Parte I: Princípios básicos
3. Refutação do remorso: D'Holbach e Bergier
O remorso ‒ uma fraqueza inútil cujo império deve ser extinto ‒ é o “órgão”35 da voz
interior que Delbène chama de consciência na acepção mais simples e comum. Ele é produzido pelo medo das consequências que uma ação proibida pode acarretar. Não importa qual seja a natureza do ato, bem ou mal intencionado, causará remorso sempre que implicar uma contravenção. O arrependimento, portanto, não depende da espécie da infração, mas sim das leis e dos costumes adotados num determinado local, logo é um conceito relativo: “elimine o castigo, mude a opinião, anule a lei, desaclimate o sujeito, o crime sempre restará e
30 “[...] une évidence intérieure, une voix impérative du bien en chacun de nous, un instinct divin” (Delon, “Notes de H.J.”, op. cit., p. 1390, nota 1 da p. 189).
31 “La conscience, fondement d'une loi morale universelle pour Rousseau [...]” (id., ibid., nota 2 da p. 186). 32 Ver Domenech, op. cit., p. 45.
33 “[...] principes nerveux [...]” (H.J., p. 189). Segundo o Dicionário de Trévoux (op. cit., tomo 6, p. 179),
nervoso, no sentido figurado, adjetiva um “discurso sólido e pleno de força”. Por exemplo: “esse autor tem
um estilo másculo e nervoso”. Logo, para Delbène, o indivíduo cujos princípios são sólidos e fortes, forma sua consciência conforme as inclinações naturais.
34 H.J., p. 187.
35 “[...] organe [...]” (H.J., p. 189). No Trévoux, órgão pode ser: “Parte do animal disposta de uma certa maneira que a torna própria aos usos aos quais ela é destinada. [...] Os músculos são os órgãos do movimento”. No sentido figurado, “significa meio, instrumento. [...] A ciência é o órgão mais necessário para a conduta e para a instrução dos homens” (op. cit., tomo 6, pp. 388-389), (itálico do autor).
o indivíduo não terá, porém, mais remorso”36. Com o progresso da idade e do espírito37, e à
medida que os preconceitos são vencidos, a consciência se enrijece e a compunção é extinta. Desse modo, o homem torna-se capaz de praticar qualquer excesso sem ser atormentado por quimeras. Contra a convicção de que a culpa tem seu tamanho equivalente à gravidade do crime, Delbène mostra que o pesar experimentado deve-se, na verdade, ao preconceito. A partir do momento em que o homem coloca todos os crimes no mesmo patamar, ele pode modelar seu remorso, cometendo delitos pequenos ou graves com igual sangue frio38.
a. O determinismo da natureza invalida o sistema da liberdade
A abadessa especifica que só nos sentimos culpados porque acreditamos no “sistema da liberdade”39. Mas tal crença é uma ilusão, pois não somos livres: “somos impulsionados a
tudo o que fazemos por uma força mais poderosa do que nós”40. Sade certamente usou o Système de la Nature (1770) para escrever essa passagem da fala de sua personagem. O
capítulo XI do livro do barão d'Holbach chama-se justamente “Do sistema da liberdade do homem” e refuta o preceito contestado pela religiosa. Para o filósofo materialista, a ideia de liberdade é incompatível com as diversas causas que compelem nossas ações:
“Nascemos sem nosso consentimento, nossa organização não depende de nós, nossas ideias nos vem involuntariamente, nossos hábitos estão no poder daqueles que nos fizeram contrai-los, somos sem cessar modificados por causas visíveis ou ocultas que regram necessariamente nossa forma de ser, de pensar e de agir. [...] Contudo, a despeito dos entraves contínuos que nos ligam, pretende-se que somos livres ou que determinamos nossas ações e nossa sorte independentemente das causas que nos movem”41
.
