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REINO ARQUINÓTICO

No documento Fundamentos de GeomorFoloGia e BioGeoGraFia (páginas 190-196)

TÓPICO 1 – OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS

2.4 REINO ARQUINÓTICO

O termo Arquinótico significa oposto ao Ártico e engloba o extremo sul da América do Sul, Antártica e o sudeste da Nova Zelândia. As condições adversas à vida dificultam o estabelecimento de animais e plantas, de modo que as espécies que lograram se adaptar às condições reinantes são altamente especializadas e de pequeno número de espécies.

Prezado(a) acadêmico(a)!

Para conhecer mais sobre o termo Arquinótico, acesse o site: <http://www.inach.cl/portal_ educa/antartica/antartica.html>. Acesso em: 13 jul. 2010.

UNI

São 13,5 milhões de quilômetros quadrados de gelo, apenas no Continente Antártico. O gelo tem uma espessura média de cerca de 2.000 metros e o Monte Vinson, na cadeia Ellsworth, é o ponto culminante, com 4.897 metros. Cerca de 90% do gelo da Terra estão na Antártica, que correspondem a 70% da água doce do planeta.

Juntamente com a América do Sul, África, Austrália e Índia, a Antártica fazia parte do continente de Gondwana. Portanto, a geologia da Antártica é muito semelhante à daqueles continentes.

O Continente Antártico foi dividido em duas partes para efeito de estudos: a Antártica Oriental e a Antártica Ocidental. A Antártica Oriental localiza-se ao sul da Austrália e da África. A Antártica Ocidental situa-se ao sul da América do Sul. A cordilheira Transantártica divide as duas regiões (CUNHA, 1973). “A geologia da parte oriental é constituída pelo embasamento granítico, de idade pré- cambriana. A porção ocidental tem a mesma sequência de rochas sedimentares e ígneas da América do Sul. Os sedimentos estão associados ao sistema andino e têm idade jurássica e terciária”. (MÜLLER, 1979, p. 79).

Fósseis antigos encontrados na Antártica comprovam a antiga ligação ao continente de Gondwana. São fósseis de idades cambrianas, ordoviciana e siluriana. Depósitos glaciais de tilito carbonífero recobertos por sedimentos permianos e triássicos encerram fósseis de vertebrados terrestres, camadas de carvão e presença da flora Glossopteris. Essa variedade de fósseis e as evidências geológicas mostram que o clima antártico já foi mais quente do que o atual. As camadas de carvão indicam um clima úmido e quente. A flora de Glossopteris é de idade carbonífera e é contemporânea à do réptil carnívoro Lystrosaurus. (CUNHA, 1973).

Da mesma forma que no Polo Norte, a Antártica não tem um ciclo diário dividido em 24 horas. De setembro a março, o Sol paira sobre o horizonte, o que corresponde ao verão austral – o dia no Polo Sul. De março a setembro ele desaparece lentamente, à medida que o outono avança e o inverno o sucede. Quando a primavera retorna, ele ascende no horizonte para clarear nos próximos seis meses. O Sol nunca fica no zênite nos polos e nunca sobe muito além do horizonte. Por essa razão, os polos recebem muito pouca radiação solar e este é um dos fatores das baixas temperaturas.

A massa de gelo se desloca lentamente do centro do continente em direção à periferia. No Oceano Antártico, a plataforma continental tem uma extensão média de 30 quilômetros e, devido ao peso do gelo, é mais profunda do que dos demais continentes.

O continente gelado é a fonte da massa de ar antártica (mP), que se forma no anticiclone fixo polar e se deloca sob a forma de fortes ventos, que alcançam velocidades superiores a 100 km/h no litoral. O anticiclone permanente tem inversão térmica muito baixa, fazendo com que o deslocamento das massas quentes superiores para a superfície seja lento. Por esta razão, o contato das massas de ar com a superfície gelada é longo. Dessa forma, elas perdem totalmente o calor adquirido na descida. (NIMER, 1979, p. 11).

O vento, chamado de catabático, diverge do anticiclone em direção ao litoral com um desvio constante para a esquerda, devido ao efeito de Coriolis, e atinge velocidades superiores a 100 km/h em razão do forte gradiente de pressão existente entre o interior do continente e o mar.

Em alguns lugares do litoral, como no Mar de Weddel, onde há um centro de baixa pressão, para os quais migram as massas antárticas, as tempestades são violentas e podem durar semanas. No interior, as precipitações são de neve, raramente de água líquida. No litoral, o total pluviométrico não ultrapassa os 250 mm/ano. Em todo o continente, o índice médio é inferior a 100 mm de precipitação.

