Piso salarial e categorias

No documento Tiago Mendonça Scavone. Gestão de Departamento Pessoal (páginas 29-36)

O conceito de salário é o recebimento do trabalhador em troca do serviço prestado. Como mostramos, após o contrato de trabalho assinado, poderá ser estipulado uma forma de pagamento, por mês, por hora ou por dia, conforme artigos 64 e 65 da CLT.

Salário Fixo

Considerando que a empresa faça opção pelo salário mensal, deverá estipular o valor de um salário fixo, que não poderá ser inferior ao salário estabelecido pela categoria em Convenção Coletiva de Trabalho, exceto se:

a. Caso haja pagamento de outras verbas habituais, como comissões que são agregadas ao salário mínimo, o valor-piso;

b. Caso o serviço prestado seja realizado em período inferior à jornada legal. Neste caso, se aconselha que seja registrado por hora, pois os sindicatos em homologações criam atritos se o registro for mensal, em valor inferior ao piso, mesmo que em jornada reduzida.

O salário fixo, também é conhecido como salário-base, sofrendo tributação normal de Previdência Social, FGTS e Imposto de Renda.

Piso convencional ou decorrente de acordo coletivo

O artigo 7° inciso V da Constituição Federal determina que nenhum empregado pode receber menos que o valor do piso salarial, que é realizado pelas normas convencionais (acordos coletivos e convenções).

O instrumento coletivo a ser aplicado aos empregados, normal-mente é aquele onde a atividade prepondera, não se aplica aos trabalha-dores, com a atividade preponderante, não se aplica este artigo, contudo, as profissões regulamentadas por leis próprias, que são as categorias di-ferenciadas.

Desta forma, o piso salário se reajusta anualmente, no mês da data-base que será determinado pelo instrumento coletivo.

Piso Estadual

Piso Estadual é aquele fixado pelo Governo Estadual para categorias que não abrangem as entidades sindicais ou cujos sindicatos não sejam reconhecidos legalmente. Não se aplicando aos empregados que tem piso salarial definido salarial definido em lei federal, acordo coletivo ou convenção coletiva, bem como aos servidores públicos municipais.

Figura 5 - Recebimento de salário

Fonte: Pixabay

Há Estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e o Paraná, que através de Leis Estaduais estabeleceram piso salarial para profissões não abrangidas por Sindicatos, como é o caso da doméstica.

Periculosidade

Todo colaborador que executa suas funções em atividades insalubres ou perigosas, de forma a amenizar o impacto destas atividades na saúde do trabalhador são protegidos pela legislação trabalhista, por inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho.

Para realização de perícia com o objetivo de caracterizar e classificar ou delimitar as atividades insalubres ou perigosas em setor ou estabelecimento sendo facultado às empresas e aos sindicatos das categorias profissionais interessadas, requererem ao Ministério do Trabalho.

O trabalho realizado em ambientes periculosos é assegurado ao colaborador um adicional de 30% (trinta por cento) sobre o salário sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participações nos lucros da empresa, segundo trata o § 1º do art. 193 da CLT.

Exemplo de cálculo de adicional de periculosidade

Vamos ver um primeiro exemplo do cálculo sendo feito no salário de um motoboy:

Compensação Financeira (30%)

Base de cálculo em cima do salário base do empregado (R$

1.000,00)

Trabalhador foi admitido em 01/02/2017 e trabalhou até 30/03/2017 Período: 2 meses

Cada mês deverá ter um acréscimo salarial de 600, correspondente a 30% de R$ 1.000,00 (salário base do nosso exemplo), totalizando R$600,00 no período.

Exemplo de Cálculo de Adicional de Periculosidade 2

Agora vamos passar para um exemplo onde o trabalhador (eletricista) recebeu benefícios da empresa onde atua:

Compensação Financeira (30%)

Base de cálculo em cima do salário base do empregado R$

1.000,00)

Trabalhador foi admitido em 01/03/2017 e trabalhou até 30/06/2017 Período: 3 meses

Bônus por desempenho mensal: R$500

Nesse caso, esse trabalhador deverá ter um acréscimo do salário de R$ 300,00 para cada mês em que estiver trabalhando. Esse valor correspondente a 30% de R$3000 (salário base do segundo exemplo), totalizando R$ 900,00 no período correspondente.

Figura 6 - Eletricista

Fonte: Pixabay

Insalubridade

O art. 189 e 193 da CLT assim definem as operações ou atividades consideradas insalubres as que são desenvolvidas acima dos limites de tolerância previstos nos anexos da NR-15.

