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AMOSTRAGEM AV SN AV SN AV SN AV SN AV SN AV SN Abastecimento 7,4 A 7,3 A 7,3 A 6,9A 43,5 A 51,6 A 46,9 A 23,1 A 4,0 A 0,3 A 6,0 A 0,1 A Afluente 6,7 A 7,1 A 6,9 A 6,9 A 2.598 A 4.590 A 2.991 A 2.804 A 2.059 A 2.314 A 2.921 A 1.729 A Efluente 7,2 A 7,9 A 7,3 A 7,4 A 759,2 A 773,3 A 888,7 A 466,7 A 321,6 A 360 A 313,3 A 125,5 A Ponto de emissão no rio 7,1 A 7,7 A 7,2 A 7,4 A 280 A 649,3 B 255,5 A 238 A 61,3 A 70 A 89,5 A 60 A 100 m à jusante da emissão 6,8 A 7,4 A 7,2 A 7,3 A 77,2 A 67,6 A 102,1 A 26,67 B 92,3 A 6,0 B 66,3 A 3,0 B 100 m à montante da emissão 6,8 A 7,3 A 7,0 A 7,2 A 107 A 22,5 B 61,5 A 10,0 B 22 A 0 B 40 A 0 B

Após a análise das Tabelas 1, 2 e 3 verifica-se que as amostras de água de abastecimento, dos dois tipos de abatedouros, apresentaram os valores de pH dentro dos limites estipulados na Portaria 518 do Ministério da Saúde (BRASIL, 2004), ou seja, 6,0 e 9,5.

Os valores de pH encontrados nos afluentes e efluentes dos sistemas de tratamento e nas amostras do corpo receptor, dos abatedouros avícolas e suinícolas foram similares àqueles obtidos em pesquisas realizadas por diversos autores (BENKA- COKER & OJIOR, 1995; RAJESHWARI et al., 2000; SALMINEN et al., 2001; CAIXETA et al.; 2002; SALMINEN & RINTALA, 2002; RODRÍGUEZ-MARTÍNEZ et al., 2002; FATTA et al., 2003; TORKIAN et al., 2003).

FRANSEN et al. (1996) citam que a atividade microbiológica eficiente para a quebra da matéria orgânica presente em efluentes, com subseqüente formação de material celular, é alcançada em pH neutro. Este fato foi constatado não só nos efluentes, como em todos os pontos de amostragem dos abatedouros avícolas e suinícolas. Esta característica pode ser explicada pela alta capacidade tamponante das águas residuais de abatedouros (JOHNS, 1995; STOOP, 1999) que proporcionou o enquadramento, nas épocas de seca e das chuvas, dos efluentes dos sistemas de tratamento, de ambas as indústrias, nos valores limites de pH (5,0 a 9,0) preconizados pelo CONAMA (2005) e pelo Decreto 8468 (SÃO PAULO, 1976). As águas dos três pontos do corpo receptor (no ponto de emissão, 100 m à montante e 100 m à jusante), nos dois tipos de estabelecimentos, também estavam entre os valores limites de pH (6,0 a 9,0), estipulados para as três classes de rios no Brasil (CONAMA, 2005).

O Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal - RIISPOA (BRASIL, 1997) define que os estabelecimentos de produtos de origem animal, destinado ao consumo humano, devem possuir águas com valor máximo de DBO de 2 mg.L-1. Entretanto, esta diretriz química não foi alcançada pelas águas de abastecimento, dos estabelecimentos de aves, nos períodos de chuva e estiagem.

Considerando as cargas de DQO e de DBO e as análises estatísticas efetuadas neste estudo, pôde-se inferir que o poder poluente foi semelhante em todos os pontos

de colheita da linha de abate avícola, pois, não houve diferenças significativas (p > 0,05) entre os valores obtidos nos diferentes pontos de amostragem.

Na linha de abate de suínos, as águas residuárias das lavagens das carcaças seguidas pelas águas provenientes da lavagem do ambiente e do tanque de escaldadura foram os pontos com maior poder poluente.

