2.3 A LINGUAGEM XBRL
2.3.2 Componentes da XBRL
2.3.2.3 Style Sheet
Segundo Riccio, Sakata, Moreira e Quoniam (2006), a relação mútua entre um
instance document, uma taxonomia e um style sheet é ilustrada na figura 1. A figura mostra determinada taxonomia, previamente criada, sendo acessada para fornecer elementos que permitem validar os dados contidos no instance document, sendo que o style sheet é posteriormente acessado, a fim de se transformarem os dados, então no formato XBRL, para qualquer outro formato necessário, dependendo dos interesses e necessidades de seus usuários. No quadro 7, tem-se um exemplo de um documento style sheet.
Fonte: Riccio, Sakata, Moreira e Quoniam (2006, p. 175).
2.3.4 XBRL no Brasil
Para a Associação Brasileira de Automação, a rápida difusão de um produto ou conceito através da Internet, pode criar novos modelos de divulgação das informações. De uma forma pontual, essa questão pode ser aplicada ao caso da XBRL. Saber suas perspectivas e sua evolução, avaliar o estágio atual de nosso país na divulgação de informações financeiras, via Internet, e procurar mostrar possíveis caminhos a serem aqui buscados, visando estar alinhado com o desenvolvimento mundial (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AUTOMAÇÃO, 2009).
Para isso procurou-se descobrir como surgiu à linguagem. Conhecer suas vantagens e desvantagens. Saber onde estão localizados os principais pólos de desenvolvimento no mundo. Conhecer grupos de pesquisa, instituições envolvidas e os eventos relacionados ao assunto, saber quais empresas no mundo está se preparando para divulgar suas informações, utilizando desta tecnologia, reconhecer como as entidades governamentais e reguladoras do mercado financeiro dos diversos países estão se envolvendo em sua implementação. Detectar as principais iniciativas que estão sendo tomadas e as buscas e perspectivas do crescimento da XBRL no meio organizacional, e paralelamente, no meio acadêmico mundial.
As pesquisas apontam que países como Estados Unidos, Alemanha e Japão se destacam nas iniciativas de implementação da XBRL, e outros países da Ásia e da Europa têm criado jurisdições que estão empenhadas neste desenvolvimento. Pesquisando algumas empresas de capital aberto do país, percebe-se que a internet já está sendo utilizada pela grande maioria para divulgação de suas informações financeiras, mas que a XBRL ainda está em fase de tomada de conhecimento pela grande maioria das empresas, necessitando de apoio por parte da estrutura governamental e das instituições reguladoras do mercado financeiro, visando concentrar esforços para que aparelhe com o desenvolvimento já verificado a nível mundial (RICCIO; SAKATA; MOREIRA; QUONIAM, 2006).
Segundo Riccio, Silva e Sakata (2005), XBRL no Brasil ainda é tratado de forma pouco fundamentada, mas já despertam interesse por parte de entidades públicas, privadas e regulatórias para a criação de suas jurisdições. Em 03 de Fevereiro de 2005, por iniciativa do TECSI/EAC/FEA/USP, foi realizada uma reunião para discutir as iniciativas a ser tomada visando à implementação de uma jurisdição XBRL no Brasil. A reunião ocorreu na sede da Bovespa com a participação de representantes do Bovespa, Banco Central do Brasil e da Secretaria da Fazenda do estado de Pernambuco. Houve grande interesse por parte dos 31
integrantes onde aprovaram a continuidade dos trabalhos, marcando novas reuniões para iniciarem efetivamente as ações necessárias para a criação da jurisdição no Brasil.
Conforme Riccio, Sakata, Moreira e Quoniam (2006), no Brasil, as companhias abertas devem obrigatoriamente divulgar suas demonstrações financeiras seguindo as diretrizes da Lei 6.404/76 e também as instruções normativas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Estas demonstrações financeiras representam o conjunto das informações referentes aos recursos e às obrigações dessas entidades, aos acionistas e a outros investidores, em determinado intervalo de tempo. Desta maneira devem ser apresentados o Balanço Patrimonial (BP), a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e a Demonstração das Origens e Aplicação dos Recursos(DOAR), além das notas explicativas que complementam tais relatórios. O processo pode ser visualizado na figura 3.
A XBRL, por sua vez, elimina a necessidade de transcrição de dados entre as aplicações, porque o dado passa a ser independente do aplicativo no qual ele é criado (os dados são mantidos de forma independente e sob uma denominação estabelecida e padronizada). Essa definição faz com que múltiplos usuários sejam capazes de extrair e reposicionar as informações financeiras. Assim, o próprio usuário recupera as informações financeiras pela internet e passa para o formato que desejar, de acordo com suas necessidades. Este processo pode ser visualizado na figura 3.
Fonte: Riccio, Sakata, Moreirae Quoniam (2006, p. 176).
A linguagem pode ser representada através da figura 4 que apresenta um demonstrativo com o uso da XBRL.
Fonte: Riccio, Sakata, Moreira e Quoniam (2006, p. 176).
Figura 4 – Exemplo de demonstrativo com o uso da XBRL
Conforme Riccio, Sakata, Moreira e Quoniam (2006), a integração da XBRL dentro de um sistema de informação é possível acessando o banco de dados da entidade. Usando a taxonomia necessária para a formatação dos dados baseados nos princípios fundamentais de contabilidade e outras definições específicas para os usuários. Permitir a entrada de dados e notas e gerar um arquivo no formato XML, que pode ser utilizado para as mais diversas finalidades, como os das agências regulatórias, impressão de demonstrações financeiras, geração de outros arquivos no formato de dados World ou Excell, por exemplo, e emitir as informações diretamente no meio Internet.
A figura 5 mostra a integração da XBRL, dentro de um sistema de informações.
Fonte: Riccio, Sakata, Moreira e Quoniam (2006, p. 177).
Figura 5 – Exemplo integração da XBRL