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O crescimento econˆomico na forma de acumula¸c˜ao f´ısica de capital e aumento da m˜ao de obra caracteriza a primeira fase das teorias de crescimento e foram gestadas entre os anos 1930 e 1970 aproximadamente. Delimitando o campo de atua¸c˜ao, as primeiras teorias do crescimento econˆomico procuraram restringir o objeto de estudo ao problema da expans˜ao f´ısica do sistema econˆomico. Isto n˜ao significa afirmar que o progresso tecnol´ogico n˜ao era reconhecido como um importante fator de crescimento, mas t˜ao somente que o mecanismo de crescimento visado por tais teorias era o processo de crescimento baseado nos efeitos duplos do investimento sobre o aumento do estoque de capital e trabalho e sobre a demanda, independentemente do tipo de capital e trabalho envolvido. Considera¸c˜oes sobre progresso tecnol´ogico est˜ao presentes desde os cl´assicos, mas elas n˜ao foram tratadas no ˆambito das pr teorias do crescimento. Tal jun¸c˜ao foi um trabalho posterior da ciˆencia econˆomica, como ser´a visto na pr´oxima se¸c˜ao.

As explica¸c˜oes do crescimento econˆomico que descrevem o primeiro processo de crescimento, o processo de acumula¸c˜ao f´ısica de capital e trabalho, se baseiam prin-cipalmente nas condi¸c˜oes macroeconˆomicas de est´ımulo ao investimento, na cria¸c˜ao de poupan¸ca como forma de financiamento do crescimento e no papel desempenhado pela demanda efetiva no caso das abordagens keynesiana e marxista. Tal teoria e mode-los baseiam-se principalmente nas intera¸c˜oes dinˆamicas entre vari´aveis macroeconˆomica reais e monet´arias como taxa de juros, taxa de lucro, sal´arios, taxa de poupan¸ca e em alguns casos na taxa de crescimento populacional, muito embora esta desempenhe um papel irrelevante, posto que o crescimento populacional ´e sempre tido como uma vari´avel ex´ogena, determinada por quest˜oes biol´ogicas e ambientais e n˜ao econˆomicas.

Originando-se de escolas t˜ao distintas como neocl´assicos, keynesianos e marxistas, a teo-ria da acumula¸c˜ao de capital tˆem em comum a abordagem macroeconˆomica, ou mais precisamente, uma abordagem pressupondo a simples agrega¸c˜ao das partes, sem difer-encia¸c˜ao comportamental dos agentes. Quando muito, os diferenciam em classes sociais capitalista ou trabalhadora como em Marx (1867, 1885, 1894), ou os diferenciam em classes de acordo com a origem da renda em sal´arios e lucros como em Kalecki (1938, 1954) e Kaldor (1956). Deve-se notar, contudo, que enquanto as teorias marxistas vˆeem no capital e trabalho uma profunda divis˜ao social de classes, com consequˆencias pol´ıticas, Kaldor e os p´os-keynesianos em geral vˆeem apenas uma distin¸c˜ao do tipo de renda auferida, se sal´arios ou lucros, das quais decorrem diferen¸cas comportamentais quando `a propens˜ao a poupar de cada tipo de renda. Seja qual for o caso em ambas teorias ´e comum assumir-se que a poupan¸ca da renda sal´ario ´e menor que a poupan¸ca a partir dos lucros. Assim, o crescimento ´e analisado e explicado a partir de rela¸c˜ao de (des)equil´ıbrio entre vari´aveis fluxo e estoque ao n´ıvel agregado. Como estas teorias tratam, na verdade, de rela¸c˜oes gerais de vari´aveis agregadas e n˜ao de comportamento e escolhas de agentes ´e perfeitamente leg´ıtimo indagar sobre seu alcance para o

entendi-mento da realidade. Como veremos, alguns te´oricos estavam conscientes disto. Harrod, por exemplo, tomou o cuidado de n˜ao chamar sua teoria de “teoria do crescimento”, mas t˜ao somente de “teoria dinˆamica” posto que suas equa¸c˜oes descreviam rela¸c˜oes dinˆamicas entre vari´aveis fluxo e estoque e n˜ao propriamente dito o resultado de funda-mentos comportamentais.