As elevadas concentrações de matéria orgânica, observadas nas amostras de água dos diferentes pontos do fluxograma de abate, nos dois tipos de abatedouros, condizem com os achados de NASCIMENTO et al. (2000). Segundo estes autores, a evisceração e a lavagem das carcaças são responsáveis por cerca de 1/3 de toda a carga orgânica liberada já que, mesmo após a filtragem, a água poderá conter pequenos fragmentos de tecido, gordura, areia e resíduos de sangue, contribuindo para águas da limpeza da planta, com DBO em torno de 2.500 mg.L-1. Em adição, os tanques de resfriamento podem representar até 8% da DBO total do abate, com valores que vão desde cerca de 1.000 mg.L-1 (no pré-resfriamento) a 750 mg.L-1 (no resfriamento).

Nos afluentes e efluentes dos sistemas de tratamento, dos dois tipos de abatedouros, as elevadas concentrações de DQO e de DBO foram similares aos resultados reportados por BENKA-COKER & OJIOR (1995), JOHNS (1995), DEL POZO et al. (2000), RAJESHWARI et al. (2000), MASSÉ & MASSE (2001), SALMINEN et al. (2001), CAIXETA et al. (2002), RODRÍGUEZ-MARTÍNEZ et al. (2002), DEL POZO & DIEZ (2003), FATTA et al. (2003), MANIOS et al. (2003) e TORKIAN et al. (2003).

No presente estudo, as lagoas de estabilização, empregadas nos dois tipos de estabelecimentos para tratamento dos afluentes, contribuíram para reduções nas cargas de DQO nas faixas de 70,8% (seca) e 70,3% (chuva), para os abatedouros avícolas, e de 83,2% (seca) e 83,4% (chuva), para os abatedouros suinícolas. As reduções de DBO nos efluentes dos estabelecimentos avícolas foram de 84,4% (seca) e de 89,3% (chuva), e nos oriundos das indústrias suínas: 84,4% (seca) e 92,7% (chuva).

Os dados de reduções de carga orgânica, verificados na presente pesquisa, concordam com os resultados obtidos por diversos autores (COUILLARD, et al., 1989;

TRITT, 1992; MARTÍNEZ, et al., 1995; BATSTONE et al., 2000; DEL POZO et al., 2000; SALMINEN et al., 2001; CAIXETA et al., 2002; DEL POZO & DIEZ, 2003; FATTA et al., 2003; TORKIAN et al., 2003; WANG & BANKS, 2003), em estudos da eficiência de sistemas de tratamento utilizados na degradação dos resíduos oriundos de abatedouros.

As percentagens de redução de DBO, ocorridas nos períodos de seca e de chuvas, nos dois tipos de abatedouros, estão de acordo com a redução de 80% de DBO, exigidos pelo Decreto 8468 (SÃO PAULO, 1976), para efluentes destinados a emissão ao ambiente. Entretanto, em termos absolutos, estas mesmas cargas orgânicas não se enquadram no valor máximo de 60 mg.L-1 de DBO (SÃO PAULO, 1976), estipulado para a emissão de efluentes sem tratamento.

As lagoas de estabilização são comumente usadas para se alcançar elevadas reduções das cargas DBO nas águas residuárias de abatedouros, apesar da desvantagem de produção de maus odores (JOHNS, 1995). A esse respeito, RAJESHWARI et al. (2000) não recomendam as lagoas de estabilização como a única etapa de tratamento destinada à remoção de nutrientes, devido aos problemas relacionados a proliferação de mosquitos, a dificuldade de disposição do efluente, a um efluente fortemente eutrofizado, que necessita de um tratamento subseqüente, a geração de altas concentrações de gases e pelos sólidos totais em suspensão, causando maus odores.

BENKA-COKER & OJIOR (1995) após analisarem o efeito de resíduos de abatedouros em águas de rio, na Nigéria, constataram o efeito da diluição da carga poluente na eficiência dos sistemas de auto-depuração dos rios. Eles relataram elevados valores de DBO, das águas residuárias, elevando os níveis de DBO no ponto de mistura do efluente e do rio, com decréscimos graduais à jusante (3,3 a 5,3 mg.L-1) do ponto de emissão.

Foram verificadas, no presente estudo, diferenças significativas (p < 0,05) nos valores de DBO e de DQO dos efluentes, quando comparados com os obtidos no ponto de emissão, 100 m à montante e 100 m à jusante.

