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Sessão tutorial do grupo 2

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4. A DESCRIÇÃO E ANÁLISE DA INTERVENÇÃO

4.3 Início do processo com o Grupo 2

4.3.1 Sessão tutorial do grupo 2

Descrição

Com relação ao grupo 2 composto por cinco integrantes, apenas três compareceram ao encontro com o professor e a pesquisadora. O tema escolhido foi sobre “Cinética Química” e a “Hipermídia” foi o meio que encontraram para trabalhar esse conteúdo de maneira mais acessível para os alunos. No entanto, o grupo colocou a proposta da elaboração de um grupo no

whatsapp como forma de não trabalhar apenas no contexto de dentro da sala

de aula, mas também fora do espaço escolar. Dessa maneira, os componentes do grupo trouxeram para o professor o roteiro do relatório parcial com dúvidas sobre o que poderiam colocar nos itens: questões de aprendizagem e no plano

de ação. Em um determinado momento o professor perguntou como eles identificaram o problema, Qual a questão de fato a ser solucionada?

Dessa maneira, o professor seguiu questionando o grupo com as seguintes perguntas: Essa proposta (ideia) consegue resolver o problema? Eu

consigo que o meu aluno aprenda mais com uma hipermídia? Pensando o conceito de Cinética Química em uma escola sem laboratório? Ou eu posso buscar outras alternativas?

Diante desse contexto, o professor sugeriu que as dúvidas, quanto ao uso do experimento, deveriam ser colocadas como questão de aprendizagem (o que se precisa pesquisar mais sobre, como posso usar experimentos utilizando o conteúdo de Cinética Química?). E assim deu sugestões de que o grupo deveria elencar o que precisaria pesquisar mais para resolver o problema. Ou sobre os experimentos ou outra alternativa que se poderia trabalhar sobre o conteúdo. “A hipermídia dá para se trabalhar com experimentos? Se eu não sei, deve entrar nas questões de aprendizagem”.

Após o diálogo relatado acima, o professor lembrou aos alunos sobre a elaboração do produto final como um material didático e os alunos responderam que a hipermídia já seria um dos materiais, surgindo a dúvida se o grupo no whatsapp poderia ser considerado um material didático. O professor, então sugeriu que eles colocassem essa dúvida como questão de aprendizagem para pesquisar sobre o que é um material didático e se o grupo no aplicativo pode ser considerado como tal. Em seguida, o professor deu explicações sobre o plano de ação, afirmando que eles tinham que relatar todo o processo de como irão resolver o problema. Nesse momento, o estudante L3 pergunta ao professor: “quanto ao problema tem que se ater apenas a uma

aula, é? Ou a uma série de aulas”? O professor responde que “não”. “E diz que

seria um ponto a se pesquisar, com pode ser visto na seguinte fala do professor: esse conteúdo eu posso trabalhar em quantas aulas? Quais os

conceitos eu vou trabalhar nesse tempo”?

Com relação ao roteiro do relatório parcial, o professor esclareceu que o mesmo deveria ser seguido, mas que poderia se acrescentar algo mais se os alunos achassem necessários colocar mais elementos. Nesse momento, o estudante L2 compara o plano de ação como se fosse um plano de aula a ser

elaborado e anexado ao relatório. Assim, o professor solicitou que a pesquisadora esclarecesse se o plano de ação está ligado ao processo ou a aula. A pesquisadora respondeu: “No processo da pesquisa de vocês”. “Como

vocês conseguiram organizar as ideias”? “O passo a passo de como fizeram para chegar a solução do problema”. Na sequência, o estudante L3 para

entender melhor o Plano de ação faz uma analogia com o seu local de trabalho.

Com as discussões descritas o grupo chegou à conclusão que o plano de ação seria descrever o processo: “Como chegamos? Qual foi o caminho da

pesquisa? Onde procuramos informações, pra puder chegar à solução do problema”?

