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CAPÍTULO 4 PROGRAMA EXPERIMENTAL

4.1.2. Sílica Ativa

De acordo com a necessidade de se empregar uma grande quantidade de finos para promover uma maior viscosidade à pasta auto-nivelante, a adição empregada neste trabalho foi a sílica ativa. A escolha deste material se deu devido à busca de uma adição mineral com elevado grau de finura e futuramente melhorasse as propriedades mecânicas da argamassa, já que ela terá a finalidade do contrapiso.

A sílica ativa além de ser um resíduo industrial, proporciona também à mistura um melhor empacotamento das partículas, que ajuda em algumas propriedades da mistura, como por exemplo, a fluidez.

A sílica ativa empregada foi da marca SILMIX – Camargo Corrêa Cimentos S/A, sendo que suas principais características estão apresentadas na Tabela 4.3., informada pelo fabricante.

Tabela 4.3 – Composição química da sílica ativa – SILMIX da Camargo Corrêa Cimentos S/A

QUÍMICOS (%)

Al2O3 SiO2 Fe2O3 CaO MgO Na2O K2O PF Média 0,10 94,3 0,06 0,30 0,70 0,17 1,00 2,90

A massa unitária da sílica ativa é de 0,52g/cm³, com umidade de 0,6% e pH de 8,7. O percentual de material retido na peneira #325 (45m) é igual a 3,4%, a finura blaine ficou em média de 20.000m²/kg e massa específica de 2,22 kg/dm³.

O ensaio de granulometria a laser também foi realizado para a sílica ativa, sendo que o laboratório e o equipamento utilizado para o desenvolvimento deste ensaio foram os mesmos utilizados na caracterização dos cimentos. A Figura 4.4 apresenta os resultados obtidos pelo ensaio.

Figura 4.4 – Curva granulométrica da sílica ativa

4.1.3. Aditivos

4.1.3.1. Espectroscopia de Infravermelho

Para a caracterização dos aditivos, foi utilizada a Técnica Espectroscópica de Infravermelho, que é considerada a melhor ferramenta para caracterizar as estruturas químicas e as transformações que ocorrem nos compostos orgânicos (BRINGEL, 2007).

Os compostos químicos de uma forma geral absorvem radiação na região do ultravioleta, do visível e também na região do infravermelho do espectro eletromagnético (AQUINO, 2006).

A chamada radiação no infravermelho corresponde aproximadamente à região do espectro eletromagnético situado entre as regiões do visível e das microondas. As faixas de maior interesse encontram-se entre 660cm-1 a 4.000cm-1. Embora o espectro de infravermelho seja característico da molécula de uma forma geral, certos grupos de átomos ainda dão origem a bandas que ocorrem mais ou menos na mesma freqüência, independente da estrutura molecular, desta forma a presença dessa banda permite a identificação da estrutura molecular, por meio da

consulta em tabelas contendo informações dos grupos correspondentes a cada banda (SILVERSTEIN, et.al. 1979 apud AQUINO, 2006).

Ainda segundo SILVERSTEIN et.al. (1979) apud AQUINO (2006), a radiação na faixa de 10.000 a 100cm-1 converte-se quando absorvido, em energia de vibração molecular, dando origem às bandas de vibração características dos grupos, entretanto a porção de maior utilidade está situada na região de 4.000 a 400cm-1. A freqüência, ou o número de ondas depende das massas relativas dos átomos, das constantes de força das ligações e da geometria dos átomos. As posições das bandas são apresentadas em comprimento de onda () ou em número de ondas (cm-1). As intensidades das bandas são expressas como transmitâncias (T) ou absorbância (A).

Na pesquisa foram desenvolvidos ensaios baseados na norma ASTM E1252-98-2002 (Standard Practice for General Techniques for Obtaining Infrared Spectra for Qualitative Analysis, 1998) e que consiste no equipamento espectroscópico de infravermelho marca FTIR, fabricante BOMEM, modelo MB-100, com faixa de aquisição de 650-5000 cm-1, resolução: 4,0 cm-1 e número de Scans de 16. O acessório utilizado é o ATR (Reflectância Total Atenuada) horizontal, com ângulo de incidência de 45º.

Os ensaios foram desenvolvidos no LACTEC - Instituto de Tecnologia para Desenvolvimento, localizado no campus do Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná.

Figura 4.5 – Resultado do Infravermelho para aditivo promotor de viscosidade

Figura 4.6 – Resultado do Infravermelho para aditivo superplastificante

Nos gráficos apresentados pelas Figuras 4.5 e 4.6 as curvas em verde referem-se aos aditivos ensaiados, já as linhas vermelhas referem-se a compostos já conhecidos em uma biblioteca de dados utilizada como consulta. É feita uma comparação entre as duas curvas e a conclusão é dada pela semelhança entre elas.

No aditivo superplastificante foram detectados compostos orgânicos preponderante

Composto analisado Biblioteca de compostos

Biblioteca de compostos

Composto analisado

do PEG (Polietilenoglicol), e nos aditivos promotores de viscosidade foram encontrados compostos orgânicos derivado de enxofre.

Os teores de líquido, para os aditivos VMA e SP foram encontrados através do aquecimento destes em uma estufa a uma temperatura de 100°C, num período de 24 horas. Esse procedimento foi repetido por três vezes e a média resultou nos valores apresentados na tabela 4.4, que também apresenta o resumo de todas as demais características encontradas no decorrer dos ensaios com os aditivos em questão.

Tabela 4.4 – Caracterização dos aditivos SP e VMA Promotor de

Viscosidade Superplastificante Composto Orgânico Derivado do Enxofre Polietilenoglicol

Aspecto Líquido Líquido viscoso

Os ensaios de caracterização da pasta foram desenvolvidos a partir de dois equipamentos que analisam a pasta no estado fresco, são eles o cilindro espanhol, que permite a análise da fluidez e segregação da mistura e o viscosímetro, que possibilita a determinação da viscosidade relativa das pastas a partir de taxas de cisalhamento pré-estabelecidas.

Os ensaios experimentais com o cilindro espanhol foram divididos em três etapas:

Etapa I: Ensaios Preliminares – Dosagem aleatória de alguns teores de constituintes com a finalidade de conhecer o comportamento de cada um deles na pasta auto-nivelante. Etapa II: Ensaios com a Pasta Auto-Nivelante - Refere-se aos

ensaios propriamente ditos da pasta auto-nivelante, já com alguns materiais ajustados, servindo de análise na busca das melhores formulações da pasta.

Etapa III: Ensaios com o Viscosímetro – Análise da viscosidade das melhores formulações encontradas na etapa II.

A Figura 4.7 demonstra em um fluxograma essas etapas para os ensaios de caracterização da pasta.

Figura 4.7– Etapas do estudo de formulações da pasta

O procedimento de mistura e os parâmetros como a quantidade de pasta para a execução dos ensaios com o cilindro espanhol foram os mesmos para as duas primeiras etapas, sendo que a terceira etapa por se tratar de um teste no viscosímetro e necessitar de pouca quantidade de material, a argamassadeira foi substituída pela mistura manual.

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