O enquadramento nas concentrações limites de 5 mg DBO.L-1 e 10 mg DBO.L-1, para as águas de Classe II e III, respectivamente, segundo a Resolução 357 do CONAMA (2005) e o Decreto 8468 (SÃO PAULO, 1976), foi averiguado, na seca e nas chuvas, somente para as águas situadas 100 metros à montante e 100 metros à jusante do ponto de emissão dos abatedouros suinícolas, evidenciando o poder impactante dos efluentes no ponto de emissão do mesmo.

3.2 Concentrações médias das formas oxidadas e reduzidas de nitrogênio e de potássio

Nas Tabelas 4 e 5 estão apresentadas as concentrações médias de nitrogênio total kjeldahl (NTK), nitrato, nitrito e potássio nas águas de abastecimento, dos pontos do fluxograma de abate, nos afluentes e efluentes dos sistemas de tratamento e nos pontos dos corpos receptores, respectivamente, nos abatedouros avícolas e suinícolas e nos períodos de estiagem e chuvas.

Nas águas colhidas dos abatedouros avícolas, durante as chuvas e a seca, as concentrações de NTK (abastecimento e três pontos do corpo receptor), de potássio (abastecimento, escaldadura, depenagem, 100 m à montante e 100 m à jusante das emissões do efluente), de nitrito (escaldadura, depenagem, afluente e efluente dos sistemas de tratamento e 100 m à montante) e de nitrato (efluente dos sistemas de tratamento, 100 m à montante e 100 m à jusante) apresentaram diferenças significativas (p < 0,05) com os outros pontos de amostragem.

Nos abatedouros suinícolas, nos períodos de chuva e de seca, as diferenças estatísticas (p< 0,05) com os outros pontos de amostragem foram verificadas nas concentrações NTK (abastecimento e três pontos do corpo receptor), de nitrito (linha de abate e afluentes e efluentes dos sistemas de tratamento), nitrato (afluentes e efluentes dos sistemas de tratamento) e potássio (100 m à montante e 100 m à jusante).

Tabela 4. Médias aritméticas das concentrações de nitrogênio total kjeldahl (NTK), nitrato (NO3-N), nitrito (NO2-N) e potássio (K), expressas em mg.L- 1, nas águas de abastecimento e de diferentes fases do fluxograma de abate, nos afluentes e nos efluentes, dos sistemas de tratamento de

resíduos, e nos três pontos do curso d’água receptor, colhidas em abatedouros avícolas entre os meses de maio e setembro de 2003 (seca) e janeiro e março de 2004 (chuva), no Estado de São Paulo.

NTK NO3-N NO2-N K

PONTOS DE AMOSTRAGEM

SECA CHUVA SECA CHUVA SECA CHUVA SECA CHUVA

Abastecimento 2,91 Ab 4,41 Ab 1,1Aa 0,8 Aa 0,007 Aa 0,004 Aa 0 Aa 4,5 Ba

Tanque de escaldadura 270 Aa 250,7 Aa 14,2 Ab 22,3 Ab 0,808 Ab 2,318 Ab 194,8 Ab 186,0 Ab

Depenagem 369,8 Aa 302,1 Aa 8,8 Ab 16,9 Ab 1,465 Ab 1,734 Ab 114,1 Ab 109,2 Ab

Evisceração 290,0 Aa 260,7 Aa 12,1 Ab 24,1 Ab 0,249 Ac 0,417 Ac 48,5 Ac 40,1 Ac

Lavagem das carcaças 317,7 Aa 387,1 Aa 13,1 Ab 14,5 Ab 0,125 Ac 0,243 Ac 16,3 Ac 27,8 Ac

Pré-resfriamento 286,1 Aa 270,7 Aa 9,7 Ab 9,7 Ab 0,086 Ac 0,139 Ac 32,4 Ac 69,2 Ac

Resfriamento 195,3 Aa 121,8 Aa 6,2 Ab 8,8 Ab 0,082 Ac 0,065 Ac 18,0 Ac 36,1 Ac

Lavagem do ambiente 295,8 Aa 205,0 Aa 10,4 Ab 23,2 Ab 0,131 Ac 0,309 Ac 59,5 Ac 58,2 Ac