O abade Bergier, objetando as ideias de d'Holbach no Examen du matérialisme: ou
Réfutation du Système de la Nature (1771), explica por que o sistema da liberdade é tão
36 “[...] ôtez le châtiment, changez l'opinion, anéantissez la loi, déclimatisez le sujet, le crime restera toujours, et l'individu n'aura pourtant plus de remords” (H.J., p. 189).
37 Os libertinos utilizam muito as palavras “espírito” e “alma” como sinônimo de mente, intelecto. Tal sentido se opõe à noção de alma/espírito transcendental que Delbène irá refutar mais adiante.
38 H.J., p. 190.
39 “[...] c'est que l'on est persuadé du système de la liberté […]. Mais […] ce système de la liberté est une chimère [...]” (ibid.).
40 “[...] nous sommes poussés à tout ce que nous faisons, par une force plus puissante que nous [...]” (ibid.). 41 “Nous naissons sans notre aveu, notre organisation ne dépend point de nous, nos idées nous viennent
involontairement, nos habitudes sont au pouvoir de ceux qui nous les font contracter, nous sommes sans cesse modifiés par des causes soit visibles soit cachées qui reglent nécessairement notre façon d'être, de penser & d'agir. [...] Cependant malgré les entraves continuelles qui nous lient, on prétend que nous sommes libres, ou que nous déterminons nos actions & notre sort indépendamment des causes qui nous remuent” (Paul Henri Thiry Holbach, baron d', Système de la nature ou des loix du monde physique & du monde moral
importante no cristianismo: “O dogma da liberdade do homem é a base da Religião; um Deus justo e sábio só pode exigir de nós um culto voluntário e livre; ele não pode recompensar nem punir ações provocadas por uma necessidade irresistível”42. Ao negar a liberdade que o
apologista cristão defende, Delbène sustenta que essa “necessidade irresistível” dos nossos atos invalida qualquer sistema de punição. Se tudo depende de causas físicas que não podemos controlar, não somos responsáveis por nossas ações, logo, não faz sentido sofrer com a culpa. Como tudo é útil no mundo e o crime pelo qual nos arrependemos é tão necessário à natureza como a guerra, a peste e a fome, não podemos nem ao menos conceber o remorso43.
A argumentação da libertina deve ser contextualizada dentro do empirismo, posteriormente chamado de “sensualismo”, desenvolvido por d'Holbach, Helvétius, Diderot, Condillac, entre outros. Tal corrente filosófica propõe que todos os nossos processos intelectuais são, originariamente, percepções físicas transformadas. Ou seja, o conhecimento é “coextensivo à sensação”44: toda operação cognitiva é “a mesma coisa que uma operação
sensitiva”45. Isso é fundamental para entender a sequência do discurso da superiora, que
afirma que todos os efeitos morais46 tem causas físicas. Para exemplificar essa relação entre
sensibilidade física e atividade mental, ela usa a imagem do choque entre uma baqueta e a pele de um tambor. Se não há choque (causa física), não há som (efeito moral). Segundo Delon, a metáfora do choque nos instrumentos musicais era famosa entre os filósofos materialistas das Luzes. La Mettrie relaciona as fibras do cérebro às cordas do violão, d'Holbach compara o homem a uma harpa sensível e Diderot usa a metáfora do cravo vivo. Como acabamos de ver, Sade participa dessa tradição, utilizando uma imagem acústica vizinha47.
Um homem, continua a preceptora, é designado ao crime ou à virtude conforme a disposição de seus órgãos e a irritação de seu fluido neural. Este pode ser mais ou menos irritado pela natureza dos átomos que o indivíduo respira, pela espécie ou quantidade de
42 “Le dogme de la liberté de l'homme est la base de la Religion ; un Dieu juste & sage ne peut exiger de nous qu'un culte volontaire & libre ; il ne peut récompenser ni punir des actions auxquelles nous serions entraînés par une nécessité irrésistible [...]” (Nicolas Bergier, Examen du matérialisme : ou Réfutation du Système de
la Nature, Paris: Humblot, 1771, vol. I, p. 273).
