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RESPIRAÇÃO DO NADADOR

No documento A NATAÇÃO NA SUA EXPRESSÃO PSICOMOTRIZ (páginas 31-36)

No momento em que o homem aprende a nadar, ele resolve eventualmente o tríplice problema da flutuação, da respiração e da propulsão.

O problema respiratório do nadador apresenta várias dificuldades, que serão superadas progressivamente com o tempo.

A função respiratória joga no nadador um duplo papel: um fisiológico, vinculado à atividade corporal; o outro, físico, específico da natação e que contribui para sua flutuação.

Não é, pois, de estranhar que o domínio da respiração seja ponto importante na aprendizagem da natação e que, dia-a-dia, venha preocupando professores.

O problema em função da técnica

Segundo o estilo considerado, o problema da respiração é focalizado conforme a posição do nadador (ventral ou dorsal) e da cabeça (levantada ou submersa), em função da posição do corpo.

A aprendizagem para o nado de peito se acomoda à propulsão e à flutuação; enquanto que no crawl aparece um terceiro problema, o da respiração chamada aquática.

No nado de costas, a posição do corpo na flutuação dorsal e a emergência quase constante tornam possível a independência da respiração em relação ao movimento de braços, apesar de a associação dos tempos de inspiração e expiração, relacionada ao ritmo de trabalho propulsivo dos braços, oferecer inegável vantagem.

A inspiração se faz durante a emersão de um braço, enquanto o outro, em sua imersão, executa a fase de impulsão ou de "empurrada", colocando em jogo os músculos extensores do antebraço sobre o braço e os ramos anteriores do deltóide. Os músculos torácicos, motores do braço, têm nesta fase papel assaz reduzido.

No nado de peito, se quisermos, podemos nadar em competição com a cabeça sempre elevada e a boca constantemente ao nível da superfície da água.

Podemos também levantar a cabeça no momento da inspiração a cada ciclo de braços ou após certos números de ciclos de braço. Assim respirava o grande nadador americano e recordista mundial Chet Jastrenski.

Até há alguns anos empregava-se a respiração na abertura dos braços, mas, com isto, a caixa torácica oferecia enorme resistência ao avanço do nadador. Atualmente, a respiração se faz após a ação propulsora dos braços, durante a qual os músculos motores do braço tomam seu ponto fixo sobre a caixa torácica.

No golfinho, a inspiração é efetuada na fase final da empurrada e a expiração, na fase aquática. Nas provas de 100 metros o nadador efetua bloqueios respiratórios. Nas provas de 200 metros efetua, a cada ciclo de braço, um movimento respiratório.

No crawl a técnica respiratória efetua-se no movimento alternado, dos braços (posição ventral do corpo, com a cabeça submersa).

O tempo de inspiração dá-se na fase aérea do braço, do lado em que a cabeça gira.

Distinguimos dois tipos de respiração: a normal e a atrasada. Nos bons nadadores a cabeça permanece como eixo, sendo a rotação efetuada de maneira brusca, mas verificamos formas d inatas nos nadadores de velocidade e fundistas.

Apesar dos diversos estilos de natação, a respiração dos nadadores não deixa de ter alguns pontos comuns por imposições mecânicas ou fisiológicas.

20 FISIOLOGIA DA RESPIRAÇÃO AQUÁTICA

Em natação, uma boa posição sobre a água permite a melhor utilização das ações motoras. Nos estilos de frente, esta posição é tal que a cabeça, em grande parte submersa, deve levantar-se e girar para tornar possível a inspiração.

Os movimentos da cabeça, assim como os da respiração, estão necessariamente ligados aos movimentos dos braços, segundo uma certa coordenação.

De harmonia com estudos efetuados por Demeny sobre o esforço e relacionados com a tensão arterial, os esforços ou bloqueios repetidos alteram a respiração, produzindo a fadiga cardíaca. A respiração contínua evita este inconveniente.

Como dissemos anteriormente, os nadadores de golfinho nas provas de 100 ou de 200 metros têm formas distintas para respirar. Deste modo, a distância e a potência solicitadas permitem uma fase de equilíbrio entre a necessidade e o consumo de oxigênio; portanto, o nadador de fundo e o nadador de velocidade terão formas fisiologicamente distintas de respirar.

21 ASPECTOS FÍSICOS DA RESPIRAÇÃO

O valor da capacidade vital do nadador joga um importante papel sobre sua flutuação, mas a noção de densidade média é uma consideração que devemos ter em conta.

Sabemos que a fase respiratória do nadador se situa na zona de reserva inspiratória ou na de reserva expiratória, e em vista disso o nadador vê variar seu volume em vários '«tros e, em consequência, seu "empuxo" em vários quilos.

