• Nenhum resultado encontrado

3 INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO.

3.1 Sociedade da Informação e do Conhecimento.

“A história do mundo é a história da tecnologia e da informação. Tecnologia e informação são os centro da organização social e de todas as estruturas ideológicas, políticas e econômicas” LONDON (2002). Todo movimento da história humana pode ser compreendido por movimentos da tecnologia e da informação. Quando se fala em tecnologia e informação, está se falando de biologia, genética, antropologia econômica, cosmologia, física, telecomunicações, engenhos bélicos e novos suportes de comunicação, papiros, livros impressos em série e, “last but not least”, a rede conhecida como Internet, LONDON (2002).

O desenvolvimento e o aumento acelerado da capacidade de processamento dos computadores e das comunicações tem sido vivenciado pela sociedade contemporânea nos últimos anos. Falar ao telefone, assistir televisão, realizar operações bancárias em um terminal e, pelo computador, acessar serviços públicos, verificar impostos, multas nos departamentos de trânsito, agendar pagamentos, comprar livros e discos, trocar mensagens com o outro lado do planeta, pesquisar e estudar são atividades cotidianas, para muitas pessoas no mundo inteiro. De modo geral as pessoas rapidamente se adaptam a essas novidades e passam – em geral, sem uma percepção clara nem maiores questionamentos – a viver na Sociedade da Informação, TAKAHASHI (2000). Esse fenômeno do desenvolvimento das telecomunicações e da informática é observado por CARVALHO (2000), como

indutor de mudanças em todos os tipos de organizações e na forma de produção de bens e serviços. Isso decorre em mercados mais globalizados, consumidores com preferências mais exigentes, ciclo de vida dos produtos mais curto e o rompimento dos limites de tempo e distância. Dentro desse cenário, as empresas terão que adotar uma cultura de inovação permanente, com vistas a garantir sua competitividade e conseqüente sobrevivência. Esta cultura de inovação só será efetivada se houver uma íntima ligação com a informação e o conhecimento.

Subjacente a todas essas atividades TAKAHASHI (2000), afirma, está uma imensa malha de comunicação que interliga continentes e chega às casas e empresas através de fios de telefone, canais de microondas, linhas de fibra ótica, cabos submarinos e transmissões via satélite. MARCHIORI (2002), é de opinião que a informação será sustentada com amplo acesso devido ao potencial tecnológico existente. Afirma ainda esse autor, que além do acesso à informação, o potencial tecnológico possibilitará a convergência de diferentes tipos de informação, como: textual, sonora, gráfica, visual, etc. as quais poderão ser disponibilizadas de acordo com a necessidade particular de um indivíduo ou grupo. Está em processo uma revolução digital, que é expressa pela convergência da base tecnológica. Tal convergência decorre do fato de se poder representar e processar qualquer tipo de informação de uma única forma, a digital. TAKAHASHI (2000), “Pela digitalização, a computação (a informática e suas aplicações), as comunicações (transmissão e recepção de dados, voz e imagens) e os conteúdos (livros, filmes, pinturas, fotografias, música, etc.) aproximam-se vertiginosamente – computador vira um aparelho de TV, a foto sai do álbum para um disquete, e pelo telefone entra-se na Internet”.

Para CARVALHO (2000), a revolução digital cria oportunidades como: “a disseminação instantânea de informações, as possibilidades de ensino a distância, o comércio eletrônico, as comunidades virtuais, novas modalidades de emprego (de especializado para multidisciplinar), e outras, principalmente via Internet”. Entretanto, a revolução digital, da mesma forma que cria oportunidades de desenvolvimento, gera impactos no contexto social refletindo nas atividades laborais. De acordo com CASTELLS (1999), a mecanização e depois a automação, vêm transformando o trabalho humano há décadas. Essas transformações têm provocado debates relacionados à demissão de trabalhadores. Com a contínua difusão da tecnologia de informação nos ambientes de trabalho, reacendeu-se o temor vivenciado no período

da revolução industrial dos trabalhadores serem substituídos por máquinas. Segundo CASTELLS (1999), o processo da “automação só se completou com o desenvolvimento da tecnologia da informação, o qual aumenta enormemente a importância dos recursos do cérebro humano no processo de trabalho”. Completa ainda que, “quanto mais ampla e profunda a difusão da tecnologia da informação nas fábricas e escritórios, maior a necessidade de um trabalhador instruído e autônomo capaz e disposto a programar e decidir seqüências inteiras de trabalho”.

