4.3.1. Respostas cardiorrespiratórias de repouso
As variáveis cardiorrespiratórias de repouso FC, VO2 abs. e VO2 rel. foram mensuradas antes da realização dos protocolos de testes terrestre e aquático, nas posições de decúbito dorsal e ortostase. Os resultados da comparação entre as médias dos dois momentos, para as duas posições corporais, são apresentados na Tabela 7 e no ANEXO F.
Tabela 7 – Teste T pareado para as variáveis cardiorrespiratórias de repouso freqüência cardíaca (FC), consumo de oxigênio absoluto (VO2 abs.) e consumo de oxigênio relativo (VO2 rel.) entre as situações pré-exercício terrestre e pré-exercício aquático, nas posições de decúbito dorsal e ortostase.
Variáveis Pré-exercício
Terrestre Pré-exercício Aquático T Sig.
Posição Corporal Média EP Média EP FC (bpm) 67,52 ± 1,57 69,01 ± 2,55 0,861 0,409 VO2 abs. (l*min-1) 0,19 ± 0,01 0,18 ± 0,01 -0,763 0,467 Decúbito Dorsal VO2 rel. (ml*kg-1*min-1) 3,39 ± 0,16 3,15 ± 0,24 -0,806 0,444 FC (bpm) 93,84 ± 3,47 92,07 ± 3,94 -0,926 0,376 VO2 abs. (l*min-1) 0,23 ± 0,02 0,21 ± 0,01 -0,916 0,386 Ortostase VO2 rel. (ml*kg-1*min-1) 4,01 ± 0,32 3,65 ± 0,25 -0,724 0,489
De acordo com os resultados, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os dois momentos, pré-exercício terrestre e pré-exercício aquático, para nenhuma das variáveis. Esses dados demonstram que os indivíduos iniciaram ambos os protocolos de testes com as respostas cardiorrespiratórias de repouso semelhantes, indicando que a magnitude das alterações encontradas nessas variáveis durante os protocolos de exercício pode ser atribuída ao esforço para a execução dos mesmos.
4.3.2. Respostas da contração voluntária máxima (CVM)
A contração voluntária máxima isométrica dos músculos VL, RF, BF e ST foi realizada antes e após a realização dos protocolos de testes. Os resultados da comparação da amplitude do sinal eletromiográfico (EMG), analisadas através do valor RMS de cada um dos músculos supracitados, entre os momentos pré-protocolo de testes e pós-protocolo de testes são apresentados na Tabela 8 e no ANEXO G. Além disso, também são apresentados os valores do índice de correlação intraclasse (ICC) para cada uma das variáveis (ANEXO H).
Tabela 8 – Teste T pareado e índice de correlação intraclasse (ICC) para a variável contração voluntária máxima dos músculos vasto lateral (VL), reto femoral (RF), bíceps femoral (BF) e semitendinoso (ST) entre as situações pré e pós-exercício.
Variáveis Pré-exercício Pós-exercício T Sig. ICC Sig.
Média EP Média EP
VL ( V) 480,54 ± 54,84 439,49 ± 57,27 1,836 0,100 0,920 <0,001
RF ( V) 865,25 ± 210,66 698,10 ± 193,51 2,420 0,073 0,942 0,003
BF ( V) 1008,35 ± 82,821 1046,24 ± 98,50 -0,606 0,561 0,764 0,005
ST ( V) 934,02 ± 157,77 826,62 ± 107,76 1,320 0,228 0,819 0,003
Nenhuma diferença estatisticamente significativa foi encontrada na amplitude do sinal EMG dos músculos analisados entre a CVM realizada nos momentos pré e pós-protocolo de testes. Além disso, os valores do ICC foram altos e significativos, demonstrando a reprodutibilidade do sinal EMG para as duas situações. Esses achados sugerem que o protocolo realizado não provocou alteração no sinal EMG, o que poderia ser verificado em caso de mudança no estado fisiológico dos músculos analisados (DeLUCA, 1997). Além disso, esses resultados justificam a eficácia do sistema de isolamento, uma vez que não foram encontradas diferenças significativas no sinal EMG após o exercício aquático (RAINOLDI et al., 2004b). Sugere-se que a
metodologia utilizada nesse experimento é adequada, possibilitando grande precisão na aquisição dos dados (DeLUCA, 1997; RAINOLDI et al., 2004b).
