O Tribunal Superior do Trabalho publicou recentemente a nova redação da Súmula nº 244 de sua jurisprudência predominante. A súmula consiste num verbete que contém nele registrada a interpretação consolidada e ou majoritária do Tribunal Superior do Trabalho sobre dado tema de interesse e sobre a interpretação da legislação nacional. A adoção de verbetes de Súmulas tem por finalidade a promoção de orientação e a uniformização de julgamentos quanto a determinado direito previsto na legislação nacional. Por isso, a Súmula nº 244 assim dispõe, verbis:
GESTANTE. ESTABILIDADE PROVISÓRIA (redação do item III alterada na sessão do Tribunal Pleno realizada em 14.09.2012) - Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012
I - O desconhecimento do estado gravídico pelo empregador não afasta o direito ao pagamento da indenização decorrente da estabilidade (art. 10, II, "b" do ADCT). II - A garantia de emprego à gestante só autoriza a reintegração se esta se der durante o período de estabilidade. Do contrário, a garantia restringe-se aos salários e demais direitos correspondentes ao período de estabilidade.
III - A empregada gestante tem direito à estabilidade provisória prevista no art. 10, inciso II, alínea “b”, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, mesmo na hipótese de admissão mediante contrato por tempo determinado.170
De acordo com o disposto nesta referida súmula, compreende-se, conforme o item I, que o desconhecimento do estado gravídico pelo empregador, apesar de ser discussão doutrinária já mencionada no título anterior a este171, não isenta este último do direito ao pagamento da indenização resultante da estabilidade provisória da gestante, já que se está tratando de uma responsabilidade objetiva.172
169 PRETTI, Gleibe. Manual de direito do trabalho. Florianópolis: Conceito Editorial, 2010. p. 275. 170 BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 244, de 2012. Disponível em: <http://www
3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_201_250.html#SUM-244>. Acesso em: 15 out. 2014.
171 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. 30. ed. São Paulo: Atlas, 2014. p. 473.
Partilha deste entendimento, Luciana Lucena Baptista Barretto ao esclarecer, então, que em decorrência de grande parte das mulheres somente ter condições de ter ciência da gravidez depois de algumas semanas, não há de se considerar que seja válido puni-las por não cientificarem o empregador, conforme se pode verificar da redação do inciso I, da Súmula nº 244, do Tribunal Superior do Trabalho.173
Por sua vez, comenta-se com relação ao inciso II, da Súmula nº 244, do Tribunal Superior do Trabalho, que este se refere ao fato de que a garantia de emprego da gestante, somente autoriza a sua reintegração ao emprego, caso ela ocorra durante o período de estabilidade.174
Afirma-se isso, porque, caso contrário, a garantia de emprego somente se referirá aos salários e outros correspondentes ao período de estabilidade.175
Verifica-se, diante do acima exposto, que:
A alteração ocorrida em 2003, a qual inseriu a redação do inciso II da súmula 244, Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003, corrobora a garantia de emprego ao determinar a reintegração e não indenização enquanto estiver no período estabilitário, impedindo também a discriminação da mulher gestante a qual deve ser integrada ao ambiente de trabalho.176
Finalmente, frisa-se no tocante ao inciso III, da Súmula nº 244, do Tribunal Superior do Trabalho, que este dispõe sobre a possibilidade da empregada gestante possuir direito à estabilidade provisória, mesmo quando esta tiver sido admitida por intermédio de contrato por tempo determinado.177
Portanto, leciona Luciana Lucena Baptista Barretto com relação a esta modificação ocorrida no ano de 2012, com relação ao texto do inciso III, da Súmula nº 244, do Tribunal Superior do Trabalho, que esta alteração demonstrou:
[...] a real preocupação do judiciário com o nascituro e a garantia do emprego para as mulheres gestantes admitidas através de contrato por tempo determinado. Antes da alteração, a súmula 244 previa no inciso III que: "Não há direito da empregada gestante à estabilidade provisória na hipótese de admissão mediante contrato de experiência, visto que a extinção da relação de emprego, em face do término do prazo, não constitui dispensa arbitrária ou sem justa causa", o que
173 BARRETTO, Luciana Lucena Baptista. Estabilidade provisória da gestante, análise da súmula 244 do TST. 13/11/2013. Disponível em: <http://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI190314,11049-Estabilidade+prov
isoria+da+gestante+analise+da+sumula+244+do+TST>. Acesso em: 16 out. 2014.