43 H.J., p. 190.
44 “[...] la connaissance coextensive à la sensation” (Sylvain Auroux, “Sensualisme”, in Michel Delon (dir.),
Dictionnaire européen des Lumière, Paris: PUF, 1997, p. 990), (itálico do autor).
45 “[...] toute opération cognitive soit la même chose qu'une opération sensitive” (id., ibid.).
46 A palavra “moral” pode ser usada em duas acepções diferentes no francês. Mais frequentemente, o termo designa algo mental, intelectual, emocional ou espiritual, ou seja, algo que não é físico. Mas também pode ser usado no sentido de regras de conduta de uma sociedade, como no português. Aqui, especificamente, Delbène emprega o primeiro significado.
partículas nitrosas48 dos alimentos que consome, pelo curso dos humores49 e por mil outras
causas externas. Como não há meios de bater no tambor sem que o choque resulte num som, o homem não pode impedir efeitos secundários quando causas primárias os determinam50. Dois
outros trechos do Système de la Nature mostram que o empréstimo de d'Holbach se prolonga. Para o filósofo materialista, o homem também é cativo de sua constituição corpórea e das circunstâncias físicas que o cercam. Ele é impelido à ação pelo seu fluido neural, seus nervos, suas fibras, seu sangue, pelos alimentos que consome e pelo ar que respira:
“Eu estaria muito tentado a acreditar que aquilo que os médicos chamam de fluido nervoso, ou essa matéria tão móvel que adverte tão prontamente o cérebro de tudo o que se passa em nós, não é outra coisa além de matéria elétrica e que a diferença de suas doses ou proporções é uma das principais causas da diversidade dos homens e de suas faculdades”51
.
“[O homem] não vê que seu temperamento não depende em nada dele mesmo, que suas paixões são consequências necessárias desse temperamento, que suas vontades e suas ações são determinadas por essas mesmas paixões e por opiniões que ele não deu a si mesmo? Seu sangue mais ou menos abundante ou quente, seus nervos e as fibras mais ou menos tensas ou relaxadas, suas disposições duráveis ou passageiras não decidem a cada instante suas ideias, seus pensamentos, seus desejos, seus medos e seus movimentos (sejam visíveis ou ocultos)? E o estado no qual ele se encontra não depende necessariamente do ar diversamente modificado, dos alimentos que o nutrem, das combinações secretas que estão nele mesmo e que conservam a ordem ou levam a desordem na máquina? Em uma palavra, tudo deveria convencer o homem de que ele é a cada instante de sua duração um instrumento passivo nas mãos da necessidade”52.
47 Delon, “Notes de H.J.”, op. cit., p. 1391, nota 1 da p. 190.
48 Conforme o Dicionário de Trévoux, nitroso é o adjetivo de nitro: um tipo de sal formado pela união do ácido nitroso e um ácido alcalino, ou seja, salitre (op. cit., tomo 6, pp. 204-205).
49 “Humor é uma substância fluida cujas partes estão em movimento. [...] As plantas se alimentam do humor da terra. Todos os humores têm mais partes aquosas que sólidas ou terrestres. [...] Em termos de Medicina, chama-se os quatro humores as quatro substâncias líquidas que irrigam todos os corpos dos animais, e que se acredita ser as causas dos diversos temperamentos que fazem a fleuma [...], o sangue, a bile e a melancolia. [...] Os humores do corpo exercem sucessivamente um império secreto em nós, influenciando consideravelmente todas as nossas ações” (ibid., tomo 4, pp. 901-902), (itálico do autor).
50 H.J., pp. 190-191.
51 “Je serais assez tenté de croire que ce que les médecins appellent le fluide nerveux, ou cette matière si mobile qui averti si promptement le cerveau de tout ce qui se passe en nous, n'est autre chose que la matière électrique et que c'est la différence de ses doses ou proportions qui est une des principales causes de la diversité des hommes et de leurs facultés” (d'Holbach, Système de la nature, citado por Jean Deprun, “Sade et le rationalisme”, op. cit., p. 80).
