Terceira fase da pesquisa campo: realização de entrevistas

No documento Acessibilidade e interação social: comportamento social em face de problemas de mobilidade no parque ecológico da Pampulha (páginas 59-64)

4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

4.3 Terceira fase da pesquisa campo: realização de entrevistas

A partir dos dados coletados até essa fase da pesquisa, como os registros fotográficos, anotações das observações e os mapas comportamentais, passou-se à criação de um questionário para a realização de entrevistas.

59 A aplicação de entrevista do tipo semiestruturada foi escolhida, pois determinadas questões tinham o intuito de tentar confirmar algumas conjecturas, enquanto outras pretendiam revelar algo de inesperado, dando liberdade para que as pessoas pudessem relatar o que lhes viesse à cabeça, sendo possível assim demonstrar novos elementos que talvez não constassem nas observações ou nas respostas com opções pré-determinadas.

Com questões relativas às percepções e avaliações que os usuários têm do espaço e estrutura do Parque Ecológico, passando ao reconhecimento de determinadas áreas que poderiam indicar condições de orientação, seguidas da descrição e escolha de imagens em situações diversas, o questionário23 foi elaborado com a finalidade de reforçar ou refutar os resultados das observações a fim de se alcançar os objetivos da pesquisa e de se confirmar ou negar as hipóteses levantadas.

A primeira questão da entrevista, tinha como objetivo saber se o entrevistado já esteve no parque outras vezes ou se era sua primeira visita. Esperava-se com essa questão justificar possíveis diferenças de respostas devido à experiência acumulada do usuário em relação ao parque.

Nas questões 2, 3, e 4 os visitantes do parque eram questionados quanto às atividades que foram realizar no parque, se já tiveram dificuldades ou não conseguiram realizar alguma, e sobre qual área do parque mais gostavam. Com essas perguntas seria possível confirmar os dados obtidos quanto às atividades mais realizadas no parque e áreas mais utilizadas, saber da existência de dificuldades para a realização de alguma delas e comparar os dados entre perfis diferentes de usuários.

As questões de 5 a 14 foram elaboradas utilizando-se escalas com o intuito de se mensurar o nível de satisfação, aprovação ou preferência e de desgaste físico dos usuários do parque em relação a alguns aspectos como:

- Satisfação com a distância dos banheiros em relação às portarias:

60 - Satisfação com a eficiência da sinalização do parque para se orientar dentro dele; - Satisfação com a opção de sentar na grama;

- Aprovação da ideia de haver mesas e bancos para piqueniques;

- Aprovação da ideia de haver pistas para bicicletas e caminhadas separadas; - Satisfação quanto às áreas de sombra no parque;

- Preferência quanto a andar sobre a grama;

- Preferência quanto a andar sobre o piso intertravado; - Preferência quanto a andar sobre a areia e seixos; - Desgaste físico nos deslocamentos dentro do parque;

A questão de número 15, por sua vez, foi elaborada com o intuito de avaliar a percepção dos usuários em relação a ambientes e situações que retratavam as principais atividades feitas no Parque Ecológico, a de caminhar e a de permanecer sentado à grama conversando ou fazendo piquenique.

Foram selecionadas quatro imagens para cada situação, constando de ambientes diferentes, com estruturas diferentes e com ou sem pessoas. As imagens ficavam separadas em um cartão de figuras (APÊNDICE C) que era entregue ao entrevistado. Solicitava-se aos entrevistados que observassem as imagens e as descrevessem. Após a descrição pediu-se que escolhessem uma das situações e que justificassem a escolha.

E, por fim, as duas últimas questões 16 e 17, também realizadas a partir de um cartão de figuras, tinham como objetivo avaliar quais estruturas e áreas do parque eram mais conhecidas e utilizadas.

O cartão continha oito imagens de diferentes áreas e estruturas do parque (VER APÊNDICE C) e solicitava que o entrevistado marcasse as opções que ele tinha familiaridade, e mencionasse dentre os lugares conhecidos ou vistos, quais tinham sido efetivamente utilizados por ele.

61 As análises das observações e das entrevistas tiveram um viés quantitativo para se obter comparações entre diferentes categorias, mas o que mais interessa nesta pesquisa é a análise qualitativa dos dados.

A amostragem para a coleta de dados através da entrevista considerou usuários com ou sem deficiência aparente, englobando pessoas solitárias ou acompanhadas e com diferentes idades e habilidades. Foram entrevistadas 32 pessoas, definindo- se o número de entrevistados a partir do surgimento da redundância de informações e o aparecimento de informações relevantes, visto que o foco do trabalho é a questão qualitativa no que se refere ao observado ou entrevistado e seu uso do espaço e a interação com outras pessoas.

Pretendia-se portanto, com as entrevistas, identificar as diferenças de percepção dos usuários em relação às áreas do parque e, principalmente, se há diferenças de percepção dos usuários em função de sua condição física para, dessa forma, entender quais contextos podem gerar a inacessibilidade e a segregação para um grupo de pessoas.

4.3.1 Visita acompanhada e entrevista

Como forma de reforçar e validar as observações e os resultados obtidos com as entrevistas, foi realizada uma visita acompanhada ao Parque Ecológico com uma pessoa que utiliza cadeira de rodas.

O fato de ter sido realizada apenas uma visita não foi uma decisão metodológica e sim uma dificuldade operacional na coleta de dados, o ideal seria um número maior de visitas e com diversidade de usuários, mas de qualquer forma, a visita única foi útil como um mecanismo de exploração dos dados coletados no questionário.

A visita foi feita em um sábado de manhã, em fevereiro de 2013, acompanhando uma moça de 24 anos, que será chamada aqui de Isabela para que se preserve sua identidade.

62 O objetivo dessa visita era, mais uma vez, observar o comportamento de uma pessoa com problemas de mobilidade mas acompanhando-a para entender como as dificuldades de acessibilidade poderiam influenciar em seu comportamento e beneficiar ou dificultar sua interação com outras pessoas.

O diferencial desse processo em relação ao de observação apenas, realizado anteriormente, é a possibilidade de diálogo com a pessoa durante a utilização do espaço para lhe fazer perguntas e questionamentos sobre seu comportamento, e através das respostas obtidas, reforçar os dados encontrados e guiar a análise dos resultados e conclusão da pesquisa.

Relatados os procedimentos metodológicos, os próximos capítulos trazem a caracterização da área de estudo seguida da análise dos resultados e conclusões da pesquisa.

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