Distingue-se assim três modos diferentes de relação homem- natureza:

predação, reciprocidade e proteção.

A predação se estabelece quando na relação entre humanos e não-humanos, estes não participam de nenhum sistema de troca. É um modo de relação que se observa no animismo (entre os makuna da Amazônia, por exemplo, quando as plantas, frutos e sementes são apenas “alimento”); no totemismo (entre os aborígines australianos, quando a busca de alimento não carrega em si um significado simbólico – por exemplo, não há nenhuma interdição ao clã do urso de caçar a ema), e no naturalismo (entre os ocidentais, quando as relações são pautadas na exploração desmensurada dos recursos naturais).

A reciprocidade, por outro lado, baseia-se no princípio da estrita equivalência entre humanos e não-humanos, compartilhando a biosfera. É um sistema de troca recíproca de serviços, alimentos e fluxos vitais que se estabelece entre os vários habitantes do cosmos. Um modo de relação que se observa principalmente no animismo, quando esta troca revitalizante com a natureza envolve, por exemplo, homens e espíritos. Na cosmologia Makuna, assim como na cosmologia Karajá, em momentos de celebração, que exigem uma quantidade maior de comida, o xamã (homem) realiza um ritual no qual pede autorização aos “Donos Espirituais dos Animais” (Seres Supremos) para uma caça e pesca mais extensa; em troca oferece “comida espiritual” (folha de coca, tabaco e cera de abelha).

A proteção implica um contato direto e permanente com as espécies protegidas, e um tipo de dependência entre humanos e não-humanos geralmente recíproca, quando garante uma base de subsistência, um laço emocional, ou um laço de dependência com determinada divindade protetora. É um modo de relação que se observa no animismo (quando na Índia, por exemplo, é preciso que exista a vaca enquanto animal sagrado para que se proteja a “divindade” e por ela seja protegido); e no naturalismo (o caso das espécies domesticadas – por exemplo, o gado e a ave como base de subsistência; e o cão enquanto laço emocional).

Implica uma reciprocidade utilitária, em termos de espécie, em que esta acaba sendo beneficiada (proteção utilitária).

Ao finalizar, mesmo no mais altruísta nível, caso dos movimentos conservacionistas contemporâneos, como pensar em conservação da biodiversidade, se vivemos uma sociedade cujo paradigma de identificação é naturalista e o modo de relação com o meio natural é predatório?

2. A BIODIVERSIDADE GLOBAL E BRASILEIRA

Márcia Rodrigues Costa de Camargo 2.1 Ecorregiões no Mundo

O conceito de ecorregião, já conhecido dos ambientalistas, torna-se chave da proteção ambiental. “Ela é uma unidade individual, com uma formação determinada”, explica o biólogo Leandro Ferreira, um dos responsáveis pelo trabalho.”Sua fauna e sua flora se interligam a outros elementos, como solo, relevo, regime de chuvas e até movimento de marés.” É com tais particularidades que essas regiões devem ser entendidas e protegidas. Não se trata mais de defender genericamente os biomas: o que garante o futuro da natureza é a adequada conservação dessas subdivisões particulares.

O Projeto Global do WWF Internacional começou em 1994 e traça um desenho completo do planeta. Em 2002, associou-se ao governo brasileiro e ao Banco Mundial, para completá-lo. O compromisso de preservar a natureza para as próximas gerações deve ir além de proteger paisagens agradáveis, ele pode incluir metas mais ambiciosas, como a de sustentar, em sua integridade, uma natureza rica, variada e generosa como poucas no planeta.

O Fundo Mundial para a Natureza (WWF, 2003), detalhou regiões terrestres para facilitar a sua conservação. Agrupadas em 14 ambientes, as 869 ecorregiões definidas pelos pesquisadores, estão representadas desta forma:

Mangues

Ambientes tropicais, localizados na faixa do litoral entre marés, onde as águas doce e salgada se misturam. Ricos em nutrientes, servem de abrigo para peixes na época de reprodução e atraem aves em busca de alimento, como nos mangues da costa noroeste mexicana.