52 “Ne voit-il pas que son tempérament ne dépend aucunement de lui même, que ses passions sont des suites nécessaires de ce tempérament, que ses volontés & ses actions sont déterminées par ces mêmes passions & par des opinions qu'il ne s'est pas données ? son sang plus ou moins abondant ou échauffé, ses nerfs & les fibres plus ou moins tendus ou relâchés, ses dispositions durables ou passageres, ne décident-elles pas à chaque instant de ses idées, de ses pensées, de ses désirs & de ses craintes, de ses mouvemens soit visibles soit cachés, & l'état où il se trouve ne depend-il pas nécessairement de l'air diversement modifié, des aliments qui le nourrissent, des combinaisons secretes qui se sont en-lui-même, & qui conservent l'ordre ou portent le désordre dans la machine ? en un mot tout auroit dû convaincre l'homme qu'il est dans chaque instant de sa durée un instrument passif entre les mains de nécessité” (d'Holbach, Système de la nature, op. cit., vol. 1, p. 75), (itálico nosso). Temperamento, no sentido literal e mais abrangente, é “Complexão, constituição natural, hábito do corpo do homem que resulta da mistura e da proporção dos humores, das qualidades primitivas: união, acordo de seus princípios tanto sólidos quanto líquidos, que se reprimem e se temperam mutuamente”
Logo, todas as ações humanas dependem da organização física, da quantidade e do percurso do fluido neural pelo corpo e das influências externas que ele recebe. Os titilamentos de prazer, por exemplo, não são nada além de eletricidade sensível ao corpo através do movimento do fluido, explica Roger Cavaillès53. Frente a uma cadeia tão complexa de ação e
reação, os atos dos homens são sempre necessários e o remorso, um sofrimento absolutamente inútil.
b. As leis da necessidade justificam o egoísmo
Insistindo na argumentação, a abadessa pergunta retoricamente: que mudança o remorso poderia trazer àquilo fizemos? Como o arrependimento surge sempre depois da ação, ele não pode diminuir o mal infligido. E tampouco é capaz de impedir um crime, o que Delbène demonstra por duas hipóteses. Na primeira hipótese, se não há punição, não faz sentido mortificar-se por um prazer inofensivo a si mesmo e nem pelo mal causado ao outro ‒ isso seria amá-lo mais que a si próprio. Tal argumento parece ter sido diretamente retirado do
Examen du matérialisme de Bergier. Sabemos que Sade leu a obra do devoto, pois o marquês
recebeu o livro de sua mulher em 1783, duramente repreendida por não ter providenciado ao mesmo tempo o texto que o abade estava refutando (o Système de la nature)54. Se num
primeiro momento Sade empresta de d'Holbach para provar o determinismo da natureza, logo em seguida empresta de seu oponente para atestar que as leis da necessidade convergem ao primado do egoísmo:
“A partir do momento em que um malfeitor consegue se endurecer contra o remorso a ponto de não mais se envergonhar de nada, não há mais razão para se odiar, ele deve, ao contrário, sentir-se recompensado por ter alcançado sua felicidade independente da opinião dos outros. Podemos nos odiar por seguir fielmente a inclinação invisível da natureza, a impulsão do temperamento, as leis da necessidade?”55.
(Dicionário de Trévoux, op. cit., tomo 7, p. 1012). O termo também pode se referir a caráter se tiver um epíteto: “temperamento violento”, “temperamento duro e impetuoso” (id., ibid.), (itálico do autor).
53 Cavaillès, op. cit., p. 43.
54 Ver Jean Deprun, “Sade et l'abbé Bergier”, in De Descartes au romantisme: études historiques et
thématiques, Paris: J. Vrin, 1987, p. 150.