Nas pr´oximas se¸c˜oes faremos uma breve apresenta¸c˜ao destas teorias do crescimento, n˜ao com o objetivo de reproduzir suas min´uncias e modelos, mas com o objetivo de destacar um ponto importante, que dever´a estar presente numa teoria evolucion´aria geral do crescimento, que ´e o papel da distribui¸c˜ao funcional da renda e do investimento como origem da expans˜ao f´ısica, bem como a tendˆencia `a estagna¸c˜ao ou ao crescimento vegetativo, a que est˜ao condenadas as economias que dependerem exclusivamente das condi¸c˜oes simples de crescimento, sem considerar progresso tecnol´ogico. E como veremos em seguida, mesmo o crescimento por progresso tecnol´ogico est´a limitado, e na ausˆencia de inova¸c˜oes mais radicais, as economias que apenas dependem do progresso simples (aumento de produtividade) tamb´em est˜ao condenadas `a estagna¸c˜ao, muito embora neste caso este seja um ponto mais distante no futuro, comparado ao anterior.

2.1.1 Teoria keynesiana de acumula¸c˜ao de capital

As primeiras teorias keynesianas de crescimento remontam aos trabalhos sobre dinˆamica de Harrod (1939, 1948,1960) e Domar (1946, 1948). Estas teorias keynesianas enfati-zam o efeito multiplicador do investimento como parte da demanda efetiva e o efeito capacidade do investimento como parte da expans˜ao da oferta, e enfatizam tamb´em a gera¸c˜ao de ciclos e as condi¸c˜oes de equil´ıbrio dinˆamico ou de crescimento equilibrado, quando estes dois aspectos da varia¸c˜ao da renda, produto e demanda, est˜ao co-evolvendo, intrincadamente4.

A contribui¸c˜ao da teoria keynesiana do crescimento pode ser separada em duas partes. A primeira ´e uma contribui¸c˜ao original e menos conhecida que consta no “Trea-tise on Money” de Keynes onde a economia ´e dividida em setores ou departamentos e a segunda s˜ao as contribui¸c˜oes de Harrod e Domar, que exploram os efeitos demanda e capacidade do investimento de uma economia sem setores.

Embora Keynes n˜ao tenha tratado sistematicamente do problema do crescimento no longo prazo, nem da restri¸c˜ao imposta pelo pleno emprego do capital e trabalho, uma vez que o objetivo de sua obra principal (a “Teoria Geral”) ´e exatamente restabelecer o pleno emprego a partir de uma situa¸c˜ao recessiva, os modelos de crescimento keynesianos s˜ao assim chamados pelo destaque que deram ao papel desempenhado pela demanda, na forma de consumo, poupan¸ca e investimento, sobre a trajet´oria de crescimento.

A primeira contribui¸c˜ao da teoria keynesiana ao problema do crescimento ´e menos conhecida que as contribui¸c˜ao dinˆamicas Harrod e Domar que se fundamentam no es-quema de vari´aveis de Keynes, mas ´e igualmente de grande importˆancia para as primeiras teorias do crescimento. Esta primeira contribui¸c˜ao aparece no cap´ıtulo 10 do “Treatise on Money” ondeKeynes (1930) apresenta o que ele chamou de equa¸c˜oes fundamentais, as quais determinam o n´ıvel de pre¸cos e lucros em rela¸c˜ao aos sal´arios, e onde faz uma

4Com a ressalva da que Harrod n˜ao considerava suas equa¸oes uma teoria do crescimento, propria-mente dita, como fica claro na seguinte passagem: “I believe that a distinction can be made, and that it would be convenient to use ´dynamic theory´ for the relations between the rates of increase (or decrease) of certain magnitudes in a growing economy. The theory of economic growth would have a wider ambit, including dynamic theory in this narrow sense”Harrod(1960, p. 277).

separa¸c˜ao da economia em dois setores, da mesma forma que Kalecki e Marx fizeram.