Campo de Inundação e savanas de regiões alagadas

Ambientes inundados sazonalmente e que atraem várias espécies de aves aquáticas na época da cheia, como os campos de inundação de Guayaquil, no equador.

Floresta Temperada Mista

Caracterizada por um mosaico de habitats e de espécies, como as florestas de baixada do leste dos Grandes lagos.

Floresta Úmida Tropical e Subtropical

Um dos ambientes com maior diversidade animal e vegetal do Planeta, como a Mata Atlântica, onde se encontra a maior parte das espécies de animais brasileiros ameaçados de extinção.

Campo de Gramíneas, Cerrados e Savanas tropicais e Subtropicais Necessitam de muita luz, onde há alternância de períodos de chuva e de seca, como as savanas tropicais da região oeste do Sudão, localizadas em terrenos planos.

Desertos e Campos Arbustivos Secos

Áreas onde quase nunca chove, geralmente localizadas em regiões muito quentes como o Deserto da Namíbia.

Regiões Montanhosas de Vegetação Arbustiva e Gramíneas

Topos de morros, onde a vegetação está adaptada as baixas temperaturas.

Um exemplo é o prado alpino das montanhas Hindu Kush, entre o Afeganistão e o Paquistão, com grave degradação ambiental.

Tundra

Ambiente rochoso, frio e de poucas chuvas, como a tundra das ilhas do Sul do Oceano Índico, em que se encontram vários insetos, aves e mamíferos marinhos.

Floreta de Coníferas Tropical e Subtropical

Freqüentes nas regiões temperadas, elas ocorrem nos trópicos geralmente em locais elevados. Um exemplo são as florestas tropicais de pinheiros de Sumatra.

Floresta Boreal ou Taiga

Localiza-se somente no Hemisfério Norte, em locais frios e pouco úmidos, em regiões extensas, como a taiga russa e escandinava.

Floresta de Coníferas de Clima Temperado

Um exemplo são as do oeste do Himalaia, das quais dependem aves e mamíferos migratórios.

Floresta e Campos Arbustivos Mediterrâneos

Árvores que nunca perdem as folhas e arbustos adaptados para reduzir a perda de água nos verões quentes e secos, como os bosques do sudoeste da Austrália, com várias espécies de eucalipto.

Floresta Seca Tropical e Subtropical

Nela, as estações chuvosas e secas alternam-se. Nas ilhas Fiji, a floresta se reduz a fragmentos e é o habitat mais ameaçado do Pacífico.

Campo de Gramíneas e Savanas Temperadas

A intensidade das chuvas é bem menor que na região tropical, como nas savanas temperadas do sudeste da Austrália

As ecorregiões não respeitam as fronteiras entre os países. Elas são determinadas por um conjunto de características muito mais vitais que a simples divisão política das terras e, no entender das organizações não governamentais, como o próprio WWF, elas são uma ferramenta eficiente para orientar projetos de conservação.

2.2 As Ecorregiões Brasileiras

O ponto de partida da definição das 49 ecorregiões, realizado pelo Ibama em parceria com WWF-Brasil e TNC (ONGs), teve como um de seus pontos de

referência o Mapa da Vegetação do Brasil, publicado em 1988 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nele, dados cruciais sobre desmatamento, relevo, ocupação agrícola e os parques e reservas florestais já estão anotados, tendo sido reajustados os limites dos biomas, a partir das análises realizadas.

