 -30,7 69,3

Outras receitas de capital 750,3 601,8 452,3 -149,5 -24,8 75,2

Recursos próprios comunitários 155,2 155,2 143,8 -11,4 -7,3 92,7

Reposições não abatidas nos pagamentos 40,0 50,1 53,5 3,4 6,8 106,8

Saldos da gerência anterior 121,4 321,5 100,1 -221,4 -68,9 31,1

TOTAL DA RECEITA EFETIVA 41 156,7 40 938,7 41 237,7 299,0 0,7 100,7

TOTAL GERAL 183 748,9 187 047,3 143 601,5 -43 445,8 -23,2 76,8

Designação

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Conta Geral do Estado de 2013

Situação Financeira das Administrações Públicas

Relativamente às variações negativas nos capítulos atrás referidos, de realçar: em “Transferências correntes”, o menor grau de execução das provenientes do subsector dos SFA (-126,5 milhões de euros), do sistema de segurança social, relativas a verbas do FSE (-119,6 milhões de euros), e de fundos europeus (-36,3 milhões de euros); em “Venda de bens e serviços correntes”, a arrecadação de receita em nível inferior ao previsto por via da venda de bens diversos (-17,5 milhões de euros, em receita própria afeta a organismos do Ministério da Educação e Ciência), de reembolsos de assistência hospitalar (-24,3 milhões de euros, em receita própria da ADSE), de outras atividades em saúde (-20,7 milhões de euros, em receita afeta a organismos do MDN) e da venda de diversos serviços prestados a terceiros (-105,5 milhões de euros, em receita geral do Estado); em “Outras receitas de capital”, a restituição, no valor de 167,3 milhões de euros, do saldo remanescente da entrega nos cofres do Estado, como receita geral, em março de 2008, de 759 milhões de euros pela EDP, no âmbito da transmissão dos direitos de utilização do domínio hídrico a favor das empresas titulares dos centros electroprodutores; em “Saldos da gerência anterior”, notou-se uma entrega muito menor de saldos provenientes de SFA, como receita geral do Estado (-101,9 milhões de euros), a que se deve acrescentar o facto de cerca de 117,2 milhões de euros corresponderem à utilização de saldos transitados de receitas próprias dos SI, que exigem a abertura de créditos especiais, apesar de em termos de receita líquida esses saldos terem um impacto nulo na execução orçamental do ano para que transitam.

Quanto à variação homóloga, a receita efetiva do subsector Estado, em 2013, apresentou uma execução superior em 3,4% ao ano precedente.

Para este resultado contribuíram, especialmente, as variações positivas da receita fiscal (com destaque enorme para o aumento de 3.781,5 milhões de euros, +27,7%, verificado nos “Impostos diretos”) e dos “Rendimentos da propriedade”, que foram compensadas, em menor grau, pela diminuição verificada na cobrança registada nas “Transferências de capital” e nas “Outras receitas de capital”.

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QUADRO 29 - Receitas do Estado - Cobrança líquida - Evolução

Fonte: DGO.

Nota: A receita efetiva não inclui ativos e passivos financeiros.

Nos “Impostos diretos” deve-se destacar o aumento substancial da cobrança por via do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS), com uma variação positiva de 3.226,0 milhões de euros, complementado com a melhoria no registo de cobrança do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC), na ordem dos 814,5 milhões de euros. O desempenho verificado no IRS foi claramente determinado pelo primeiro ano de vigência da Declaração Mensal de Remunerações, enquanto no IRC deve-se evidenciar a aplicação do RERD e o aumento da tributação sobre as grandes empresas.

Ainda nos “Impostos diretos” deve-se fazer menção à diminuição ocorrida na sua rubrica residual, dado o efeito base do regime excecional de regularização tributária (RERT III), que influenciou uma variação negativa de 260,8 milhões de euros.

