4.3 ANÁLISE MULTIVARIADA

4.3.3 Regressão linear múltipla

A regressão linear múltipla é aplicada para mensurar as relações lineares entre duas ou mais variáveis ou mais variáveis. Esta técnica permite analisar a relação entre uma variável dependente e diversas variáveis independentes (HAIR JR. et al., 2009).

A análise de regressão múltipla teve como propósito verificar quanto da variação da variável Comunicação Vertical (dependente) pode ser explicado pelas variáveis independentes e a intensidade dessa relação (MALHOTRA, 2006; HAIR JR. et al., 2009).

Por meio da correlação de Pearson, verificou-se que o construto que apresentava maior correlação com todos os demais foi o de Comunicação Vertical. Deste modo, procederam-se testes, onde cada um dos construtos foi colocado como variável dependente, e a Comunicação Vertical gerou o modelo mais adequado, estatisticamente.

O R2 (coeficiente de determinação) representa a intensidade da associação entre a variável dependente e as independentes, ou seja, a proporção da variação total das variáveis independentes. O R2 Ajustado (coeficiente ajustado de determinação) considera o número de variáveis incluídas na equação da regressão (MALHOTRA, 2006).

Para estimar o modelo de regressão, foi utilizado o método stepwise (HAIR JR. et al., 2009). Neste método, a variável independente mais fortemente correlacionada com a variável dependente é selecionada para formar o modelo num primeiro momento. Em seguida, são adicionadas as variáveis, uma a uma às outras variáveis independentes à equação.

O R2 do modelo resultou em 0,618, o que permite afirmar que o conjunto de variáveis independentes (comunicação interna, liderança, aprendizagem organizacional, comprometimento normativo, aprendizagem grupal, ferramentas de comunicação, comprometimento instrumental e o comprometimento afiliativo) possui um poder explicativo de 61,8% sobre comunicação vertical (variável dependente). A Tabela 28 apresenta os

resultados.

Tabela 28 – Regressão Linear com Comunicação Interna como variável dependente

Modelo R R quadrado R quadrado ajustado Erro padrão da estimativa 8 0,786 0,618 0,613 0,62171476

Fonte: Dados da pesquisa (2017).

Foi realizado o teste ANOVA, o qual compara “[...] a variação resultante de fontes específicas com a variação entre indivíduos que deveriam ser semelhantes. Em particular, a ANOVA testa se várias populações têm a mesma média, comparando o afastamento entre as médias amostrais com a variação existente dentro das amostras” (MOORE, 2005, p. 518). Pelo teste, apresentado na Tabela 29, é possível verificar que o modelo é significativo (p<0,05), e um número baixo de resíduos (df=8). O valor de F demonstra adequação do modelo (F=136,501).

Tabela 29 – Anova – Comunicação Interna como variável dependente

Modelo Soma dos

Quadrados df Quadrado Médio F Sig. 8 Regressão 422,093 8 52,762 136,501 ,000i Resíduos 260,907 675 ,387 Total 683,000 683

Fonte: Dados da pesquisa (2017).

Cabe salientar que foi realizado o teste de Multicolinearidade (Apêndice D), onde se constatou que todos os valores estavam adequados ao que a literatura sugere (VIF<10). Dessa forma, o modelo com maior poder de explicação da variável dependente (Comunicação Vertical), contempla os fatores (variáveis independentes) do Modelo 8 da análise: (i) características da comunicação interna; (ii) liderança; (iii) aprendizagem organizacional; (iv) comprometimento normativo; (v) aprendizagem grupal; (vi) ferramentas de comunicação interna); comprometimento instrumental e; (vii) comprometimento afiliativo, conforme a Tabela 30. Neste modelo de adequação gerado pelo SPSS, três fatores não compõem o modelo: (i) aprendizagem individual; (ii) comprometimento afetivo; (iii) reconhecimento organizacional.

Tabela 30 – Modelo de regressão com a Comunicação Vertical como variável dependente

Modelo

Coeficientes não padronizados Coeficientes padronizados

B Modelo Padrão β t Sig. 8 (Constante) 1,314E-16 ,024 ,000 1,000 Liderança ,276 ,032 ,276 8,664 ,000 Características da Comunicação Interna ,263 ,033 ,263 8,039 ,000 Aprendizagem Organizacional ,194 ,030 ,194 6,486 ,000 Comprometimento Normativo ,127 ,030 ,127 4,209 ,000 Aprendizagem Grupal ,105 ,029 ,105 3,561 ,000 Comprometimento Afiliativo ,097 ,033 ,097 2,917 ,004 Ferramentas de Comunicação Interna ,076 ,027 ,076 2,807 ,005 Comprometimento Instrumental -,093 ,028 -,093 -3,369 ,001

Fonte: Dados da pesquisa (2017).

