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TEORIA DA IMPREVISÃO E DA ONEROSIDADE EXCESSIVA

A instabilidade econômica vivenciada até meados da década passada, consubstanciada com a perda do valor da moeda e aliados à crise e insegurança verificados na Europa, justificou, diante do cenário nacional e internacional, na concepção de Arnaldo Rizzardo, a invocação do argumento da imprevisão para a reparação do dano superveniente.128

Liliana Minardi Paesani e Elisa Yamasaki Veiga argumentam que a doutrina “criou a Teoria da Imprevisão para quebrar a rigidez dos contratos que impunha

124 THEODORO JÚNIOR, Humberto. O contrato e sua função social. Rio de Janeiro: Forense, 2008. p. 28-29. 125 THEODORO JÚNIOR, Humberto. O contrato e sua função social. Rio de Janeiro: Forense, 2008. p. 29. 126 THEODORO JÚNIOR, Humberto. O contrato e sua função social. Rio de Janeiro: Forense, 2008. p. 29. 127

SPEZIALI, Paulo Roberto. Revisão contratual. Belo Horizonte: Del Rey, 2002. p. 40-41.

incondicionalmente o respeito aos acordos firmados pacta sunt servanda, sem abrir exceções”.129

Dessa forma, esclarece Álvaro Villaça Azevedo que os nossos Tribunais têm sido rigorosos na aplicação da Teoria da Imprevisão se não estiverem presentes os pressupostos existenciais, que a doutrina destaca: a alteração brusca das situações existentes no momento da contratação, devendo esta ser radical, com circunstâncias imprevistas e imprevisíveis; a existência de enriquecimento injusto por uma das partes em prejuízo da outra, nos contratos de execução continuada e, por fim, a incidência da onerosidade excessiva para um dos contratantes, desequilibrando a relação contratual.130

O atual Código Civil introduziu a figura da onerosidade excessiva, a qual comunga das condições da imprevisão, nos requisitos do art. 478, in verbis:

Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação.131

Otavio Luiz Rodrigues Junior menciona que “o novo Código Civil Brasileiro associou-se à teoria da excessiva onerosidade, mitigando-a, porém, com o requisito da

extrema vantagem para a outra parte”132, conforme demonstrado no art. 478, citado anteriormente.

Humberto Theodoro Júnior acrescenta:

[...] a onerosidade excessiva superveniente, que se vê como causa de resolução manejável pelo contratante prejudicado (art. 478), permitindo-se à parte favorecida (réu da ação intentada pelo primeiro) utilizar-se a revisão das condições do contrato, para restabelecer a eqüitatividade e assim impedir a acolhida da resolução (art. 479).133

Dessa forma, o art. 479 do CC prevê a modificação das cláusulas contratuais evitando a resolução do contrato, in verbis:

129 PAESANI, Liliana Minardi e VEIGA, Elisa Yamasaki. Aplicação do novo código civil nos contratos

empresariais: modelos contratuais empresariais. Barueri: Manole, 2004. p. 26.

130

AZEVEDO, Álvaro Villaça. Teoria geral dos contratos típicos e atípicos. São Paulo: Atlas, 2002.

131 BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código civil. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 03 mar. 2011.

132 RODRIGUES JUNIOR, Otavio Luiz. Revisão judicial dos contratos: autonomia da vontade e teoria da

Art. 479. A resolução poderá ser evitada, oferecendo-se o réu a modificar eqüitativamente as condições do contrato.134

Humberto Theodoro Júnior acrescenta que o referido artigo “preocupa-se, dessa forma, com a conservação do vínculo negocial, ao mesmo tempo que se procura adaptá-lo, por meio da revisão, a condições compatíveis com a boa-fé objetiva e a função social [...]”.135

No tocante à resolução do contrato motivada pela incidência do pressuposto da onerosidade excessiva, Álvaro Villaça de Azevedo afirma que o Juiz poderá restabelecer a igualdade entre os contratantes quando uma das partes sofrer notável prejuízo que desequilibra as prestações pactuadas.136

Contrapondo, Liliana Minardi Paesani e Elisa Yamasaki Veiga, comentam que “o novo Código Civil admitiu a resolução dos contratos por onerosidade excessiva desde que presentes todos os elementos da Teoria da Imprevisão”.137

Corroborando, Paulo Roberto Speziali, confirma os pressupostos da Teoria da Imprevisão, e ainda acrescenta: “[...] a)contratos de execução continuada ou diferida; b) a ocorrência de evento extraordinário; c) mudança das circunstâncias; d)imprevisível; e) prestação excessivamente onerosa ou desequilíbrio entre prestações”.138 Dessa forma, afirma que esses requisitos são relativos a fatos, que confirmados e configurados na relação contratual, fundamentam o pedido de revisão com base na Teoria da Imprevisão.139

Notadamente que diante dos fenômenos econômicos sempre haverá certo risco de não se alcançar o resultado projetado por uma das partes. Humberto Theodoro Júnior comenta:

Somente quando as variações são muito profundas, ao ponto de acarretar uma onerosidade muito maior do que aquela que se poderia razoavelmente prever, é que a parte [...] negativamente atingida teria condições de pretender a revisão do contrato ainda por cumprir.140

134 BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código civil. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 03 mar. 2011.

135 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Direitos do consumidor: a busca de um ponto de equilíbrio entre as

garantias do código de defesa do consumidor e os princípios gerais do direito civil e do direito processual civil. 6 ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Forense, 2009. p. 49.

136 AZEVEDO, Álvaro Villaça. Teoria geral dos contratos típicos e atípicos. São Paulo: Atlas, 2002. 137 PAESANI, Liliana Minardi e VEIGA, Elisa Yamasaki. Aplicação do novo código civil nos contratos

empresariais: modelos contratuais empresariais. Barueri: Manole, 2004. p. 29.

138 SPEZIALI, Paulo Roberto. Revisão contratual. Belo Horizonte: Del Rey, 2002. p. 99-100. 139 SPEZIALI, Paulo Roberto. Revisão contratual. Belo Horizonte: Del Rey, 2002. p. 99-100.

140 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Direitos do consumidor: a busca de um ponto de equilíbrio entre as

garantias do código de defesa do consumidor e os princípios gerais do direito civil e do direito processual civil. 6 ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Forense, 2009. p. 46-47.

Nesse sentido, trazemos à colação o seguinte Acórdão da lavra do Desembargador Amaral e Silva:

CIVIL - LEASING - RESOLUÇÃO CONTRATUAL COM FUNDAMENTO NA

EXCESSIVA ONEROSIDADE - FALTA DO PRESSUPOSTO DA

IMPREVISÃO - PRECEDENTES JURISPRUDÊNCIAIS - RECURSO

DESPROVIDO. NÃO SE COGITA DA TEORIA DA IMPREVISÃO NOS CASOS EM QUE A ONEROSIDADE EXCESSIVA PROVÉM DA ÁLEA NORMAL E NÃO DE ACONTECIMENTO IMPREVISTO. A INFLAÇÃO E AS DIFICULDADES ECONÔMICAS, POR TRIVIAIS, CONSABIDAS, NÃO SE ENQUADRAM NA IMPREVISIBILIDADE, ENSEJADORA DA RESCISÃO CONTRATUAL.

Decisão: POR VOTAÇÃO UNÂNIME, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.141 (grifo nosso).

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