No que concerne aos “Impostos indiretos”, releva-se o aumento registado no IVA, na ordem dos 449,0 milhões de euros, que reflete a recuperação da atividade económica e a maior eficácia do combate à evasão fiscal e à economia paralela, em consequência dos resultados expressivos obtidos

(Milhões de euros)

2011 2012 2013 Valor %

Receitas correntes: 37 828,9 35 540,7 40 349,9 4 809,2 13,5

Impostos diretos 15 046,9 13 633,6 17 415,1 3 781,5 27,7

Impostos indiretos 19 312,3 18 407,0 18 857,9 450,9 2,4

Contribuições para a SS, a CGA e ADSE 464,8 433,1 494,0 60,9 14,1

Taxas, multas e outras penalidades 698,6 736,4 752,3 15,9 2,2

Rendimentos da propriedade 288,2 526,9 1 129,5 602,6 114,4

Transferências correntes 1 213,3 858,9 886,7 27,8 3,2

Venda de bens e serviços correntes 433,7 449,7 399,8 -49,9 -11,1

Outras receitas correntes 371,1 495,0 414,6 -80,4 -16,2

Receitas de capital: 120 412,9 118 685,4 102 954,2 -15 731,2 -13,3

Venda de bens de investimento 17,4 2,2 65,7 63,5 2 933,9

Transferências de capital 3 319,1 2 846,6 72,4 -2 774,2 -97,5

Ativos financeiros 2 146,4 2 672,1 3 192,8 520,7 19,5

Passivos financeiros 114 862,5 112 078,7 99 171,0 -12 907,7 -11,5

Outras receitas de capital 67,5 1 085,8 452,3 -633,5 -58,3

Recursos próprios comunitários 167,6 155,5 143,8 -11,7 -7,5

Reposições não abatidas nos pagamentos 64,6 74,4 53,5 -20,9 -28,1

Saldos da gerência anterior 217,4 168,3 100,1 -68,2 -40,5

TOTAL DA RECEITA EFETIVA 41 682,5 39 873,5 41 237,7 1 364,2 3,4

TOTAL GERAL 158 691,4 154 624,3 143 601,5 -11 022,8 -7,1

Designação Variação homóloga

2013 vs 2012

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Conta Geral do Estado de 2013

Situação Financeira das Administrações Públicas

quer com a aplicação do RERD, quer com a reforma da faturação, quer com a reforma dos documentos de transporte. De realçar, também, que a partir de 2013 passou a ser contabilizado para efeitos de execução orçamental o IVA Social, que na execução dos anos anteriores não era considerado na receita do subsector Estado, mas sim no Orçamento da Segurança Social.

Nos “Rendimentos da propriedade”, a variação de +602,6 milhões de euros face ao valor executado em 2012 deve-se ao comportamento positivo registado nos juros e nos dividendos de sociedades financeiras recebidos pelo Estado. No primeiro caso, de realçar os juros cobrados por via de empréstimos concedidos a várias empresas públicas reclassificadas e das prestações relativas aos instrumentos de capital contingente emitidos por instituições de crédito abrangidas pelo Programa de Recapitalização de Instituições de Crédito Portuguesas. Já no segundo caso, a variação positiva é justificada pelo aumento dos lucros entregues pelo Banco de Portugal, em cerca de 340,6 milhões de euros.

A variação negativa no capítulo “Transferências de capital” é essencialmente explicada pelo efeito base da ocorrência em 2012 da operação extraordinária de transferência para o Estado do Fundo de Pensões da Banca, no montante de 2.687,1 milhões de euros.

Já no capítulo “Outras receitas de capital”, a diminuição de 633,5 milhões de euros face à execução orçamental de 2012 é justificada pelo efeito base da cobrança, em 2012, de 800,0 milhões de euros do contrato de concessão de serviço público aeroportuário e de 272,0 milhões de euros do leilão para atribuição de direitos de utilização de frequências de radiocomunicações de quarta geração (4G). Relativamente à primeira situação, em 2013, foram recebidos 400,0 milhões de euros e quanto ao segundo caso apenas se cobraram 20,0 milhões de euros.

