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4. REGIME JURÍDICO DAS STARTUPS NO BRASIL

4.4 REFLEXÕES ACERCA DO ENQUADRAMENTO SOCIETÁRIO

decorrentes da adoção desse tipo societário podem abreviar o ‘’ciclo de vida’’ da startup, com uma dissolução prematura antes que o empreendimento atinja o seu potencial de escala.

4.4 REFLEXÕES ACERCA DO ENQUADRAMENTO SOCIETÁRIO

A doutrina brasileira ainda não se debruçou acerca do estudo dos impactos do enquadramento societário das startups enquanto problema científico, ensejador da elaboração de teses para investigar os novos institutos que parecem ter sido incorporados com o crescimento da importância desses empreendimentos.

No cenário nacional, podem ser observados modestos movimentos para estruturação da pesquisa tendo como objeto a startup e o Direito, entre as quais assumem notoriedade iniciativas do Insper, e da Fundação Getúlio Vargas- Rio de Janeiro, no sentido de fundar centros de pesquisa relacionados ao tema. No entanto, não há registros de grupos de pesquisas acerca de Direito e startups no sítio oficial do CNPq.

Nesse sentido, faz-se uma ressalva para a escassez de produção científica acerca do tema, com tímidas publicações em periódicos científicos, manuais ou doutrinas mais aprofundadas. Embora possa ser encontrada alguma bibliografia acerca do tema, normalmente com enfoque mais voltado para os aspectos práticos enfrentados pelos empreendedores das

startups, o que tem grande relevância, devido ao caráter instrucional e educativo, ressalte-se.

Para a utilização de doutrinadores nacionais como marco teórico para a produção da presente pesquisa, foram enfrentados esses empecilhos, que justificaram a utilização de outras metodologias de procedimento, como o estudo de caso e a documental, dada à insuficiência da bibliografia nacional nessa temática.

Marlon Tomazette (2014), em doutrina de escola, voltada para a análise das novas tendências do Direito Societário e suas relações com a Globalização, apresenta uma teoria que apresenta grande coesão com a ideia da adaptação desse microssistema jurídico aos modelos produtivos emergentes, entre os quais, por analogia, enquadramos também o surgimento das

startups, com a prevalência dos fenômenos observados na realidade fática sobre os fenômenos

jurídicos forçosamente descritos como estáticos.

Parte da doutrina defende a ideia da formação de um microssistema de Direito das

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importância das startups no mercado; b) especificidade do modelo de negócio adotado pelas

startups; c) necessidade de elaboração de novas leis e importação de conceitos do direito

estrangeiro, atrelada ao fenômeno da atuação de agências reguladoras para regulamentar determinados segmentos específicos que dizem respeito às startups, a exemplo da Comissão de Valores Mobiliários na regulamentação do vesting.

No entanto, gize-se, não nos perfilhamos a esse entendimento corroborado por alguns dos mais proeminentes juristas brasileiros especialistas na aplicação do Direito brasileiro às

startups, que pretendem criar um novo tipo societário aplicável a esses empreendimentos ou

criar um novo ramo do Direito para estudo desse fenômeno. Além disso, as relações jurídicas estabelecidas em relação às startups, podem ensejar um novo olhar sobre diversos conceitos do Direito, não se restringem ao Direito Societário.

Ressalta-se a alteração de institutos como o sócio minoritário, em nome da existência de um sócio minoritário estratégico, em que há transações que envolvem transferência de capital e capacitação. Por fim, alude-se à transitoriedade societária, que consiste nos ciclos de entrada e saída de sócios, aceleradoras, incubadoras e investidores-anjo, por exemplo, de modo diverso à perpetuação das sociedades empresárias tradicionais, costumeiramente ordenadas pela governança familiar.

De acordo com Alan Moreira Lopes e Tarcisio Teixeira (2016, p. 10), entre todos os aspectos jurídicos que precisam ser analisados antes da constituição de uma startup como sociedade empresária, é imprescindível formalizar as intenções e expectativas dos futuros sócios por meio de instrumentos para a celebração de negócios jurídicos contratuais.

Durante o transcurso do presente trabalho, analisou-se as possibilidades de existência de pontos convergentes e divergentes estabelecidos entre a temática referente à startup e o Direito brasileiro, com enfoque nos pontos fulcrais para a determinação do enquadramento societário desses empreendimentos, a fim de contribuir para a construção do conhecimento jurídico nesse sentido.

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A dinâmica das startups, no mundo atual, apresenta-se como realidade pujante, correlata ao desenvolvimento das telecomunicações e da indústria da inovação, que favorecem a diminuição das distâncias e a relativização dos conceitos de tempo e espaço, no bojo do fenômeno da Globalização.

Para o desenvolvimento das atividades-fim empresariais, nesse novo contexto social, a

startup, enquanto organização humana projetada para criar novos produtos e serviços sob

condições de extrema incerteza, emerge como alternativa viável, a fim de contribuir para a alteração do sistema produtivo, com ênfase na inovação e na flexibilidade dos processos.

Quanto à prossecução do lucro, o sistema capitalista parece coadunar com o extremo foco na produção vigente nas startups, as quais prezam pela simplificação e celeridade da produção, enquanto processo de desenvolvimento, e podem estar circunscritas tanto aos produtos quanto aos serviços. Aliadas a isso, as startups podem escalar rapidamente, ou seja, representam negócios projetados para auferir o lucro de forma crescente em um curto espaço de tempo, podendo replicar o produto por todo o mundo, sem necessariamente contratar grandes equipes e se estabelecer em pontos empresariais, locais físicos.

A flexibilidade dos modelos de negócios das startups permite aos empreendedores realizar mudanças drásticas no negócio, para moldá-lo aos interesses dos consumidores, através da experiência empírica e da utilização do método científico, para promover a produção.

Diante dessas características, quais sejam, inovação, flexibilidade, disrupção, escalabilidade e repetibilidade, as startups podem figurar como protagonistas no contexto de promover mudanças sociais através dos impactos econômicos e ideológicos na sociedade brasileira, delineada como pouco voltada à inovação, rigidez e uniformidade.

O sistema de produção e as prestações de serviço passaram a ser fortemente influenciados por esses empreendimentos, que são marcados por uma cultura de inovação e empreendedorismo, diversamente do que se pode observar no panorama geral das sociedades empresárias tradicionais.

As startups são realidade no cenário brasileiro, na medida em que diversos desses empreendimentos assumem relevância crescente no cotidiano nacional, através da eclosão em

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