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4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.6 Teste de Causalidade de Granger

Uma vez estimados os modelos VAR e VEC, o teste de causalidade de Granger, apresentado na tabela 4, fornece os resultados da direção das relações de causalidade entre as variáveis, ou seja, mostra se uma variável (x) provoca outra (y), no sentido de Granger.

Tabela 4 - Resultados do teste de causalidade de Granger

Hipóteses nulas: Nº. Observações F-Statistic Prob.

CO

Pobreza não Granger Causa o PIB 35 3.7328 0.0534

PIB não Granger Causa Pobreza 2.1189 0.1455

Gastos com educação não Granger Causa a PIB 35 0.4437 0.5053

PIB não Granger Causa Gastos com educação 1.2908 0.2559

Gastos com educação não Granger Pobreza 35 0.0932 0.7601

Pobreza não Granger Causa Gastos com Educação 0.0009 0.9758

Hipóteses nulas: Nº. Observações F-Statistic Prob.

N

Pobreza não Granger Causa o PIB 35 0.4242 0.5148

PIB não Granger Causa Pobreza 0.9077 0.7632

Gastos com educação não Granger Causa a PIB 35 0.6955 0.4043

PIB não Granger Causa Gastos com educação 0.1305 0.7178

Gastos com educação não Granger Pobreza 35 0.0907 0.7632

Pobreza não Granger Causa Gastos com Educação 0.0173 0.8953

Hipóteses nulas: Nº. Observações F-Statistic Prob.

NE

Pobreza não Granger Causa o PIB 35 0.2598 0.6102

PIB não Granger Causa Pobreza 3.1225 0.0772

Gastos com educação não Granger Causa a PIB 35 0.8333 0.3613

PIB não Granger Causa Gastos com educação 0.0031 0.9553

Gastos com educação não Granger Pobreza 35 0.2575 0.6118

Pobreza não Granger Causa Gastos com Educação 0.9266 0.3357

Hipóteses nulas: Nº. Observações

S

Pobreza não Granger Causa o PIB 34 3.5728 0.1676

PIB não Granger Causa Pobreza 0.5483 0.7602

Gastos com educação não Granger Causa a PIB 34 11.4834 0.0032

PIB não Granger Causa Gastos com educação 16.6434 0.0002

Gastos com educação não Granger Pobreza 34 2.2098 0.3312

Pobreza não Granger Causa Gastos com Educação 4.8060 0.0904

Hipóteses nulas: Nº. Observações F-Statistic Prob.

SE

Pobreza não Granger Causa o PIB 35 0.6425 0.4228

PIB não Granger Causa Pobreza 0.1992 0.6553

Gastos com educação não Granger Causa a PIB 35 2.1652 0.0912

PIB não Granger Causa Gastos com educação 1.0986 0.2946

Gastos com educação não Granger Pobreza 35 1.6239 0.0752

Pobreza não Granger Causa Gastos com Educação 35 0.2857 0.5929

Hipóteses nulas: Nº. Observações F-Statistic Prob.

BR

Pobreza não Granger Causa o PIB 35 0.7195 0.3963

PIB não Granger Causa Pobreza 1.5526 0.1428

Gastos com educação não Granger Causa a PIB 35 0.0065 0.9353

PIB não Granger Causa Gastos com educação 0.2734 0.6010

Gastos com educação não Granger Pobreza 35 0.8336 0.3598

Pobreza não Granger Causa Gastos com Educação 35 0.0812 0.7990

O teste foi realizado para todas as regiões e para o Brasil, de modo que a análise seguirá a disposição da apresentação da tabela.

A região Centro-Oeste não apresenta uma relação de causalidade a um nível de 5% de significância. Entretanto, se esse nível é relaxado, o teste rejeita a hipótese nula de não causalidade entre pobreza e PIB, e aponta que para essa região, a pobreza causa no sentido de granger o PIB conforme a teoria, isso indica que seu impacto é negativo, fato que poderá ser esclarecido por meio das equações impulso resposta.

A literatura até pouco tempo atrás defendia que a pobreza diminuiria com o crescimento do produto, porém constatou-se que algumas regiões mesmo com elevadas taxas de crescimento, mantinham elevados níveis de pobreza. O pensamento hoje é que o crescimento econômico só se traduz em desenvolvimento humano e redução da pobreza, quando é capaz de ampliar e melhorar a qualidade de vida da população (TOCHETTO et al. 2004). O que pode não estar sendo captado neste estudo, dada a limitação dos dados utilizados, é o impacto distributivo do crescimento econômico.

Nas regiões Norte e Nordeste, por sua vez, não se encontram relações de causalidade a um nível de 5%. Mas, se a probabilidadede rejeição da hipótese nula forrelaxada para um nível de 10%, no caso da região Nordeste, se rejeita a hipótese de não causalidade de granger entre PIB e pobreza.Ou seja, pode-se afirmar que no sentido de granger existe uma relação de causalidade entre crescimento e pobreza. Esse relaxamento da hipótese para um nível mais elevado está em consonância com os resultados apresentados por Marinho e Soares (2003), quedefendem que para os estados da região Nordestea diminuição da pobreza por meio do crescimento da renda é mais lenta que em outras regiões.

