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Parte 2: Preocupações de sustentabilidade ambiental e práticas quotidianas dos docentes de

5.3. Interpretação dos resultados das entrevistas

5.3.1. Sustentabilidade ambiental e políticas locais

Em primeiro lugar, questionados sobre o estado do meio ambiente no concelho de Gaia, os entrevistados referem que houve um desenvolvimento favorável nos últimos anos, desde a criação de novas infraestruturas e espaços verdes, ao tratamento dado à preservação da orla costeira, por sinal, muito bem cuidada. No entanto, consideram haver, ainda, um longo caminho a percorrer. Devendo criar-se novas iniciativas e atividades, assim como, melhorar os mecanismos de comunicação e informação entre a população:

“(...) estando eu aqui em VNG há mais de 20 anos a trabalhar e a viver, considero que houve uma grande evolução nestes últimos tempos, não só em termos de infraestruturação e criação de condições para uma evolução no sentido favorável [em termos ambientais], mas também em termos de comportamentos por parte das pessoas. Se nós avaliarmos este período todo, acho que houve uma boa evolução, mas que ainda temos um longo trabalho pela frente” (E1). “(...) antes de mais acho que a nível ambiental já existe muito trabalho desenvolvido, no entanto penso que apesar de todo o trabalho realizado, tem de ser completado de ambas as partes, ou seja, de quem realiza as campanhas, e de quem as recebe e implementa os conhecimentos que são transmitidos (…)Existe mais trabalho a ser desenvolvido, novas iniciativas, novas atividades, direcionadas para a população no geral, para os munícipes no geral. E, não só no âmbito das escolas, dos alunos, mas na globalidade dos municípios” (E2).

“Existem bons espaços verdes, temos uma ótima costa, o litoral está muito bem cuidado, mas considero que ainda falta muitas, digamos, informações ao público, à população em geral, e que ainda há muita coisa por fazer” (E4).

Alguns entrevistados referem que promover a sustentabilidade ambiental junto dos munícipes é um trabalho exigente, mas urgente. Contudo, não compete às autoridades públicas fazer tudo, tem que existir um compromisso geral, assumido por todos, a bem de todos, particularmente:

“(...) na forma como as pessoas ainda olham para o impacto que as ações que eles têm no dia- a-dia tem no ambiente em termos globais. (...) Portanto, é nesse trabalho ainda que temos que trabalhar (...) fazer para que as pessoas participem e façam aquilo que têm que fazer, senão nós sozinhos, autoridades públicas, não conseguimos, alcançar os objetivos” (E1).

Quanto ao trabalho realizado, ao nível interno, tem-se vindo a diminuir os consumos de energia dos edifícios municipais, procurando uma maior eficiência, e ao nível externo,

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procurado criar mais espaços públicos verdes, colocado mais luminárias com tecnologia de eficiência energética ou, como já referimos, ao nível da costa a renovação das linhas pedonais, essenciais, à mobilidade e refletoras de DS. Além disto, a sensibilização dos cidadãos tem sido um forte veículo na construção da sustentabilidade do município:

“(...) melhoria das condições prestadas aos munícipes, (...) com campanhas de sensibilização e atividades que transmitem aos cidadãos os problemas que existem na atualidade e de que forma é que com simples comportamentos do seu dia-a-dia podem mexer um bocadinho nesta gota de água, neste grande oceano que são estas alterações climáticas e estas questões ambientais a resolver” (E2).

A preocupação em saber mais sobre os problemas que afetam o município, levou-nos a perguntar se existem algumas preocupações prioritárias. E, de facto, segundo os técnicos existem, nomeadamente, a qualidade do ar e da água, que apesar de muitas vezes serem descorados, por parte dos cidadãos em geral, estes problemas acabam por ter repercussões, a níveis diferentes, em muitas outras esferas das nossas vidas.

“Penso que a qualidade do ar é aquela que tem um maior impacto, porque as pessoas se calhar falam mais, também nos meios de comunicação social, e portanto há uma prevalência de problemas respiratórios, e as pessoas começam a associar. Penso que é essa a preocupação maior da população. Mas não associam a esse problema da qualidade do ar, diretamente, com aquilo que fazem aos resíduos em casa, e esquecem-se que todos os atos que nós praticamos depois acabam por ter o seu contributo, quer na qualidade do ar, quer na qualidade do solo e por aí fora” (E1).

“Existem, nomeadamente em termos de qualidade da água. Gaia tem uma ótima qualidade da água, bem tem vindo a ser trabalhada desde há muitos anos (...) existe também em termos da qualidade do ar, na minha opinião não com tanta incidência como a qualidade da água, aliás, muito cedo o concelho de VNG teve saneamento, e o termos saneamento e água canalizada potável é indicador de um concelho, digamos desenvolvido” (E4).

De modo a inverter algumas destas trajetórias indesejadas, principalmente em termos ambientais, foram sendo lançados inúmeros projetos em Gaia, dos quais podemos destacar os centros de EA:

“(...) o Parque Biológico, que mais gente conhece ao nível nacional e não só, internacionalmente também. Que faz campanhas, recebe as pessoas e, portanto, vai mostrando a necessidade da mudança. Aqui, no serviço onde eu estou, na divisão de gestão ambiental, desde 2007 que nós fazemos campanhas direcionadas também para a população geral, adulta, nomeadamente, a Semana Europeia da Mobilidade, que é uma ação que temos vindo a fazer até ao ano passado, em que o mote tem sido incidido muito na qualidade do ar e no impacto que os modos de transporte que nós escolhemos tem na qualidade de vida, e na qualidade do ar em particular” (E1).

“Já existem por parte de uma das empresas aliadas ao município que faz a recolha dos resíduos diferenciados – a SULDOURO – existem campanhas direcionadas para a população de maneira a otimizar a recolha deste mesmo tipo de resíduos, e facilitar a adesão da população a estas iniciativas” (E2).

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Sobre a adesão dos munícipes às iniciativas promovidas, as opiniões divergem. Se por um lado temos técnicos que afirmam haver respostas muito favoráveis:

“(...) as respostas eram sempre muito favoráveis, o que nos diziam, em regra, é que estas campanhas deveriam ser ainda mais incisivas e fazerem-se mais vezes” (E1).

“Aderem, aderem bem!” (E3).

Por outro, alguns mencionam que em algumas circunstâncias as pessoas não aderem muito bem às iniciativas e propostas do governo local. Ou, então, notam-se diferenças de adesão ao nível do território, sendo que a população localizada mais no centro do município adere com maior facilidade, face às que estão na periferia, que aderem menos.

“Não muito bem, porque por exemplo, no caso que eu falei que aconteceu há anos atrás, os munícipes fazerem a ligação à rede de saneamento, eles tinham que ser quase (…) persuadidos, mas fizeram, e agora, conseguisse, por isso, acaba por ser sempre uma mais valia (...)” (E4) Penso que quando existem campanhas aqui no município, existe adesão por parte dos municípes, NÃO TODOS, mais até da zona central, aqui do concelho, (…) penso que não existe tanta adesão, mesmo ao nível da própria mentalidade, e as ideologias que têm, variam bastante, desde as periferias do concelho para a zona mais central. Penso que de forma global, não só no PEA, mas também em todas as atividades promovidas pelo município, a população que se localiza mais no centro do concelho, adere com mais facilidade do que as da periferia…do interior”

(E3).

Dado o contexto geral sobre a sustentabilidade ambiental, segue-se uma análise às políticas e estratégias de EA levadas a cabo pelo município, na procura por um DLS.