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3.2 RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR

3.2.1 Responsabilidade Objetiva

A responsabilidade objetiva é direta, sem importar a caracterização da culpa, bastando a ocorrência do dano e identificação do nexo causal para a indenização. Por essa razão, “é também denominada teoria do risco, porquanto aquele que, no exercício da sua atividade, cria um risco de dano a outrem responde pela reparação dos prejuízos, mesmo quando não tenha incidido em culpa alguma”. (OLIVEIRA, 2016b, p. 98).

Agostinho Alvim citado por C. B. Gonçalves (2012, p. 49) declara que, responsabilidade legal ou ‘objetiva’ diz-se quando a lei impõe a reparação do dano independentemente de culpa, se satisfazendo somente com o dano e o nexo causal.

Martín Aléxis Litwak (1996, p. 106 apud BARROS, 2017, p. 426) refere que pela responsabilidade objetiva “[...] entram em funcionamento os chamados fatores objetivos de atribuição”, pelos quais o dano deve ser respondido por quem o provoca, ainda que não tenha agido de forma dolosa ou culposa, de modo a preservar, assim, a segurança jurídica e a ordem pública.

A aplicação da teoria da responsabilidade objetiva nas indenizações por acidente do trabalho motiva controvérsia doutrinária e jurisprudencial, especialmente a partir da vigência do Código Civil de 2002. (OLIVEIRA, 2016b, p. 99). O parágrafo único do art. 927 do citado diploma legal, dispõe que “Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem”. (BRASIL, 2002). Por outro lado, como já visto, o art. 7º, XXVIII, da Constituição da República Federativa do Brasil (1988) determina que para indenização acidentária, deverá haver comprovação do dolo ou culpa do empregador no evento.

Reside, nesse ponto, a controvérsia. Enquanto alguns autores defendem ser suficiente a demonstração do dano e a relação de causalidade para o deferimento da indenização, ou seja, “os riscos da atividade, em sentido amplo, devem ser suportados por quem dela se beneficia”. Outros alegam que, caso o pressuposto da culpa fosse afastado, o empregador que observa “as medidas

recomendáveis para evitar os danos, receberia o mesmo tratamento do outro que atua displicentemente”. (OLIVEIRA, 2016b, p. 114-115).

Ana Paola Santos Machado Diniz se manifesta favorável à aplicação da teoria objetiva, nos casos de atividade empresarial de risco à saúde do trabalhador, e entende que cabe ao magistrado delimitá-los nos casos concretos:

[...] À luz do Código Civil de 2002, a regra geral da responsabilidade subjetiva cede espaço à teoria objetiva, naqueles setores da atividade empresarial identificáveis como de risco à saúde do trabalhador. À míngua de legislação delimitando-os, caberá ao magistrado estabelecê-los nas situações concretas trazidas a juízo. Poderá ter como indicativo seguro, por exemplo, os índices de doenças ocupacionais e acidentes do trabalho manifestáveis em cada empresa, ou dentro da mesma empresa, em cada setor de trabalho; as atividades relacionadas como insalubres ou perigosas pelas NR’s – 15 e 16 e, até mesmo, a legislação previdenciária quando estabelece a conexão entre a manipulação de algumas substancias no trabalho e as doenças profissionais [...]. (DINIZ, apud CAIRO JÚNIOR, 2015, p. 122).

No mesmo sentido, Delgado (2018, p. 741) aponta que a responsabilidade empresarial por danos acidentários se torna objetiva quando a atividade da empresa ou a dinâmica laborativa ensejarem risco aos trabalhadores envolvidos, despontando, assim, a exceção contida no parágrafo único do art. 927 do Código Civil (2002).

José Cairo Júnior (2015, p. 121) entende como atividade de risco “[...] aquela que tem a probabilidade, em maior ou menor grau, de provocar dano à outrem [...]”, assim consideradas as atividades insalubres e perigosas definidas na Consolidação das Leis do Trabalho.

Em que pese as divergências existentes, S. Oliveira registra que a responsabilidade objetiva afirmou seu espaço e subsiste concomitantemente com a teoria subjetiva, cada qual sendo aplicada de acordo com a situação apresentada:

É necessário registrar, todavia, que a responsabilidade objetiva não suplantou nem derrogou a teoria subjetiva, mas afirmou-se em espaço próprio de convivência funcional, para atender àquelas situações em que a exigência da culpa representa demasiado ônus probatório para as vítimas, praticamente inviabilizando a indenização do prejuízo sofrido. Não há dúvida, portanto, que continuará sendo aplicável a responsabilidade subjetiva, quando a culpa do infrator restar demonstrada, hipótese em que ficará mais fácil o êxito da demanda para o lesado e até com a possibilidade de obter indenização mais expressiva. (S. OLIVEIRA, 2016, 116).

[...] a regra geral mantém-se com a noção da responsabilidade subjetiva, mediante aferição de culpa do autor do dano, mesmo que presumida [...]. Entretanto, se a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano (no estudo em questão, a empresa) implicar, por sua natureza, risco para os trabalhadores envolvidos, ainda que em decorrência da dinâmica laborativa imposta por essa atividade, incide a responsabilidade objetiva fixada pelo Direito (art. 927, parágrafo único, CCB/2002). (DELGADO, 2018, p. 741).

Relevante destacar que, consoante art. 932, III, do referido código, o empregador tem responsabilidade objetiva pelos atos de seus “[...] empregados, serviçais ou prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele”. No entanto, conforme S. Oliveira (2016, p. 101), a responsabilidade objetiva recai sobre o empregador, relativamente aos atos de seus empregados ou prepostos, desde que presentes todos os pressupostos da responsabilidade civil. Ou seja, se o dano é passível de indenização, se o causador do dano estava a serviço da empresa ou atuando em razão de seu vínculo, se não há excludente do nexo causal (motivo de força maior ou caso fortuito, culpa exclusiva da vítima, legitima defesa ou fato de terceiro).

Havendo no entendimento doutrinário espaço para ambas modalidades, importante pontuar alguns aspectos sobre a responsabilidade subjetiva.

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