Suposta prática de peculato por SILVANA MARIA LEAL COSER e SANDRA REGINA GOULART DE ALMEIDA no fato denominado “Rede

No documento MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL Procuradoria da República em Minas Gerais (páginas 27-42)

Latino-Americana de Justiça de Transição” e suposta prática de prevaricação por JAIME ARTURO RAMÍREZ e SANDRA REGINA GOULART DE ALMEIDA no fato denominado “Exposição desconstrução do esquecimento: golpe, anistia e justiça de transição”

Em novembro de 2015, o Centro de estudos sobre Justiça de Transição da Faculdade de Direito da UFMG, juntamente com a Universidade de Brasília (UnB), foi escolhido para sediar a Secretaria Executiva e Observatório da Rede Latino-Americana de Justiça de Transição (RLAJT), com produção de pesquisas e eventos, onde teriam sido aplicados/desviados recursos do Projeto MAP para pagamento bolsas de pesquisa e de estágio, diárias e passagens, sendo o evento de maior monta o III Congresso Internacional sobre Justiça de Transição realizado entre os dias 23 e 25 de novembro de 2016 na Faculdade de Direito da UFMG, em que teriam sido custeadas diárias e passagens para palestrantes (item 10.3.1 do RAMA – Relatório de Análise de Material Apreendido/CGU, fl. 195 do apenso III).

Segundo a CGU, apesar de destacar a existência de descrição sucinta de alguns itens na prestação de contas da FUNDEP quanto ao Projeto MAP, analisada tanto na Nota Técnica nº 1657/2017, quanto no RAMA contido no apenso III, teria havido aplicação de mais de 500 mil reais em benefício da RLAJT, notadamente na realização do citado congresso (item 3.2.16 da NT nº 1657/2017, fls. 282/283 dos autos principais e item 10.3, além do anexo V do RAMA/CGU - fls. 195/196, 199/200 e 224/229, do apenso III), sem que tenha havido em

quaisquer dos termos aditivos ao TC nº 001/2009, celebrado entre o Ministério da Justiça e a UFMG, menção expressa a gastos com a RLAJT.

No entanto, o tema “Justiça de Transição” estava previsto desde o projeto básico que acompanhou o primeiro termo aditivo ao TC nº 001/2009, sendo repetido nos seis aditivos que o seguiram, inclusive no último aditivo, assinado em 31/12/2015, com validade em 31/12/2018. É possível verificar tais menções quando se acessa o SEI 08802.004224-2009-11 da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, correspondente ao projeto do Memorial, contendo desde a portaria de instalação, o termo de cooperação e seus aditivos, prestações de contas parciais da UFMG, comunicações entre os membros da Comissão de Anistia e a UFMG, dentre outros documentos (DVD de fl. 547, certidão PR-MG-33221/2020).

No projeto básico que acompanhou o primeiro termo aditivo, assinado em 09/02/10 até 09/11/11, é possível verificar a menção ao termo às fls. 266/267, 270 e 271 do SEI nº 08802.004224/2009-11, assim como na segunda, terceira, quarta, quinta e sexta versões o projeto básico (fls. 651, 655/656; 746, 750/751; 1248 e 1252; 2089, 2096/2097 e 2, 5 e 8 do SEI 1580424 - doc. 28 -, do SEI 08802.004224/2009-11, contidos no DVD de fl. 547, certidão PR-MG-33221/2020).

No caso, a “Justiça de Transição” é mencionada como um dos objetivos do Memorial da Anistia, na linha de “gerar e difundir pesquisas e conhecimentos sobre processos de transição dos regimes autoritários, consolidação da democracia e garantia dos direitos humanos” e como ideia-chave para o projeto museográfico, na linha da “luta pela redemocratização do povo brasileiro” e “luta permanente dos perseguidos políticos pelo direito à verdade, à memória e à justiça”.