De acordo com PRUSAK e McGEE (1994), na sociedade da informação, a concorrência entre as organizações baseia-se em sua capacidade de adquirir, tratar, interpretar e utilizar a informação de forma eficaz. A liderança dessa competição apontará as organizações vencedoras do futuro, enquanto as que não o fizerem serão facilmente excluídas do mercado. Em concordância com esse pensamento DRUCKER (1996), orienta as empresas sobre a importância de embasarem suas atividades na informação. Na medida em que as economias alteram seu embasamento de produção incorporando informação e conhecimento, o capital humano e a qualidade de vida se convertem em fatores de desenvolvimento, SOUPIZET (2003).

A sociedade contemporânea vive o surgimento e expansão de um novo setor econômico KANISKI (2000), além dos setores tradicionais da economia: primário (envolvendo as atividades de extração); secundário (ligado às questões da manufatura); terciário (voltado para a produção e geração de serviços), surge o setor quaternário que engloba em sua estrutura a produção, o processamento e a distribuição de mercadorias e serviços de informação, sejam eles mercantis ou não- mercantis.

Esse novo setor da economia já fora previsto por TOFFLER (1980) apud CARVALHO (2000) quando em seu livro a Terceira Onda, mencionava o surgimento de uma sociedade informacional. Segundo LONDON (2002), poucas vezes na história, a humanidade foi capaz de dar saltos qualitativos, como está ocorrendo neste momento. Nem mesmo a Revolução Industrial que nos séculos 18 e 19 sacudiu o mundo, oportunizou a abertura de tantos caminhos e promoveu tantas mudanças. “A capacidade de gerar impactos profundos na estruturação social e econômica e de permitir a criação de novas riquezas a partir da invenção é fruto do uso pioneiro de novas tecnologias”. A indústria da informação que oportunizou segundo LONDON (2002), o surgimento do streaming vídeo, music on demand, TV

digital com conteúdo interativo, palmtop, celular, multishoppings, Internet malls, bancos on-line, eleições informatizadas, e-learning, banda larga, meios de transporte controlados por chips e geoposicionamento por satélites, é de acordo com CARVALHO (2000), formada pelos serviços de processamento, gráficas, editoras e por aquelas empresas que fabricam os equipamentos voltados à informação. A expansão da indústria de informação é observada por MARCHIORI (2002) quando afirma que atualmente “de maneira crescente, a economia se volta para a produção de bens, serviços e atividades de informação”.

No local ou região onde existe um parque industrial de equipamentos, serviços e conteúdos de informação, atuando com a oferta de produtos e serviços especializados em nível interno e externo, em uma determinada sociedade, MASUDA (1982) apud CARVALHO (2000), afirma que a mesma pode ser caracterizada como Sociedade da Informação, ou para NAISBITT (1985) apud CARVALHO (2000), Sociedade do Conhecimento. Apesar das denominações serem usadas indistintamente, CARVALHO (2000), é de opinião que a Sociedade da Informação direciona o objeto da informação, enquanto um produto ou insumo, e na Sociedade do Conhecimento o enfoque da utilização da mesma pelo indivíduo enquanto processo.

Essa nova sociedade está sendo construída em meio a diferentes condições. Países economicamente desenvolvidos como, Estados Unidos, Canadá, França, Inglaterra e Japão bem como boa parte daqueles em via de desenvolvimento, têm elaborado programas e iniciativas voltadas ao desenvolvimento e a democratização da informação, com vistas ao estabelecimento de uma sociedade da informação.

No Brasil, por iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia -MCT em agosto de 1999, foi composto um Grupo de Implantação do chamado Programa Sociedade da Informação no Brasil. Segundo TAKAHASHI (2000), o Brasil dispõe dos elementos essenciais à condução de uma política nacional rumo à Sociedade da Informação.

O Programa Sociedade da Informação no Brasil tem como objetivo integrar, coordenar e fomentar ações para utilização de tecnologias de informação e comunicação, de forma a contribuir para a inclusão social de todos os brasileiros na nova sociedade e, ao mesmo tempo, contribuir para que a economia do País tenha condições de competir no mercado global.