III.1.1.1.1.Receita e Despesa Fiscais III.1.1.1.1.1.Impostos Diretos

A receita arrecadada nos impostos diretos registou uma variação positiva de 27,7 % face à execução orçamental de 2012, facto claramente influenciado, como seria de esperar, pelo desempenho dos principais tributos incluídos neste agrupamento de impostos, o IRS e o IRC, os quais também registaram acréscimos nos valores cobrados em relação ao ano transato.

Conta Geral do Estado de 2013

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Situação Financeira das Administrações Públicas

QUADRO 30 - Impostos diretos

A cobrança verificada nos impostos diretos representou 48,0% do total da receita fiscal e 42,2%

do conjunto da receita efetiva.

A receita cobrada nos impostos diretos superou o valor previsto, acompanhando, igualmente, o grau de execução do IRS e do IRC, impostos em que se verificou a expetativa de melhoria de cobrança.

O valor arrecadado em 2013 relativo aos impostos sobre o rendimento atingiu 17.406,5 milhões de euros, representando praticamente a totalidade dos impostos diretos, destacando-se a importância do IRS que, por si só, significou 70,7% da receita líquida deste agregado.

Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS)

A receita líquida arrecadada em 2013 ascendeu a 12.311,5 milhões de euros, a que corresponde um acréscimo de 35,5%. Deste valor, cerca de 97,7% do valor da receita tem origem em cobrança voluntária. Entre os fatores que contribuíram para este desempenho incluem-se os crescimentos anuais das retenções na fonte sobre os rendimentos de capital, sobre os rendimentos empresariais e profissionais e sobre os rendimentos prediais. Também se deve referir o balanço muito positivo do primeiro ano de vigência da Declaração Mensal de Remunerações (DMR12), que permitiu um aumento expressivo da receita do IRS resultante do reforço do controlo sobre as retenções na fonte do trabalho dependente entregues por um universo de cerca de 400 mil empresas.

A receita bruta em 2013 registou um valor na ordem dos 14.120,2 milhões de euros. O valor das retenções na fonte ascende a 13.031,7 milhões de euros, sendo de salientar o contributo do trabalho

12 A Declaração Mensal de Remunerações é obrigatória desde janeiro de 2013.

(Milhões de euros) OE

Grau de execução

em 2013

2011 2012 2013 2013 Valor % %

Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) 9.831,0 9.085,5 12.311,5 12.011,1 3.226,0 35,5 102,5 Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC) 5.167,6 4.280,5 5.095,0 4.480,6 814,5 19,0 113,7

Imposto sobre as sucessões e doações 0,0 0,0 1,8 - 1,8 na na

Imposto do uso, porte e detenção de armas 3,6 6,7 6,7 5,6 0,0 - 119,6

Impostos abolidos -0,6 0,0 0,0 - 0,0 na na

Impostos diretos diversos 45,3 260,9 0,1 4,5 -260,8 -100,0 2,2

TOTAL 15.046,9 13.633,6 17.415,1 16.501,8 3.781,5 27,7 105,5

Fonte: DGO.

Notas: na - não aplicável.

Designação Execução orçamental Variação homóloga

em 2013/2012

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Conta Geral do Estado de 2013

Situação Financeira das Administrações Públicas

dependente (categoria A), rendimentos profissionais ou empresariais (categoria B), pensões (categoria H), que no seu conjunto representam cerca de 82,0% do total das retenções na fonte.

Importa referir, ainda, o impacto positivo dos reembolsos e restituições pagos, tendo sido registado uma diminuição na ordem dos 197,5 milhões de euros.

Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC)

A receita líquida arrecadada de IRC ascendeu, em 2013, a 5.095,0 milhões de euros, representando um acréscimo de 19,0%, quando comparada com o período homólogo. Para esta evolução contribuiu, entre outros fatores, a aplicação do RERD, bem como o crescimento da tributação sobre as grandes empresas, quer através da autoliquidação realizada em maio de 2013, quer por via do aumento dos pagamentos por conta realizados ao longo de 2013.

A receita bruta totalizou 6.203,8 milhões de euros, mais 895,0 milhões de euros do que em 2012, sendo de salientar que o valor das retenções na fonte ascende a 1.104,7 milhões de euros.

