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THE SANTO ANTÔNIO RIVER WATERSHED AS A POSSIBLE REFERENCE FOR PHYTOPLANKTON DIVERSITY IN THE RIO DOCE BASIN

No documento 1 ARTIGOS DE PESQUISA (páginas 36-39)

ABSTRACT: This study aimed to assess the biodiversity of the phytoplankton on Santo Antônio River, one of the most preserved in the Rio Doce basin. Samples were collected in eight sites at July 2018 using a 20 μm plankton net. A total of 132 taxa were identified, with the dominance of the Zygnematophyceae (53), and Bacillariophyceae (42). The predominance of species from Zygnematophyceae class suggests the low degree of environmental impact. Jaccard similarity values were low (J maximum 0.37). The increase of knowledge of the phytoplankton diversity for this region will help to include it as a reference area to future studies in the Doce River basin.

Keywords: algae, bio-indicators, anthropogenic impacts.

INTRODUÇÃO

A bacia do Rio Doce se estende por quase 87.000 km2, abrangendo 229 municípios e uma população de mais de 3,5 milhões de habitantes nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo (ECOPLAN-LUME, 2010). Esta região abriga importantes atividades

5 O presente trabalho foi realizado com o apoio do Programa Institucional de Apoio à Pesquisa - PAPq/UEMG

6 Aluna bolsista do Edital 01/2019 PAPq/UEMG

7 Professor Colaborador. Departamento de Ciências Biológicas – UEMG - Unidade Ibirité

8 Professor Colaborador. Departamento de Biologia Geral – ICB - UFMG

9 Professora orientadora. Departamento de Ciências Biológicas – UEMG - Unidade Ibirité

econômicas do país, com destaque para os setores de mineração/siderurgia, extensas áreas de monocultura de Eucalyptus spp., segunda maior planta de produção de celulose do país, além da segunda região metropolitana de Minas Gerais - Vale do Aço (DE PAULA et al., 1997). O ferro é responsável por 61% do valor da produção minerária comercializada pelo Brasil. A produção brasileira desse minério atingiu 595 milhões de toneladas em 2015, gerando US$14,7 bilhões de receita, sendo 74%

desse montante originados em Minas Gerais (BRASIL, 2016). Segundo o IBRAM, existem em torno de 300 minas de ferro em operação em Minas Gerais, das quais 103 estão localizadas nos limites da bacia de drenagem do Rio Doce em sua porção mineira (ECOPLAN-LUME, 2010).

Em novembro de 2015, essa bacia foi impactada por mais de 30 milhões de metros cúbicos de rejeito de mineração de ferro provenientes do rompimento da barragem de Fundão, evento é considerado como o maior desastre ambiental da história do Brasil (ESCOBAR, 2015; FERNANDES et al., 2016). Durante 16 dias, a lama percorreu 663 km até alcançar o oceano, afetando 39 municípios e deixando mais de um milhão de pessoas sem água potável (DIAS et al., 2018; LACAZ, PORTO e PINHEIRO, 2017).

As sub-bacias dos rios Gualaxo do Norte, Carmo e Santarém foram as mais afetadas, no entanto, os seus efeitos se expandiram por centenas de riachos menores de toda a bacia hidrográfica do Rio Doce (CARMO et al., 2017; GOMES et al., 2017). Dada a extensão territorial e os impactos ambientais, sociais e econômicos causados, este evento é considerado como o maior desastre ambiental da história do Brasil (ESCOBAR, 2015; FERNANDES et al., 2016). Dezenove pessoas morreram, milhares de pescadores ficaram impedidos de realizar o seu trabalho e centenas de famílias tiveram que ser realocadas.

Dois anos após o rompimento da barragem de Fundão, o relatório do IGAM destacou grande proporção de violações aos limites legais, especialmente em relação a turbidez, sólidos em suspensão total, ferro dissolvido, manganês total, alumínio dissolvido, chumbo total e zinco total (IGAM, 2017). Embora o rejeito tenha sido classificado como inerte pelo órgão Ambiental (IBAMA, 2015), não se sabe exatamente a extensão dos danos causados sobre a biota e os serviços ecossistêmicos em médio e longo prazo. É visível o grau de transformações resultantes, com profundas mudanças na qualidade das águas e dos sedimentos, além de uma provável eliminação das biotas aquática e terrestre de várias áreas

ribeirinhas, na foz e na zona costeira do Espírito Santo.

É bem estabelecido que medidas físicas e químicas são essenciais para demonstrar alterações na qualidade da água e sedimentos (TUNDISI; TUNDISI, 2008). Entretanto, as respostas biológicas são complementares e tornam a caracterização da qualidade ambiental mais robusta, uma vez que as comunidades biológicas integram o resultado de mudanças ao longo do tempo (LAMPERT; SOMMER, 2007). Mudanças no padrão de diversidade, ou mesmo a presença ou ausência de determinados organismos podem indicar claramente uma mudança profunda nas condições ambientais e em qual direção essa mudança ocorre (BUSS et al., 2003).

O fitoplâncton é considerado um dos componentes-chave na biocenose de ambientes aquáticos como lagoas, reservatórios e rios (SARMENTO; DESCY, 2008). Devido a sua estreita relação com as variações ambientais, esta comunidade de produtores primários tem sido considerada como boa indicadora das condições ambientais em diferentes ecossistemas aquáticos (DOKULIL, 2003). Quando bem documentadas, a comparação da biomassa e composição taxonômica entre áreas afetadas e de referência são importantes na detecção de fatores estressores.

Em Minas Gerais, a Deliberação Normativa conjunta COPAM/CERH-MG n° 01/2008 determina, em seu artigo 6૦, parágrafo primeiro:

Serão estabelecidos sítios de referência em locais preservados e com baixo ou nenhum impacto antropogênico, caracterizados pela composição e estrutura das comunidades e diferenciados ecorregiões aquáticas, zonas funcionais e características ecomorfológicas dos habitats (MINAS GERAIS, 2008).

A bacia do Rio Doce encontra-se, em sua maior parte, já bastante degradada, havendo poucas áreas que poderiam ser consideradas para atender a essa demanda legal. Estrategicamente, essa bacia faz parte da Ecorregião aquática Mata Atlântica Nordeste, juntamente com as bacias dos rios Paraguaçu, rio de Contas e Pardo (CAMELIER; ZANATTA, 2014). Estas bacias apresentam elevado grau de endemismos de peixes, incluindo sete gêneros (ABELL et al., 2008).

Entre as áreas mais preservadas na bacia do Rio Doce, pode-se citar a região de cabeceiras, protegidas nas áreas Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) da Serra do Caraça e no Parque Nacional da Serra do Cipó. No entanto, essas são

áreas de maior altitude e com características ecomorfológicas distintas da maior parte da bacia do Rio Doce. Nesse contexto, a sub-bacia do rio Santo Antônio, ainda pouco impactada por atividades antrópicas, poderia atender de maneira mais completa aos critérios estabelecidos para a definição de uma área de referência na bacia do Rio Doce. De acordo com o relatório do terceiro trimestre de 2013 do Projeto Águas de Minas, os rios da sub-bacia do Santo Antônio possuem índice de qualidade das águas dentro da faixa considerada boa (IGAM, 2013). Frente ao exposto, o objetivo do trabalho foi avaliar a diversidade da comunidade fitoplanctônica no Rio Santo Antônio, um dos mais preservados da bacia do Rio Doce, visando a alimentação de uma base de dados dessa bacia e sua utilização como área de referência para a referida bacia em estudos de impacto ambiental.

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