Ainda relativamente ao fato de não terem sido encontradas relações de causalidade entre educação e pobreza, ou mesmo educação e crescimento, nas regiões analisadas até aqui, Wilson e Briscoe (2004), defendem que não obstante o número de trabalhos sobre o tema, ainda não é possível se estabelecer uma relação clara de causalidade entre crescimento e educação, embora identifiquem aumentos de produtividade, dado o aumento do investimento em educação. Associado a tal fato, os gastos com educação nessas regiões podem não refletir esses retornos de produtividade, bem como a robustez das instituições de educação, principalmente quando se considera que as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, são regiões que possuem os maiores índices de pobreza e os menores percentuais de investimento em educação.

O Sul do Brasil por seu turno apresenta duas relações de causalidade a um nível de 5%. Na relação entre gastos públicos com educação e PIB, a hipótese nula é rejeitada, de forma que pode-se afirmar que os gastos com educação causam no sentido de granger o produto. Esse é um resultado compatível com a literatura. Young, Levy e Higgind (2004), defendem que alterações do nível de capital humano, refletido em termos de produtividade, podem causar alterações no nível do produto, a depender se o capital humano possibilita o desenvolvimento e a adoção de novas tecnologias. O desenvolvimento e a adoção de novas tecnologias na região Sul estão ligados principalmente a exploração agroindustrial, fato que o que pode explicar a relação de causalidade entre educação e crescimento.

Isso mostra que na região Sul os gastos com educação podem ajudar a prever o comportamento do produto, em virtude do fato de que nessa região investimentos em educação aumentam quantitativamente a escolaridade da população, e isso se reflete no aumento média da produtividade. Nesse sentido, é possível levar em consideração que a segunda relação de causalidade encontrada para a região vai do PIB para os gastos com educação, ou seja, o produto no sentido de granger também causa os gastos públicos, têm-se um círculo que se retro alimenta.

As regiões Sul e Sudeste, historicamente sempre receberam a maior parte dos gastos públicos com educação, e os resultados mostram que esses gastos influenciam diretamente o comportamento do produto. Amaral (2015), defende que uma relação de causalidade de granger entre gastos públicos com educação e PIB no curto prazo reafirma a importância do aumento dos gastos com educação como política, uma vez que pode ser uma das vias pela qual pode-se acelerar o crescimento, principalmente em contextos de crise econômica.

Outro resultado interessante na região é que se a probabilidade de rejeição da hipótese nula é relaxada para 10%, se aceita a hipótese alternativa de causalidade entre pobreza e gastos com educação. Segundo Barros, Mendonça, Santos e Quintaes (2001), pessoas oriundas de famílias bem estruturadas, tendem a investir mais em educação. Fato que sinaliza que a região possui baixos índices de pobreza se comparada a outras regiões do país, pode ser um indício de que variações na pobreza causam variações compensatórias nos gastos com educação.

Conforme já afirmado, a região Sudeste sempre recebeu em linhas gerais a maior parte do investimento público em educação, tal fato está associado a industrialização do país e a procura por mão de obra qualificada, assim sendo, a maturidade desses investimentos culmina

em um maior estoque de capital humano. Isso é comprovado quando se averigua que na região aceita-se a hipótese nula de causalidade entre os gastos com educação e o produto a um nível de 10%.

Quanto maior o nível de capital humano, maior nível de renda, que tem impacto direto sobre a pobreza, e produto dessa economia. Este resultado está de acordo com Vergolino, Nunes Neto e Barros (2004), quando defendem que a educação é um fator de convergência de renda na região Sudeste. Os autores ressaltam, contudo, que é preciso ressaltar que na região Sudeste, por ser essa a mais rica do país, existem outros fatores, como a acumulação de capital, que podem explicar essa relação.

Por fim, quando o país é analisado por completo também não se puderam encontrar relações de causalidade. Tal fato não se coaduna com a teoria, entretanto, a variável de educação aqui utilizada é uma medida de quantidade de educação, não conseguindo refletir a qualidade da mesma, o que pode explicar a falta de relação com o produto. Este resultado não é isolado, Amaral (2015), também encontrou resultado semelhante em estudo para Portugal. Os estudos que encontram uma relação de causalidade entre educação e crescimento para o Brasil, como os de Barros, Henriques e Mendonça (2002), Beltrão, Camarano e Kanso (2002), Coelho (2006), o fazem ao considerar medidas de qualidade de educação, como os dados da

Programme for International StudentAssessment (PISA), do censo da educação, por faixas de

ensino.

Barros, Mendonça, Santos e Quintaes (2001), Bonelli (2002), defendem que as características familiares são o principal determinante do investimento (privado) em educação, e essas características quando se traduzem em uma estrutura familiar deficiente são identificadas como uma das principais causas da pobreza. No caso das variáveis aqui utilizadas, a educação é medida em termos de investimento público e não privado, e a pobreza é uma medida unidimensional, não sendo capaz de incorporar condicionantes da estrutura familiar dos indivíduos que não as relativas a renda. Tal fato pode ser indício do motivo pelo qual não se encontram relações de causalidade para o Brasil.

Embora o teste de causalidade nos dê uma noção das relações entre as variáveis, será realizada uma análise de equações impulso resposta.

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