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Resultados para o Propensity Score Matching (PSM)

No documento Dissertacao SAO FINAL CORRIGIDA 2 (páginas 37-40)

CAPÍTULO 1 IMPACTOS DO PROGRAMA BOLSA FAMILIA NO MERCADO DE

4.2 Resultados para o Propensity Score Matching (PSM)

A seguir, serão mostrados os resultados dos efeitos do Bolsa Família nas horas trabalhadas do chefe familiar e na renda do trabalho per capita, utilizando a metodologia do Propensity Score Matching.

4.2.1 Impacto do Programa Bolsa Família nas horas trabalhadas do chefe familiar

Para a análise do efeito do Bolsa Família nas horas trabalhadas pelo método PSM, estimou-se, primeiramente, um modelo de probabilidade logit da família participar ou não do PBF, de maneira que fosse possível encontrar um suporte comum entre os grupos. Assim, todos aqueles que estiveram fora do suporte foram descartados. Os resultados deste modelo podem ser vistos na Tabela A2 do apêndice 1. Para o Brasil, as variáveis de deficiências auditiva e mental não foram estatisticamente significantes a 5%. As demais variáveis foram significantes a 5%, com exceção das variáveis de ensino primário e deficiência física, que foram estatisticamente significantes a 10%. Além disso, quanto maior a idade do chefe, menor é a chance de participação no programa, o mesmo é observado para casos em que o chefe é do sexo masculino e branco, quando possui ensino

ginásio, segundo grau, superior, pós-graduação, carteira de trabalho assinada, ou ainda, caso seja agricultor e tenha saneamento e tratamento de lixo.

O intervalo da região de suporte comum para o Brasil foi entre 0,07688124 e 0,99987008, os gráficos das densidades de probabilidades do Brasil e Regiões podem ser vistos no apêndice 1 (Gráficos A1 a A12). Foram consideradas 103.619 famílias dentro deste intervalo, de um total de 103.648. Essa região garante que as observações dos dois grupos, tratamento e controle, podem ser comparáveis quanto às características observáveis.

O passo seguinte foi realizar o teste de balanceamento11 para o Brasil. O método de kernel12 revelou-se como sendo o mais adequado para se fazer o pareamento das variáveis, visto que possui menos variáveis significantes a 5%. Além disso, houve uma redução do Pseudo-R2 de 0,126 para 0,002, sendo que isto implica que as variáveis explicativas perdem poder de explicação com relação às diferenças entre as famílias (Tabela A3 do apêndice1).

Após o pareamento, foi possível calcular o efeito médio do tratamento sobre os tratados (ATT), que pode ser visto na tabela abaixo 1.2. Os resultados mostram que o impacto do PBF nas horas trabalhadas do chefe familiar, no Brasil, foi em média de -2,04, ou seja, os beneficiários do programa possuem menos horas trabalhadas que os não beneficiários. O mesmo é observado para todas as regiões, sendo o maior impacto verificado nas regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste, em que os beneficiários possuem 2, 39, 2,04 e 1,73, respectivamente, a menos de horas trabalhadas, quando comparados às famílias que não recebem o repasse monetário.

Já nas regiões Nordeste e Norte, os impactos foram menos expressivos. A média das horas trabalhadas entre os grupos foi de -1,20 e -1,15, respectivamente. Vale ressaltar que 2010 foi um ano de seca no Nordeste e que mais de 50% dos beneficiários são agricultores (vide Tabela A1 do apêndice 1), assim pode ser que neste ano o repasse monetário do programa tenha ajudado a atender apenas as necessidades fundamentais dos beneficiários, sem que tenha havido grandes incentivos para uma maior redução das horas trabalhadas.

11 O teste de balanceamento para as regiões mostrou que o método de Kernel é o mais adequado, com

exceção da região Nordeste, no qual o método do vizinho mais próximo foi o que melhor se adequou. Os resultados para o teste de balanceamento podem ser observados no Apêndice 1.