55 “Dès qu'un malfaiteur sera parvenu à s'endurcir contre les remords, à ne plus rougir de rien, il n'a lieu de se haïr, il doit au contraire se savoir gré d'avoir rendu son bonheur indépendant de l'opinion des autres ; peut-on se haïr en suivant fidèlement le penchant invincible de la nature, l'impulsion du tempérament, les lois de la nécessité ?” (Nicolas Sylvestre Bergier, Examen du matérialisme, citado por Jean Deprun, “Sade et l'abbé Bergier”, op. cit., p. 152).
Quanto à segunda hipótese da libertina, ainda que haja punição, o sujeito arrepende-se da própria incompetência e não do mal que causou ao outro. Se a punição é leve, ele deve aproveitar para refletir e adquirir mais prudência56. Porém tal reflexão não é remorso, enfatiza
ela, mas meramente o resultado da dor gerada pelo mal feito a si mesmo. O remorso real seria o pesar produzido pelo dano que causamos aos outros. Os dois sentimentos são extremamente diferentes: as reflexões são úteis e o remorso, ridículo.
c. Os prazeres intensos anulam o remorso
Como último argumento, a religiosa mostra que a satisfação ou o lucro consolarão Juliette do prejuízo que ela causar ao outro. Antes de cometer um crime, é possível prever o malefício que um terceiro poderá sofrer, mas isso não inibe a contravenção. Ao contrário, quanto maior o mal, mais prazeroso é o delito. Logo, a verdadeira sabedoria não é reprimir os vícios, mas entregar-se a eles com grandes precauções, mantendo a impunidade57. O hábito no
crime anula a possibilidade de sentir o remorso, abrindo as portas para um novo universo:
“[...] que tua alma flexível, e ainda assim nervosa, torne-se imperceptivelmente acostumada a fazer dos vícios todas as virtudes humanas e das virtudes, todos os crimes: um novo universo aparecerá sob teu olhar, um fogo devorador e delicioso deslizará pelos teus nervos, ele inflamará esse fluido elétrico no qual reside o princípio da vida [...]”58.
Indiferente ao arrependimento, a devassa aprendiz poderá familiarizar-se com o crime. Graças à sensibilidade física sempre aguçada, as impressões do vício inflamarão seu fluido neural, que produzirá sensações deliciosas em seu corpo. Mas atenção: é preciso entregar-se inteiramente ao crime, pois uma única resistência ao excesso arruinaria todos os sucessos adquiridos. Delbène adverte: Juliette nunca conhecerá nada se não for capaz de conhecer tudo59. O universo de flores que a abadessa pinta só pode ser alcançado pelos excessos mais
espinhosos. A argumentação da superiora termina lançando na Histoire de Juliette os germes
56 H.J., p. 191. 57 H.J., p. 192.
58 “[...] que ton âme flexible, et malgré cela nerveuse, se trouve imperceptiblement accoutumé à se faire des vices de toutes les vertus humaines et des vertus de tous les crimes: alors un nouvel univers semblera se créer à tes regards, un feu dévorant et délicieux se glissera dans tes nerfs, il embrasera ce fluide électrique dans lequel réside le principe de la vie [...]” (H.J., pp. 193-194), (itálico nosso). No sentido figurado, “um coração
flexível é aquele que cede facilmente aos esforços que fazemos para tocá-lo. Um espírito flexível se adapta, se
dirige facilmente a toda sorte de coisas” (Trévoux, op. cit., tomo 4, p. 197). 59 H.J., p. 194.
do “intensivismo”60, conceito criado por Jean Deprun para explicar o ideal de intensidade dos
libertinos sadianos, para os quais tudo é bom se for excessivo61: “Se a sensibilidade é de fato
de natureza elétrica, [...] os atos mais violentos provocarão em nós os choques elétricos mais vivos e nos darão portanto o maior prazer possível”62. O fluido neural é então uma substância
de funções ambivalentes: sua energia intensa comporta o princípio da vida, mas determina, concomitantemente, o homem a crueldades letais.