Afluente dos tratamentos 288,2 Aa 124,6 Aa 13,1 Ab 21,2 Ab 2,295 Ab 0,951 Ac 23,3 Ac 45,7 Ac

Efluente dos tratamentos 264,6 Aa 143,2 Aa 4,8 Ac 3,1 Ac 0,160 Ac 0,413 Ac 24,3 Ac 64,6 Ac

Ponto de emissão no rio 16,13 Ac 13,69 Ac 2,4 Ac 2,1 Ac 0,031 Ac 0,076 Ac 22,8 Ac 33,2 Ac

100 m à jusante da emissão 28,55 Ac 19,50 Ac 1,7 Ac 1,2 Aa 0,052 Ac 0,021 Ac 0 Aa 9,0 Bd

100 m à montante da emissão 19,08 Ac 16,22 Ac 2,2 Ac 0,9 Aa 1,056 Ab 0,052 Bc 6,5 Ad 6,2 Ad

Em cada linha valores seguidos de letras maiúsculas diferentes, dentro de uma variável, diferem entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5%. Em cada coluna valores seguidos de letras minúsculas diferentes, dentro de uma variável, diferem entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5%.

Tabela 5. Médias aritméticas das concentrações de nitrogênio total kjeldahl (NTK), nitrato (NO3-N), nitrito (NO2-N) e potássio (K), expressas em mg.L- 1, nas águas de abastecimento e de diferentes fases do fluxograma de abate, nos afluentes e nos efluentes, dos sistemas de tratamento de

resíduos, e nos três pontos do curso d’água receptor, colhidas em abatedouros suinícolas entre os meses de maio e setembro de 2003 (seca) e janeiro e março de 2004 (chuva), no Estado de São Paulo.

NTK NO3-N NO2-N K

PONTOS DE AMOSTRAGEM

SECA CHUVA SECA CHUVA SECA CHUVA SECA CHUVA

Abastecimento 4,63Ab 3,13 Ab 1,5 Aa 1,7 Aa 0,001 Aa 0,006 Aa 2,0 Aa 3,6 Aa

Tanque de escaldadura 303,8 Aa 305,7 Aa 30,0 Ab 34,0 Ab 0,461 Ab 0,424 Ab 21,1 Ab 19,8 Ab

Lavagem das carcaças 360,5 Aa 397,1 Aa 32,8 Ab 38,0 Ab 1,323 Ac 1,223 Ac 52,6 Ab 52,5 Ab

Lavagem do ambiente 467,7 Aa 374,6 Aa 32,0 Ab 28,6 Ab 1,485 Ac 1,284 Ac 25,5 Ab 21,0 Ab

Afluente dos tratamentos 264,3 Aa 92,1 Bb 37,6 Ab 28,5 Ab 0,653 Ac 0,620 Ac 25,7 Ab 23,9 Ab

Efluente dos tratamentos 304,8 Aa 91,3 Bb 3,62 Aa 2,2 Aa 0,102 Ab 0,111 Ab 38,7 Ab 36,9 Ab

Ponto de emissão no rio 24,75 Ac 60,0 Ab 2,8 Aa 2,7 Aa 0,117 Ab 0,176 Ab 21,3 Ab 26,5 Ab

100 m à jusante da

emissão 29,25 Ac 22,5 Ac 2,1 Aa 2,3 Aa 0,245 Ab 0,174 Ab 7,6 Aa 8,0 Aa

100 m à montante da

emissão 31,88 Ac 15,0 Ac 2,8 Aa 1,0 Aa 0,147 Ab 0,107 Ab 6,1 Aa 6,2 Aa

Em cada linha valores seguidos de letras maiúsculas diferentes, dentro de uma variável, diferem entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5%. Em cada coluna valores seguidos de letras minúsculas diferentes, dentro de uma variável, diferem entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5%.

Nas Tabelas 6 e 7 encontram-se, nos períodos de seca e chuva, para os dois tipos de estabelecimentos, as concentrações médias de nitrogênio total kjeldahl (NTK), nitrato, nitrito e potássio nos afluentes e efluentes, dos sistemas de tratamento, e nos três pontos amostrados no corpo receptor.