12 O matching Kernel e Raio apresentaram o mesmo balanceamento, porém, o Kernel foi escolhido por não

apresentar no pareamento famílias com escores de propensões diferentes. Desta forma, o grupo dos tratados e de controle serão mais homogêneos.

Tabela 1.2 - Impacto do PBF nas horas trabalhadas do chefe familiar

Regiões Tratados Controle ATT teste t

Brasil 31,31 33,35 -2,04 -15,04 Nordeste 29,28 30,48 -1,20 -6,83 Norte 31,22 32,36 -1,15 -3,52 Sudeste 33,95 35,68 -1,73 -4,71 Centro-Oeste 32,97 35,02 -2,04 -2,47 Sul 35,90 38,29 -2,39 -6,25

Fonte: Elaborado pela autora, com base nas estimações.

Embora os resultados das horas trabalhadas entre os beneficiários e o grupo de controle tenham mostrado que a Região Sul é aquela que apresenta o maior “efeito desincentivo” médio, esta região é responsável pela maior quantidade de horas trabalhadas entre todas as regiões. Por outro lado, o Nordeste que apresentou o segundo menor “efeito desincentivo” é a região com a menor média de horas trabalhadas. Além disso, a região se destaca por ser responsável por aproximadamente 72% do total de beneficiários do Programa Bolsa Família no Brasil, como visto na tabela 1.1.

4.2.2 Impacto do Programa Bolsa Família na renda do trabalho per capita

Seguindo os procedimentos realizados para a análise anterior, estimou-se um modelo logit, no qual os resultados estão expostos na Tabela A9 do apêndice 1. Percebeu- se que, no caso do Brasil, as variáveis idade do chefe, deficiência auditiva, física e mental foram as únicas que não foram estatisticamente significantes a 5%. Também se observou que características como ser chefe do sexo masculino, branco, possuir níveis de escolaridade como ginásio, superior e pós graduação, carteira de trabalho assinada, bem como saneamento e tratamento de lixo reduzem as chances de participar do Programa Bolsa Família.

A região do suporte comum para o Brasil foi dada entre o intervalo cujo escore de propensão variou entre 0,09171998 e 0,99989093, sendo que, dentre a amostra de 193.086 famílias, 193.082 estão dentro desse intervalo, de um total de 128.040 tratados e 65.042 de não tratados. Os gráficos para o Brasil e regiões estão dispostos no apêndice 1 (Gráficos B1 a B12).

O teste de balanceamento13 do Brasil apontou que, após o pareamento, em quase todos os casos, houve um balanceamento moderado das variáveis, mas o pareamento por

13 O método de Kernel também foi o mais adequado para as regiões, com exceção da região Nordeste em

kernel foi o mais apropriado para fazer o matching. Quanto ao Pseudo-R2, percebeu-se que este reduz de 0,107 para 0,001 (Tabela A10 do apêndice 1).

A tabela 1.3 mostra o Efeito Médio do Tratamento sobre os Tratados (ATT) para o Brasil e Regiões. Por meio dela, percebe-se que, em média, as famílias beneficiadas pelo programa no Brasil possuem renda do trabalho per capita inferior às famílias elegíveis, chegando a uma diferença de R$19,16. Nas regiões, essa diferença é ainda maior na região Sul (-R$20,15), enquanto a região Norte (-R$14,73) é responsável pela menor diferença, seguida do Nordeste (-R$16,80) e Sudeste (-R$16,85).

Tabela 1.3 - Impacto do PBF na renda do trabalho per capita

Fonte: Elaborado pela autora, com base nas estimações.

Dessa forma, pode-se verificar que, no Brasil e Regiões, os beneficiários do Bolsa Família possuem renda inferior per capita, quando comparados com aqueles elegíveis que não participam do programa, sendo que, para as regiões, o maior e o menor impacto ocorreu nas Região Sul e Norte, respectivamente.

No documento Dissertacao SAO FINAL CORRIGIDA 2 (páginas 37-40)

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