3 DATA ENVELOPMENT ANALYSIS (DEA)
3.6 RESTRIÇÕES DE PESO
A eficiência de uma DMU é definida como a relação ponderada entre produtos e
insumos. Ao invés de usar pesos exogeneamente especificados, a DEA procura pesos que
maximizam a eficiência da DMU analisada (PEDRAJA-CHAPARRO, 1997). No entanto, os
pesos encontrados podem apresentar-se incompatíveis com o conhecimento prévio ou
opiniões aceitas sobre os valores relativos de insumos e produtos. (ALLEN et al. 1997) A
DEA permite a atribuição de pesos muito altos a produtos e insumos para os quais uma DMU
seja particularmente eficiente e pesos muito baixos para os outros produtos e insumos.
(PEDRAJA-CHAPARRO, 1997; DYSON; THANASSOULIS, 1988) Assim, as unidades
outliers ou extremas que se especializam em uma tarefa são automaticamente classificadas
como unidades eficientes, independentemente do seu desempenho nas outras atividades que
realizam (LEVITT; JOYCE, 1987), e a eficiência relativa de uma DMU pode realmente não
refletir o seu desempenho nos insumos e produtos, quando tomados em conjunto. (DYSON;
THANASSOULIS, 1988)
Juízos de valor são feitos ao escolher os insumos e os produtos que contribuam
significativamente para o sucesso das DMUs; porém, os pesos atribuídos pela DEA podem
sugerir que tais insumos ou produtos não sejam importantes, dando origem ao argumento para
a restrição de pesos (PEDRAJA-CHAPARRO, 1997), que também é considerada uma espécie
de julgamento de valor. O objetivo é estabelecer limites dentro dos quais os pesos possam
variar, preservando ainda alguma flexibilidade ou incerteza sobre o valor real dos pesos
(ÂNGULO-MEZA; LINS, 2002), assim, ao colocar restrições sobre os pesos, a região de
busca é reduzida, e a avaliação de eficiência da DMU diminui; e, no extremo, se nenhuma
flexibilidade de pesos for permitida, a modelagem DEA perde sua utilidade
(PEDRAJA-CHAPARRO, 1997). As avaliações de eficiência devem incorporar, por um lado, uma visão
geral da importância relativa de insumos e produtos, o que levaria a um conjunto fixo de
pesos para todas as DMU; e, por outro lado, deve permitir diferenças na perspectiva
individual das DMUs, o que conduz à flexibilidade total de pesos. (DYSON;
THANASSOULIS, 1988)
De acordo com o Quadro 2, são dois tipos de classificações a serem consideradas nas
restrições de peso para insumos e produtos; no primeiro, existem as abordagens que se
utilizam de valores absolutos
4ou valores relativos
5; já no segundo, as restrições podem se dar
de forma direta ou indireta sobre as DMUs avaliadas.
ATUAÇÃO VALOR
Absoluto Relativo
Direta Dyson e Thanassoulis
Thompson,
Langemeier,
Roll, Cook e Golany Lee, Lee e Thrall
Indireta Cone Ratio Method Contingent weight Wong e Beasley
Restriction
Quadro 2 - Abordagens para restrições de pesos em DEA
Fonte: Pedraja-Chaparro (1997, p. 223), com adaptações.
3.6.1 Restrições absolutas
Dyson e Thanassoulis (1988) desenvolveram tal abordagem para o caso específico de
DMUs consumindo um único insumo e produzindo vários produtos; a generalização para
diversos insumos e produtos foi feita por Roll et al. (1991), que se caracteriza pela imposição
de limites numéricos a cada um dos pesos, conforme discriminado a seguir:
Q
2i< v
i< Q
1i, para insumos P
2i< u
i< P
1i, para produtos
O objetivo é evitar que insumos e produtos sejam superestimados ou ignorados na
análise. Na definição dos limites deve levar em consideração: o contexto; as informações
disponíveis; e as dimensões de peso geradas pela execução do modelo clássico DEA.
(ANGULO-MEZA; LINS, 2002) No entanto, esta abordagem pode conduzir para uma
programação linear com soluções não viáveis, onde são produzidas diferentes pontuações de
eficiência dependendo da orientação assumida (insumo ou produto)
(PEDRAJA-CHAPARRO, 1997; ALLEN et al., 1997).
