Seleção da amostra e do período de análise

No documento Análise do desempenho econômico-financeiro de seguradoras (páginas 82-86)

4. METODOLOGIA

4.4 Pesquisa quantitativa

4.4.2 Seleção da amostra e do período de análise

A amostra utilizada neste trabalho é não-probabilística típica, que, de acordo com a definição de Laville e Dionne (1999: 170), é aquela em que “a partir das necessidades

de seu estudo, o pesquisador seleciona casos julgados exemplares ou típicos da população- alvo”. Cooper e Schindler (2003: 169) denomina este tipo de amostra não probabilística como amostragem por julgamento, em que “um pesquisador seleciona membros da amostra para atender a alguns critérios”.

Portanto, para atender aos objetivos da pesquisa, foi delimitado como universo o mercado segurador brasileiro, sendo selecionadas as sociedades seguradoras autorizadas a operar em seguros privados no País, sem levar em consideração as companhias de capitalização, entidades de previdência aberta e/ou fechada, seguradoras especializadas em saúde e operadoras de plano de saúde, conforme classificação da SUSEP.

O período escolhido para análise dos dados foi de 2000 a 2006. O início da análise no ano 2000 foi escolhido devido às mudanças na legislação brasileira quanto aos controles internos das seguradoras. Isso fez com que o conceito de segurança fosse implementado nas seguradoras, gerando por parte da SUSEP uma maior preocupação com a padronização das contas patrimoniais e de resultado de tais empresas, com fins de fiscalização.

Tendo em vista este período, buscaram-se companhias seguradoras que atuaram no ano de 2006, levando-se em consideração as restrições descritas anteriormente. Logo, das 120 empresas de seguros existentes em 2006, inicialmente, foram retiradas da amostra 35 que operavam como seguradoras especializadas em saúde e operadoras de plano de saúde, além de oito seguradoras de crédito e três companhias de seguros que possuíam todos os valores das demonstrações financeiras iguais a zero, o que impossibilitaria o cálculo dos indicadores, ficando a amostra composta por 74 empresas do ramo de seguros.

Após a coleta de todos os dados destas 74 empresas, por meio do sítio da SUSEP na internet, elaborou-se uma planilha de dados do Microsoft Excel®, em que foram destacadas das demonstrações financeiras as contas patrimoniais e de resultado a serem

utilizadas para compor os índices. É importante destacar que houve algumas alterações na nomenclatura de algumas contas ao longo deste período, fazendo com que fosse necessária uma apuração mais cuidadosa para compor os indicadores de cada período. As contas selecionadas, com base no período de 2006, encontram-se listadas no QUADRO 2. É importante destacar que a seleção das contas e elaboração do quadro se fizeram necessárias tendo em vista que o plano de contas da SUSEP é muito detalhado e, por isso, extenso.

Quanto à construção dos indicadores utilizados na pesquisa, é importante salientar que as fórmulas usadas para compô-los foram baseadas na bibliografia consultada e estão dispostos no item3.5 desta dissertação. Os indicadores utilizados foram: endividamento

(endv), alavancagem líquida (alavl), alavancagem bruta (alavb), imobilização do capital próprio (icp), composição do endividamento (cendv), cobertura vinculada (cobvin), garantia de capital de terceiros (gcapt), independência financeira (indfin), liquidez geral (liqger), liquidez corrente (liqcor), liquidez seca (liqsec), solvência geral (sg), liquidez operacional

(lqop), índice de liquidez (indliq), retorno dos ativos financeiros (ratfin), rentabilidade do ativo (roa), retorno sobre PL (roe), índice do resultado financeiro (inrefin), giro do ativo

(gat), margem bruta (mb), margem operacional (mo), margem líquida (ml), resultado patrimonial (respat), retenção de terceiros (reterc), retenção própria (repro), adequação das provisões de sinistros a liquidar (apsl), coeficiente de geração de resultados futuros (cgrf), sinistralidade (sin), custo de comercialização (cuscom), custo administrativo (cusadm), índice de overhead (iover), índice combinado (icomb), índice combinado ampliado (icomba), prêmio margem (prema), coeficiente de formação de provisões técnicas (cfpt), índice de capacidade de emissão (icape), capital circulante líquido (ccl) e mutações do patrimônio líquido (mpl).

