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1 INTRODUÇÃO

1.5 CRITÉRIO DE ACEITABILIDADE DE RISCO

1.5.1 Risco Social

O risco social representa uma medida de risco ao qual o grupo formado pelas comunidades residentes no entorno das instalações industriais encontram-se expostas aos efeitos físicos decorrentes dos diferentes cenários acidentais. O risco social deve ser calculado levando em conta o número provável de fatalidades por evento acidental, originando uma lista onde constam o número de fatalidades correlacionadas com as respectivas frequências de ocorrência dos eventos. Os dados obtidos dos cálculos devem ser trabalhados em forma de frequência acumulada, originando a curva F-N através da representação gráfica dos dados de frequência acumulada (F) do evento final relacionada aos respectivos efeitos acidentais decorrentes do número de vítimas fatais (N), originando dessa forma a curva F-N representativa do risco social.

A partir da distribuição populacional definida para o município, fica caracterizada a forma pela qual a população está exposta aos riscos quando residente nas proximidades das instalações industriais. Decorrente dessa situação, temos então uma proporcionalidade direta, que quanto maior o número de pessoas presentes no entorno e quanto mais próxima as pessoas estiverem das instalações industriais, maior a probabilidade de registro do número de fatalidades para a população. Logo, o risco social representa uma medida de avaliação de risco importante quando envolve uma região densamente habitada exposta ao risco de ocorrência acidental decorrente de atividade industrial.

De acordo com o que estabelece o manual da CETESB (P4.261, 2003):

A estimativa do número de vítimas fatais poderá ser realizada considerando as probabilidades médias de morte, conforme segue:

- aplicar a probabilidade de 75% para as pessoas expostas entre a fonte de vazamento e a curva de probabilidade de fatalidade de 50%;

- aplicar a probabilidade de 25% para as pessoas expostas entre as curvas com probabilidade de fatalidade de 50% e 1%.

Como forma de ilustrar a estimativa do número de vítimas, representativa do risco social, o manual da CETEB (P4.261, 2003) apresenta a Figura 5 a seguir.

Figura 5: Estimativa de vítimas para cálculo do risco social

Fonte: CETESB, 2003

Considerando o anteriormente exposto o número de vítimas fatais para cada um dos eventos finais poderá ser estimado, conforme a equação:

Nik = Nek1. 0,75 + Nek2. 0,25 (1) Onde:

Nik = número de fatalidades resultante do evento final i;

Nek1 = número de pessoas presentes e expostas no quadrante k até a distância

delimitada pela curva correspondente à probabilidade de fatalidade de 50%;

Nek2 = número de pessoas presentes e expostas no quadrante k até a distância

delimitada pela curva correspondente à probabilidade de fatalidade de 1%.

Para o caso de flash fire, o número de pessoas expostas é o correspondente a 100% do número de pessoas presentes dentro da nuvem, até o limite da curva correspondente ao LII; assim tem-se a equação:

Nik = Nek (2) Onde:

Nik = número de fatalidades resultante do evento final i;

Nek = número de pessoas presentes no quadrante k até a distância delimitada

pela curva correspondente ao LII.

Para cada um dos eventos considerados no estudo, deve ser estimada a frequência final de ocorrência, considerando-se as probabilidades correspondentes a cada caso, como por exemplo, a incidência do vento no quadrante e a probabilidade de ignição, entre outras; assim, tomando como o

exemplo a liberação de uma substância inflamável, a frequência de ocorrência do evento final i poderá ser calculada conforme a equação:

Fi = fi .pk .pi (3) Onde:

Fi = frequência de ocorrência do evento final i; fi = frequência de ocorrência do evento i;

pk = probabilidade de o vento soprar no quadrante k; pi = probabilidade de ignição.

O número de pessoas afetadas por todos os eventos finais deve ser determinado, resultando numa lista do número de fatalidades, com as respectivas frequências de ocorrência. Esses dados devem então ser trabalhados em termos de frequência acumulada, possibilitando assim que a curva F-N seja construída; assim, tem-se a equação:

Para todos os efeitos decorrentes do evento final i para os quais Ni ≥ N FN = ∑ Fi (4) Onde:

FN = frequência de ocorrência de todos os eventos finais que afetam N ou mais

pessoas;

Fi = frequência de ocorrência do evento final i;

Ni = número de pessoas afetadas pelos efeitos decorrentes do evento final i.

1.5.1.2 Indicadores quantitativos do risco social

Os elementos indicadores quantitativos para o risco social são: - Risco social médio;

1.5.1.3 Risco social médio

O risco social médio é definido como o número esperado de fatalidades por ano em decorrência de acidentes em instalações industriais e que tenham a probabilidade de causar danos à população próxima. O risco social médio é definido pela seguinte expressão:

RSM= ∑Fi x Ci (i=1,...n) (5) Onde:

RSM = Risco Social Médio (fat./ano) Fi = frequência (/ano)

Ci = consequência (fat.) i = número de cenários

Para cada um dos eventos iniciadores e seus respectivos cenários acidentais, o sistema computacional desenvolve o relatório de risco social médio.

1.5.1.4 Curva F-N

O principal indicador do risco social é a curva F–N, que relaciona a frequência acumulada F de acidentes para um determinado grupo de pessoas, em uma área definida da comunidade, resultando em N ou mais fatalidades devido à ocorrência de um acidente.

A representação gráfica através da curva F-N, constitui a forma de avaliação do risco social, a grande vantagem dessa curva é a demonstração gráfica da extensão dos riscos a que está exposta a população externa às instalações industriais, sujeita ao efeito físico danoso proveniente de acidente químico ampliado.

Conforme o Manual do Usuário RISKAN, Versão 1.0.2 (2012, p.108):

O risco social é utilizado principalmente para identificar instalações potencialmente geradoras de grandes acidentes. Mesmo que o risco individual seja baixo, ou seja, que exista um pequeno risco para cada pessoa, a possível ocorrência de um evento único com grande número de vítimas é visto como crítico. A base para este tipo de risco é o comportamento conhecido como aversão ao risco, que faz acidentes com grande número de vítimas simultâneas serem percebidos como mais perigosos que vários eventos espaçados no tempo, mesmo que na soma o número de fatalidades seja idêntico.

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