Destaca-se da versão do projeto básico constante do sexto termo aditivo, assinado em 31/12/2015, entre PAULO ABRÃO PIRES JÚNIOR, então Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e JAIME ARTURO RAMÍREZ, então Reitor da UFMG (fls. 2,5 e 8 do SEI 158024 – doc. 28 -, do SEI 08802.004224/2009-11, contidos no DVD de fl. 547, certidão PR-MG-33221/2020):

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, criada em 2001 por meio de Medida Provisória posteriormente convertida na Lei n° 10.559/2002, em atenção à necessidade de regulamentação do artigo 8° dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da Constituição da República de 1988, é um dos mecanismos do Estado brasileiro para promover aquilo que Teitel conceituou como “Justiça de Transição”, termo também

utilizado pela Organização das Nações Unidas que, após promover missões de paz e efetivação do Estado de Direito em centenas de países, vaticinou:

[grifei]

“Nossas experiências [da ONU] na última década demonstram claramente que a consolidação da paz no período pós-conflito, assim como a manutenção da paz no longo prazo, não pode ser atingida a menos que a população esteja confiante que a reparação das injustiças pode ser obtida através de legítimas estruturas para a solução pacífica de disputas e a correta administração da justiça" [grifos no original]

[...]

Ainda em 2013, a Comissão de Anistia lançou edital próprio de chamada pública para a seleção de uma universidade federal brasileira interessada em atuar, por 24 meses, como Secretaria Executiva da Rede Latino-Americana de Justiça de Transição (RLAJT), formada ao longo dos anos de 2010 e 2011 com o apoio do “Projeto de cooperação técnica para o intercâmbio internacional, desenvolvimento e ampliação das políticas de Justiça Transicional no Brasil” (PRODOC BRA/08/021), firmado entre a Comissão de Anistia e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, em parceria com o Centro Internacional para a Justiça de Transição – ICTJ. A instituição selecionada foi a Universidade de Brasília (UnB), que firmou termo de cooperação cujos objetivos principais são a manutenção do Observatório da RLAJT (sítio web), e a promoção de seminários sobre a temática.[grifei]

No âmbito da RLAJT, importantes avanços foram realizados. Os membros da Rede elegeram para o ano de 2015 o aprofundamento das pesquisas em dois temas: (i) a judicialização da justiça de transição; e (ii) normas e recomendações relativas ao acesso a arquivos em matéria de direitos humanos. Nesse período, foram contratadas consultorias especializadas, cujos resultados de pesquisa subsidiaram a realização do Seminário Internacional da RLAJT, realizado em agosto de 2015.

[...]

São objetivos do Memorial da Anistia:

a)Ressignificar o conceito de Anistia como pedido de desculpas do Estado;

b)Gerar e difundir pesquisas e conhecimentos sobre processos de transição dos regimes autoritários, consolidação da democracia e garantia dos direitos humanos;

c)Subsidiar a formação para a cidadania, democracia e direitos humanos;

d)Promover estabelecimento sobre fatos históricos dos períodos de autoritarismo;

e)Possibilitar a explicitação das diferentes visões de mundo reprimidas durante os períodos de autoritarismo;

f)Apoiar iniciativas da sociedade civil relacionadas aos objetivos do Memorial;

g)Preservar a memória do processo de reparação no Brasil realizado pela

Comissão de Anistia;

h)Valorizar o direito de resistência contra autoritarismos e a luta do povo pela democracia;

i)Despertar consciência crítica em relação aos crimes contra a humanidade (lesa-humanidade);

j)Integrar uma rede internacional de museus e monumentos de memória histórica;

k)Atuar em parceria com entidades públicas e privadas que atuem na temática da Anistia de Transição. [grifei]