A Antártica tem temperaturas bem menores que o Ártico. As razões são as seguintes:

1) no Ártico há maior quantidade de água, que retém melhor o calor. Na Antártica, com muito mais gelo, apenas uma pequena porcentagem do calor é mantida pela água;

2) o oceano reflete cerca de 5% da radiação solar incidente (de ondas curtas) e absorve o restante, liberando-o lentamente. A superfície exposta à radiação reflete entre 15% e 35% da radiação de ondas curtas. O restante é liberado com maior velocidade, o que resfria a superfície. A capa de gelo antártica reflete cerca de 80% da radiação incidente – por isto, existe mais gelo na Antártica que no Ártico;

3) no inverno, o Oceano Glacial Antártico se congela e praticamente dobra o tamanho do continente, impedindo ou dificultando, pois, que a água do mar funcione como um mecanismo moderador das temperaturas.

Prezado(a) acadêmico(a)!

Para auxiliar nos estudos e conhecer mais sobre as baixas temperaturas na Antártica, acesse o site: <http://www.iespana.es/natureduca/ant_indice.htm>. Acesso em: 13 jul. 2010.

IMPORTANTE

A temperatura média anual no interior do continente é de 54o C negativos. Todos os meses têm média inferior a 0o C. Mas no verão no litoral, a temperatura máxima do verão raramente chega a 15o C, registrada na Península Antártica Norte, a região mais aquecida do continente. Em outras regiões litorâneas, a temperatura raramente chega a 5º C. A mínima absoluta da Terra registrou-se na estação russa de Vostok, que está a uma altitude de 3.505 metros e na latitude de 78º28’: -89,2o C, em julho de 1983. O recorde anterior havia sido da mesma estação, em agosto de 1960: -88,3o C. A média anual na estação Vostok é de -56º C, a média no mês mais quente (janeiro) é de -33º C e a máxima absoluta, -21º C. No inverno, no litoral, a média é inferior a -40o C.

No Polo Sul, a amplitude térmica varia antre -25º C e -62º C. Altitudes elevadas, o anticiclone polar, que mantém a atmosfera quase sempre límpida, e a baixa umidade atmosférica contribuem para as temperaturas tão baixas, a que se junta a posição do sol sempre no horizonte.

A vida no reino Arquinótico enfrenta fatores limitantes severos, representados, sobretudo, pelo clima. Os seres vivos se viram obrigados a um complexo processo de adaptação, muito próximo do limite vital.

“O limite meridional das plantas superiores encontra-se a 68o de latitude sul, e, na Antártica, aparecem apenas duas espécies: a gramínea Deschampsia antarctica e a vascular com flores Colobanthus crassifolius” (MÜLLER, 1979, p. 78; WALTER, 1986, p. 294). O restante é representado por musgos, algas terrestres e líquens, que ocuparam esparsamente apenas a costa. A erva C. crassifolius cresce em lugares protegidos do vento, que contenham alguma umidade, especialmente depois do degelo da primavera. Suas flores são brancas e têm menos de 0,5 centímetro de comprimento. D. antarctica e C. crassifolius crescem apenas na Península Antártica e nas ilhas mais setentrionais, que têm temperaturas mais amenas.

Segundo Walter, 1986, p. 294:

Nas ilhas próximas, as temperaturas são superiores a 0o C no verão,

mas o solo litólico e o frio extremo impedem o crescimento de árvores. As baixas temperaturas dificultam a pedogênese e a superfície é coberta por calhaus de pedras. Chuva e neblina ocorrem durante todo o ano e o vento polar varre as ilhas sem parar. A cobertura vegetal das ilhas é representada por musgos, samambaias e líquens. (WALTER, 1986, p. 294).

Líquens e musgos são as vegetações mais comuns e melhor adaptadas em todo o Continente Antártico, podendo ser encontrados a até 400 quilômetros do Polo Sul. Existem mais de 400 espécies de líquens, 75 espécies de musgos, oito gêneros de hepáticas e 75 espécies de fungos (apenas oito macroscópicas) na Antártica. Nas rochas, onde as aves fazem os seus ninhos, a alga verde terrestre

Prasiola crispa é comum. Algas azuis, as cianofícias, são frequentes também.

Quanto à fauna, a Antártica tem cerca de 200 espécies endêmicas de peixes, em geral, de tamanho pequeno, com menos de 25 cm de comprimento, raramente chegando a 50 cm. A maioria tem crescimento lento e grande longevidade. O

krill (Euphausia superba) é a principal fonte de alimentação da maioria dos peixes

antárticos. É um crustáceo muito semelhante ao camarão, que não ultrapassa 6 cm de comprimento e pesa, no máximo, 1,5 g.

Existem 85 espécies de krills, que vivem em grupos de milhares e constituem uma biomassa de cerca de 5 bilhões de toneladas. Baleias, aves e pinguins também usam o krill como fonte de energia. As baleias ingerem cerca de uma tonelada de krill num único almoço. O krill integra uma complexa rede alimentar, que começa com os fitoplânctons, o seu alimento. Barcos pesqueiros japoneses e noruegueses o pescam intensamente.

As aves antárticas compõem sete famílias: Spheniscidae (pinguins, 18 espécies); Stercorariidae (skuas, duas espécies); Laridae (gaivotas, três espécies);

Phalacrocoracidae (cormorão, uma espécie); Procelariidae (petréis, três espécies, e

a pomba-antártica, uma espécie); Diomedidae (albatroz, três espécies); Oceanitidae (andorinhas-do-mar, uma espécie).