Com o nome de Estudo de Representatividade Ecológica nos Biomas Brasileiros, o estudo que durou três anos, delimita 78 ecorregiões para o Brasil, sendo:

 Amazônia: 23 ecorregiões

 Cerrado: 22 ecorregiões

 Mata Atlântica : 9 ecorregiões

 Zona Costeira: 9 ecorregiões

 Caatinga: 8 ecorregiões

 Pantanal: 2 ecorregiões

 Campos Sulinos: 1 ecorregião

Segundo Moacyr Arruda (2003), biólogo-coordenador de ecossistemas do Ibama, o Brasil é hoje um dos países com menor índice de área protegida em relação a média mundial de 6%. Os biomas mais apoiados por unidades de conservação de proteção integral são o Costeiro com 6,31% e a Amazônia com 30 Unidades de Conservação protegendo 4,83% de sua área total. O terceiro mais protegido é o Cerrado, com 20 Unidades de Conservação que, no entanto, cobrem apenas 1,7% de sua área total.

As 23 ecorregiões da Amazônia já estavam definidas e serviram para a delimitação do Parque Nacional do Tumucumaque, no Amapá, com 3,8 milhões de hectares.

O estudo também definiu com precisão as áreas de transição, tecnicamente chamados de ecótonos, que costumam abrigar grande riqueza de espécies. Os

três maiores ecótonos brasileiros chegam a ter áreas superiores a muitos países.

São eles, o Cerrado-Amazônia, que abrange 4,85% do território nacional, a Caatinga-Amazônia, que atinge 1,7% do País e o Cerrado-Caatinga, 1,3% do país.

No que se refere à definição das ecorregiões no Brasil importa considerar que:

“A definição das ecorregiões brasileiras baseou-se em mapas de flora e fauna, em imagens de satélite e mapas de relevo, hidrografia, solo, geologia, precipitação e outros fatores físicos, além de levantamentos específicos, realizados pela Universidade de Brasília, pela Embrapa, com o apoio da entidade ambientalista The Nature Conservancy (TNC), com sede em Washington, EUA“

(JOHN, 2003)

2.3 Unidades de Conservação no Brasil

A proteção da biodiversidade brasileira, através de parques e reservas, não se distribui de maneira eqüitativa em todo o país. Hoje existem 118 unidades de conservação (UCs) federais, abrangendo 2,74% do território nacional. Mas algumas das grandes regiões naturais (ou biomas) são privilegiadas, em termos de proteção legal, em relação as outras. Temos 47 parques Nacionais no Brasil, sendo 9 na região Norte, 12 na região Nordeste, 7 na região centro-Oeste, 10 na região Sudeste e 9 na região Sul.

Até agora, não tínhamos um estudo detalhando os 7 biomas brasileiros, por isso a implantação de unidades de conservação obedeceu outros critérios, conta Moacyr Arruda, do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente( Ibama). A delimitação das ecorregiões, como unidades de paisagem, flora, fauna, que servem de base para o planejamento da preservação da biodiversidade. Uma grande região como a Amazônia, não é homogênea, mas subdividida em áreas menores, as

ecorregiões – que funcionam como unidades para os seres vivos nativos, do mesmo modo como uma bacia hidrográfica funciona como uma unidade para a conservação da água.

“A delimitação das ecorregiões terá grande impacto na definição de políticas públicas, além da política de conservação, porque permite a análise das lacunas”

(JONH, 2003). Em outras palavras, com os mapas agora produzidos é possível saber quais as áreas importantes que ainda não estão legalmente protegidas e iniciar estudos para a criação de novas unidades de conservação, complementando a definição de áreas prioritárias, dos workshops realizados entre 1999 e 2000, com a participação de grande número de cientistas.

2.4 Corredores de Biodiversidade

O termo “corredores” foi primeiramente usado por Simpson (1963) no contexto de dispersão de fauna entre os continentes. Os registros paleontológicos são um “testamento” do valor de corredores intercontinentais. Hoje, em dia, o enfoque dado a corredores para reservas naturais é bem diferente. Entretanto, é interessante especular o quanto a idéia foi influenciada pela percepção anterior de que a biota se dispersa ao longo dos vales, bacias hidrográficas e outras características fisiográficas (SHAFER,1990). Leopold (1949) notou que vários animais, por razões desconhecidas, não pareciam ater-se às suas populações, porém, foi Preston (1962) que recomendou o uso de corredores entre reservas.