A s ideias-chave, pelas quais deverão partir o conceito museográfico da exposição de longa duração do Memorial, são:

a)A história universal do direito de resistência dos povos contra tiranias, ditaduras e totalitarismos;

b)O fenômeno das perseguições políticas e o repúdio a todos os crimes contra a humanidade cometidos: tortura, execuções sumárias e massacres;

c)O direito de resistência do povo brasileiro com o devido respeito, reconhecimento e lembrança aos que lutaram;

d)O protagonismo da sociedade civil organizada; dos partidos políticos, da imprensa, da intelectualidade, dos estudantes e dos trabalhadores;

e)A luta pela redemocratização do povo brasileiro;

f)A luta permanente dos perseguidos políticos pelo direito à verdade, à memória e à justiça e, principalmente;

g)O valor e a importância de se semear uma cultura democrática, de direitos humanos e de respeito às liberdades públicas. [grifei]

As pesquisas de conteúdo para o projeto museográfico realizadas pelo Projeto República, coordenado por HELOÍSA STARLING, foram realizadas entre 2011 e o início de 2014 (fls. 2543/2544 do SEI 08802.004224/2009-11, contidos no DVD de fl. 547, certidão PR-MG-33221/2020 e certidão PR-MG-33917/2020), sendo os gatos com a RLAJT e a Exposição temporária, que será logo analisada, realizados depois do fim das pesquisas, enquanto se aguardava a conclusão das obras do memorial.

Nesse ponto, destaca-se a função de SILVANA MARIA LEAL COSER,

“braço direito” da coordenação do Projeto MAP na universidade, iniciando suas atividades na gestão de ROCKSANE DE CARVALHO NORTON (2010/2014), por indicação de HELOÍSA STARLING, que relatou conhecê-la desde os tempos de graduação na UFMG (fl.

338) e mantida na gestão de SANDRA REGINA GOULART DE ALMEIDA (2014/2018).

SILVANA COSER, na condição de assessora da Coordenação do Projeto, desenvolveu uma função de articulação entre todos os envolvidos: pesquisa, museografia e obras, conforme afirmado em depoimento à polícia (fl. 349). Nesse sentido, após finalizadas as pesquisas pelo Projeto República e observadas paralisações nas obras, enviou o seguinte e-mail, em 19/02/2016, a membros da Comissão de Anistia dentre eles o então Presidente, PULO ABRÃO PIRES JÚNIOR (doc. 32, SEI 08802.004224/2009-11, contido no DVD de fl. 547, certidão PR-MG-33221/2020):

De: Silvana Maria Leal Coser <coser@editora.ufmg.br> em nome de

REITORIA-Gabinete-Memorial da

Anistia<memorialdaanistia@gabinete.ufmg.br>

Enviado em: sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016 16:50

Para: Paulo Abrão Pires Junior; Virginius Jose Lianza da Franca; Renata Barreto Preturlan

Cc: vicereitoria@ufmg.br; info@rpa.ufmg.br; mario@dcc.ufmg.br; Luiz Felipe Vieira Calvo; REITORIA-PRA-Secretaria do Pro-Reitor Adjunto;

Alethea Lessa Moreira

Assunto: Informa conclusão de remodelagem do plano de trabalho da exposição do Memorial da Anistia Política do Brasil

Prioridade: Alta

Senhor Presidente da Comissão de Anistia,

Com meus cumprimentos informo que, em relação ao plano de trabalho da exposição de longa duração que a UFMG havia ficado de realizar ajustes, a remodelagem foi concluída, em comum acordo com a Comissão de Anistia e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa. [grifei]

Considerando que a recuperação do edifício Coleginho, que abrigará a área expositiva, será iniciada em 2016, tão logo se concluam as negociações com o BNDES, optou-se por investir esses recursos na preparação do acervo da Comissão de Anistia e na concepção de uma exposição que anteceda a inauguração do Memorial da Anistia Política do Brasil e funcione como uma espécie de “abre-alas” para o novo espaço, prevendo-se inclusive que a mesma possa itinerar por algumas cidades do país, enquanto se aguarda pela finalização da obra, instalando-se posteriormente no Coleginho. [grifei]

Desse modo, não resta mais pendências e o Plano de Trabalho Remodelado segue anexo.