Na estação da seca e nos abatedouros de aves, quando comparados com os de suínos, as diferenças (p < 0,05) foram observadas nas concentrações de NTK (abastecimento e três pontos do corpo receptor), nitrato (no afluente dos sistemas de tratamento), nitrito (no afluente, dos sistemas de tratamento, e nos três pontos do corpo d’água) e potássio (100 m à jusante da emissão do efluente).

Na época das chuvas, entre os abatedouros avícolas e os suinícolas, não houve diferenças (p > 0,05) para as concentrações de potássio e nitrato. As diferenças (p < 0,05) foram observadas para as concentrações de nitrito (100 m à jusante) e NTK (100 m à montante e 100 m à jusante).

Vários pesquisadores (JOHNS, 1995; FRANSEN et al., 1998; RAJESHWARI et al., 2000; SALMINEN et al., 2001; SALMINEN & RINTALA, 2002; MANIOS et al., 2003) são unânimes em afirmar que cerca de 90% do nitrogênio total, presente nas águas, estão na forma de nitrogênio amoniacal. Logo, em conformidade a Portaria 518 do Ministério da Saúde (BRASIL, 2004) e ao RIISPOA (BRASIL, 1997), que preconizam, respectivamente, valores máximos 1,5 mg.L-1 e 5,0 mg.L-1 de nitrogênio amoniacal para as águas destinadas ao abastecimento público e as indústrias de produtos de origem animal, constatou-se que os valores encontrados nas águas de abastecimento, dos dois tipos de estabelecimentos pesquisados, estavam dentro dos VMP estipulados pelo RIISPOA (BRASIL, 1997), somente.

Ainda enfocando as águas de abastecimento, destes dois tipos de abatedouros, foi possível verificar que as concentrações de nitrato e nitrito, tanto na seca como nas chuvas, estavam em consonância com os valores máximos de 10 mg.L-1 e 1 mg.L-1, respectivamente, estipulados pela Portaria 518 do Ministério da Saúde (BRASIL, 2004).

Tabela 6. Médias aritméticas dos valores de nitrogênio total kjeldahl (NTK), nitrato (NO3-N) e nitrito (NO2-N), expressas em mg.L-1, nas águas de abastecimento,

nos afluentes e nos efluentes, dos sistemas de tratamento de resíduos, e nos três pontos do curso d’água receptor, colhidas em abatedouros avícolas (AV) e suinícolas (SN) entre os meses de maio e setembro de 2003 (seca) e janeiro e março de 2004 (chuva), no Estado de São Paulo.

NTK NO3-N NO2-N

SECA CHUVA SECA CHUVA SECA CHUVA

PONTOS DE AMOSTRAGEM AV SN AV SN AV SN AV SN AV SN AV SN Abastecimento 2,91 A 4,63 A 4,41 A 3,13 A 1,1 A 1,5 A 0,8 A 1,7 A 0,007 A 0,001 A 0,004 A 0,006 A Afluente dos sistemas de tratamento 288,2 A 264,3 A 124,6 A 92,1 A 13,1 A 37,6 B 21,2 A 28,5 A 2,295 A 0,653 B 0,951 A 0,620 A Efluente dos sistemas de tratamento 264,6 A 304,8 A 143,2 A 91,3 A 4,8 A 3,62 A 3,1 A 2,2 A 0,160 A 0,102 A 0,413 A 0,111 A Ponto de emissão no rio 16,13 A 24,75 A 13,69 A 60,0 A 2,4 A 2,8 A 2,1 A 2,7 A 0,031 A 0,117 B 0,076 A 0,176 A 100 m à jusante da emissão 28,55 A 29,25 A 19,50 A 22,5 B 1,7 A 2,1 A 1,2 A 2,3 A 0,052 A 0,245 B 0,021 A 0,174 B 100 m à montante da emissão 19,08 A 31,88 A 16,22 A 15,0 B 2,2 A 2,8 A 0,9 A 1,0 A 1,056 A 0,147 B 0,052 A 0,107 A

Tabela 7. Médias aritméticas dos valores de potássio (K), expressas em mg.L-1, nas águas de abastecimento, nos afluentes e nos efluentes, dos

sistemas de tratamento de resíduos, e nos três pontos do curso d’água receptor, colhidas em abatedouros avícolas (AV) e suinícolas (SN) entre os meses de maio e setembro de 2003 (seca) e janeiro e março de 2004 (chuva), no Estado de São Paulo.