Usados estrategicamente, os corredores e zonas de amortecimento podem mudar fundamentalmente o papel ecológico das áreas protegidas. Esses corredores serviriam para aumentar o tamanho e as chances de sobrevivência de populações pequenas, além de poderem servir como possibilidades de recolonização de espécies localmente perdidas e, ainda, permitir a redução da pressão do entorno das áreas protegidas.

Podemos melhor definir o que deverão ser nossos corredores de biodiversidade, como faixas de vegetação ligando blocos de habitat nativo; ou por exemplo como “Áreas homogêneas (numa determinada escala) de uma unidade da paisagem, que se distinguem das unidades vizinhas e apresentam disposição espacial linear”(METZGER,2001)

No sentido que tem sido utilizado por algumas organizações não governamentais ambientalistas, como o Instituto Conservation International, a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto de estudos Sócio-Ambientais da Bahia- IESB, um corredor de biodiversidade ou um corredor ecológico, “compreende uma rede de parques, reservas e outras áreas de uso menos intensivo, que são gerenciadas de maneira integrada para garantir a sobrevivência de um maior número possível de espécies de uma região”.

A definição de corredores de biodiversidade numa paisagem, visa diminuir os efeitos da fragmentação e do isolamento de habitats, contribuindo também para um manejo mais apropriado de toda a região, uma vez que pressupõe introdução de novas técnicas de manejo e uso dos solos sem, no entanto, influenciar diretamente no desenho fundiário regional.

Segundo o documento “Planejando Paisagens Sustentáveis” o corredor de biodiversidade, é uma unidade de planejamento regional, muito mais que um mecanismo de zoneamento. Um corredor inclui tanto as áreas protegidas já existentes, como as por criar, as reservas privadas, áreas prioritárias, projetos demonstrativos e outras áreas de uso econômico intensivo.

Sob uma perspectiva biológica, o objetivo principal dos corredores de biodiversidade é manter ou restaurar a conectividade da paisagem. Para isso, são necessárias várias ações, algumas de caráter investigativo, outras de caráter indutivo e ainda algumas intervenções. Um primeiro conjunto de ações está relacionado ao conhecimento da região.

O que pode, a estratégia de estabelecimento de corredores de biodiversidade mais acrescentar, além de seus resultados para a conservação da diversidade biológica, é a introdução de políticas de conservação que custem menos ao governo e a sociedade, permitindo que os últimos optem por receber compensações pelos seus esforços de conservação, em vez de verem impostas medidas autoritárias e burocráticas, sem que sequer se compreenda que objetivos pretendem alcançar (BRITO, 2002).

Finalmente, o sexto projeto do Subprograma de Unidades de Conservação e Manejo de Recursos Naturais, no âmbito do PPG-7, em fase final de preparação é o projeto parques e reservas, que tem como objetivo a conservação in situ da biodiversidade das florestas tropicais brasileiras, por meio da integração de Unidades de Conservação públicas e privadas em Corredores Biológicos selecionados. Os alvos específicos são a implementação de unidades modelo em áreas de alta prioridade para a diversidade biológica, a expansão do sistema de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e a preservação de grandes blocos de florestas tropicais, por meio da integração de populações locais e outros atores. O manejo integrado dos corredores ecológicos visa facilitar o fluxo de indivíduos e genes entre populações, aumentando a probabilidade da sobrevivência das espécies em longo prazo e assegurando a manutenção de processos ecológicos evolutivos em larga escala.

Por intermédio da Diretoria de Ecossistemas (DIREC), o IBAMA é o executor do projeto, junto com governos estaduais e municipais e Organizações não Governamentais.

