O processo histórico tem mostrado que a estabilidade econômica de um país está estreitamente ligada, dentre outros fatores, a um sólido sistema financeiro. Essa solidez é percebida quando os componentes do sistema, além de executarem suas funções tradicionais de intermediação financeira, atendem às expectativas dos seus clientes, bem como mantêm um padrão de confiança aceitável no mercado (SCHLOTTFELDT, 2004).

O Sistema Financeiro diferencia-se dos demais setores devido às suas especificidades operacionais. Como intermediadoras de recursos entre os agentes superavitários e deficitários, as instituições financeiras são colocadas no centro do fluxo econômico (ALMEIDA, 2010a).

O sistema bancário brasileiro passou por amplas reformas a partir do início da década de 1990, no âmbito dos processos de liberalização financeira interna que integraram as chamadas reformas neoliberais. Além disso, muitos bancos brasileiros foram privatizados (LODI, 2010). O Estado, portanto, regula o sistema monetário e o sistema financeiro a fim de estabelecer as regras às quais devem se submeter os agentes que neles atuam, bem como para direcionar as operações objeto dos referidos sistemas. A Constituição Federal – CF de 1988 descreve que o Sistema Financeiro Nacional – SFN é estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do país e a servir aos interesses da coletividade.

A probabilidade de uma crise sistêmica afetar a maior parte do mercado financeiro tem aumentado a preocupação regulatória por todo o mundo. Dessa forma, independentemente dos motivos, os órgãos regulatórios devem estabelecer impedimentos da melhor maneira possível a fim de evitar que as crises se alastrem para outras instituições financeiras (FREIXAS, PARIGI e ROCHET, 2000). Dentre os principais riscos encontrados nas

operações realizadas no sistema financeiro, Capelletto (2006) destaca os riscos de crédito, de mercado e de liquidez.

Para tentar diminuir o risco, foi instituído o Acordo de Basileia. O principal objetivo do Acordo da Basileia é fortalecer a solidez e a estabilidade do sistema financeiro mediante a recomendação da constituição de um capital mínimo como garantia de solvência da instituição, maior estabilidade às operações no mercado financeiro e, consequentemente, liquidez ao sistema bancário internacional. Daí a importância do capital para fazer face aos riscos das instituições (ALMEIDA, 2010a).

Nos últimos anos, o ambiente do sistema financeiro nacional vem sofrendo grandes transformações, oriundas principalmente da evolução tecnológica, da internacionalização dos negócios e da busca de alternativas estratégicas para a conquista de novos mercados (ARAÚJO et al, 2007). Lodi (2010) relembra que após a introdução do Plano Real, os bancos passaram a ter que atuar num ambiente macroeconômico muito diferente do anterior, em que os desequilíbrios que estavam camuflados pela alta inflação vieram à tona.

Acompanhando a tendência internacional e como conseqüência do processo de reestruturação bancária, o número de instituições financeiras no Brasil vem diminuindo. Dentro das características do sistema financeiro, vemos que esta queda possui dois momentos: (i) fim da alta inflação em 1994 e a conseqüente eliminação dos ganhos com a arbitragem inflacionária do dinheiro, que levou as instituições que tinham como principal fonte de receitas este tipo de ganho a desaparecerem; e (ii) onda de F&As bancárias, ocorridas a partir de 1997, quando se acentuou a redução no número de instituições no sistema financeiro (PAULA e MARQUES, 2006).

Em 1995, o Banco Central do Brasil implementou o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (PROER). Outras medidas foram tomadas para garantir a estabilidade e promover a reestruturação e o fortalecimento do sistema financeiro nacional, dentre elas: aumento do poder de intervenção do Banco Central nas instituições financeiras, regulação prudencial, estímulos às fusões e incorporações, e estímulo à entrada de bancos estrangeiros (MARTINS, 2007).

Inúmeras instituições financeiras, sobretudo aqueles bancos de pequeno porte, revelaram-se economicamente viáveis e lucrativas somente no contexto inflacionário, pois os ganhos facilmente adquiridos em função da alta inflação ocultavam os elevados custos decorrentes da atividade operacional (LODI, 2010). A autorização por parte do governo para a entrada de bancos estrangeiros no sistema bancário brasileiro levou os bancos nacionais a adotar estratégias que os permitissem se manter competitivos, principalmente pela exploração de novos mercados, pela adoção de novas tecnologias que buscavam a diferenciação de produtos e ainda a tentativa de adquirir outras instituições financeiras menores e privatizáveis (LODI, 2010).