Na obra em quest˜ao Keynes separou a economia em dois setores, o de bens “imediatos”

e o de bens “n˜ao-imediatos”, no mesmo sentido que hoje damos `a separa¸c˜ao em bens de consumo e bens de capital. Dadas as propens˜oes `a poupar a expans˜ao da oferta depende dos gastos da economia em bens “n˜ao-imediatos” sendo que os bens imediatos n˜ao impor-tam, a n˜ao ser para fechar o fluxo circular. A Lei de Say, grosso modo, vale para a renda gasta em consumo de bens imediatos (ou bens de consumo) mas ´e rompida quando se trata de bens “n˜ao imediatos” ou bens de capital ou investimento, mesma conclus˜ao que se tiram dos esquemas departamentais de Marx e Kalecki. Keynes tamb´em argumentou que s˜ao os gastos a partir dos lucros que determinam os pr´oprios lucros e que portanto a situa¸c˜ao ´e parecida com aquela em que a vi´uva gasta sua heran¸ca (“widow’s cruse”) sem contudo ver exaurida sua riqueza, mesmo que destinada ao consumo consp´ıcuo. A mesma situa¸c˜ao tamb´em fora ilustrada com a figura do jarro de Danaid, o qual apesar de ser constantemente esvaziado, continua milagrosamente cheio. As id´eias de Keynes a cerca das rela¸c˜oes de longo prazo e suas implica¸c˜oes para a teoria do crescimento tem passado relativamente desconhecida, muito embora a importˆancia do cap´ıtulo 10 doTratease on Money para a teoria do crescimento e distribui¸c˜ao tenha sido notada por Kregel (1972, p. 30-34). Assim, se nos atermos `a este aspecto somente, da divis˜ao da economia em setores ou em classes de renda e ao fato de o investimento determinar os lucros, ´e perfeitamente poss´ıvel apresentar os trˆes diferentes autores, Keynes, Kalecki e Marx, como como tendo elementos em comuns para a explica¸c˜oes do crescimento como acumula¸c˜ao de capital. Evidentemente, outras raz˜oes e crit´erios levariam a distinguir a trinca.

A segunda contribui¸c˜ao da teoria de crescimento keynesiana foram aquelas elabo-radas por Harrod e Domar. Tomando-se a exposi¸c˜ao de Harrod, o mesmo descreve o processo de crescimento da renda da economia a partir do efeito duplo do investimento, que funciona simultˆaneamente como componente da demanda efetiva e determinante do aumento da capacidade produtiva para o per´ıodo seguinte. Harrod parte de trˆes pressu-postos: a.) o investimento ´e o principal determinante da varia¸c˜ao da renda; b.) a taxa de aumento da renda ´e um importante determinante da poupan¸ca e c.) que a demanda

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e igual a oferta. Trata-se da combina¸c˜ao do princ´ıpio acelerador ou efeito capacidade, com o efeito multiplicador, pelo lado da demanda. Pelo lado da demanda e dada uma propens˜ao m´edia a poupar da sociedade, o investimento ser´a dado por I =sYDA5. O efeito capacidade do investimento por sua vez, depende da produtividade do capital e do trabalho. Se a rela¸c˜ao capital-trabalho ´e constante o efeito capacidade do investimento pode ser representado, atendo-se ao estoque de capital, por I = ˙YOA/C. Igualando os dois efeitos chega-se `a taxa “garantida” (warranty) de crescimento Gw = ˙Y /Y =s/C, que ´e a equa¸c˜ao fundamental de Harrod6.

5Onde I ´e o investimento,s ´e a propens˜ao marginal da poupar a partir da renda eYDA´e a renda total da economia pelo lado dos gastos ou da demanda.

6Assumindo uma rela¸ao capital-trabalho (K/L) constante atrav´es de uma fun¸ao de produ¸ao do tipo coeficientes fixos (Y =min{K/C, L/u}), a qual n˜ao ´e explicitada no artigo de 1939, em equil´ıbrio podemos fazer:

Y(t) =K(t)/C=L(t)/u

onde C ´e o inverso da produtividade do capital. Se o trabalho cresce na mesma propor¸ao que K, de forma a manter rela¸aoK/Lconstante ent˜ao podemos tomar apenasK como fonte de varia¸ao do produto, com o que podemos expressar o efeito capacidade como:

Y˙(t) = ˙K(t)/C

Dado que a rela¸c˜ao capital-trabalho ´e constante e que n˜ao h´a uma teoria para forma¸c˜ao de poupan¸ca a partir do comportamento dos agentes, a taxa de crescimento de equil´ıbrio calculada por Harrod ´e uma taxa improv´avel. Uma vez estabelecida a equa¸c˜ao fundamental de crescimento Harrod passa a analisar o que acontece quando a taxa real (Gr) for diferente da taxa garantida (Gw). Se ela for maior, por exemplo, tal que Gr > Gw, isto significa que o efeito demanda do investimento (sY) por algum motivo foi maior que o efeito capacidade (Y /C) e que portanto h´a um excesso de de-manda, pois a restri¸c˜ao tecnol´ogica embutida em C n˜ao permite ampliar a oferta mais do que Y /C. Observe-se tamb´em que n˜ao h´a garantias “ex-ante” que I =S, dado que esta igualdade reflete condi¸c˜oes de equil´ıbrio ou rela¸c˜oes cont´abeis “ex-post” e portanto

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e poss´ıvel tamb´em que I > S, o que igualmente causa excesso de demanda. Com isso as expectativas das firmas ´e de que s˜ao necess´arios mais investimentos para atender o excesso de demanda de modo que a taxa de crescimento se acelera, num processo cu-mulativo no tempo. For¸cas centr´ıfugas s˜ao colocadas em a¸c˜ao. O inverso ocorreria se Se Gr < Gw, quando ent˜ao um excesso de oferta e forma¸c˜ao de estoques conduziria a um processo recessivo cumulativo. Em conclus˜ao, a economia s´o poderia crescer de forma equilibrada se percorresse uma trajet´oria t˜ao estreita como um fio de navalha, se fosse capaz de combinar precisamente poupan¸ca e produtividade dos fatores nos ter-mos exigidos pela equa¸c˜ao fundamental. Domar estava ciente disto e uma das suas contribui¸c˜oes foi mostrar que uma caracter´ıstica da economia capitalista, baseada em decis˜oes decentralizadas privadas, ´e o car´ater inst´avel do seu crescimento. O problema, n˜ao respondido, pelo menos em sua teoria dinˆamica de 1939 ´e que esta instabilidade ´e cumulativa, o que n˜ao condiz com os fatos reais. Mas ele mesmo afirmava que sua teoria n˜ao era uma teoria do crescimento, mas t˜ao somente uma teoria dinˆamica.

O mesmo resultado fora obtido por Domar(1948) ao mostrar que ∆I/I=ασ 7. Os modelos de Harrod e Domar, ao chegarem nesta rela¸c˜ao de equil´ıbrio, o fizeram assu-mindo dois pressupostos importantes que de certa forma definem os limites e alcance do significado da taxa de crescimento de equil´ıbrio. Eles assumiram: uma rela¸c˜ao capital-produto (C) e trabalho-capital-produto constante, o que em termos de fun¸c˜ao de produ¸c˜ao significa assumir uma fun¸c˜ao do tipo Walras-Leontief, a qual n˜ao permite substitu-ibilidade entre os fatores; e uma taxa de poupan¸ca ex´ogena. Sem uma explica¸c˜ao do comportamento dos agentes quanto a decis˜ao de poupan¸ca e consumo n˜ao havia uma teoria por detr´as da fixa¸c˜ao da taxa de poupan¸ca na economia. Sem uma explica¸c˜ao do comportamento das firmas quanto a demanda por capital ou m˜ao de obra e sem uma explica¸c˜ao sobre a substituibilidade de fatores, C n˜ao era uma vari´avel mas sim um parˆametro dado e fixo no tempo. Sem discutir o porque desta exogeneidade, Harrod

Y˙(t) =I(t)/C I(t) = ˙Y(t)/C

como em equil´ıbrio o efeito demanda e o efeito capacidade s˜ao iguais, tem-se:

sY(t) = ˙Y(t)/C E por fim:

Gw=Y˙(t) Y(t) = s

C

7Onde em HarrodGw´e a taxa garantida de equil´ıbrio de crescimento da renda,sa taxa de poupan¸ca e C ´e rela¸ao capital-produto; e em Domar α ´e taxa de poupan¸ca e σ ´e produtividade m´edia social potencial do investimento, que equivale conceitualmente ao inverso da rela¸ao capital-produto, isto ´e σ= 1/C. As equa¸oes, portanto, s˜ao equivalentes.

