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4. As batalhas da batalha

4.3 Transbordamentos

Fig. 18 – Mesa com livros, no anfiteatro do Cenpah Fonte: facebook Sarau da Onça

“(...) assim talvez se desatará o laço, se acabará a ameaça, surgirão forças escondidas” (Zumthor, 1997, p. 247).

Na roda de conversa de que participei na Flipelô, com Sandro, uma das participantes comentou que muitas vezes a própria escola – o sistema educacional – é excludente. E que, dessa forma, a poesia é que “chega”. A linguagem poética, entendida assim, além de ser uma forma de ler a realidade, pode ser acessada pelas pessoas mesmo quando outras linguagens lhes estão vetadas ou dificultadas. Bolha me disse em nossa conversa que o que ele gostava “mesmo em questão de poesia” era “os corres de poesia”

nos ônibus. E me explicou:

“Porque ali você vai ‘tar, você ‘tá apresentando... ‘cê ‘tá apresentando a poesia pra pessoa que às vezes a pessoa nunca escutou uma poesia na vida dela, entendeu, a pessoa não sabe como é que é, aí você tá apresentando aquilo ali pra pessoa, junto com um pouquinho de realidade, aí já junta um pouquinho de fé, entendeu, de alguma coisa pra pessoa se erguer. E, tipo, é muito gratificante isso, porque tem vezes que você termina de recitar no ônibus e aí tem uma pessoa chorando, tem uma pessoa assim, sabe, aí você vai falar com a pessoa e a pessoa, ‘porra, você falou tudo que eu precisava

ouvir, realmente tudo que você falou é o que eu ‘tô passando, entendeu, que

‘tá acontecendo comigo’ e tals... e às vezes é uma palavra até de superação que você passa pra pessoa ali, porque às vezes a pessoa ‘tá, sabe, naquela viagem chata que você fica no ônibus, assim, pensando na vida, cansado, entendeu, e aí vem uma pessoa lá e, sabe, dá uma palavra assim que você fica revigorado...” (Trecho de entrevista – 09/11/2018).

Com a palavra poética, criam-se e recuperam-se repertórios para ler e escrever(-se) na cidade, constroem-se espaços poéticos comuns em ambientes antes não habituados à fruição de literatura; afirma-se uma “identidade periférica” e se a defende, como propriedade e autoridade; dissemina-se a leitura de referências locais e também de autores marginalizados. Discursos que estão na literatura periférica como um conjunto, mas muito mais incisivos no discurso combativo das batalhas de poesia. Slams, nas palavras de Minchillo

“interferem no mapa da produção e recepção literárias. Ampliam consideravelmente o território no qual se faz, se julga e se consome literatura e, ao mesmo tempo, deslocam a centralidade, no mapa das práticas literárias, do texto impresso e da leitura individual e silenciosa” (2017, p. 7).

Aproveito para ampliar o título desta seção: ao invés de falar de

“desdobramentos” optei por falar de transbordamentos, pois as ações e significados gerados ali ultrapassam as bordas, as margens, lugar de onde falam seus atores, inclusive resignificando “as bordas”, considerando que os atores no slam comungam de

“uma mesma percepção de serem objeto de marginalização, opressão e estigmatização”

(idem, p. 6).

Sandro aponta ainda a importância de o slam ser um evento oralizado, que expande a desenvoltura necessária em habilidades que se alargam no contato constante com o público, entre tantas possibilidades outras que se amplificam:

“Os meninos se auto-organizam pra estudar junto, escrever junto, fazer poesia nos coletivos junto, então isso é uma ramificação do slam, uma ramificação do sarau, de potencialidade, de mostrar que eles são capazes de fazer, de escrever, de falar sobre as suas vivências, sobre suas dores e apresentar em outros espaços, e não ficar recluso somente ao sarau, ao slam, porque não é uma coisa de você vem apresenta no slam e depois acaba.

Existe uma continuidade porque eles entendem que assim como foi despertado neles dentro do slam, eles precisam despertar em outras pessoas e isso é muito importante porque eles ajudam a gente que está nessa caminhada, né, nesse trabalho de formiguinha de tentar despertar o senso crítico de algumas pessoas, que conseguimos despertar o deles, e entenderam, e eles fazem com que outras pessoas entendam que assim como

chegou neles pode chegar nessas outras pessoas, né, então o slam ele deixa de ser uma competição pra ser uma celebração, de quantos poetas mais novos vão estar presentes na próxima edição, entende? Do menino que foi numa edição do slam e viu o amigo, e no próximo ele quer competir junto com o amigo, não pra saber se é melhor ou se é pior, mas pra ele poder falar

‘Meu amigo, tamo junto. Você escreve, eu escrevo, e a gente pode fazer com que outras pessoas escrevam, e a gente pode mudar a vida de outras pessoas, pode dar uma perspectiva de vida diferente pra outras pessoas, seja através da poesia, ou seja através da arte em geral’. Como muita gente que já foi pro sarau, foi pro slam e hoje faz dança. Ou faz música. Que pra gente é tão bom quanto, se eles estivessem recitando poesia, é ver eles dançando, que eles estão fazendo uma coisa que eles gostam de fazer e que eles se perceberam enquanto capazes, a partir, não só a partir do sarau, mas a partir dos amigos que eles viram lá no sarau” (Trecho de entrevista – 30/06/2018).

