1. Organização do Espaço físico e Funcional do Laboratório
5.3 Bioquímica/Imunologia
5.3.6 UniCAP 100E (Phadia)
Os testes laboratoriais de imunodiagnóstico de alergias/asma e de condições autoimunes são realizados através do sistema ImmunoCAP e EliA, respetivamente, no equipamento UniCAP®100E -
Phadia (Fig. 63)
O desenvolvimento de alergia relacionado com a idade pode ser descrito como “marcha alérgica”. Muitos doentes asmáticos têm uma história de
dermatite atópica, queixas gastrointestinais e episódios de pieira durante o primeiro ano de vida. A presença de anticorpos IgE para alergénios alimentares nos primeiros anos de vida está frequentemente associada ao posterior aparecimento de sensibilização a alergénios inalantes. Assim, o estudo alergológico constitui um pré-requisito muito importante para a identificação precoce de lactentes de alto risco para ulterior desenvolvimento de doença alérgica e para o tratamento específico de alergias através de medidas específicas de evicção, terapêutica farmacológica relevante e imunoterapia específica.
A Phadia disponibiliza mais de 650 alergénios diferentes e 70 componentes de alergénios para deteção quantitativa sensível e específica dos anticorpos IgE específicos dos alergénios. As substâncias a que um doente é exposto ditam geralmente os alergénios a procurar. No entanto, alguns alergénios são mais comuns que outros enquanto causas de alergia. Devem ainda considerar-se os seguintes parâmetros: idade do doente; sintomas; ambiente doméstico (animais de estimação, passatempos, etc.) e residência do doente em termos geográficos.
O algoritmo do estudo alergológico divide-se, resumidamente, em duas fases:
Testes de rastreio “in vitro” que diferenciam entre atópicos e não atópicos, de forma semi-quantitativa (Phadia Arbitrary Units/l - PAU/l) e quantitativa (positivo ou negativo). O despiste constitui o primeiro passo quando se suspeita de uma etiologia alérgica, perante alguns sintomas típicos como problemas gastrointestinais, eczema, rinite ou asma.
- Phadiatop® (mistura de alergénios inalantes) - Phadiatop® Infant (mistura de alergénios inalantes)
No caso de um resultado positivo para Phadiatop®/Phadiatop®Infant, confirma-se a
presença de alergia e o estudo deve prosseguir com a identificação e quantificação Fig. 63 - UniCAP®100E, Phadia
IgE específica do alergénio responsável pela sintomatologia alérgica. Com um teste quantitativo e específico, a presença de anticorpos IgE pode ser detetada precocemente, permitindo conhecer a fonte alérgica e definir a melhor estratégia de abordagem do doente alérgico.
De seguida, encontra-se uma seleção de alergénios relevantes que ajuda a identificar os doentes cujos sintomas comuns e quotidianos podem ser provocados pela alergia.
Tabela 31 – Alergénios com maior relevância associados a sintomas comuns Sintomas
Gastrointestinais Eczema Rinite Sibilância/Asma
Leite Leite Ácaros Ácaros
Ovo Ovo Cão Cão
Peixe Peixe Gato Gato
Trigo Trigo Pólenes de gramíneas Fungos
Amendoins Amendoins Pólenes de árvores Baratas
Soja Soja Pólenes de ervas daninhas Pólenesgramíneas de
Frutos secos Frutos secos Fungos Pólenes de árvores
Frutos frescos Ácaros Baratas Pólenes de ervas
Vegetais Cão Leite Leite
Gato Ovo Ovo
Amendoins Peixe, Marisco Frutos secos
O ensaio ImmunoCAP Specific IgE deteta anticorpos IgE no intervalo de 0 a 100 kUA /l, onde A representa allergen-specific antibodies. Na prática clínica,
0.35 kUA /l tem sido definido como o valor cut-off.
Notar que, as amostras para o doseamento de venenos ou fármacos devem ser colhidas num intervalo de tempo próximo do evento, preferencialmente, não superior a 6 meses após a exposição à picada do inseto ou à administração do fármaco. Mas, se o resultado for negativo e a suspeita de uma reação mediada por IgE ainda se mantiver, é recomendável a realização de uma nova colheita e a repetição do teste no prazo de 5 a 6 semanas.
O princípio do método subjacente à dosagem de IgE específica (para cada alérgeno) ou IgE múltiplo é o fluorescence enzyme immunoassay (FEIA). Neste teste, um anticorpo anti- IgE ou alérgeno de interesse encontra-se ligado, covalentemente, a uma fase sólida, ao
Fig. 64 – “Canetas” ImunoCAP
ImunoCAP (Fig. 64). Após a sua incubação, juntamente com o soro do paciente, a reação resultante produz fluorescência diretamente proporcional à quantidade de IgE total ou específica existente na amostra (Fig. 65).
Para além do vasto número de testes para alergias que constam da tabela X, o portefólio do ImmunoCAP cobre ainda marcadores celulares para a asma e a inflamação, tais como:
Proteína Catiónica do Eosinófilo (ECP) – doentes asmáticos com inflamação eosinófila têm níveis aumentados de ECP, no soro e outros líquidos biológicos, antecipando-se à sintomatologia. O valor aumentado de ECP no soro é, então, uma medida objetiva do estado de inflamação na asma.
Triptase – reflete a ativação dos mastócitos e constitui um marcador de risco de reação anafilática, com níveis basais de triptase elevados (>10 µ/l) a indicar um risco aumentado de reação severa em: alergia a venenos de insetos e fármacos e a) O antigénio de interesse, a revestir a fase
sólida, liga-se a anticorpos específicos presentes na amostra do paciente.
b) Após a lavagem dos anticorpos não- específicos que não se ligaram, adicionam- se anticorpos anti-anticorpo alvo, marcados com enzimas.
c) Após incubação, segue-se uma fase de lavagem para remover os anticropos marcados com enzima. Os complexos resultantes são, então, incubados com um reagente de desenvolvimento.
d) Após a paragem da reacção, mede-se a fluorescência do eluído. Quanto maior a fluorescência, maior será a quantidade de anticorpos específicos presentes na amostra. a) O antigénio de interesse, a revestir a fase
sólida, liga-se a anticorpos específicos presentes na amostra do paciente.
persistentemente elevados de triptase podem, ainda, indicar distúrbios neoplásicos hematológicos (>>200 µ/L) e Mastocitose (>20 µ/L), sendo úteis no diagnóstico, prognóstico e na monitorização da eficácia terapêutica.
Este equipamento permite também, através do sistema EliA, a determinação de autoanticorpos dos isotipos IgG, IgA e IgM de associados a mais de 20 doenças autoimunes, tais como: Doenças do tecido conectivo (CTD); Artrite Reumatoide (RA); Síndrome Antifosfolipídico; Vasculite e Doença Celíaca.
Tabela 32 – Doenças autoimunes e exemplos de autoanticorpos associados Doenças Autoimunes Autoanticorpos
Doenças do Tecido Conectivo dsDNA, RNP, Sm, SS-B/La, Scl-70, Jo-1
Artrite Reumatoide CCP, RF
Síndrome Antifosfolipídico Cardiolipina, β2 -Glicoproteína
Vasculite PR3, MPO
Doença Celíaca tTg, Gliadina
Por fim, deve realçar-se o elevado rendimento associado a este sistema automatizado de imunodiagnóstico que em cerca de 2,5 horas fornece mais de 48 resultados, com o mínimo de manipulação manual (Fig. 66). Num único ensaio permite efetuar testes ImmunoCAP e testes EliaA.