Sete corredores prioritários foram propostos, após estudos extensivos, dos quais cinco na Amazônia e dois na Mata Atlântica. Juntos, eles representam 25%

das florestas tropicais úmidas brasileiras e podem preservar 75% das espécies de animais e plantas nelas existentes. São eles:

Corredor Centro –Amazônico, que inclui grandes extensões de florestas inundadas e de terra firme nas bacias dos Rios Negro e Solimões. As florestas inundadas deste corredor têm alta diversidade biológica e muitas espécies endêmicas. Ele inclui a Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamiruauá, a ESEC de Anavilhanas, a Floresta Nacional de Tefé, o Parque Nacional (PARNA) do Jaú, a Reserva Florestal Adolpho Ducke, outras nove Unidades de Conservação e 14 áreas indígenas.

Corredor Norte-Amazônico, situado na fronteira Norte do Brasil com a Colômbia e a Venezuela. Inclui montanhas e ecossistemas de altitude ainda praticamente intocados. Abrange o PARNA do Pico da Neblina, a FLONA de Roraima, o Parque Estadual da Serra do Araçá, mais 17 Unidades de Conservação e 20 áreas indígena.

Corredor Oeste-Amazônico, um ambiente que abriga muitas espécies de aves, plantas e macacos. Provavelmente é o mais rico da Amazônia em termos de biodiversidade. Inclui o PARNA da Serra do Divisor, as Reservas Extrativistas (RESEX) Chico Mendes e do Rio Preto-Jacundá, mais 30 Unidades de Conservação e 30 áreas indígenas.

Corredor Sul-Amazônico, vital para a proteção da fauna e da flora entre os rios da margem direita (sul) do Amazonas: Tapajós, madeira, Xingu e Tocantins. Inclui áreas localizadas em três Estados (Amazonas, Pará e Maranhão), que abrangem a Floresta Nacional do Tapajós, o Parque Nacional (PARNA) da Amazônia, a Reserva Biológica (REBIO) de Gurupi, mais três Unidades de Conservação e 20 áreas indígenas.

Corredor do Ecótono Sul-Amazônico (Amazônia-Cerrado), localizado nas áreas de transição entre a Amazônia e as savanas do Cerrado. É um ecossistema ameaçado de extinção devido ao avanço da fronteira agropecuária. Inclui o Parque Nacional (PARNA) do Araguaia situado na Ilha do Bananal, Estado de Tocantins e 17 áreas indígenas nos Estados do Amazonas, Mato Grosso e Tocantins.

Corredor Central da Mata Atlântica, com áreas de alta biodiversidade nos Estados do Espírito Santo, Minas Gerais e costa sul da Bahia. Abriga muitas espécies de animais e plantas da planície costeira. Inclui a Reserva de Sooretama, a reserva Florestal de Linhares, a Reserva Biológica (REBIO) de Uns, os Parques Nacionais (PARNA) de Monte pascal e da Serra do Caparão, além de outras Unidades de Conservação e áreas indígenas que, juntas, formam um mosaico de fragmentos florestais.

Corredor Sul da Mata Atlântica (Corredor da Serra do Mar), a maior extensão contínua de Mata Atlântica e a mais viável para a conservação.

Este corredor inclui 27 Unidades de Conservação, como a Área de Proteção Ambiental (APA) Estadual da Serra do Mar (São Paulo), a Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra da Mantiqueira (MG), os Parques Nacionais (PARNA) da Serra da Bocaina e o de Itatiaia (Rio de Janeiro), a Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba (Paraná)”.

O Projeto Corredores Biológicos está programado para duas fases, cada uma com duração de cinco anos. Na primeira serão implantados o Corredor Centro-Amazônico e o Corredor Central da Mata Atlântica, o Corredor do Descobrimento (MMA, 1998).

2.5 A Conservação da Biodiversidade

Durante a Conferência das Nações Unidas, sobre meio Ambiente e Desenvolvimento (a Eco-92), em 1992, cerca de 175 países, incluindo o Brasil, assinaram a Convenção da Diversidade Biológica (CDB), que foi ratificada em 1994, pelo Brasil. A partir daí foram traçados planos e estratégias para a conservação e uso sustentável da biodiversidade, de modo a atender as exigências da CDB.