174 PRETTI, Gleibe. Manual de direito do trabalho. Florianópolis: Conceito Editorial, 2010. p. 275. 175 PRETTI, Gleibe. Manual de direito do trabalho. Florianópolis: Conceito Editorial, 2010. p. 275. 176 BARRETTO, Luciana Lucena Baptista. Estabilidade provisória da gestante, análise da súmula 244 do TST. 13/11/2013. Disponível em: <http://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI190314,11049-Estabilidade+prov
isoria+da+gestante+analise+da+sumula+244+do+TST>. Acesso em: 16 out. 2014.
177 BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 244, de 2012. Disponível em: <http://www
3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_201_250.html#SUM-244>. Acesso em: 15 out. 2014.
permitia o empregador contratar a título de experiência, por exemplo, e ao final do contrato, dispensar arbitrariamente ou sem justa causa a trabalhadora grávida. Com o tempo e a priorização do Principio da Dignidade da Pessoa Humana pelos Tribunais, foram surgindo julgados com decisões contrárias à antiga redação do inciso III da súmula 244 visando proteger também as gestantes em contrato por prazo determinado, o que passou a ser confirmado inclusive pelo Supremo Tribunal Federal [...].178
Diante de todo o exposto no decorrer deste título, frisa-se no tocante à alteração dada ao inciso III, da Súmula nº 244, do Tribunal Superior do Trabalho que esta ocorreu em virtude de decisão também proferida por este Tribunal, in verbis:
RECURSO DE REVISTA - GESTANTE - ESTABILIDADE PROVISÓRIA - CONTRATO DE EXPERIÊNCIA. Estabelece o art. 10, II, "b", do ADCT/88 que
é vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, não impondo nenhuma restrição quanto à modalidade de contrato de trabalho, mesmo porque a garantia visa, em última análise, à tutela do nascituro. O entendimento vertido na Súmula nº 244, III, do TST encontra-se superado pela atual jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no sentido de que as empregadas gestantes, inclusive as contratadas a título precário, independentemente do regime de trabalho, têm direito à licença maternidade de 120 dias e à estabilidade provisória desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. Dessa orientação dissentiu o acórdão recorrido, em afronta ao art. 10, II, "b", do ADCT/88.
Recurso de revista conhecido e provido.
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso de Revista n° TST-RR- 1601-11.2010.5.09.0068, em que é Recorrente ANGELICA FABIANA DA SILVA e Recorrida CONFEXFORTE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. O 9º Tribunal Regional do Trabalho, em decisão proferida a fls. 193-194,
denegou seguimento ao recurso de revista interposto pela reclamante, com fulcro na Súmula nº 244, III, do TST.179
Esta decisão acima citada se posicionou pela estabilidade provisória da gestante e foi precedente para a construção do item III, da Súmula nº 244, do Tribunal Superior do Trabalho180, motivo pelo qual compreende-se que esta estabilidade se dá, atualmente, nos moldes do artigo 10, inciso II, alínea b, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 em conjunto com o disposto na Súmula nº 244, do Tribunal Superior do Trabalho.181
178 BARRETTO, Luciana Lucena Baptista. Estabilidade provisória da gestante, análise da súmula 244 do TST. 13/11/2013. Disponível em: <http://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI190314,11049-Estabilidade+prov
isoria+da+gestante+analise+da+sumula+244+do+TST>. Acesso em: 16 out. 2014.
179 BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Recurso de revista nº 1601-11-2010.5.09.0068, 1ª Turma. Min.
Rel. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, j. 29/02/2012. Disponível em: <http://aplicacao5.tst.jus.br/consulta unificada2/inteiroTeor.do?action=printInteiroTeor&format=html&highlight=true&numeroFormatado=RR%20- %201601-11.2010.5.09.0068&base=acordao&rowid=AAANGhABIAAACgjAAN&dataPublicacao=09/03/ 2012&localPublicacao=DEJT&query=>. Acesso em: 16 out. 2014.
180 BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Recurso de revista nº 1601-11-2010.5.09.0068, 1ª Turma. Min.
Rel. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, j. 29/02/2012. Disponível em: <http://aplicacao5.tst.jus.br/consulta unificada2/inteiroTeor.do?action=printInteiroTeor&format=html&highlight=true&numeroFormatado=RR%20- %201601-11.2010.5.09.0068&base=acordao&rowid=AAANGhABIAAACgjAAN&dataPublicacao=09/03/ 2012&localPublicacao=DEJT&query=>. Acesso em: 16 out. 2014.
Sendo assim, apresentada uma análise desta referida súmula, passa-se ao próximo e último título desta pesquisa e que versará dos efeitos jurídicos da Súmula nº 244, do Tribunal Superior do Trabalho.
5.4 EFEITOS JURÍDICOS DA SÚMULA Nº 244 DO TRIBUNAL SUPERIOR DO