K

SECA CHUVA

PONTOS DE AMOSTRAGEM

AV SN AV SN

Abastecimento 0 A 2,0 A 4,5 A 3,6 A

Afluente dos sistemas de tratamento 23,3 A 25,7 A 45,7 A 23,9 A

Efluente dos sistemas de tratamento 24,3 A 38,7 A 64,6 A 36,9 A

Ponto de emissão no rio 22,8 A 21,3 A 33,2 A 26,5 A

100 m à jusante da emissão 0 A 7,6 B 9,0 A 8,0 A

100 m à montante da emissão 6,5 A 6,1 A 6,2 A 6,2 A

Considerando as concentrações de NTK e nitrato, verificadas nas amostras de água residuária dos dois tipos de abatedouros, foi possível depreender, sobretudo com base nas informações estatísticas, que as águas residuais de toda a linha de abate, de ambos os estabelecimentos, têm forte potencial poluidor. Já nos abatedouros avícolas, a cerca dos valores de nitrito e potássio mensurados na estação da seca e das chuvas, as águas residuais detentoras do maior potencial poluidor foram aquelas do tanque de escaldadura e da depenagem, seguidas pelas águas da evisceração, da lavagem das carcaças, dos tanques de pré-resfriamento e resfriamento e da lavagem do ambiente.

Na linha de abate de suínos, as águas das lavagens das carcaças e do ambiente, seguidas pelas águas de escaldadura, foram as etapas que mais contribuíram para a poluição das águas, em termos de nitrito. Contudo, no que concerne ao potássio, as três etapas da linha de abate representaram contribuições poluentes que não diferiram entre si (p > 0,05).

Os resultados de NTK, nitrato e potássio, detectados nos afluentes e efluentes dos sistemas de tratamento dos abatedouros de aves e de suínos deste estudo, foram semelhantes aos encontrados por COUILLARD et al. (1989), BENKA-COKER & OJIOR (1995), JOHNS (1995), KELLER et al. (1997), DEL POZO et al. (2000), RAJESHWARI et al. (2000), MASSÉ & MASSE (2001), SALMINEN et al. (2001), CAIXETA et al. (2002), RODRÍGUEZ-MARTÍNEZ et al. (2002), SALMINEN & RINTALA (2002), DEL POZO & DIEZ (2003) e TORKIAN et al. (2003).

Resíduos de abatedouros são geralmente definidos como um difícil substrato para o tratamento anaeróbico, principalmente por causa de seu típico e elevado conteúdo de proteínas e lipídeos (RAJESHWARI et al., 2000; FRANSEN et al., 1998; SALMINEN et al., 2001; SALMINEN & RINTALA, 2002; MANIOS et al., 2003).

Na maioria dos países, as lagoas de estabilização são as principais formas de tratamento biológico aeróbico dos afluentes dos abatedouros, apesar de outras tecnologias, tais como, filtros biológicos e sistemas de lodos ativados já houverem sido usados (JOHNS, 1995).

Sistemas de tratamento anaeróbicos de altos níveis, tais como o UASB e reatores de leito fixo, são menos populares para os resíduos de abatedouros devido a

grande presença de óleos e materiais suspensos no afluente afetando, por conseguinte, o desempenho e a eficiência (RAJESHWARI et al., 2000; FRANSEN et al., 1996; SALMINEN & RINTALA, 2002; MANIOS et al., 2003). Todavia, divergências existem uma vez que RODRÍGUEZ-MARTÍNEZ et al. (2002) afirmam que os sistemas anaeróbicos são muito utilizados no tratamento de águas residuais de abatedouros por fornecerem altas reduções de DBO a um custo significativamente menor, quando comparados com os sistemas aeróbicos, e gerarem uma quantidade menor de lodo, altamente estabilizado e mais facilmente desidratado. Em adição, o gás rico em metano gerado, pode ser captado para uso como fonte de energia.

Muitas tecnologias, tanto físico-químicas como biológicas, têm sido desenvolvidas para remover nutrientes, porém a retirada do nitrogênio através dos processos biológicos de nitrificação tem-se destacado (SALMINEN & RINTALA, 2002).