Como quando alguém, diz Sandro, ao ver uma matéria na TV local sobre um artista do bairro, reflete: “é meu vizinho, toma cerveja comigo e lançou um livro...”.

Não é um olhar de inveja, mas da possibilidade. “Você também pode, aliás, deve”.

Ainda nas palavras do slammaster, trata-se de fazer “os meninos acreditarem” (Falas registradas durante a roda de conversa na Flipelô, novembro de 2018).

Kuma fala com entusiasmo sobre suas experiências pelo Brasil em campeonatos, diz o quanto o tiraram “de sua bolha”.

“Ainda mais porque as pessoas que eu andava aqui, né, até as pessoas da minha própria família diziam que poesia era coisa de vagabundo, de marginal, de quem não tem o que fazer, que não ia dar nada, que eu tinha que procurar um trabalho de verdade. E certos trabalhos não me levam aos lugares que a poesia me leva” (Trecho de entrevista – 09/11/2018).

Explodindo bolhas, em muitos casos tensionam-se referências canônicas da literatura nacional: os poetas no slam com frequência citam autores como Luiz Gama, Conceição Evaristo e Carolina de Jesus, para ficar com alguns exemplos. Kuma expõe a importância que dá a referências locais:

“Eu, prefiro aqui dentro

Aqui tenho minha vó, minha mãe Minhas tias e prima

É massa falar sobre Ângela Davis Mas também quero ouvir sobre Conceição Evaristo

Vilma Reis, Makota Valdina (Kuma França, poema “(R)Evolução”, publicado no livro “Poéticas Periféricas...”, de Jesus, 2018, p. 89).

São processos muito típicos do discurso da literatura periférica, não apenas no slam. Miranda fala do conceito de disseminação, proposto por Homi K. Bhabba, uma

“escrita dupla, que contempla o pedagógico e o performático”.

“Ao lado dos discursos pedagógicos da nação, veiculados através de narrativas diversas, principalmente através dos veículos midiáticos, destacando-se a TV, as narrativas performáticas, funcionam como discursos contra hegemônicos, provocando o cânone, entretanto, muitas vezes também criam uma pedagogia local em suas comunidades de origem. Como ilustração, podemos citar o fato de que esse mesmo grupo de autores que interroga, denuncia o pedagógico nacional, realiza diversas ações de formação de leitores nas suas comunidades, assim como promove saraus estimulando a produção de novos autores, estimulando a visão crítica para a realidade, criando uma nova pedagogia do olhar” (2015, p 65).

Sandro certa vez mencionou a importância de instigar as pessoas que participam dos eventos a pesquisar quem foi Abdias Nascimento – que dá o nome e está estampado na parade do anfiteatro onde ocorrem os slams da Onça. Eu mesma lembro, em uma noite, de um casal que havia chegado e aguardava o sarau começar, na arquibancada, e o rapaz explicava para a moça quem ele havia sido. Assim, citar alguém em um poema, usar esta referência, provoca e, por conta da identificação, nas palavras de Sandro, há uma facilidade de absorver estas referências – pela linguagem, pelo tema familiar (fala extraída da roda de conversa no Instituto Goethe, em novembro de 2018).

O movimento extrapola a competição. Os avanços, quando os sujeitos estão engajados, são para todos, para a coletividade, e a sua poesia toma forma de inscrição de si e do lugar através de narrativas pelas quais todos podem vir a se reposicionar no espaço – uma poesia como forma de luta.

“A competição em si é bom, mas a ideia é chegar lá e falar: ‘Ó: percebam a gente. Nós também estamos aqui’. Sabe? Nós escrevemos com qualidade, seja vocês dando nota zero ou dez, não importa. A gente veio aqui passar o nosso recado, falar o que acontece. A nossa vivência é essa. Dê dez, dê zero, pra gente não importa. Importa a gente vir aqui, e dar o nosso recado, fazer com que as pessoas percebam que a gente está aqui, e está fazendo” (Sandro Sussuarana – Trecho de entrevista – 30/06/2018).

Dawsey comenta em uma de suas palestras99, sobre o “não” como “afirmação” –

“afirmação que vai contra aquelas identificações que as pessoas querem projetar sobre a gente”. A capacidade de dizer “não”, segundo ele, coloca as coisas em movimento, e, como reiterou, “performance é movimento”. Os atores nas batalhas dizem não às narrativas existentes e propõem novas, preenchem o espaço de sua negação com a positivação dos lugares de onde falam, da contestação à re-existência.