A partir da Tabela 30, é possível perceber que o fator que mais impacta na Comunicação Vertical é a Liderança, e isso pode estar associado ao próprio instrumento de coleta, que contemplava questões referentes à comunicação formal e informal estar na dependência dos gestores para que ocorresse.

O segundo fator que mais impacta na Comunicação Vertical são as Características da Comunicação Interna, onde mediu-se a Comunicação Interna quanto à ser: (i) clara; (ii) completa; (iii) continuada; (iv) consistente e; (v) curta. Em comum as questões expressavam elementos que dependiam da comunicação advinda da organização para que existissem.

O terceiro fator que mais contribui para a comunicação vertical é a Aprendizagem Organizacional. A Aprendizagem Organizacional contempla tanto elementos trazidos pelos indivíduos, mas muito fortemente, as questões formalizadas da aprendizagem, que também dependem da organização para chegar até os funcionários e ocorrer entre eles.

O quarto elemento que explica a Comunicação Vertical é o Comprometimento Normativo. No Comprometimento Normativo, o indivíduo apresenta uma conduta condizente com o que a organização espera dele, e isso explica a relação dele com a Comunicação Vertical. O quinto fator que explica o modelo é a Aprendizagem Grupal, onde a Comunicação Vertical sofre influências, visto que as questões contemplavam aspectos que dependiam do estímulo e retorno da organização, na pessoa dos gerentes, para que ocorresse.

dirigiam o respondente a refletir sobre seu desejo em continuar pertencendo à empresa e o sentimento de pertença existente neste comprometimento. A relação com a Comunicação Vertical ocorre pelo fato de que os agentes desta comunicação serem os líderes e gestores, os quais também contribuem para que a comunicação aconteça.

O fator Comunicação Instrumental apresentou um impacto negativo em relação à Comunicação Vertical. Isso pode estar atrelado à falta de reconhecimento que os funcionários atribuem receber da empresa e o quanto a ausência de comunicação dos critérios por parte das lideranças impacta em seu comprometimento.

Outros três fatores não compuseram o modelo (AIND, CAFE, REC). O fator Aprendizagem Individual pode não ter permanecido no modelo por conta de que a aprendizagem é algo que ocorre com ou sem a interferência do que a empresa direciona ao funcionário. Independente de que a empresa se comunique com ele, o indivíduo estará aprendendo e coletando informações, dentro ou fora do ambiente organizacional.

O Comprometimento Afetivo também não afeta o modelo de Comunicação Vertical, pois as motivações são advindas do indivíduo, e não dependem somente da organização e da comunicação dela proveniente. O comprometimento de ordem afetiva contempla o sentimento que o funcionário possui em fazer parte da organização e o senso de integração que ele possui com a empresa e o grupo, e a Comunicação Vertical pode não contribuir para que o mesmo se expresse quanto à isso.

Tendo por base esta análise, é possível dizer que a Comunicação Vertical é expressa pela seguinte fórmula:

CVER= 1,314E-16 + 0,263 CCIN + 0,276 LIDE + 0,194 AORG + 0,127 CNOR + 0,105 AGRU + 0,76 FCOM + 0,97 CAFI - 0,93 CINS

A Figura 9 ilustra graficamente os resultados obtidos a partir da análise de regressão linear, onde as pontas das setas indicam quem está recebendo as cargas.

Figura 9 – Regressão linear com Comunicação Interna como variável dependente

Fonte: Dados da pesquisa (2017).

O modelo resume que para que a empresa tenha uma maior Comunicação Vertical, ela tem uma maior dependência da Liderança, das Características da Comunicação Interna, da Aprendizagem em nível Organizacional, do Comprometimento Normativo e da Aprendizagem

em nível Grupal.

Em outras palavras, a comunicação vertical (aquela que vem da empresa para o funcionário por meio dos gestores) sofre uma maior influência da própria liderança, que representa uma ponte que liga a organização aos funcionários. Ainda, essa comunicação é explicada pela forma como a comunicação é direcionada pela empresa (de forma clara, completa, consistente, contínua e curta), bem como pelas ferramentas que a empresa escolhe para disseminar essa comunicação entre o seu público interno. A comunicação vertical, resultante dos resultados deste estudo está mais atrelada a aprendizagem que ocorre nos grupos e perpassa à organização do que a aprendizagem em nível individual. Quanto aos comprometimentos, a comunicação vertical mostrou-se mais relacionada aos resultados do comprometimento afiliativo, normativo e instrumental, que são tipos de comprometimento que mais se mostram dependentes às informações da organização.

4.4 ETAPA QUALITATIVA

Com o objetivo de compreender os principais pontos que emergiram da pesquisa quantitativa, a etapa qualitativa foi realizada num segundo momento da pesquisa, com aderência ao projeto sequencial explanatório (CRESWELL; CLARK, 2013).

No documento Aprendizagem, comunicação, liderança e comprometimento organizacional : um estudo no Grupo Beta (páginas 116-121)