Capítulo II. O PROGRAMA DA UL1 DO 7º ANO: AS ORIGENS
3.3 Revisão do Processo de Planificação
3.3.1 Sequência do Processo de Ensino-Aprendizagem (O que se fez)
A UL1 sobre as origens contou com 9 aulas, nas quais foi necessário ajustar alguma planificação, adaptá-la e ampliá-la, quer por não se ter concluído o tema da aula em questão, quer devido às questões de disciplina e às intervenções educativas na mesma aula, as quais não estavam previstas. Neste sentido, tivemos a oportunidade de nos apercebermos, e então aprender, que apesar de não se preverem questões do âmbito comportamental, quando se vão conhecendo os alunos e o seu modo de funcionar e atuar em contexto de sala de aula, é conveniente antecipar-nos a tais situações e não ser necessário recorrer à improvisação, não obstante tal seja a perceção dos próprios alunos no caso de surgirem dificuldades, pois será usada como estratégia pedagógica pensada, prevista e planificada, sem ser deixada ao acaso.
Por outro lado, devemos ter presente uma novidade que surgiu na turma de 7º D, e portanto na disciplina de EMRC, com a chegada de uma aluna nova oriunda de Cabo Verde, a qual procuramos, com a cooperação dos alunos da turma, contribuir para a sua integração, quer na turma, quer na disciplina de EMRC. Tenhamos presente que “Devem ser criadas condições que facilitem aos jovens regressados a Portugal filhos de
emigrantes a sua integração no sistema educativo”.199
Devemos referir alguns dos objetivos das primeiras aulas, concretamente que os alunos conseguissem apreender o essencial sobre a Evolução das Espécies, de tal modo que os mesmos pudessem descobrir que o Homem pertence à ordem dos Primatas e descende de um primata comum, procurando esclarecer que não é o mesmo que “descender do macaco”, mostrando que em termos científicos não está correta tal afirmação. Por outro lado procurou-se que os alunos constatassem a pertença do Homem à ordem dos primatas e à espécie humana. Procurou-se fomentar a participação dos alunos na construção das aulas de tal modo que pudessem conhecer a evolução das espécies de modo mais alargado, complementando os conhecimentos já adquiridos nas
demais disciplinas curriculares do sétimo ano. Motivou-se à partilha de pesquisas efetuadas em casa e foramvisualizados power point’s de possíveis “retratos de família”, como quem narra uma história, recorrendo ao método expositivo e possibilitando a interação dos alunos através das suas intervenções, recordando o que já conhecem e interessando-se pelo que é novidade, tal o caso da “Lucy” como o antepassado do Homo Sapiens Sapiens mais antigo e descoberto na África. Recorreu-se, sempre que necessário à proposta da realização de fichas de trabalho para ajudar à motivação dos alunos e continuar a despertar neles o desejo de conhecer mais. Os sumários propostos pelos alunos, e pensados em casa, foram servindo de feed-back da aula anterior e de sistematização dos conhecimentos dos alunos, o mesmo foi acontecendo com a correção dos trabalhos de casa, sobre os quais se foi dando feed-back a cada aluno, para ajudar na melhoria da aprendizagem dos alunos e para que tivéssemos noção mais próxima da progressão na aprendizagem e sua consistência.
Procurou-se mostrar aos alunos a existência de outra perspetiva sobre as origens, a religiosa, que está relacionada com a simbologia. Recorreu-se ao método expositivo para explicar aos alunos qual o significado simbólico das origens, para tal, recorreu-se à chuva de ideias, “brainstorm”, registo no quadro de diferentes palavras que serviram de ponto de partida para a explanação do seu sentido e significado. Neste sentido, partiu-se também à descoberta do significado da palavra Génesis, e de outras palavras e expressões do livro do Génesis e constatou-se a existência de diferentes géneros literários, usando recursos variados, desde texto síntese até ao power point. Ajudou-se ao conhecimento e descoberta do sentido das origens noutras tradições religiosas.
Explicou-se aos alunos que as ciências apresentam as razões para o surgimento da vida, do universo e do ser humano, mas os conhecimentos científicos não estiveram sempre presentes na vida das pessoas. De qualquer modo, os homens, nossos antepassados, desde sempre começaram à procura de explicações, de modo concreto a partir do Paleolítico Superior com o Homo Sapiens Sapiens, uma vez que se viu confrontado com a morte de algum dos seus semelhantes, e o fez querer dar continuidade à mesma vida fazendo acompanhar o que enterrava com tudo aquilo que eram os seus objetos pessoais. A procura de razões e sentido para as origens levou ao aparecimento de cosmogonias. Explica-se aos alunos a origem da palavra em grego e visualiza-se outro power point sobre as diferentes cosmogonias, mitos e a perspetiva cristã sobre as origens.
Lançou-se um desafio aos alunos: a realização de um trabalho de grupo sobre esta unidade letiva com o fim de motivar para a aprendizagem significativa.
Procurou-se ajudar os alunos a inferir que a criação é aperfeiçoável e lugar da intervenção do homem para a melhorar. Para tal recorreu-se a grandes realidades e transformações a nível histórico para facilitar esta aprendizagem de um modo expositivo e como quem narra uma história. No final os alunos puderam concluir da responsabilidade perante a vida, o mundo e a pessoa e dos desafios que são colocados a todos, quer para os cristãos, quer para as demais pessoas, e por outro lado puderam conhecer a visão cristã, pelo que se descobre que o homem é co-criador com Deus. Por outro lado, desperta-se o interesse dos alunos de tal modo que possam reconhecer que a mensagem cristã é uma proposta séria para a construção de uma sociedade mais justa, mais ecológica, mais harmoniosa.
A UL 1 terminou com a realização de uma ficha de avaliação formativa, a qual procurou ter em atenção que os ritmos de aprendizagem e realização de tarefas não são iguais para todos os alunos, pelo que se tinha preparado um trabalho complementar. A ficha foi entregue e corrigida em sala de aula com a participação de todos os alunos, recorrendo às respostas dos mesmos e alguma indicação por parte da professora, no intuito de se obter feed-back, quer para os alunos, quer para docente. Em última instância na UL1 recorreu-se a diferentes estratégias pedagógicas e didáticas, por vezes com o desafio de trabalho em grupo e confronto com alguns recursos bíblicos e literários do mundo antigo o que permitiu alargar o diálogo ao tema dos géneros literários. Estas estratégias elucidaram os alunos quanto à oportunidade dos diferentes géneros literários, sua explicação, existência de mitos de origem de outras culturas e puderam constatar os paralelismos existentes entre os diferentes relatos da criação e a linguagem literária e mítica que os acompanha. Deste modo, tiveram a oportunidade de compreender a intenção de tais relatos, que projeta para a questão do sentido da vida, e não para a questão do começo como acontecimento histórico em sentido restrito.
3.3.2 Proposta de Nova Sequência do Processo de Ensino-Aprendizagem (Propõe que se