No slam há o desejo de sentir que o poema “bateu” – tocou o outro em sua subjetividade, de que essa voz, paradoxalmente, necessariamente autoral, distinga-se e se confunda com a voz que é de todos. Sobre esse aspecto, faz-se importante considerar que, acessando o universo do slam eu estava lá sendo afetada por estes mesmos poemas que, em sua maioria, falavam aparentemente pouca coisa à minha própria experiência pessoal. Mestre Aedo diz, sobre isso:

“Então, é aquela coisa de a gente escrever, às vezes muitas pessoas escrevem só pra desabafar, mesmo, mas uma outra pessoa quando lê aquela poesia ela se identifica porque as coisas que a gente vive, é, nós somos pessoas diferentes, mas que nós estamos vivendo na mesma sociedade, nós estamos enfrentando os mesmos tipos de problemas, como eu falei antes, essas desigualdades sociais, desemprego, então quando alguém vem e faz uma poesia falando sobre essas coisas, por mais que eu não viva, eu posso me identificar porque às vezes eu vejo” (Trecho de entrevista – 29/09/2018).

O público pode então recriar, “de acordo com seu próprio uso e suas próprias configurações interiores, o universo significante que lhe é transmitido” (Zumthor, 1997, p. 241-242), ou seja, segundo o repertório que cada um traz. Quando o espectador

“observa, seleciona, compara, interpreta” e liga o que vê a outras referências, ele pode compor “seu próprio poema com os elementos do poema que tem adiante” (Rancière, 2010, p. 19-20). E, ali, há um reconhecimento na fala do poeta – como já narrei aqui na reação da jurada que coça a cabeça, tensa, ao ouvir falar de um “irmão que não voltou”, em tantos momentos em que se trata de amigos perdidos, ou do público que não se contém quando Kuma fala do abandono parental.

“(...) o texto poético oral leva necessariamente o ouvinte a se identificar com o mensageiro das palavras sentidas em comum, ou até com as próprias palavras. Para além das negatividades próprias a todo uso estético da

99 Na mesa “Antropologia e performance: formação de um campo, pontos de contato e perspectivas”, ocorrida na programação do II Encontro Brasil-Colômbia e VIII Seminário da Pós-Graduação em Ciências Sociais, na UFRB, em setembro de 2018.

linguagem, para além da indiferença radical da poesia enquanto tal, a performance unifica e une. Essa é sua função permanente. Um contador maia pedia com impaciência a D. Tedlock, que lhe parecia pouco ter a ver com ele: ‘o que eu lhe conto, você vê, ou só faz escrever?’. Não poderia tê-lo dito melhor!” (Zumthor, 1997, p. 247).

Há certas vezes este eu-lírico que é de algum modo performado por todos, da identificação do poeta, como indivíduo, a um grupo que considera como seu, sua pertença. É o que reflito a partir de um trecho de poema de Ana Karina. A jovem, de 18 anos, pequena em estatura, de shorts curtos, blusinha ajustada ao corpo, e pés descalços, que trazia a força de seus versos causando forte impacto no público, e que nesta noite foi a campeã da batalha:

“Eu vejo a morte todo dia, e perdi toda a fé em Deus / porque eu me sinto menos eu cada vez que matam um dos meus / eu me sinto menos eu toda vez que matam um dos meus!” (Ana Karina – trecho de poema recitado no Slam da Onça em 28/07/2018).

Na performance, o último verso Ana repetiu, da segunda vez como que convidando, com o tom mais pausado e enfático, o público a dizer junto, enquanto nas duas vezes apontava com o dedo para o próprio peito. Ana demonstra uma profunda afiliação e identificação com os “seus”, ao apontar para si mesma quando se refere aos que são mortos, provocando nela mesma a possibilidade de perda ou enfraquecimento de sua existência. Coelho, falando da autorrepresentação nos textos e performances de poetas das periferias, afirma que o artista “que surge a partir da voz poética autentica sua fala com a presença de um corpo, que legitima sua origem, seu discurso, as vozes que se afiliam à sua própria voz” (p. 78, grifo meu). Retomo Sandro, que enfatizou a questão da identidade:

“(O poema no slam) é autoidentitário, né, as pessoas têm essa de quando os moradores, eles falam da questão da segurança, eles falam da questão da segurança do bairro que moram, eles falam da questão da saúde, que não tem na comunidade, eles falam da educação que é precária na comunidade, porque a vivência é muito parecida, porque eles são todos, maioria, moradores de lá, então eles se conhecem, então sabem, então é bem autoidentitário, mesmo”.