Os pinguins são os representantes mais comuns do reino Arquinótipo. O pinguim-imperador (Aptenodytes forsterii), que pode ter mais de um metro de altura e pesar 40 quilos, e o pinguim-de-Adélia (Pygoscelis adeliae) formam grandes colônias de milhares de indivíduos e são os únicos que vivem ao longo do litoral durante todo o ano. O pinguim-imperador forma colônias de mais de 300 mil indivíduos. O krill é o principal alimento dos pinguins e os seus predadores são a foca-leopardo (Hydrurga leptonyx), a gaivota (Larus dominicanus) e as skuas (Chataracta spp).

O estercorário (família Sterchoranïdae), ou skuas, são os maiores predadores do polo Sul. Alimentam-se de aves, filhotes e ovos de pinguins, filhotes de focas, restos de placentas das focas, animais mortos, em adiantado estado de putrefação.

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Quanto às espécies, acesse o site: <http://www.inach.cl/portal_educa/antartica/antartica. html> e <http://www.inach.cl/portal_educa/antartica/antartica.html>.Acesso em: 13 jul. 2010.

DICAS

Na Antártica ocorrem três espécies de gaivotas: Larus dominicanus, a gaivota-dominicana, Sterna paradisaea, a gaivota-do-Ártico (que nos respectivos invernos voa para o polo oposto no verão) e Sterna vitatta, a gaivota da Antártica. A família Laridae tem 90 espécies de gaivotas, das quais 20 vivem no Brasil. O hábitat preferido são as ilhas Shetland do Sul, que dividem com as focas e pinguins. Alimentam-se de peixes, ovos, roedores pequenos e restos de animais mortos e de plantas. O seu predador mais contumaz é o estercorário.

Outras aves na Antártica são o cormorão-da-Antártica (Phalacrocorax

bransfieldensis), que pesca a 30 metros de profundidade e prende a respiração por

um minuto. No Brasil, o biguá, P. olivaceus, representa a espécie. O cormorão é uma ave cosmopolita e, no reino Paleotropical, estende os seus domínios da Europa Ocidental até a Ásia e a Austrália. Outros procelários (família Procelariidae) na Antártica são Daption capense, o petrel, Macronecte giganteus, o petrel-gigante,

Pagoroma nivea, o petrel-das-neves, Chionis alba, a pomba-antártica.

O simpático albatroz (família Diomedeidae) é uma das aves mais cosmopolitas, mas a principal concentração se dá no Hemisfério Sul, nas ilhas Shetland do Sul e na Península Antártica. Há três espécies: Diomedea melanophris, o pelicano-negro, D. chrysostoma, pelicano-de-cabeça-cinza, e D. exulans, albatroz comum.

Os invertebrados têm poucos representantes – tardígrafos (invertebrados com 1 mm de comprimento), ácaros (parasitas de aves e mamíferos, com menos de 1 mm), colêmbolos (insetos ápteros com 5 mm de comprimento), que vivem sob o musgo (STORER et al., 1991).

Dentre os mamíferos marinhos, duas ordens fazem parte da fauna antártica: Carnivora e Cetacea. Dentre os carnívoros estão a foca (família Phocidae) e o lobo- marinho (família Othariidae). As focas estão representadas por diversos gêneros: a foca-elefante ou elefante-marinho (Mirounga leonina), a foca-branca (Lobodon

carcinophagus), a foca-leopardo ou leopardo-marinho (Hydrurga leptonyx), a foca

de Weddell (Leptonychotes weddelli) e a foca-de-Ross (Ommatohoca rossi).

As baleias são os maiores animais da Terra. Na ordem Cetacea incluem- se também os golfinhos. “As baleias são classificadas em duas subordens –

721). Na Antártica encontram-se a baleia-azul (Balaenoptera musculus), o maior animal do planeta, com 32 m de comprimento, e filhotes que nascem com 7 m de comprimento, a mink (Balaenoptera acutorostrata), a baleia-de-corcova ou corcunda (Megaptera novaeangliae) e a baleia fin (Balaenoptera physalus), dentre as baleias sem dentes. As únicas baleias com dentes são a orca (Orcinus orca), erroneamente chamada de baleia-assassina, e o cachalote (Physeter catodon) ou baleia-de-espermacete, com 18 m de comprimento. O espermacete é um óleo lubrificante produzido pela baleia, armazenado num reservatório localizado na cabeça. No estômago, ela produz o âmbar-cinzento, muito usado em perfumaria (STORER).

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Quanto às espécies de baleias, acesse o site: <http://www.antarcticconnection.com/antarctic/ wildlife/whales/index.shtml> Acesso em: 13 jul. 2010.

DICAS

No documento Fundamentos de GeomorFoloGia e BioGeoGraFia (páginas 190-196)