Como reflexo das medidas tomadas pelo BACEN, vários bancos públicos e privados deixaram de existir entre os anos 1994 e 2002, permanecendo operantes no mercado apenas aqueles que conseguiram se manter competitivos (HAJJ, 2005). Dos dezessete principais bancos privados de varejo nacionais que operavam no mercado entre 1994 e 1999, onze deixaram de operar. Outro fato importante é que, no mesmo período, mais de oitenta instituições bancárias participaram de operações envolvendo liquidações, fusões ou aquisições (ALVES, 2009). De acordo com Dantas, Medeiros e Paulo (2011), o Sistema Financeiro Nacional (SFN) apresenta evidências de concentração, principalmente em decorrência dos atos de incorporações.

O sistema financeiro é composto pelo Banco Central, além dos bancos comerciais e de investimento, corretoras de valores, fundos de investimento, fundos de pensão, bolsa de valores e companhias de seguro. Dentre estes, os bancos são responsáveis por mais de 60% da fonte de fundos externos de empresas não-financeiras (SILVA; PORTO JÚNIOR, 2006). Confirmando tais informações, Schlottfeldt (2004) enfatiza que, dentre as instituições integrantes do sistema financeiro, a mais importante, tanto historicamente quanto em termos de volume de intermediação financeira realizada, é o banco.

Assaf Neto (2006) conceitua o Sistema Financeiro Nacional como um conjunto de instituições financeiras e instrumentos financeiros que visam, em última análise, transferir recursos dos agentes econômicos superavitários para os deficitários. Conforme apresentado na figura 1, o SFN pode ser definido também como o conjunto de (a) instituições normatizadoras governamentais e (b) mercados financeiros, representados por instituições operativas (HAJJ, 2005).

Figura 1 – Composição do Sistema Financeiro Nacional.

Fonte: Adaptado do Banco Central do Brasil (2012).

De acordo com Fortuna (2010), a estrutura atual do Sistema Financeiro Nacional se originou das reformas ocorridas nos anos 60, com destaque às seguintes leis:

Lei n. 4.357, de 1964 (Lei da Correção Monetária);

Lei n. 4.380, de 1964 (Lei do Plano Nacional da Habitação);

Lei n. 4.595, de 1964 (Lei da Reforma do Sistema Financeiro Nacional);

Lei n. 4.728, de 1965 (Lei do Mercado de Capitais);

Sistema Financeiro Nacional - SFN Conselho Monetário Nacional - CMN Conselho Nacional de Seguros Privados - CNSP Conselho Nacional da Previdência Complementar - CNPC Superintendência Nacional de Previdência Complementar Banco Central do Brasil - BACEN Comissão de Valores Mobiliários - CVM Superintendência de Seguros Privados - SUSEP Instituições financeiras captadoras de depósitos à vista Demais instituições financeiras Bancos de Câmbio Bolsas de mercadorias e futuros Bolsas de valores Resseguradores Sociedades Seguradoras Sociedades de capitalização Entidades abertas de previdência complementar Entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão) Outros intermediários financeiros e administradores de recursos de terceiros

Lei n. 6.385, de 1976 (Lei da Comissão de Valores Mobiliários).

Após a eliminação de barreiras institucionais no sistema financeiro e com o aumento da competição bancária, os bancos comerciais têm procurado diversificar suas atividades, tais como seguro e títulos, pois assim podem compensar as perdas decorrentes do crédito bancário e manter sua posição de destaque como intermediários financeiros (PAULA, 2002).

Os maiores bancos que operam no território nacional estão constituídos sob a forma de banco múltiplo, que é uma organização opcional de dois ou mais tipos de instituição do mesmo grupo em uma única instituição financeira, com personalidade jurídica própria, instituída no processo de conglomeração bancária iniciada nos anos 1980 (MARTINS, 2007). Para que as Instituições Financeiras do Sistema Financeiro Nacional tenham autorização para se constituir sob a forma de banco múltiplo, a Resolução n. 2.099, de 1994, estabelece em seu art. 7º que o banco múltiplo deverá ser constituído com, no mínimo, duas das seguintes carteiras, sendo que uma delas deverá ser obrigatoriamente comercial ou de investimento:

comercial;

de investimento e/ou de desenvolvimento;

de crédito imobiliário;

de crédito, financiamento e investimento;

de arrendamento mercantil.

Peleias et al (2007) ressaltam que novas normas e regulamentos vêm sendo editados a fim de que o Sistema Financeiro Nacional (e consequentemente o Brasil) tenha um melhor reconhecimento internacional em termos de credibilidade e confiabilidade. Isso propicia uma melhor percepção de risco por parte dos investidores internacionais sobre a economia brasileira e pode incentivar os investimentos externos.

No documento Análise do desempenho econômico-financeiro: um estudo ex ante e ex post diante da fusão Itaú Unibanco (páginas 40-45)