• Nenhum resultado encontrado

5.2. Localização e Contexto Geológico das Rochas Selecionadas

5.2.2. Rochas do Estado de Minas Gerais

No Estado de Minas Gerais foram coletados dois sienitos, provenientes do Centro Produtor Caldas, um migmatito da região de Extrema, próximo à divisa com São Paulo, três variedades charnockíticas do Centro Produtor Candeias e um quartzito do Centro Produtor Ouro Preto (Figura 5.3).

O quartzito Ouro Preto localiza-se na porção centro-sul do estado de Minas Gerais, situado à meia distância entre a cidade homônima e Mariana. Corresponde a um muscovita- cianita quartzito foliado de granulação fina a muito fina pertencente à Formação Moeda (SILVA et al., 1978, in RADANBRASIL, 1983), seqüência basal do Grupo Caraça (FONSECA et al., 1979) que integra o Supergrupo Minas, no domínio do Quadrilátero Ferrífero. A Formação Moeda é composta essencialmente por quartzitos, geralmente ortoquartzitos, mas podendo conter quantidades variáveis de muscovita e sericita, com presença de níveis conglomeráticos e filíticos que gradam para variedades quartzíticas.

Estes quartzitos se assemelham, em estado bruto, aos quartzitos São Tomé, e quando polidos adquirem aspecto homogêneo, assemelhando-se a mármores. A produção total, com amplo predomínio dos tipos laminados, explorados em cerca de uma dezena de jazidas foi

estimada pela COMIG (1999) em 480.000m2/ano, correspondendo a 27.500 t/ano.

O Centro Produtor Candeias (COMIG, 1999) compreende a região denominada informalmente de Quadrilátero do Granito cujos limites principais são definidos pelas cidades de Formiga, Divinópolis, Oliveira e Campo Belo (VIDEIRA, 1996). Nessa área foram coletados os tipos Verde Camacho, Verde Candeias e Verde Maritaca, que constituem rochas migmatíticas a diatexíticas de composição charnockítica, com coloração esverdeada e granulação média a fina, com estruturas migmatíticas variando entre dobrada, flebítica, e nebulítica, mais ou menos gnaissificadas.

41

Figura 5.3:

Esboço do contexto geológico das amostras coletadas nos Ce

ntros Produtores de Rochas Ornamentais Ouro Preto, Candeias e Caldas

42 Geologicamente esse domínio enquadra-se no denominado Complexo Barbacena (FONSECA et al., 1979) ou Complexo Divinópolis (MACHADO FILHO et al., 1983), de idade Arqueana, e caracterizado pela ocorrência de um conjunto de rochas gnáissico- migmatíticas com predominância de metatexitos e diatexitos heterogêneos com paleossomas xistosos básicos a ultrabásicos e neossomas granodioríticos a graníticos. Outras propostas de divisão dessas áreas são comentadas por Oliveira (1999), como por exemplo a denominação de Complexo Metamórfico Campo Belo proposta por TEIXEIRA et al. (1996), que abrange o Complexo Barbacena e o Complexo Metamórfico Divinópolis.

Oliveira et al. (1998) identificaram três grandes unidades gnáissicas no Complexo Campo Belo. A primeira corresponde a uma unidade de rochas de coloração verde, ocorrendo nas proximidades de Candeias e Camacho. O segundo tipo compreende gnaisses de coloração rósea aflorantes nas proximidades de Itapecirica, e a terceira unidade refere-se a gnaisses de coloração cinza nas imediações de Cláudio e Carmópolis de Minas. Na seqüência dos trabalhos Oliveira (1999) denomina essas unidades como “gnaisses de coloração verde tipo Candeias”, “gnaisses de coloração rósea tipo Itapecirica” e “gnaisses de coloração cinza tipo Cláudio”. Os gnaisses verdes apresentam composição charnockítica (Verde Camacho e Verde Maritaca) nos domínios mais homogêneos e composição opdalítica nos mais deformados (Verde Candeias). Os gnaisses róseos apresentam composição granítica e os do tipo cinza são granodioríticos a dioríticos e, localmente, graníticos. As três unidades podem estar cortadas por anfibolitos boudinados, feição que pode causar alguns problemas de perda durante a fase de lavra quando para fins ornamentais e como materiais para revestimentos.

