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– Regulagem Inicial do Ventilador Invasivo e

Regulagem do ventilador

• Recomendação: Utilizar a FIO2 necessária para manter a saturação arterial de oxigênio entre 93 a 97%.1,2

• Recomendação: Usar VC 6 ml/kg/peso predito inicialmente. Reavaliar de acordo com evolução do quadro clínico do paciente. 1-5

• Recomendação: Usar modo assistido-controlado podendo ser ciclado a volume (VCV) ou ciclado a tempo e limitado a pressão (PCV), reavaliando nas primeiras horas de acordo com o quadro clinico. 1-4

• Recomendação: Regular Frequência Respiratória (f) inicial controlada entre 12-16 rpm, com fluxo inspiratório ou tempo inspiratório visando manter inicial-mente relação I:E em 1:2 a 1:3. Em caso de doença obstrutiva pode-se começar usando usar f mais baixa (< 12 rpm) e em caso de doenças restritivas pode-se utilizar f mais elevada (> 20 rpm, por exemplo, se o quadro clinico assim exigir).

Reavaliar assim que disponível a primeira gasometria.1-4,7

• Recomendação: definir o tipo de Disparo do Ventilador. Os disparos mais co-muns no mercado são os disparos a tempo (modo controlado pelo ventilador) e pelo paciente (disparos a pressão e a fluxo, chamados de modos de disparo pneumáticos). A sensibilidade do ventilador deve ser ajustada para o valor mais sensível para evitar auto-disparo. O ventilador ainda pode ser disparado pelo estimulo neural (Modo NAVA).1-4,7

• Recomendação: Usar PEEP de 3-5 cm H2O inicialmente, salvo em situações de doenças como SARA onde o valor da PEEP deverá ser ajustado de acordo com as orientações abordadas no tema específico nestas Diretrizes.1,2, 8-10

• Recomendação: Utilizar aquecedores e umidificadores passivos em pacientes sob VM. Nos pacientes portadores de secreção espessa deve-se utilizar umidifi-cação e aquecimento ativos, se disponível com umidifiumidifi-cação ótima, para evitar oclusão do tubo orotraqueal. 11

• Recomendação: deve-se regular os alarmes de forma individualizada, usando critérios de especificidade e sensibilidade adequados para o quadro clínico do paciente. Deve-se regular o Back-Up de Apneia e os parâmetros específicos de apneia se disponíveis no equipamento.

• Recomendação: Uma vez estabelecidos os parâmetros iniciais observar as cur-vas de VC, Pressão e Fluxo a fim de constatar se os valores obtidos estão dentro do previsto e se não há necessidade de reajuste imediato. Verificar a oxime-tria de pulso que deve ser continua. Inicialmente recomenda-se o alarme de Pressão Máxima nas Vias Aéreas em 40 cm H2O visando evitar barotrauma, ajustando-se conforme quadro clínico assim que possível. 1-4,6

• Recomendação: Após 30 minutos de ventilação estável deve-se colher uma gasometria arterial para observar se as metas de ventilação e troca foram atin-gidas. Do contrário, realizar os reajustes necessários nos parâmetros de modo e ciclagem.1-4

• Recomendação: Avaliar as possíveis repercussões hemodinâmicas da ventila-ção mecânica. Avaliar presença de hipovolemia/ocorrência de auto-PEEP e ou Pneumotórax em casos de hipotensão associada ao uso da ventilação com pres-são positiva.

• Recomendação: Manter o nível de trabalho muscular o mais apropriado. Nos casos de demanda de fluxo inspiratório alta utilizar opióides para diminuição do “drive” ventilatório e adequado conforto do paciente. Proporcionar o repou-so muscular por 24-48 horas nos carepou-sos de fadiga muscular respiratória e nos casos de instabilidade hemodinâmica.

• Recomendação: Nos casos em que o repouso muscular não se faz necessário, iniciar o mais rápido possível um modo assistido de ventilação com adequado ajuste da sensibilidade do ventilador. Evitar a disfunção diafragmática induzida pelo ventilador que geralmente ocorre após 18 h de ventilação controlada.

• Sugestão: Em pacientes com idade avançada, uso prolongado de modos controla-dos, desnutricontrola-dos, sob uso de corticóides, bloqueadores neuromusculares e hipoti-reoidismo dar especial atenção à avaliação da função da musculatura respiratória;

Modos Ventilatórios Convencionais 12

• Sugestão: pode-se utilizar modos assisto-controlados ciclados a volume (VCV) quando se almeje manter Volume Minuto (VC x f) mais estável. Este modo pode ser disparado a tempo (controlado), pressão e fluxo (assistido) e é ciclado ao se atingir o VCinspirado pré-determinado. A pressão nas vias aéreas é variável e consequente à mecânica ventilatória do paciente. (especial atenção à monitorização à pressão de pico e de platô neste modo, com adequada regulagem de alarme de pressão máxima em vias aéreas). Esse modo é utilizado para medida da Pressão de Pico e Pressão de Platô visando calcular Complacência e Resistência do Sistema Respi-ratório sob fluxo inspiRespi-ratório constante e quadrado (vide Tema Específico destas Diretrizes).