Uma posição naturalmente alta sobre a água favorece a propulsão aquática. Isto é devido ao fato de se ter uma caixa torácica bem cheia, mas os fatores favoráveis para uma boa flutuação são mecânica ou fisiologicamente desfavoráveis à propulsão.

Entre a inspiração e a expiração, alguns nadadores, seja consciente

ou inconscientemente, marcam um tempo de apnéia em bloqueio inspiratório.

22 EXPIRAÇÃO

A expiração exige nas condições habituais mais tempo que a inspiração, pois nesta se trata de um movimento passivo. Em natação, parece ser aconselhável conservar um ritmo semelhante, ainda que, para vencer a pressão não desprezível da "coluna d'água" que separa o nível da boca do da superfície da água, a expiração deva tomar o caráter de um motivo ativo voluntário. O nadador controla com efeito a duração e a intensidade de sua expiração. Esta se faz quase que exclusivamente pela boca, mas inicia-se pelo nariz.

Alguns técnicos de natação pensaram que a excepcional capacidade vital dos nadadores poderia ser atribuída em parte a esta resistência que era necessária compensar permanentemente e vencer na expiração.

23 INSPIRAÇÃO

De todos os desportistas, o nadador de competição (especialmente o velocista) é certamente o que tem um tempo de inspiração mais curto.

Vinculado ao ciclo do movimento de braço, a inspiração é paradoxalmente tanto mais curta quanto maior for a velocidade do nadador e a necessidade de oxigênio, a mais importante.

A utilização de uma "via de passagem" que permite uma quantidade de a» máxima se impõe imperiosamente durante a totalidade da duração da fase determinada pela cadência do nado: a respiração do nadador é bucal e é tecnicamente falso querer expirar e inspirar durante a emergência das vias respiratórias. O nadador dispõe de alguns décimos de segundos para "ingerir" vários litros de ar.

Rapidez e amplitude são geralmente termos opostos. Veremos que pela extrema brevidade de tempo de inspiração, os nadadores não respiram com a máxima amplitude, por esta razão não experimentam o melhor coeficiente de ventilação pulmonar. Relação entre o volume de ar que se renova com o volume de ar expirado. Embora o tempo inspiratório seja particularmente breve e intenso, se converte num tempo ativo e com movimento de expiração voluntário.

24 TEMPO DE APNÉIA

Os músculos motores do braço são pe ri torácicos. Para obter uma certa potência, a caixa torácica deve oferecer um ponto de apoio sólido a uma das extremidades dos músculos motores do braço, o que se realiza no bloqueio do esforço.

Alguns nadadores como, por exemplo, os velocistas podem tirar alguma vantagem com relação ao bloqueio torácico na obtenção de um máximo da potência. E, deste modo, diminuem o número de inspirações na primeira parte da prova.

Em resumo: a respiração do nadador é essencialmente bucal e acessoriamente nasal. O mecanismo fisiológico habitual se encontra modificado; a fase da expiração passiva se converte num tempo ativo, voluntário, prolongado; a fase de inspiração se torna particularmente breve e intensa.

A adição eventual de um tempo de apnéia em bloqueio respiratório, suscetível de conduzir um aumento da potência motora dos braços, é acompanhada certamente de uma fadiga cardíaca suplementar.

A regulação nervosa de mecanismo respiratório não se faz segundo um automatismo inato, sem passar durante o período de aprendizagem por um estado de regulação voluntária, antes de converter-se, no campeão, num automatismo adquirido.

Estes problemas, em sua grande maioria, não passam despercebidos ao técnico, em qualquer situação. Por isso, é necessário respirar bem, flutuar bem e utilizar a potência máxima do nadador.

25 PEDAGOGIA DA RESPIRAÇÃO

É justamente na fase da aprendizagem que as falhas sucessivas devem ser sanadas pelo técnico ou professor.

Mas é importante dedicar muito, muito tempo mesmo às correções durante a aprendizagem dos exercícios elementares; são indispensáveis as repetições das séries dos exercícios, com a finalidade de adquirir a cadência e os ritmos respiratórios.

No ensino da natação o estudo da respiração não deve constituir capítulo à parte. Em todo o programa de iniciação devemos encontrar uma hábil dose de exercícios de flutuação, respiração e propulsão, sem a qual o estudo seria certamente enfadonho.

Todo o cuidado e a atenção dados na fase da aprendizagem propriamente dita ainda serão poucos.

No documento A NATAÇÃO NA SUA EXPRESSÃO PSICOMOTRIZ (páginas 31-36)

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