O Centro Produtor Caldas situa-se, segundo levantamentos da COMIG (1999), nos domínios dos terrenos geológicos do Complexo Varginha (englobando a variedade Jacarandá Rosa), do Maciço Sienítico Pedra Branca (englobando as variedades Marrom Café Imperial e Marrom Caldas) e do Complexo Alcalino Poços de Caldas.

O Complexo Varginha tem sido alvo de muitos trabalhos e sua compartimentação e história evolutiva ainda não estão bem delineados (ZANARDO, 1992). Cavalcante et al. (1979) denominaram de Complexo Varginha todo o bloco alóctone de Guaxupé, com rochas originadas no Proterozóico Médio e recicladas no Ciclo Brasiliano. Desta forma o Complexo Varginha seria, grosso modo, uma unidade de formato triangular limitado ao norte, sudeste e oeste, respectivamente pelas zonas de cisalhamento de Campo do Meio e Ouro Fino e pelos sedimentos da Bacia do Paraná; fato este que situaria a área da pedreira do Jacarandá Rosa fora do domínio do referido complexo. Fonseca et al. (1983) ampliaram a área de exposição para além do limite sul do bloco alóctone Guaxupé, considerando também as seqüências

gnáissico-migmatíticas do Bloco Jundiaí, onde insere-se a variedade Jacarandá Rosa. Já, segundo a concepção de Wernick e Penalva (1973; 1980) a região de ocorrência da rocha ornamental Jacarandá Rosado se situaria na porção norte do Bloco Tectônico Jundiaí e representada pela seqüência gnáissico-migmatítica do Grupo Pinhal, de idade Brasiliana.

Litologicamente a região de interesse está representada por migmatitos bastante evoluídos, predominantemente rosados, incluindo seqüências com variedades que gradam desde metatexitos, diatexitos, anatexitos até granitos anatéticos, freqüentemente polifásicos. Exibem estruturas migmatíticas complexas e variadas incluindo termos acamados, dobrados, flebíticos, nebulíticos e homofânicos, mais ou menos gnaissificados. Segundo Wernick; Penalva (1980), em alguns casos formam complexos maiores com típico arranjo concêntrico dos migmatitos circundando núcleos graníticos anatéticos. O granito Jacarandá Rosado corresponde, em termos gerais, a um migmatito róseo de granulação média-fina com estrutura nebulítica, por vezes foliada e dobrada.

O Maciço Sienítico Pedra Branca, intrudido nas rochas do Complexo Varginha de Cavalcante et al. (1979) ou Grupo Pinhal de Wernick; Penalva (1973), apresenta formato de meia-lua com sienitos saturados a insaturados na parte externa, e sienitos e quartzo-sienitos na parte interna, os quais se encontram em contato com as rochas do Complexo Alcalino Poços de Caldas (WINTERS, 1981; ULBRICH, 1984). A estrutura de fluxo plástico definida pela isorientação dos cristais tabulares de feldspato é uma feição peculiar aos sienitos desse maciço, que produz as rochas Marrom Café Imperial e Marrom Caldas. Ambas exibem coloração marrom e a segunda freqüentemente ocorre em tonalidades mais rosadas. A granulação é predominantemente média e a estrutura de fluxo plástico ocorre em ambas, sendo planar e mais definida na primeira e convoluta e mais discreta na última.

Esses tipos rochosos ocorrem na forma de maciços amplos cobertos por delgada camada de solo ou expostos, onde a lavra da rocha se desenvolve com o uso de fio diamantado e marteletes pneumáticos e cunhas (Figura 5.4B a G). Na lavra do tipo Verde Camacho também é comum o uso de jato de chama e por vezes massa expansiva (esta em fase de teste).

O granito Verde Maritaca (Figura 5.4D) ocorre praticamente como matacões enterrados e sua extração se dá com marteletes pneumáticos e cunhas, sendo comum o uso de fogacho para os corte primários, especialmente em grandes volumes. O tipo Verde Candeias ultimamente tem sido produzido a partir de matacões, caso do material amostrado (Figura 5.4C), embora mais comum como maciço aflorante.

44 Figura 5.4: Aspectos gerais das lavras dos tipos Quartzito Ouro Preto (A), Verde Camacho (B), Verde Candeias (C), Verde Maritaca (D), Jacarandá Rosado (E), Marrom Café Imperial (F) e Marrom Caldas (G). A B D G E F C

Documentos relacionados