O valor de reembolsos e restituições pagos aumentou perto de 80,5 milhões de euros tendo sido pagos valores na ordem dos 1.108,8 milhões de euros.

O peso da cobrança voluntária é cerca de 88,0% do total da receita de IRC.

Outros Impostos Diretos

A diminuição dos outros impostos diretos em cerca de 259,0 milhões de euros deve-se, essencialmente, ao facto de em 2012 a rubrica “impostos diretos diversos” integrar a receita proveniente do regime excecional de regularização tributária (RERT III), nos termos do artigo 166.º da Lei n.º 64-B/2011, de 30 de dezembro (Orçamento do Estado para 2012), cuja receita líquida ascendeu, aproximadamente, a 258,4 milhões de euros.

III.1.1.1.1.2.Impostos Indiretos Em termos genéricos importa referir:

• A cobrança das receitas relativas aos impostos indiretos registou, em 2013, o valor de 18.857,9 milhões de euros;

• A evolução registada corresponde a um acréscimo de 2,4%, quando comparada com o exercício anterior;

Conta Geral do Estado de 2013

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Situação Financeira das Administrações Públicas

• O valor arrecadado em 2013 relativo ao imposto sobre o valor acrescentado atingiu os 13.249,1 milhões de euros, representando cerca de 70,3% do total dos impostos indiretos;

QUADRO 31 - Impostos Indiretos – Evolução e previsão

Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP)

A receita líquida arrecadada, em 2013, ascendeu a 2.102,2 milhões de euros, a que corresponde um decréscimo de 0,6%. Esta diminuição ficou a dever-se ao efeito conjugado da diminuição da receita bruta em cerca de 79,7 milhões de euros e à diminuição de 66,3 milhões de euros no valor de reembolsos pagos.

Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA)

Em 2013, a receita líquida de IVA ascendeu a 13.249,1 milhões de euros, sendo 11.810,8 milhões de euros relativo ao IVA das operações internas e 1.438,3 milhões de euros ao IVA aduaneiro.

Quando comparada com o período homólogo a receita líquida do IVA aumentou cerca de 449,0 milhões de euros (472,3 milhões de euros no IVA das operações internas e -23,3 milhões de euros no IVA Aduaneiro), representando um aumento de cerca de 3,5%. Esta evolução evidencia a recuperação da atividade económica e a maior eficácia do combate à evasão fiscal e à economia paralela, em consequência dos resultados expressivos obtidos com a aplicação do RERD, como também com a reforma da faturação e com a reforma dos documentos de transporte.

(Milhões de euros)

2011 2012 2013 2013 Valor % %

Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) 2.305,5 2.115,6 2.102,2 2.040,1 -13,4 -0,6 103,0

Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) 13.051,6 12.800,1 13.249,1 12.937,6 449,0 3,5 102,4

Imposto sobre Veículos (ISV) 626,5 361,9 352,4 334,4 -9,5 -2,6 105,4

Imposto sobre o Tabaco (IT) 1.446,7 1.353,6 1.312,9 1.306,4 -40,7 -3,0 100,5

Imposto sobre o Álcool e as Bebidas Alcoólicas (IABA) 172,7 168,0 173,1 169,7 5,1 3,0 102,0

Lotarias 26,4 20,5 9,9 13,1 -10,6 -51,6 75,5

Imposto do Selo (IS) 1.483,0 1.358,3 1.367,0 1.327,4 8,7 0,6 103,0

Imposto do jogo 20,5 18,7 18,7 18,3 0,0 -0,2 101,8

Imposto Único de Circulação (IUC) 173,6 197,6 255,6 242,5 58,0 29,4 105,4

Resultados da exploração de apostas mútuas 1,3 4,2 14,3 12,6 10,1 239,4 113,5

Impostos indiretos diversos 4,5 8,5 2,8 1,7 -5,7 -67,5 159,0

TOTAL 19.312,3 18.407,0 18.857,9 18.403,8 450,9 2,4 102,5

Fonte: DGO (SCR).