Os objetivos da Convenção da Diversidade Biológica foram dispostos no seu artigo 1º, nos seguintes termos:

“Os objetivos desta Convenção, a serem cumpridos de acordo com as disposições pertinentes, são a conservação da diversidade biológica, a utilização sustentável de seus componentes e a repartição justa e eqüitativa dos benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos, mediante, inclusive, o acesso adequado aos recursos genéticos e a transferência de tecnologias pertinentes, levando em conta todos os direitos sobre tais recursos e tecnologias, e mediante financiamento adequado”. (CDB, Ministério do Meio Ambiente)

O Significado do termo Diversidade Biológica, segundo o artigo 2º do texto final da Convenção foi assim definido:

“Diversidade Biológica significa a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte;

compreendendo ainda a diversidade dentro das espécies, entre espécies e de ecossistemas “(CDB, Ministério do Meio Ambiente)

A Biodiversidade é uma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas, e fonte de imenso potencial de uso econômico. É a base das atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais e, também a base para a estratégica indústria da biotecnologia.

As funções ecológicas desempenhadas pela biodiversidade são pouco compreendidas, muito embora se considere que ela seja responsável pelos processos naturais e produtos fornecidos pelos ecossistemas e espécies que

sustentam outras formas de vida e modificam a biosfera, tornando-a apropriada e segura para a vida. A diversidade biológica possui além de seu valor intrínseco, valores ecológicos, genéticos, sociais, científicos, educacionais, culturais, recreativos e estéticos. Com tamanha importância é preciso evitar a perda da biodiversidade. (MMA/biodiversidade).

2.6 A Questão da Biodiversidade no Brasil

Brasil possui uma área de 8,5 milhões de km2, ocupando quase a metade da América do Sul. Essa área possui várias zonas climáticas que incluem o trópico úmido no norte, o semi-árido no nordeste e áreas temperadas no sul. As diferenças climáticas contribuem para as diferenças ecológicas formando zonas biogeográficas distintas, chamadas biomas. A maior floresta tropical úmida (Floresta Amazônica) e a maior planície inundável (Pantanal) do mundo se encontram nesses biomas. Isso sem falar do cerrado (savanas e bosques), da Caatinga (florestas semi-áridas) e da Mata Atlântica (floresta tropical pluvial).

O país também possui uma costa marinha de 3,5 milhões km2 com uma variedade de ecossistemas que incluem recifes de corais, dunas, manguezais, lagoas, estuários e pântanos. A variedade de biomas reflete a riqueza da flora e fauna brasileiras, tornando-as as mais diversas do mundo. Muitas das espécies brasileiras são exclusivas no mundo (e são chamadas de endêmicas), sendo que o país sozinho tem pelo menos 10% das espécies conhecidas de mamíferos e anfíbios e 17% das espécies de aves descritas em todo o planeta. Diversas espécies de importância econômica mundial são originárias do Brasil, como por

O país também possui uma costa marinha de 3,5 milhões km2 com uma variedade de ecossistemas que incluem recifes de corais, dunas, manguezais, lagoas, estuários e pântanos. A variedade de biomas reflete a riqueza da flora e fauna brasileiras, tornando-as as mais diversas do mundo. Muitas das espécies brasileiras são exclusivas no mundo (e são chamadas de endêmicas), sendo que o país sozinho tem pelo menos 10% das espécies conhecidas de mamíferos e anfíbios e 17% das espécies de aves descritas em todo o planeta. Diversas espécies de importância econômica mundial são originárias do Brasil, como por

No documento BIODIVERSIDADE José Maria da Silva Júnior Márcia da Costa Rodrigues de Camargo Maria Luíza C. Dantas Lima SUMÁRIO (páginas 12-0)