• Nenhum resultado encontrado

PARTE III – ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO

5.4 Tratamento dos dados

Os dados qualitativos obtidos no estudo de caso (observação participante, análise dos documentos e entrevistas) e no grupo focal foram submetidos à análise temática (Braun & Clarke, 2006), com vista a identificar, analisar, interpretar e reportar os padrões (temas) que emergiram dos dados. Três posições teóricas foram assumidas para a análise

E le g ív e is 5 Enfermeiros P a rt ic ip a n te s Exclusão: 01 enfermeiro-chefe 02 enfermeiros da reabilitação 03 enfermeiros de férias 27 Enfermeiros C o n v id a d o s 12 Enfermeiros Recusa/Ausência:

04 recursas devidoà atividade ser fora do horário de trabalho 03 enfermeiros não compareceram

População

temática: a primeira foi a escolha do posicionamento teórico interpretativo, uma vez que se pretendeu compreender um fenómeno em situação contextual e cultural, e consequentemente interpretá-lo. A segunda posição teórica foi feita pela escolha do tipo de análise a efetuar, optando-se pela análise temática indutiva, que consiste num processo de codificação dos dados e identificação dos temas mais significativos, assegurando-se o pressuposto teórico e epistemológico definido anteriormente. E a terceira posição teórica foi relativa à escolha do nível semântico, ou seja, os temas foram identificados de acordo com os significados explícitos dos dados (Braun & Clarke, 2006).

A partir desses posicionamentos teóricos, seguiu-se a análise temática, que foi desenvolvida em seis etapas (Braun & Clarke, 2006): a) Familiarização com os próprios dados – transcrição, leitura e releitura dos dados e registo das ideias iniciais, b) Geração de códigos iniciais – codificação das caraterísticas de maior interesse de todos os dados de forma sistemática e recolha dos dados relevantes para cada código, c) Identificação dos temas – agrupamento dos códigos em temas potenciais e reunião de todos os dados relevantes para cada tema, d) Revisão dos temas – verificação dos temas de trabalho em relação aos extratos codificados na primeira etapa (a) e ao conjunto dos dados na segunda etapa (b), gerando um mapa temático de análise, e) Definição e nomeação dos temas – análise para aperfeiçoar as especificidades de cada tema e definição dos nomes de cada tema, e f) Redação do relatório – análise final com seleção das descrições-chave e dos extratos que foram utilizados como exemplos no relatório final, os quais refletiam o sentido da unidade de análise para compreensão do tema.

Para delimitação das informações obtidas no estudo de caso (observação participante, análise dos documentos e na entrevista) foram consideradas a ausência de novas informações, a repetição de dados e o alcance dos objetivos do estudo (Amado, 2014; Fusch & Ness, 2015). Aquando da análise processual dos dados constatou-se que a codificação não era mais viável. A partir da geração dos códigos iniciais foi então elaborado um mapa temático agrupado em clusters temáticos e posteriormente realizada a análise de ligação entre eles, conforme a Figura 17. A possibilidade de interrupção do processo de recolha de dados foi corroborada pelos valores do Coeficiente de Pearson, que variaram de .89 a .76.

O mesmo processo de análise temática foi utilizado para o grupo focal, sendo realizado um único grupo focal, tendo em vista a dificuldade de operacionalizar a disponibilidade dos enfermeiros para um segundo grupo. Quando feita a análise processual

dos dados, verificou-se que os objetivos haviam sido alcançados e que o Coeficiente de Pearson, gerado a partir do programa NVivo Pro, versão 11, era de .75, indicando consistência dos dados para seguir com a análise temática.

Figura 17. Representação esquemática da correlação entre os eixos temáticos das categorias utilizando o

gráfico de círculo, segundo as dimensões representacionais obtidas no estudo de caso. Fonte: Dados obtidos após tratamento dos dados no programa NVivo Pro, versão 11.