Designação Execução orçamental Variação homóloga

em 2013/2012

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Conta Geral do Estado de 2013

Situação Financeira das Administrações Públicas

Contudo, importa referir que a partir de 2013 passou a ser contabilizado para efeitos de execução orçamental o IVA Social, que não está incluído na execução dos anos anteriores. Em 2013 o valor do IVA Social foi de 725 milhões de euros, que foi entregue à Segurança Social por despesa orçamental.

No IVA das operações internas as liquidações prévias representam 0,1% da receita, às autoliquidações são imputáveis 96,6% da receita e a cobrança coerciva representa 3,3% da receita líquida.

O IVA registou uma receita bruta na ordem dos 18.388,2 milhões de euros (16.949,8 milhões de euros nas operações internas e 1.438,4 milhões de euros no IVA aduaneiro), o que representa um acréscimo de cerca de 691,5 milhões de euros face ao ano de 2012.

Os reembolsos e restituições atingiram o valor de 5.139,1 milhões de euros, verificando-se um acréscimo de 242,5 milhões de euros, comparativamente com o ano anterior.

Imposto sobre Veículos (ISV)

A receita líquida arrecadada de ISV ascendeu, em 2013, a 352,4 milhões de euros, evidenciando um decréscimo de 2,6%, quando comparada com o período homólogo. Esta diminuição ficou a dever-se ao efeito conjugado da diminuição da receita bruta em cerca de 13,9 milhões de euros e à diminuição do montante de reembolsos pagos em 4,4 milhões de euros.

Imposto sobre o Tabaco (IT)

Este imposto indireto sofreu uma quebra na sua receita, registando-se uma diminuição de cerca de 40,7 milhões de euros face à execução orçamental de 2012.

A receita bruta totalizou 1.333,4 milhões de euros, menos 36,1 milhões de euros do que em 2012, sendo que o montante de reembolsos pagos aumentou cerca de 4,6 milhões de euros.

O IT é o imposto que evidencia a maior diminuição na receita líquida, quando comparado com todos os outros impostos indiretos.

Imposto sobre o Álcool e as Bebidas Alcoólicas (IABA)

Em 2013, a receita líquida do Imposto sobre o Álcool e as Bebidas Alcoólicas ascendeu a 173,1 milhões de euros, registando-se um acréscimo de cerca de 3,0%, relativamente ao período homólogo.

Conta Geral do Estado de 2013

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Situação Financeira das Administrações Públicas

QUADRO 32 - Receita do IABA por produtos

Fonte: AT

Imposto do Selo (IS)

A receita líquida do Imposto do Selo, em 2013, cobrado pela Autoridade Tributária e Aduaneira ascendeu a 1.367,0 milhões de euros, maioritariamente proveniente de retenções na fonte, na ordem dos 1.136,2 milhões de euros, sendo que a parcela de imposto relativa às operações financeiras e de seguros representam, no seu conjunto, 897,5 milhões de euros, ou seja, cerca de 79,0% do valor total da receita do imposto com esta proveniência.

Imposto Único de Circulação (IUC)

A receita líquida do IUC, em 2013, ascendeu a 255,6 milhões de euros, a que corresponde um aumento na ordem dos 29,3%. Deste valor, cerca de 99,4% do valor da receita tem origem em cobrança voluntária.

III.1.1.1.1.3.Extinções de Créditos Fiscais Anulações de Dívidas Fiscais

O valor agregado de anulações de dívidas fiscais efetuadas em 2013 foi de 604,7 milhões de euros, menos 18,3% do que o valor das dívidas anuladas no ano de 2012 (fonte: Sistema de Execuções Fiscais - SEF).

No ano de 2013 as anulações de dívidas decorreram, na sua maioria, da apresentação de declarações de substituição para correção de erros praticados pelos contribuintes, da aplicação dos benefícios do RERD - Regime Excecional de Regularização de Dívidas Fiscais e à Segurança Social (DL n.º 151-A/2013, de 31 de outubro), da procedência de processos de impugnação ou de reclamação graciosa e das anulações por decisão da entidade credora.