considerou adequadamente que estas equa¸c˜oes n˜ao refletiam uma teoria do crescimento, propriamente dita, mas apenas uma teoria dinˆamica que deveria ser considerada como parte de uma teoria do crescimento. Em fun¸c˜ao da exogenidade de s e C a taxa de crescimento de equil´ıbrio somente seria obtida por uma combina¸c˜ao ´unica desdadoC, decorrendo dai o problema da unicidade da taxa de crescimento. E dado o problema da coordena¸c˜aoex-ante das decis˜oes de poupan¸ca e investimento, o que gera diferen¸cas cumulativas nas taxas de crescimento observadas e garantidas, os modelos de Harrod e Domar tornam-se inst´aveis e explosivos. Varia¸c˜oes na taxa de poupan¸ca s ou em C remeteriam a economia para trajet´orias de acelera¸c˜ao do crescimento ou de uma recess˜ao sem fim.

De acordo com a teoria ainda, uma situa¸c˜ao de crescimento equilibrado (steady state)

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e alcan¸cada quando a taxa de crescimento do produto atinge a chamada “taxa natural”

de crescimento, isto ´e, quando a taxa de crescimento do produto ´e igual a taxa de cresci-mento populacional e portanto, capital e trabalho crescem `a mesma velocidade de forma a manter a rela¸c˜ao capital-trabalho constante. Al´em disso, se for inclu´ıdo progresso tec-nol´ogico neutro, no sentido de Harrod8 ent˜ao a partir de uma situa¸c˜ao de pleno emprego uma economia somente cresceria `a uma taxa dada pelo progresso tecnol´ogico ex´ogeno (t) , com o que a equa¸c˜ao de crescimento “natural” se tornaGw = Cs =n+t. O cresci-mento acima da taxa natural, atingido o pleno emprego ´e inflacion´ario. ´E poss´ıvel que exista uma taxa de crescimento abaixo do pleno emprego, quando ent˜ao Gw = Cs < n.

Uma economia pode acumular capital `a uma taxa maior que n, mas somente durante um certo per´ıodo de tempo, enquanto houver m˜ao-de-obra desempregada, quando ent˜ao Gw = Cs > n, mas t˜ao logo a m˜ao-de-obra se esgota a acumula¸c˜ao de capital tende a cair para seu n´ıvel natural ou para a taxa de crescimento de equil´ıbrio de steady-state.

O crescimento populacional pode ser entendido como uma taxa natural de expans˜ao do mercado ou do consumo e na ausˆencia de progresso tecnol´ogico, ´e a taxa de crescimento para onde deve convergir a economia no longo prazo.

Distribui¸c˜ao

O problema da distribui¸c˜ao de renda na literatura keynesiana ´e um problema exclu-sivamente de distribui¸c˜ao funcional entre sal´arios e lucros. O problema da distribui¸c˜ao

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e discutido com mais detalhes por Keynes (1930) no “Treatise on Money” do que nos outros autores como Harrod e Domar. No entanto n˜ao ´e dif´ıcil extrair o padr˜ao de distribui¸c˜ao de renda dos modelos de Harrod ou Domar, se lembrarmos do fato de que estes autores partem de uma fun¸c˜ao de produ¸c˜ao com coeficientes fixos, o que implica em uma rela¸c˜ao capital-trabalho constante e que portanto, a distribui¸c˜ao de renda entre sal´arios e lucros depende do produto marginal do trabalho e do capital, respectivamente.

A seguir apresentamos brevemente estas duas abordagens sobre distribui¸c˜ao, em Keynes e em Harrod e Domar.

Tendo em vista o n´ıvel altamente agregado, as teorias keynesianas n˜ao entraram no m´erito te´orico do problema da distribui¸c˜ao de renda entre os fatores e seu impacto

8o progresso tecnol´ogico ´e dito poupador de capital, neutro ou poupador de trabalho, no sentido de Harrod dependendo do que acontece com o produto marginal do capital, dada uma rela¸ao capital-produto constante (Harrod,1948), como segue:

SedY(t)/dK(y)>0 ´e poupador de trabalho SedY(t)/dK(y) = 0 ´e neutro

SedY(t)/dK(y)<0 ´e poupador de capital.

no crescimento, muito embora o problema da distribui¸c˜ao esteja implicitamente dado.