Atenciosamente, Silvana Coser

Assessora da Vice-Reitora para o projeto Memorial da Anistia Política do Brasil

O referido plano de trabalho remodelado faz expressa menção à RLAJT,

quando dentre os objetivos do Memorial da Anistia, elenca a “[promoção] e cooperação e a articulação institucional com entidades atuantes nas áreas temáticas da justiça de transição e memorialização, especialmente por meio da Rede Latino Americana de Justiça de Transição, com o intuito de subsidiar o acervo do Memorial, a formulação do projeto museográfico e o projeto pedagógico” (doc. 147 do SEI 08802.004224/2009-11, contido no DVD de fl. 547, certidão PR-MG-33221/2020).

Dez dias depois, em 29/02/2016, SILVANA COSER obteve resposta positiva da Comissão de Anistia quanto à remodelação do plano de trabalho (doc. 148 do SEI 08802.004224/2009-11, contido no DVD de fl 547, certidão PR-MG-33221/2020):

De: Renata Barreto Preturlan

Enviada em: segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016 10:41

Para: 'REITORIA-Gabinete-Memorial da Anistia'

<memorialdaanistia@gabinete.ufmg.br>; Paulo Abrão Pires Junior

<paulo.abrao@mj.gov.br>; Virginius Jose Lianza da Franca

<virginius.franca@mj.gov.br>

Cc: vicereitoria@ufmg.br; info@rpa.ufmg.br; mario@dcc.ufmg.br; Luiz Felipe Vieira Calvo <lfcalvo@reitoria.ufmg.br>; REITORIA-PRA-Secretaria do Pro-Reitor Adjunto <secretariaadjunto@pra.ufmg.br>; Alethea Lessa Moreira <alethea@dpfo.ufmg.br>

Assunto: RES: Informa conclusão de remodelagem do plano de trabalho da exposição do Memorial da Anistia Política do Brasil

Prezada Silvana,

Informo que a Comissão de Anistia aprovou os ajustes ao plano de trabalho do projeto de exposição de longa duração, realizado em parceria com a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa. [grifei]

Permanecemos à disposição.

Atenciosamente,

Renata Barreto Preturlan

Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental Comissão de Anistia

Ministério da Justiça Tel.: 2025-3566

Também o Presidente da Comissão de Anistia, PAULO ABRÃO PIRES JÚNIOR, mencionando o e-mail enviado por SILVANA COSER em 19/02/2016, informou a SILVANA COSER que “ciente das dificuldades, a Comissão de Anistia, por meio da Nota

Técnica nº 3, de 19 de fevereiro de 2016 se manifestou de forma a acatar a sugestão da UFMG. Dessa forma, ficamos no aguardo do envio da proposta pela UFMG, tanto da exposição quanto do local em que possa ser instalada” (docs. 35 e 66 do SEI 08802.004224/2009-11, contidos no DVD de fl. 547, certidão PR-MG-33221/2020).

Nesse sentido, verifica-se tratativas entre a UFMG e a Comissão de Anistia, no sentido de promover a remodelação do projeto do Memorial, o que foi efetivamente feito. Tais tratativas também são reveladas pela própria SILVANA COSER em respostas por ela enviadas à equipe de auditoria da CGU/CRU/MG (fls. 294/295):

Interrogada pela Polícia Federal, SILVANA COSER disse que:

[...] na função de assessora, entende que seu papel na gestão do projeto em si, seria fundamental, haja vista o seguinte: a obra de engenharia seria executada diretamente pelo Departamento de Obras – ligada a Pró-Reitoria de Administração; já a parte destinada a exposição estaria ligada a FUNDEP (contemplando pesquisa, museografia, etc), sendo a declarante articuladora de todos esses agentes [...] QUE quando a UFMG concluiu que não seria possível instalar o museu, foi realizada uma exposição prévia denominada Desconstrução do Esquecimento: Golpe, Anistia e Justiça de Transição, no Centro Cultural da UFMG, tendo sido utilizado todo o material elaborado até então [...] QUE também foi realizado um Seminário sobre Justiça de Transição que integrou tal projeto; QUE, o que foi gasto no projeto foi para viabilizar a pesquisa [...] toda a parte do Seminário Justiça de Transição e, por fim, toda a parte da exposição realizada no Centro Cultural da UFMG [...] QUE, em relação aos recursos destinados a museologia, implantação do espaço expositivo, pode esclarecer que os valores foram transferidos da UFMG para a FUNDEP, em meados de 2016, em razão do acordo firmado com o Presidente da Comissão da Anistia e interlocutor da UFMG perante o Ministério da Justiça, PAULO ABRÃO PIRES JR., de que seria realizada uma exposição temporária que utilizaria parte do material de pesquisa produzido até aquela data, haja

vista não ter sido possível implementar a exposição permanente [...] QUE, tem conhecimento de que parte dos recursos destinados ao Projeto MAP foram utilizados para custear bolsas para pesquisadores da Secretaria de Pesquisa da Rede Latino Americana de Justiça de Transição (fls. 349/357) [grifei]

Nesse sentido, constata-se a ciência da Comissão de Anistia a respeito das alterações do plano de trabalho do Memorial de modo a incluir de forma mais precisa e explícita o tema da Justiça de Transição, concretizado por meio do apoio às atividades da RLAJT no ano de 2016, bem como a realização da exposição temporária.

Assim sendo, em meados de 2016, além dos gastos com a RLAJT, a UFMG, por meio da então Vice-Reitora e Coordenadora do Projeto MAP, àquela época, SANDRA REGINA GOULART ALMEIDA, com apoio de SILVANA COSER e execução de LEDA MARIA MARTINS, então Diretora da Diretoria de Assuntos Culturais da UFMG (DAC) decidiram realizar a exposição temporária “Desconstrução do esquecimento: golpe, anistia e justiça de transição”, com aval da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, entre os dias 28 de junho e 31 de agosto de 2017, no Centro Cultural da UFMG, localizado na Praça da Estação, nesta capital.

É fato que o novo Presidente da Comissão de Anistia do agora renomeado Ministério da Justiça e Segurança Pública, RENATO JIMENEZ MARIANNO, entendeu por

“inconveniente” a realização da exposição temporária, solicitando em 24/02/2017, a imediata suspensão das atividades relacionadas ao Memorial da Anistia (docs. 154 e 155 do SEI 08802.004224/2009-11, contidos no DVD de fl. 547, certidão PR-MG-33221/2020):

Magnífico Reitor,

Em face de fatos que demandam manifestação desta Direção da Comissão de Anistia, sirvo-me do presente para expor e solicitar o quanto segue.

De início, registramos o nosso pesar pela impossibilidade de reunião nesta data. Sabemos que o encontro presencial será auspicioso, mas a agenda de V.

Magª. e os acontecimentos no Ministério da Justiça têm atrasado o contato pessoal, o que se pretende aconteça em breve.

De outra borda, recebemos recentemente duas comunicações da Universidade Federal de Minas Gerais cuidando de temas relacionados ao Memorial da Anistia Política.

O primeiro deles dá conta de que está prestes a ter início uma exposição temporária antecedendo a abertura do Memorial da Anistia Política.

Tendo em vista que há pouco subsídio para uma melhor análise, esta Direção encaminhou os documentos à Consultoria Jurídica do Ministério da Justiça e

à nossa Coordenação-Geral para manifestação.