2011 2012 2013 Valor %

Bebidas alcoólicas 99,3 98,1 101,0 2,8 2,9

Cerveja 73,1 69,7 71,3 1,6 2,3

Álcool etílico 0,4 0,2 0,8 0,6 335,6

TOTAL 172,7 168,0 173,1 5,1 3,0

(Milhões de euros) Designação

Variações em 2013/2012 Execução orçamental

70

Conta Geral do Estado de 2013

Situação Financeira das Administrações Públicas

QUADRO 33 - Anulação de Dívidas Fiscais

A data da prescrição de uma dívida, atualmente ocorre, regra geral, oito anos após o ano em que se produziu o facto gerador da obrigação de imposto, ressalvadas que sejam as causas de suspensão e interrupção do prazo legal.

Com a conclusão da sua informatização e automatização, ocorrida em 2012, o sistema de cobrança coerciva de dívidas fiscais, ficou dotado de capacidade para detetar todos os bens penhoráveis dos devedores e para praticar em todos os processos, todos os atos legalmente previstos e necessários à execução dos bens dos devedores. Está também em condições de praticar todos os atos conexos com a execução, como sejam a publicitação na Lista de Devedores, a compensação de dívidas com reembolsos e o cancelamento de benefícios fiscais.

No passado, quando o sistema era manual, a prática desses atos dependia da disponibilidade de recursos humanos que, sendo sempre escassos, praticavam apenas uma reduzida percentagem dos atos de cobrança previstos na lei, em cada processo. Atualmente, com a automatização dos sistemas de cobrança coerciva, todos os atos são praticados.

Quando o sistema esgota a prática destes atos e subsistem valores em dívida, a lei obriga a AT a declarar as dívidas em falhas, e proceder à sua extinção logo que decorra o prazo legal, ficando inibida da prática de qualquer outro ato.

Nestas condições a declaração da prescrição não revela ineficácia dos serviços e é um instrumento indispensável de saneamento da carteira da dívida e de eficiência dos serviços. A sua apreciação atempada é garante de qualidade e eficiência dos sistemas da cobrança coerciva evitando prática de atos coercivos e contencioso desnecessário.

Atualmente a AT efetua um controlo rigoroso dos processos prescritos, tendo em vista a sua extinção.

Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) 27 270 7,8% 118,0 15,9% 48 070 26,0% 124,6 20,6% 20 800 76,3% 7 5,6%

Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC) 3 415 1,0% 310,7 42,0% 15 950 8,6% 246,8 40,8% 12 535 367,1% -64 -20,5%

Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) 23 331 6,7% 176,8 23,9% 67 660 36,5% 196,8 32,5% 44 329 190,0% 20 11,3%

Outros (Inclui impostos municipais) 295 178 84,5% 134,9 18,2% 53 507 28,9% 36,6 6,0% -241 671 -81,9% -98 -72,9%

TOTAL 349 194 100% 740,4 100% 185 187 100% 604,7 100% -164 007 -47,0% -136 -18,3%

Fonte: AT.

Classificação económica

2013 Variação em 2013/2012

2012

Conta Geral do Estado de 2013

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Situação Financeira das Administrações Públicas

O quadro seguinte evidencia, por tributo, o valor das dívidas cujo prazo de prescrição ocorreu e cuja impossibilidade legal de cobrança foi verificada, em 2013, com a consequente extinção e arquivo de processos.

QUADRO 34 - Dívidas que prescreveram em 2013

No valor global de prescrição (44,8 milhões de euros) estão englobados 33 milhões de euros de dívida que já se encontrava declarada em falhas, nos termos do artigo 272.º do Código de Procedimento e de Processo Tributário, e que portanto era legalmente incobrável, ou seja, 73,7%

No valor global de prescrição (44,8 milhões de euros) estão englobados 33 milhões de euros de dívida que já se encontrava declarada em falhas, nos termos do artigo 272.º do Código de Procedimento e de Processo Tributário, e que portanto era legalmente incobrável, ou seja, 73,7%

No documento Conta Geral do Estado (páginas 77-117)