QUADRO 2 – Contas selecionadas para compor os indicadores econômico-financeiros

BALANÇO PATRIMONIAL - ATIVO DEMOSTRAÇÃO DO RESULTADO

Circulante Prêmio Retido

Disponível Prêmio Emitido - Risco Vigente e Já Emitidos (+)

Caixa e Bancos Prêmios Restituídos (-)

Aplicações no Mercado Aberto Prêmio de Cosseguro Cedido a Congêneres

Aplicações Prêmios de Resseguros Cedidos

Créditos das Operações Com Seguros E Resseguros Prêmios Cedidos a Consórcios E Fundos

Prêmios a Receber Prêmios Ganhos

Operações com Seguradoras Sinistros Retidos

Operações com Resseguradoras Sinistros Diretos (-)

Despesas Antecipadas Sinistros de Cosseguro Aceito e Retrocessão (+/-)

Despesas de Comercialização Diferidas Recuperação de Sinistros (+)

Seguros e Resseguros Salvados (+)

Realizável a Longo Prazo Ressarcimentos (+)

Créditos das Operações Com Seguros E Resseguros Despesas de Comercialização

Prêmios a Receber Despesas Administrativas

Operações com Seguradoras Resultado das Operações – Seg. / Prev. / Cap.

Operações com Resseguradoras Receitas Financeiras

Despesas Antecipadas Despesas Financeiras

Despesas de Comercialização Diferidas Resultado Patrimonial

Permanente Resultado Não Operacional

Total do Ativo Resultado Antes dos Impostos e Participações

BALANÇO PATRIMONIAL - PASSIVO Lucro Líquido / Prejuízo

Circulante Lucro Líquido/Prejuízo por Ação(+/-)

Débitos das Operações com Seguros e Resseguros Provisões Técnicas - Seguros e Resseguros PPNG - Riscos Vigentes e Já Emitidos PPNG - Riscos Vigentes e Não Emitidos Sinistros a Liquidar

Exigível a Longo Prazo

Débitos das Operações com Seguros e Resseguros Provisões Técnicas - Seguros e Resseguros PPNG - Riscos Vigentes e Já Emitidos PPNG - Riscos Vigentes e Não Emitidos Total do Passivo

Fonte: Elaborado pela autora, a partir dos dados disponíveis no sítio da SUSEP.

Após a seleção das contas, a fim de calcular os indicadores, detectou-se que 12 empresas não possuíam valores disponíveis para o cálculo dos índices nos anos anteriores a 2006. Portanto, essas empresas foram retiradas da amostra. Percebeu-se, ainda, que três empresas apresentaram indicadores com denominadores iguais a zero, sendo, portanto, impossíveis de realizar a divisão. Foram, então, excluídas da análise. Mais duas empresas foram excluídas da análise por apresentar valor de dispersão mais de dez vezes menor que o desvio padrão no indicador margem operacional – caso de uma das seguradoras, e nos

indicadores adequação das provisões de sinistros a liquidar, coeficiente de geração de resultados futuros, prêmio margem e índice de capacidade de emissão – caso da outra

seguradora. Após a exclusão, notou-se, ainda, outra seguradora que apresentava valor de dispersão mais de dez vezes menor que o desvio padrão no indicador margem operacional,

que também foi excluída.

Mesmo que esses valores negativos façam parte da estratégia das empresas, no caso da pesquisa poderia distorcer os resultados de eficiência. É importante destacar que foram excluídos somente os valores negativos, ou seja, com dispersão menor que o desvio padrão, por conta do artifício matemático usado para tratamento de valores negativos, já que trabalhar com esses valores configura-se uma das limitações para o uso da DEA. Tal artifício será detalhado na seção 4.6.2 da dissertação. Após todas as exclusões, chega-se ao número final da amostra, que contou com 56 empresas seguradoras, que atuaram no Brasil entre os anos 2000 a 2006.

No documento Análise do desempenho econômico-financeiro de seguradoras (páginas 82-86)