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4 REPRESENTAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LOCAIS DE TRABALHO

4.2 Tipos de representação no local de trabalho

4.2.2 Representante sindical no local de trabalho

O representante sindical é um trabalhador da empresa no local de trabalho, associado ao sindicato, que deve ser escolhido pela entidade ou pelos próprios trabalhadores da categoria na empresa, para desempenhar a função de representante sindical naquele determinado local.

O seu âmbito de representação é mais restrito do que aquele do representante de pessoal estudado no ponto anterior, pois, enquanto aquele representa todos os empregados da empresa, independentemente de qual categoria estes pertençam, o representante sindical possui legitimidade apenas para representar os trabalhadores da categoria da qual faz parte e que é base do sindicato ao qual é vinculado.

Disso decorre o fato de que, no caso em que a escolha do representante sindical não seja feita pela diretoria sindical, mas pelos trabalhadores através de eleição, apenas poderão votar e se candidatar aquelas pessoas que integrem a categoria representada, ainda que seja concedida a possibilidade de votar aos não filiados. Isto porque seria equivocado que um trabalhador de outra categoria escolhesse um dirigente que não lhe representa.

pelo sindicato da construção civil; o pessoal da limpeza, representados pelo sindicato do setor de asseio e conservação e vigilantes, representados pelo sindicato dos vigilantes, seria possível eleger um delegado para cada uma destas categorias na empresa em questão. Caso fosse eleito apenas um delegado da construção civil, este não poderia representar os vigilantes ou o pessoal da limpeza, porque juridicamente não possui nenhuma legitimidade para isto.

Embora seja comum o uso do termo delegado sindical para designar qualquer representante na empresa, o representante sindical no local de trabalho não se confunde com o delegado sindical previsto no art. 523 da CLT.24 (AROUCA, 2016, p. 133). Faz-se tal distinção porque a figura do delegado sindical tem sua essência diversa daquela prevista pelo art. 3º da Convenção 135, pois foi criado dentro do modelo das delegacias sindicais, que seriam subsedes dos sindicatos.

Uma das diferenças com o representante sindical no local de trabalho é que o delegado previsto no art. 523 da CLT tem a finalidade de representar uma determinada seção da base territorial, que poderia ser tanto uma empresa ou estabelecimento de empresa, quanto uma região com várias empresas, que estariam abrangidas pelas delegacias e, portanto, o conceito não está ligado necessariamente ao local de trabalho, mas ao território em que está situada a base do sindicato. Além disso, o delegado sindical pode ser apenas “designado” pelo sindicato, não existindo a previsão de eleição direta pelos trabalhadores, como está na Convenção 135.

Diversamente, o representante sindical no local de trabalho, assim como o representante de pessoal, está vinculado ao estabelecimento da empresa onde desempenha o seu trabalho, embora seja representante sindical, continua trabalhando normalmente na empresa, e pode ser, conforme indica o art. 3º, “a”, da Convenção 135, eleito, e não apenas indicado pelo sindicato.

4.2.2.1 Funções e prerrogativas do representante sindical no local de trabalho

Em suas funções, não possui a mesma restrição feita ao representante de pessoal, podendo desempenhar as tarefas que lhe couberem como representante sindical, podendo ainda, como já mencionado, representar toda a categoria na circunscrição do local de trabalho. A função desses representantes, na visão de Alfredo J. Ruprecht (1995, p. 657), é

24 Art. 523 - Os Delegados Sindicais destinados à direção das delegacias ou seções instituídas na forma estabelecida no § 2º do art. 517 serão designados pela diretoria dentre os associados radicados no território da correspondente delegacia.

de assegurar aos trabalhadores o cumprimento das normas que regem suas atividades, sendo um dos instrumentos que têm os trabalhadores para fazer as empresas cumprirem as leis e as disposições convencionais.

Quanto às suas prerrogativas, é necessário que goze da proteção e facilidades da Convenção 135, conferidas a todos os representantes dos trabalhadores, bem como seja assegurada a sua estabilidade. Esse ponto é de suma importância e como tal tem sido considerado pela Organização Internacional do Trabalho, constituindo a proteção aos representantes contra medidas que possam estorvá-los em suas atividades e a garantia de certas facilidades, princípios amplamente reconhecidos pela OIT. (RUPRECHT, 1995, p. 658).

Afirma o referido autor que há vários tipos de proteção para essa classe de trabalhadores, dentre estas, a referente à demissão. Esta assegura que, a partir do momento em que se torna candidato, até o fim do mandato e, às vezes, durante um período posterior, não poderá ser despedido sem justa causa e se o for, será reconduzido ao trabalho ou indenizado de forma superior à que corresponderia a um trabalhador comum. (RUPRECHT, 1995, p. 660).

No entanto, chega-se a um ponto complicado no ordenamento jurídico brasileiro, porque a estabilidade, como já foi ressaltado, é considerada pela jurisprudência como sendo restrita aos sete dirigentes da diretoria executiva e a seus suplentes. Estes possuem estabilidade a partir da candidatura até um ano após o término do mandato, conforme art. 8º, VIII, da Constituição Federal. No caso do representante sindical no local de trabalho, a situação é mais difícil, pois, baseado na figura do delegado sindical do art. 523 da CLT, o Tribunal Superior do Trabalho firmou jurisprudência no seguinte sentido:

369. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. DELEGADO SINDICAL.

INAPLICÁVEL. (DEJT divulgado em 03, 04 e 05.12.2008)

O delegado sindical não é beneficiário da estabilidade provisória prevista no art. 8º, VIII, da CF/1988, a qual é dirigida, exclusivamente, àqueles que exerçam ou ocupem cargos de direção nos sindicatos, submetidos a processo eletivo.

O argumento utilizado para fundamentar esta tese é justamente o de que o delegado sindical não é dirigente sindical por não ser escolhido por meio de eleição. Isto porque se extrai a definição de dirigente sindical do art. 543, §4º, da CLT, que considera como “cargo de direção ou de representação sindical aquele cujo exercício ou indicação decorre de eleição prevista em lei”. Portanto, como o delegado do art. 523 da CLT não é eleito, mas designado pelo sindicato, não é considerado pela Corte trabalhista como dirigente

sindical:

DELEGADO SINDICAL. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 896 DA CLT. A estabilidade provisória prevista nos arts. 8º, inciso VIII, da Constituição Federal e 543, § 3º, da CLT refere-se, expressamente, a dirigentes sindicais e aos respectivos suplentes, submetidos regularmente ao processo eletivo, perante a categoria profissional. Estes preceitos não se referem, em momento algum, aos delegados sindicais, os quais, nos termos do art. 523 da CLT, são apenas designados pela diretoria do sindicato dentre os associados radicados no território da correspondente delegacia, não participando de processo eletivo e tampouco exercendo, propriamente, a função de dirigente sindical, já que a função de delegado sindical é meramente administrativa. Intacto o art. 896 da CLT. Embargos não conhecidos, no particular. (TST-E-RR-575.408/1999.3, Rel. Min. Vantuil Abdala, SBDI-1, DJ 9/5/2008).

Deste modo, não é indicado, principalmente ao movimento sindical, em seus estatutos e regimentos, que se confundam estes dois tipos de representantes, pois são figuras distintas e possuem diferentes fundamentos jurídicos e prerrogativas. O representante no local de trabalho, quando eleito pelos trabalhadores, não desempenha uma função meramente administrativa, mas política, no sentido de que representa aqueles que o elegeram. Assim, será um dirigente sindical e, portanto, gozará de estabilidade sindical, como prevê o art. 8º, VIII, da Constituição Federal.