A Coordenação-Geral, por sua vez, fez análise dos fatos e entendeu inconveniente a realização, neste momento, da exposição temporária tendo em vista, a uma, não haver plano de trabalho suficientemente detalhado e, a duas, a singela comunicação, tomada como autorização, cuida de “exposição de longa duração” e não de “exposição temporária”. Os argumentos da Coordenação-Geral convenceram esta Direção, ainda mais, tendo em vista não constar dos autos autorização formal e análise jurídica do procedimento.

Informo, por oportuno, que, por cautela, em razão da forma como foi encaminhada a questão nesta Comissão, esta Direção determinou o encaminhamento do fato à Assessoria Disciplinar para análise de eventual prejuízo e responsabilidade.

É dever cuidar também da solicitação da UFMG no sentido de suspender por mais 12 (doze) meses a obra do Memorial, atribuindo culpa ao Ministério da Justiça pela impossibilidade de continuidade momentânea da obra.

Sobre o tema, ainda, é dever esclarecer que a redução da velocidade de repasses tem sido feita em razão da cautela necessária a preservar o interesse público, pois, como consabido, pende de finalização relatório da Controladoria-Geral da União, relatório esse que certamente trará novo norte à V. Magª, à esta Direção, à Secretaria Executiva e ao Exmo. Sr. Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública na condução do processo.

É conveniente lembrar, que, no Termo de Reunião n.°

082/2016/CCAF/CGU/AGU-GHR, assinado pela UFMG e esta Direção, restara consignado que ações dos firmatários estariam atreladas ao resultado da ampla auditoria realizada pela CGU. Consigne-se, por oportuno, que esta Direção tem mantido reiterados contatos com a CGU solicitando, na medida das possibilidades, brevidade na análise, para que possamos retomar, com segurança, o curso do processo.

Por todo exposto, esta Direção solicita à V. Magª sejam suspensas as ações relacionadas ao Memorial da Anistia Política, tanto com relação à obra, quanto com relação à exposição de longa duração, até que estejam nos autos os resultados das análises da Consultoria Jurídica e, especialmente, da Controladoria-Geral da União.

Solicita-se, outrossim, seja autorizada a visita da nossa Coordenação-Geral a UFMG para cuidar da restruturação dos planos de trabalho.

Por fim, solicitamos que, em havendo possibilidade, na próxima agenda que V. Magª tenha em Brasília, reserve um espaço para uma visita à esta Comissão de Anistia e eventualmente ao Sr. Secretário Executivo.

Aproveitamos o ensejo para renovar protestos de estima. [grifei]

Renato Jiménez Marianno Diretor da Comissão de Anistia

Pouco antes dessa comunicação, instado pela CGU, em 22/12/2016, o então Reitor da UFMG, JAIME ARTURO RAMÍREZ, assim se manifestou:

Conforme o Plano de Trabalho remodelado e aprovado por essa Comissão de

Anistia em março do corrente ano, durante o primeiro quadrimestre de 2016 foram realizadas as contratações de pesquisadores, consultores e estagiários para atender o item Articulação institucional em justiça de transição e memorialização.

As ações de articulação e cooperação institucional com entidades que atuam na área de justiça de transição e memorialização, especialmente por meio da Rede Latino Americana de Justiça de Transição estão em plena realização e os subsídios previstos encontram-se em fase de produção, com andamento de acordo com o planejado. A prestação de contas apresentada em anexo espelha essa realidade.

Também, conforme já relatado, a UFMG contratou, nos termos da lei, a Fundação do Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP) para administração e execução dos recursos financeiros disponibilizados para a exposição.

Em decorrência de fatos supervenientes que impactaram o cronograma da obra de engenharia, particularmente a instabilidade do Coleginho que não permitiu que se desse início às intervenções na edificação, acatadas pelo Ministério da Justiça, o prazo para execução deste plano de trabalho foi

Em decorrência de fatos supervenientes que impactaram o cronograma da obra de engenharia, particularmente a instabilidade do Coleginho que não permitiu que se desse início às intervenções na edificação, acatadas pelo Ministério da Justiça, o prazo para execução deste plano de trabalho foi

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