• Sugestão: pode-se utilizar modos assisto-controlados limitados a pressão e ci-clados a tempo (PCV) em situação de comprometimento da mecânica do Sistema Respiratório, pois permitem o controle mais adequado das pressões em vias aéreas e alveolares. Esse modo se caracteriza por manter a pressão limitada durante toda fase inspiratória, sendo ciclado a tempo. O tempo inspiratório é fixo em segundos pelo cuidador. O fluxo é livre e desacelerado. Neste modo o VC é variável e conse-quente do delta de pressão administrado e da mecânica ventilatória do paciente (deve-se oferecer especial atenção à monitorização do VCexpirado e regulagem de

alarme de Volume Minuto máximo e mínimo). Pode-se, ainda, acelerar ou desace-lerar a velocidade do fluxo inspiratório (rampa, rise time ou slope). O rise time pode ser mais acelerado em pacientes obstrutivos visando ajustar um melhor VC. Cuida-do especial com a ocorrência de pico de fluxo excessivo (overshoot). Nos pacientes restritivos sugere-se usar rise time menos acelerado.

• Sugestão: a Pressão de Suporte (PSV) é considerado o modo preferencial durante a ventilação assistida ou espontânea. Deve ser iniciado seu uso o mais precoce-mente possível, conforme o quadro clínico. É modo disparado exclusivaprecoce-mente pelo paciente, a pressão ou a fluxo. Caracteriza-se por pressão limitada durante toda fase inspiratória, sendo ciclado quando o fluxo inspiratório cai, geralmente, a 25%

do Pico de Fluxo Inspiratório. Este critério de ciclagem (% de critério de ciclagem) em alguns ventiladores mais modernos pode ser regulado de 5 a 80%, permitindo redução do Tempo Inspiratório em pacientes obstrutivos (% de critério de ciclagem

> 25%) e aumento do Tempo Inspiratório em pacientes restritivos (% de critério de ciclagem < 25%). O rise time pode ser mais acelerado em pacientes obstruti-vos permitindo-se diminuir o Tempo inspiratório e ajustar um melhor VC. Cuidado especial com a ocorrência de pico de fluxo excessivo (overshoot). Nos pacientes restritivos sugere-se usar rise time menos acelerado, com possível ganho de VC.

• Sugestão: pode-se usar ventiladores ciclados a pressão quando somente houver esse recurso no local. Pode ser disparado a tempo e a pressão. Caracteriza-se por oferecer fluxo fixo até que a pressão das vias áreas atinja um valor pré-deter-minado regulado pelo cuidador (ciclagem). Assim sendo o VC não é conhecido, recomendando-se utilização de um ventilômetro externo (ventilômetro de Wright) ou coletar uma gasometria arterial após 20 minutos de ventilação estável a fim de checar se o valor de PaCO2 está compatível com o quadro clinico (entre 35-45 mmHg na maioria dos casos). Este equipamento geralmente não dispõe de blender (misturador) interno de O2, nem de alarmes. Deve haver cuidadosa atenção e vigi-lância da ventilação e oxigenação por parte da equipe multiprofissional.

• Recomendação: evitar o uso do modo SIMV (Synchronized Intermitent Mandatory Ventilation), pois se mostrou associado a aumento do tempo de Retirada da VM.

Atualmente o uso desta modalidade se restringe a pacientes que necessitem garantir Volume-Minuto mínimo no início da PSV (ex: neuropatas ou pacientes no despertar inicial de anestesia geral). Assim que o controle (drive) ventilatório se mostrar estável deve-se modificar para modo PSV. Descrição do modo: Os ciclos controlados podem ser ciclados a volume (SIMV-V) ou limitados a pressão (SIMV-P). Os ciclos espontâneos devem ser associados a PSV. Caracteriza-se por permitir dentro da mesma Janela de Tempo (JT - determinada pela frequência respiratória do modo controlado) ciclos controlados, assistidos e espontâneos. Ciclo controlado somente ocorrerá se não tiver havido disparo assistido na JT imediatamente anterior. Do contrário o software do ventilador aguarda o próximo disparo do paciente em ciclo assistido. No restante da JT poderão ocorrer ciclos espontâneos, apoiados pela PSV.

REFERêNCIAS BIBLIOGRáFICAS – TEMA 4

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9. Barbas CS, de Matos GF, Pincelli MP, da Rosa Borges E, Antunes T, de Barros JM, Okamoto V, Borges JB, Amato MB, de Carvalho CR. Mechanical ventilation in acute respiratory failure: recruitment and high positive end-expiratory pressure are necessary. Curr Opin Crit Care. 2005 Feb;11(1):18-28.

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11. Doyle A, Joshi M, Frank P, Craven T, Moondi P, Young P. A change in humidification system can elimi-nate endotracheal tube occlusion J Crit Care. 2011 Dec;26(6):637.

12. MacIntyre NR Patient-ventilator interactions: optimizing conventional ventilation modes. Respir Care.

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