“O que você falou é o que eu vivo, ou eu já passei por isso, eu sei o que que você ‘tá sentindo, então tem muito isso que é a questão da identidade, que é uma coisa muito forte no sarau, no slam também” (Trechos de entrevista – 30/06/2018).

Arrisco dizer que a identidade propalada no slam é construída na relação entre o que é individual e coletivo. Embora Sandro adicione o prefixo “auto” ao termo identitário, esta identidade é percebida apenas no sentido em que se adere a questões que também afetam a outras pessoas, outros moradores, da comunidade, ou, de outros modos, a outros corpos que guardam entre si os mesmos sofreres. Por outro lado, o poeta sempre fala de si. De seus companheiros, de sua família, de sua dor, de seu corpo.

É ao próprio peito que Ana aponta o dedo. Zumthor fornece alguma base para esta reflexão, quando nos fala, na performance, do “corpo fisicamente individualizado de cada uma das pessoas engajadas (nela)”, “e aquele mais dificilmente discernível porém bem real, da coletividade que se manifesta em reações afetivas e movimentos comuns”

(1997, p. 85). Lucena reflete que a voz na performance poética “não é a voz de um ou de outro”, mas a “interlíngua que vemos e ouvimos quando estamos diante do poema”

(2017, p. 103).

Está nestas reações e movimentos comuns o contágio de quando um menino começa a escrever poesia por causa do outro, e no intuito expresso da poesia no slam que é “passar a mensagem”, “pegar a visão”. Não se trata apenas de expressar-se, dizer sobre qualquer coisa, para preencher o desejo “apenas”100 de dizer. Importa no slam o que é dito e como é dito – o poema tem que “bater”. Tem que “chegar” no outro. E tem, na prática, por condição, uma função: desde o lugar e posição destes agentes, potencializar o acionamento de novos poderes e a apropriação de poderes antes limitados para estes grupos.

Estes contágios desenham devires. Sandro, em nossa entrevista, citou em certo momento Evanilson Alves: “a poesia é o divisor, antes dela repressão, depois dela liberdade”. E disse:

“Então o slam é isso, sabe. Antes da poesia você não sabia que você podia, esses meninos não sabiam que podiam. Depois da poesia eles são livres pra eles fazerem o que eles quiserem, inclusive nada, sabe?” (Trecho da entrevista – 30/06/2018 – Ênfase minha).

Lembro-me de ter me chamado à atenção o verbo poder, assim sem objeto. A frase com o fim a completar, infinda, infinita, abre-se ao possível. É, em si, potência.

Um poder de dizer, poder de dizer de si, poder de dizer o que não se é. Mesmo que se

100 Repito aqui o caso do Movimento Poetas na Praça: “(...) naquele momento de luta contra a ditadura, o importante era dizer, extravasar a emoção’” (Cesar apud Correia, 2012, p. 196). “Tinha gente que declamava bobagem, mas valeu” (idem).

permaneça no público, no slam existe sempre a potência de fala. Certa vez o slam já estava se encaminhando para o fim quando Sandro ainda perguntava, de pé, misturado no meio do público, se mais alguém desejava declamar. Talvez não esperássemos mais nenhum participante, mas uma menina gritou: “Eu!!”, levantando-se de algum ponto da arquibancada. O público reagiu aplaudindo efusivamente. Sandro, que estava perto de onde eu estava neste momento, sorria satisfeito, balançando as mãos pedindo mais aplausos. A menina não era slammer costumeira, não era alguém que sempre declama, eu mesma nunca a havia visto ali. Assim, era alguém que parecia haver aguardado até aquele momento para poder “dizer” – e o disse com força, com esta palavra: eu! E mais do que dizer, pôs-se de pé. Naquele ponto, ela ainda não havia declamado nada! A vibração toda que nos tomou foi por seu ímpeto, a expressão de sua vontade. “Ora, a voz é querer dizer e vontade de existência”... (Zumthor, 1997, p. 11).

Cito Ranciére, que me parece dizer bem sobre esse mover-se:

“(...) a eficácia da arte não consiste em transmitir mensagens, dar modelos ou contramodelos de comportamento ou ensinar a decifrar as representações.

Ela consiste sobretudo em disposições dos corpos, em recortes de espaços e tempos singulares que definem maneiras de ser, juntos ou separados, na frente ou no meio, dentro ou fora, perto ou longe” (2014, p. 55, grifo meu).

Mais que os aconselhamentos e referências que os poemas podem trazer, como transmissão de saber, e os trazem, há ali sempre o corpo que performa. O corpo que se agita, grita na arquibancada, o corpo poético anônimo que quer descer ao palco. Nestas possibilidades, nesta potência reside parte vital do slam, nas batalhas que estes corpos travam cotidianamente para garantir seu direito de existir e de dizer.

4.4 Performance dos (des)encontros etnográficos: uma pesquisadora