Há uma forte interdependência entre os limites de diferentes pesos, por exemplo,
definir um limite superior sobre um peso de insumo impõe limite inferior aos insumos virtuais
totais das demais variáveis, com implicações nos valores dos pesos de insumos
remanescentes. (ALLEN et al., 1997)
O método Cone ratio desenvolvido por Charnes et al. (1989) e Kornbluth (1991)
também utiliza essa abordagem, se os pesos atribuídos pela formulação original não são
consistentes com os objetivos de algumas DMUs, a eficiência destas pode estar sendo
superestimada, assim, as restrições adicionais impostas podem dar consistência aos objetivos
das DMUs. (PEDRAJA-CHAPARRO, 1997)
3.6.2 Restrições relativas
A fim de contornar o problema da inviabilidade, Thompson et al. (1990)
desenvolveram o conceito de "região de segurança" (AR), que são restrições lineares
homogêneas separadas para os pesos de insumos e produtos, sendo as proporções entre os
vários pesos definidas utilizando a informação disponível e a opinião de especialistas.
(PEDRAJA-CHAPARRO, 1997)
As restrições AR, considerando os vetores k, l, p e q fornecidos pelo usuário, são
expressos da seguinte maneira:
k
rU
1≤ U
r≤ l
rU
1p
iV
1≤ V
i≤ q
iV
1Tais abordagens impõem restrições aos pesos, independentemente da magnitude dos
insumos ou dos produtos na DMU sob análise. (PEDRAJA-CHAPARRO, 1997), ou seja, são
sensíveis à medida de escala e resultam ao menos em uma DMU eficiente (ALLEN et al.,
1997).
Wong e Beasley (1990) desenvolveram um método que se baseia no uso de
proporções. Conceitualmente V
iX
ij= V
iX
ijrepresenta a importância da medida do insumo i
para a DMU j, sendo considerada um peso de insumo "virtual". Segundo Wong e Beasley, o
tomador de decisão define um limite superior e um limite inferior, [a
i, b
i], no espaço de
insumos:
i ij i m i ij ib
X
V
X
V
a
1 1sendo que um conjunto semelhante de restrições pode ser imposto aos produtos. Por exemplo:
um conjunto de DMUs representadas por A, B, C, D e E, que produzem dois tipos de
produtos: Y
1e Y
2. A DEA atribui pesos aos produtos de cada DMU, e o produto virtual Y
1resulta da multiplicação do peso que foi dado a este produto pela quantidade produzida na
DMU avaliada, sendo que esta lógica também se aplica ao produto virtual Y
2. A somatória do
produto virtual Y
1de cada DMU resulta no produto virtual Y
1total, e isto se estende para o
produto virtual Y
2. Desta maneira, se um produto (ou insumo) é importante, deve contribuir
ao menos com uma determinada percentagem dos benefícios totais (ou custos); no entanto, o
método é vulnerável: se um fator insignificante for incluído na análise, importância indevida
pode ser atribuída a tal fator. (PEDRAJA-CHAPARRO, 1997)
Seguindo o princípio da Região de Segurança, é possível impor limites relativos sobre
as proporções (neste caso, para insumos) do tipo:
para todo i > 1, onde c
ie d
isão escolhidos pelo analista, e restrições equivalentes podem
também ser impostas aos produtos. (PEDRAJA-CHAPARRO, 1997)
O padrão de pesos selecionado depende dos níveis de insumos e produtos escolhidos
pela DMU, e as restrições relativas aos pesos virtuais decorrentes da análise variam,
dependendo das circunstâncias da DMU sob análise. (PEDRAJA-CHAPARRO, 1997)
Suposições de limitações de peso contingentes do tipo c
i= 1/ 2 e di = 2,
conduzem para limites do tipo V
iXi < 2V
kX
kpara todo i ≠ k. Na existência, por exemplo, de
cinco insumos, pode ser ótimo para uma DMU minimizar todos os pesos menos um,
conduzindo a quatro pesos virtuais de magnitude 1/6 e um de 1/3. Por outro lado, pode ser
ótimo maximizar quatro (com o valor 2/9) e minimizar o outro (com o valor 1/9). Assim, os
valores mínimos e máximos atribuídos aos pesos virtuais são condicionados ao padrão ótimo
de pesos selecionados para a DMU sob análise. (PEDRAJA-CHAPARRO, 1997)
No documento
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ DEPARTAMENTO DE ECONOMIA
(páginas 70-73)