Para finalizar o professor relembrou ao grupo as datas para ser entregue o relatório parcial e explicou que o mesmo será corrigido e devolvido para os ajustes da elaboração do relatório final, lembrando-se da apresentação do produto final. O professor em seguida, perguntou se a pesquisadora queria fazer alguma colocação, assim à mesma perguntou aos alunos: “Para vocês

como está sendo esse processo”? Então, a pesquisadora voltou a questionar:

“E em termos de aprendizagem”?

Análise

Diante do registro do estudante do grupo 2 percebe-se um entendimento ainda superficial de trazer uma delimitação para o problema trabalhado no PBL, como descrito a seguir:

“A facilidade da aprendizagem dos alunos. A gente tá tentando buscar meios para que eles possam aprender o assunto com maior facilidade. O problema identificado foi esse, a dificuldade dos alunos entenderem esse assunto” (Relato L2 – videografia).

Para Gallager e Stepien (1998), um problema no PBL deve ser fracamente estruturado procurando satisfazer duas condições: diferentes caminhos para a busca da sua solução e o mesmo pode mudar na medida em

que novos conhecimentos são aprendidos, o que podemos verificar ao longo do processo de implementação da metodologia e o aprofundamento das discussões no grupo.

Entretanto, já podemos vislumbrar através dos registros seguintes que o problema atraiu o interesse dos alunos, estimulou a pesquisa para aprofundamento dos conceitos, proporcionou a ligação do conteúdo da disciplina com situações do cotidiano dos alunos, o que está de acordo com (BARELL, (2007); CARVALHO, (2009):

É muito construtivo. Esse trabalho ele contextualiza, deixa a gente a par não só do que tem que ser feito aqui, mas como pode ser utilizado em outras disciplinas. (Relato L1 – videografia).

“Principalmente essa Hipermídia que eu tive que pesquisar muito, fazendo toda uma adaptação, aí você acaba aprendendo fazendo o trabalho, absolvendo mais o assunto e começa a passar de uma forma diferente para o aluno” (Relato L2 – videografia).

“Podemos pensar também, na possibilidade de se fazer pequenos experimentos que podem ser feitos sem nenhum perigo na sala de aula, bem simples, que pode ser trazido de casa mesmo. Como o experimento do sonrisal com água quente/gelada, macerado ou não que podem ser feitos em sala de aula. Poderia mostrar sobre superfície de contato, fatores que alteram a velocidade da reação. ” (Relato L3 – videografia).

Quanto ao posicionamento dos estudantes diante do problema proposto verifica-se que os mesmos se sentiram realizando o papel do professor em sala de aula, ou seja, se colocaram em uma situação real de atividade profissional para pensarem como agiriam diante de desafios que envolvessem o ensino de química e o uso das Tecnologias da informação e da comunicação de maneira crítica. Como descrito a seguir:

“Você começa a pensar como se já estivesse, já. Começa a pensar no plano de aula, como os alunos vão ver isso, como pode introduzir o assunto nas aulas, e isso é importante [...].” (Relato L2 – videografia).

“Pra mim que o ensino médio foi bem tradicional de quadro branco o tempo todo, dessa forma. É uma forma de se atualizar devido à velocidade que está hoje em dia. E aí eu não dou aula ainda, mas já prepara a gente também para essas questões, além de revisar tudo de Química, a forma de abordagem, fazer uma correlação com outra disciplina também, abordagem do contexto histórico, e tudo isso corrobora que a gente consiga uma aula mais atrativa para o aluno que tenha uma certa dificuldade em entender química devido a forma abstrata que se apresenta” (Relato L3 – videografia).

Para Gordon (1998) os problemas comumente usados em metodologias de aprendizagem ativa como o PBL podem ser cenários fictícios nos quais os estudantes se veem em papéis reais na medida em que desenvolvem os conhecimentos e habilidades necessários para serem bem-sucedidos na escola e além dela. Portanto, nas discussões iniciais da sessão tutorial com o grupo, o problema se mostrou relevante, pertinente e complexo (WOODS, 1985; WILKERSON; GIJSELAERS, 1996) quando esses autores apresentam as características de um problema ideal a ser utilizado no PBL. Em seguida discutiremos os pontos relevantes do relatório parcial do grupo em análise.

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