Os dados quantitativos obtidos nos estudos de coorte e estudo-piloto de coorte foram analisados por meio de estatística descritiva, frequência simples e relativa, medidas de tendência central e dispersão (média, mediana, moda, valores interquartil, valores mínimo e máximo e desvio-padrão). Tendo em vista a ausência de distribuição normal na maioria das variáveis, foi incluída a mediana com o percentil 25% e 75% (Q1 - Q3). Para a análise da influência de cada variável independente com a variável de resultado (dependente), recorreu-se ao X2 test (teste do Qui-quadrado) para as variáveis categóricas, e o t test (teste t de Student), para as variáveis contínuas. Quando os pressupostos não foram atendidos, utilizou-se o F test (teste Exacto de Fisher) e o teste não paramétrico U test (Teste de Mann-Whitney). Considerou-se um nível de significância de 5%.

Foi modelada uma regressão logística para identificar as variáveis independentes com maior probabilidade de estarem associadas com a variável de resultado: flebite, infiltração, obstrução e remoção acidental. Para realizar esta análise, inicialmente, as variáveis independentes foram organizadas em cinco grupos: sociodemográficas, relativas ao internamento, clínicas, relativas aos medicamentos, e cateter venoso periférico.

Nós em cluster por similaridade de palavras

Legenda:

1. Práticas de enfermagem e segurança 2. Influências nas práticas de enfermagem

3. Sobrecarga de trabalho e tempo para prestação dos cuidados 4. Educação em serviço

Algumas delas foram transformadas em dummy (0 e 1) para o tratamento estatístico e estão descritas no Apêndice M (Tabela 1). A seguir, a regressão logística foi realizada da seguinte forma:

Na 1ª etapa, realizou-se uma análise da influência de cada variável independente com a variável de resultado para testar uma eventual associação, sendo incluído na próxima etapa as variáveis que apresentaram valor p ≤ .20 (dentro de cada grupo). A escolha do valor p ≤ .20 para inclusão das variáveis nesta etapa foi devido à possibilidade de uma variável sem significância estatística vir a ser importante quando incluída no modelo com múltiplas variáveis (Hosmer & Lemeshow, 2000).

Na 2ª etapa, modelou-se uma regressão logística ajustada por grupos e de forma hierárquica, com inclusão das variáveis com valor p ≤ .20 obtidas na 1ª etapa.

Na 3ª etapa, selecionou-se para o modelo multivariado as variáveis que na 2ª etapa apresentaram valor p ≤ .20 dentro de cada grupo.

Na 4ª etapa, realizou-se nova análise com todas as variáveis candidatas ao modelo conjuntamente (variáveis selecionadas na 3ª etapa) e passo-a-passo foram retiradas as variáveis com valor p ≥ .20, até permanecerem no modelo final somente as variáveis com significância estatística (p  .05).

O modelo final foi considerado adequado quando, no teste de Hosmer & Lemeshow, se obteve um p > .05.

Para avaliar a qualidade do modelo recorreu-se à análise da curva da Receiver Operating Characteristic Curve (ROC). Quando a área da curva estava entre 0.8 e 0.9, considerou-se uma discriminação boa do modelo (Marôco, 2014).

Cabe mencionar que a regressão logística foi realizada com os dados do estudo de coorte da Fase 1. Tal análise não foi possível no estudo-piloto de coorte da Fase 2, por ser este com amostra pequena. Por isso, realizou-se apenas a estatística descritiva e análise da taxa de incidência das complicações.

Para as complicações evidenciadas nos estudos de coorte: dor no local da inserção do cateter, flebite, infiltração, obstrução, remoção acidental e saída de fluido pelo local de inserção do cateter, foram utilizadas as seguintes taxas:

Incidência cumulativa: quociente entre o número de doentes que apresentaram a complicação durante o período do estudo e o número total de doentes expostos ao fator de risco, multiplicando por 100.

Taxa de incidência: quociente entre número de cateteres que apresentaram a complicação no período do estudo e o número total de dias de utilização do cateter venoso no período (soma dos dias de utilização de cateter), multiplicando por 100 ou por 1000 (Vandenbroucke et al., 2014).

Para a análise das variáveis do estudo transversal construiu-se um score compósito que avaliou o nível de conhecimento dos enfermeiros acerca da prestação de cuidados de enfermagem aos doentes na inserção, manutenção e vigilância do PICC. Este foi constituído pelo número total de itens, sendo atribuídos os valores de zero para respostas erradas e um para as corretas. O resultado final do score variou, assim, entre zero e trinta.

Os dados quantitativos obtidos nos estudos de coorte e estudo transversal foram alimentados e analisados no software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 20 (IBM SPSS, Chicago, IL).