Assim como os modelos neocl´assicos e p´os-keynesianos, toda a literatura keynesiana sobre distribui¸c˜ao de renda, ´e tamb´em uma teoria da distribui¸c˜ao funcional da renda entre sal´arios e lucros, ou mais genericamente, uma teoria da distribui¸c˜ao da renda que remunera os fatores de produ¸c˜ao.

O problema do crescimento e da distribui¸c˜ao ´e abordado muito rapidamente no

“Treatise on Money” de Keynes (1930, cap. 10), e nem sequer aparece na “General Theory”, o que contribui um pouco para seu desconhecimento, dado que a primeira obra, menos conhecida e divulgada, antecede a segunda, mais popular. A distribui¸c˜ao da renda aparece como uma consequˆencia do movimento relativo de pre¸cos dos bens de consumo e dos pre¸cos dos bens de investimento. Keynes adota uma separa¸c˜ao da economia em setores, nos mesmos moldes que o fizeram Marx e Kalecki, separando-a num setor produtor de bens “dispon´ıveis” e num setor de bens “n˜ao dispon´ıveis”, na linguagem de Keynes, o que equivales a bens de consumo e bens de capital em Kalecki e Marx. Com esta separa¸c˜ao Keynes estava discernindo entre bens que podem ser imediatamente consumidos e bens que se tornar˜ao bens de consumo no futuro. Assim os pre¸cos dos bens de consumo, dependem no longo prazo, dos pre¸cos dos bens de investimento. Al´em disto, com uma dada t´ecnica de produ¸c˜ao o n´ıvel de gasto em investimento determinar´a a divis˜ao da renda entre os dois tipo de bens, o que significa dizer tamb´em que o n´ıvel de investimento determinar´a a propor¸c˜ao de trabalho nos dois setores. Keynes(1930) afirma ainda que quando a renda pelo lado dispˆendioY =C+I´e igual `a renda pelo lado da aloca¸c˜aoY =C+S e portantoS=I, ent˜ao o pre¸co dos bens de consumo em rela¸c˜ao aos seus custos de produ¸c˜ao est˜ao em equil´ıbrio. Mas quando esta proporcionalidade n˜ao ´e respeitada ent˜ao o n´ıvel de pre¸co dos bens de consumo ser´a diferente dos seus custos, com reflexos sobre a distribui¸c˜ao funcional da renda.9.

“Treatise on Money” de Keynes (1930, cap. 10), e nem sequer aparece na “General Theory”, o que contribui um pouco para seu desconhecimento, dado que a primeira obra, menos conhecida e divulgada, antecede a segunda, mais popular. A distribui¸c˜ao da renda aparece como uma consequˆencia do movimento relativo de pre¸cos dos bens de consumo e dos pre¸cos dos bens de investimento. Keynes adota uma separa¸c˜ao da economia em setores, nos mesmos moldes que o fizeram Marx e Kalecki, separando-a num setor produtor de bens “dispon´ıveis” e num setor de bens “n˜ao dispon´ıveis”, na linguagem de Keynes, o que equivales a bens de consumo e bens de capital em Kalecki e Marx. Com esta separa¸c˜ao Keynes estava discernindo entre bens que podem ser imediatamente consumidos e bens que se tornar˜ao bens de consumo no futuro. Assim os pre¸cos dos bens de consumo, dependem no longo prazo, dos pre¸cos dos bens de investimento. Al´em disto, com uma dada t´ecnica de produ¸c˜ao o n´ıvel de gasto em investimento determinar´a a divis˜ao da renda entre os dois tipo de bens, o que significa dizer tamb´em que o n´ıvel de investimento determinar´a a propor¸c˜ao de trabalho nos dois setores. Keynes(1930) afirma ainda que quando a renda pelo lado dispˆendioY =C+I´e igual `a renda pelo lado da aloca¸c˜aoY =C+S e portantoS=I, ent˜ao o pre¸co dos bens de consumo em rela¸c˜ao aos seus custos de produ¸c˜ao est˜ao em equil´ıbrio. Mas quando esta proporcionalidade n˜ao ´e respeitada ent˜ao o n´ıvel de pre¸co dos bens de consumo ser´a diferente dos seus custos, com reflexos sobre a distribui¸c˜ao funcional da renda.9.