4.3.3. Respostas da posição angular máxima de flexão do quadril (PAMFQ)
As respostas referentes à posição angular máxima de flexão do quadril (PAMFQ) durante o exercício executado nos meios terrestre e aquático, nas cadências submáximas (60, 80 e 100 bpm) e máxima são apresentadas na Tabela 9.
Tabela 9 – Análise descritiva dos resultados: médias, erros-padrão da média (EP), valores mínimos (Mín) e máximos (Máx) da variável posição angular máxima de flexão do quadril (PAMFQ) para as diferentes cadências (Cad) nos meios terrestre e aquático.
Variável Cad Meio Terrestre Meio Aquático
Média EP Mín Máx Média EP Mín Máx 60 bpm 89,74 ± 0,88 85,31 94,98 88,84 ± 0,99 85,91 94,99 80 bpm 89,53 ± 0,76 85,38 93,33 90,06 ± 1,00 86,00 95,00 100 bpm 88,12 ± 0,55 85,73 90,47 89,82 ± 0,99 85,02 94,63 PAMFQ (°°°°) Máxima 88,54 ± 0,78 85,00 93,31 89,39 ± 0,89 84,99 93,73
Conforme os resultados descritivos dos valores mínimos e máximos para os diferentes meios e cadências, pode-se perceber que a amplitude média da PAMFQ foi mantida dentro da variação de ± 5° do ângulo alvo (90°).
Os resultados da Análise de Variância (ANEXO J)indicaram que o meio (p = 0,100) e a cadência de execução (p = 0,248) não exerceram influência significativa sobre a variável PAMFQ. Da mesma forma, o efeito de interação meio*cadência (p = 357) também não foi significativo, indicando que independente da cadência e do meio, o comportamento dessa variável foi semelhante, conforme pode ser visualizado de forma gráfica na Figura 9.
1.8 1.9 2 2.1 2.2 60 80 100 Máximo Ritmos de execução (bpm) lo g10 -P A M FQ ( o) Meio Aquático Meio Terrestre
Figura 9 – Comportamento da posição angular máxima de flexão do quadril (PAMFQ) para as diferentes cadências executadas nos meios terrestre e aquático, com os valores médios expressos como logaritmo de base 10 (log10).
Os valores descritivos da variável PAMFQ expressos como logaritmo de base 10 (log10) estão apresentados no ANEXO N, para a melhor interpretação dos resultados.
4.3.4. Respostas da duração de um ciclo completo de exercício nas diferentes cadências de execução
As respostas referentes à duração de um ciclo completo durante o exercício foram comparadas entre os meios terrestre e aquático, para cada uma das cadências. Para as cadências submáximas de 60, 80 e 100 bpm foi utilizado o Teste T pareado e para o esforço máximo, o Teste de Wilcoxon. Os resultados da comparação entre as médias dos dois meios são apresentados na Tabela 10 e no ANEXO I.
Conforme os resultados obtidos, não foram observadas diferenças significativas na duração de um ciclo completo de exercício entre os meios para as cadências de execução submáximas. Esses valores demonstram que os indivíduos executaram o exercício dentro do ritmo proposto pelo metrônomo. Já
para o esforço máximo, diferenças significativas foram encontradas entre os ambientes, demonstrando que o exercício no meio terrestre foi realizado de forma mais rápida que no meio aquático.
Tabela 10 – Teste T pareado e Teste de Wilcoxon para a variável duração de um ciclo completo entre os meios terrestre e aquático, para cada uma das cadências.
Cadência Meio Terrestre Meio Aquático T Sig.
Variável Média EP Média EP 60 bpm 2,00 ± 0,01 1,99 ± 0,01 0,727 0,483 80 bpm 1,50 ± 0,01 1,48 ± 0,01 -2.019 0,068 100 bpm 1,19 ± 0,01 1,20 ± 0,01 0,727 0,483 Duração do ciclo (s) Máxima 0,47 ± 0,01 0,64 ± 0,02 -2,934* 0,003
* Valor de Z – Teste de Wilcoxon.