A desnitrificação do nitrogênio oxidado e a degradação metanogênica ocorrem simultaneamente em processos anaeróbicos, mas, ambos os processos são limitados pela disponibilidade de matéria biodegradável. A matéria orgânica envolvida na desnitrificação é, principalmente, a fração prontamente biodegradável, especialmente para águas residuárias de abatedouros, porque a maioria da DQO deve ser previamente hidrolisada. Conseqüentemente, as concentrações de DQO, que são limitadas para desnitrificação, podem alcançar valores tão altos quanto 500 mg.L-1 (DEL POZO & DIEZ, 2003).

Os sistemas de tratamento, empregados para os efluentes dos abatedouros avícolas apresentaram as seguintes taxas de redução: 8,2% (na seca), para o nitrogênio total; 63,4% (na seca) e 85,4% (na chuva), para o nitrato, e 93,0% (na seca) e 56,6% (na chuva), para o nitrito.

No caso dos abatedouros suinícolas, as reduções foram nas ordens de: 0,9% (nas chuvas), para o nitrogênio total; 90,4% (na seca) e 92,3% (na chuva), para o nitrato e 84,4% (na seca) e 82,9% (na chuva), para o nitrito.

As elevadas concentrações de NTK e as pequenas taxas de redução deste elemento nos sistemas de tratamento dos dois tipos de indústrias, vão de encontro com as assertivas de SALMINEN et al (2001) e CAIXETA et al. (2002). Estes autores

afirmam que na degradação aeróbica da matéria orgânica, o nitrogênio orgânico é removido, gerando um aumento na concentração de nitrogênio amoniacal e contribuindo para a manutenção da alcalinidade. Desta forma, este fato seria responsável por uma moderada acidez, a qual reduziria a perda significativa de nitrogênio, causada pela volatilização da amônia, durante o tratamento.

No Brasil não há legislação pertinente aos valores máximos de nitrogênio no efluente destinado à emissão. Entretanto, comparações podem ser efetuadas com legislações existentes na União Européia, que preconizam índices de remoção maiores que 80% ou concentrações de 15 mg.L-1 (FATTA et al., 2003). Sendo assim, os efluentes dos abatedouros de aves e de suínos, analisados neste estudo, não conseguiram atingir estes limites máximos de NTK.

Nos três pontos amostrados nos corpos receptores, dos efluentes dos sistemas de tratamento dos resíduos dos dois tipos de abatedouros, o NTK foi extremamente superior às concentrações máximas de 0,5 mg. L-1, preconizados pelo Decreto 8468 (SÃO PAULO, 1976) para águas de Classe II e III, e de 1 mg. L-1, estipulados pelo CONAMA (2005) para os corpos de Classe III (Tabela 6).

As concentrações de nitrato e nitrito, nas águas dos corpos receptores (no ponto de emissão do efluente, 100 metros à montante e 100 metros à jusante) que recebiam efluentes dos sistemas de tratamento dos abatedouros de aves e de suínos, investigadas na seca e nas chuvas, estavam em conformidade com a Resolução 357 do CONAMA (2005) e o Decreto 8468 (SÃO PAULO, 1976), ou seja, abaixo dos valores máximos de 10 mg NO3-N. L-1 e 1 mg NO2-N. L-1 para as águas de Classes II e III (Tabela 6).

As baixas concentrações de nitrato, nas amostras à jusante do ponto de emissão, mormente na época das chuvas, podem evidenciar a capacidade de diluição e auto-depuração do rio. Já as concentrações irregulares de NTK (acima dos valores máximos permitidos), nas águas 100 metros à montante do ponto de emissão dos efluentes de ambos os abatedouros, podem estar relacionadas com outras fontes de poluição, pontuais ou não, e independentes dos abatedouros.

Salienta-se que as elevadas concentrações de potássio, observadas neste estudo, corroboram os achados de FRANK et al. (1991), BRUNING-FANN et al. (1994) e BARROS (2002). Estes pesquisadores, através de modelos logísticos, demonstraram uma associação positiva entre os valores de nitrato, maiores que 10 mg.L-1, e um aumento nos níveis de potássio.

Vale ressaltar que em conjunto com o nitrogênio, o potássio, por também ser

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