Conforme a CLT, são consideradas operações ou atividades s insalubres aquelas que em condições ou métodos de trabalho, por sua natureza, exponham os empregados a agentes nocivos  à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos.

Considerando que seja constatado por meio de perito que a atividade exercida seja, concomitante as duas, tanto a insalubre e perigosa, será facultado aos trabalhadores que estão sujeitos a estas condições, optar pelo adicional que lhe for mais favorável, não podendo perceber, cumulativamente, ambos os adicionais. 

Entretanto, caso em determinada atividade a perícia indicar que há insalubridade em grau médio (20%) e periculosidade (30%), o empregado não terá direito a receber, cumulativamente, (50%) de adicional, pois a legislação trabalhista faculta ao empregado o direito de optar pelo mais favorável e nesta situação específica, o de periculosidade.

Uma vez comprovada à insalubridade, o perito do TEM - Ministério do Trabalho indicará o adicional devido, podendo ser, conforme art. 192 da CLT, de 10%, 20% ou de 40%, nas perícias requeridas às Delegacias Regionais do Trabalho.

Mesmo que pareça, não e tão clara a questão da base de cálculo.

Segundo exemplo, quando o empregado exerce a  atividade em que existem, simultaneamente,  a insalubridade em grau máximo (40%) e a periculosidade, o empregado pode optar pelo adicional de insalubridade, por ter um percentual maior. 

Embora haja dupla interpretação, a base de cálculo do adicional de insalubridade, com relação a toda controvérsia gerada pela súmula vinculante nº 4 do STF, que considera a base de cálculo o salário mínimo, salvo disposição em contrário prevista em acordo ou convenção coletiva,  e que a base de cálculo do adicional de periculosidade é o salário do empregado, a condição mais favorável poderá ser o de periculosidade, caso o salário do trabalhador seja considerado superior ao salário mínimo.

Como calcular

Exemplo de Cálculo de Adicional de Insalubridade 1

Vamos ver um primeiro exemplo de cálculo de insalubridade para um operário de uma empresa que trabalha em uma obra muito barulhenta:

Grau médio (20%)

Base de cálculo em cima do salário mínimo (R$ 1.000,00)

Trabalhador foi admitido em 01/03/2017 e trabalhou até 30/06/2017 Período: 4 meses

Cada mês deverá ter um acréscimo salarial de 200,00, correspondente a 20% de R$1.000,00 (salário mínimo), totalizando R$800,00 no período.

Exemplo de Cálculo de Adicional de Insalubridade 2, baseado na Súmula abaixo, em caso de convenção coletiva (informado acima em vermelho):

Súmula Vinculante 4

Salvo nos casos previstos na Constituição, o salário mínimo não pode ser usado como indexador de base de cálculo de vantagem de servidor público ou de empregado, nem ser substituído por decisão judicial.

Data de Aprovação

Sessão Plenária de 30/04/2008

Agora vamos passar para um exemplo um pouco mais pesado, onde o funcionário trabalha com Raio X, mas sem as devidas proteções:

Grau máximo (40%)

Base de cálculo em cima do salário do empregado (R$ 2.000,00) Trabalhador foi admitido em 01/01/2017 e trabalhou até 31/07/2017 Período: 7 meses

Cada mês deverá ter um acréscimo salarial de 800,00, correspondente a 40% de R$2.000,00 (salário base), totalizando R$ 5.600,00 no período.

Diferença entre insalubridade e periculosidade

Na verdade, não existe muita dificuldade em fazer essa diferenciação entre Insalubridade e Periculosidade, somente se a atividade afeta ou prejudica a saúde do trabalhador, enquanto a primeira oferece risco de vida ao trabalhador e a segunda oferece perigo.

Se por acaso um operário exercer sua profissão em uma obra muito barulhenta, pode receber por insalubridade. Mas se essa obra não oferecer nenhum risco à saúde desse empregado, mas for extremamente perigosa à vida dele por não conter capacetes de proteção ou instrumentos de segurança contra quedas, será considerada uma atividade perigosa.

Lembrando que devemos entender que os adicionais de insalubri-dade e periculosiinsalubri-dade não são cumulativos. Normalmente o trabalhador

vai receber o que oferecer uma melhor remuneração para o caso espe-cífico.

Por fim, a periculosidade diz respeito  a algum evento que pode acontecer sem previsão alguma. Por isso, existe uma única porcentagem de 30%. Diferente da insalubridade, a periculosidade não tem grau ou um valor específico. Para descobrir o valor do adicional basta fazer o cálculo da porcentagem de 30% com base no salário do colaborador.

No documento Tiago Mendonça Scavone. Gestão de Departamento Pessoal (páginas 29-36)

Documentos relacionados