RESULTADOS E DISCUSSÃO
4. Resultados e Discussão
4.11. Vírus do sarampo
Coordenação: Paula Palminha
Colaboradores: Elsa Vinagre, Laura Almeida e Sofia Moura Introdução
O sarampo é uma doença grave, altamente contagiosa, causada por um vírus da família Paramyxoviridae.1 É um
vírus antigenicamente estável com um único serotipo mas com variabilidade genética, sendo esta mais acentua- da na estirpe selvagem. Atualmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece 23 genótipos de vírus
do sarampo.2
O vírus do sarampo transmite-se por via aérea, através de gotículas de aerossóis ou por contacto direto com as secreções respiratórias de indivíduos infetados. A infeção é adquirida ao nível do trato respiratório ou da
conjuntiva.1
Após um período de incubação de 10-11 dias, o paciente desenvolve sintomas prodrómicos de febre, mal-es- tar, coriza, conjuntivite e tosse. As manchas de Koplik, patognomónicas para o sarampo, ocorrem na mucosa
bucal e a erupção maculopapular generalizada surge cerca de 4 dias após o contágio.1 As complicações mais
frequentes incluem infeções bacterianas secundárias, pneumonia, encefalite, panencefalite esclerosante su- baguda e púrpura trombocitopénica. Na gravidez, a infeção pelo vírus do sarampo pode dar origem a aborto
espontâneo ou parto prematuro.1
O sarampo é uma doença conhecida desde a antiguidade e considerada tão temível como a varíola, devido à
sua elevada taxa de mortalidade infantil.3 O conhecimento sobre a epidemiologia desta doença teve início em
1846 por Peter Panum que confirmou que o sarampo era uma doença contagiosa, com um intervalo de 14 dias entre a exposição e o aparecimento de exantema, que a mortalidade era mais elevada nos grupos etários mais
jovens e de mais idade e que a infeção proporcionava imunidade duradoura.3
Em 1954 o vírus foi isolado em cultura de tecidos e em 1963 foi licenciada a primeira vacina viva atenuada
contra o sarampo (Edmonston strain).4 Desde então, desenvolveram-se variadas vacinas, administradas em
todo o mundo, sendo na sua maioria derivadas da estirpe Edmonston.3
A vacinação em massa de crianças, em diversos países, resultou na diminuição da incidência do sarampo e
das suas complicações3 e a redução da morbidade e mortalidade associadas a esta doença foi tão elevadas
que em 1989, a Assembleia Mundial da Saúde definiu como meta, controlar o sarampo a nível global, tendo
sido mesmo equacionada a sua eliminação.5,6
Contudo, apesar dos enormes progressos conseguidos no controlo do sarampo, a nível mundial, esta doença continua a ser uma das principais causas de morte entre as crianças com menos de 5 anos e este vírus conti- nua a ser o agente etiológico responsável por grande parte das diarreias, doenças respiratórias e cegueira que
ocorrem nos países em desenvolvimento.3
Em 2005, a OMS estabeleceu o objetivo de, até 2010, conseguir eliminar o sarampo e a rubéola e prevenir o
síndrome de rubéola congénita.7 No entanto, em 2010, devido às baixas taxas de cobertura vacinal de alguns
países europeus, o sarampo reemergiu com mais de 30000 casos notificados, o que impediu a concretização
da meta programada em 2005.8 Apesar da progressiva redução do número de casos notificados de sarampo
nos últimos seis anos, ainda foram comunicados 1818 casos na região europeia da OMS, entre julho de 2015
e junho de 2016.9
Em Portugal, a prevenção do sarampo iniciou-se em 1973 com uma campanha de vacinação que abrangeu todas as crianças entre os 12 meses e os 4 anos de idade. Em 1974 a vacina entra no Programa Nacional de
Vacinação (PNV), administrada sob a forma de dose única a crianças entre os 12 e os 24 meses.10 Em 1987 a
vacina contra o sarampo (Moraten strain) é integrada numa vacina tríplice, conjuntamente com a vacina contra
a rubéola e a parotidite (VASPR) e administrada numa única dose aos 15 meses de vida.10 Seguindo-se, em
1990, a administração de duas doses de VASPR nas crianças com 15 meses e 11-13 anos respetivamente.11
Em 2000 a segunda dose da vacina foi antecipada para os 5-6 anos12 e em 2012, a idade de administração
da primeira dose foi antecipada para os 12 meses.13
À semelhança do descrito para outros países, a introdução da vacina contra o sarampo no PNV refletiu-se na di- minuição expressiva dos casos notificados. Contudo, as baixas coberturas vacinais das décadas de 80 e 90 le- varam à ocorrência de duas epidemias de sarampo, em 1989 e em 1994, com 11791 e 3230 casos notificados,
respetivamente.14
A vacina contra o sarampo (Moraten strain) induz, numa única dose, uma resposta imunitária em cerca de 98% dos indivíduos vacinados3, promovendo imunidade semelhante à infeção natural, apesar da concentra-
ção de anticorpos produzida pós-vacinação ser menor do que a que ocorre após a infeção natural.3,15 Estu-
dos realizados em diversos países demonstram que a administração universal de uma única dose de vacina contra o sarampo reduz a transmissão do vírus sendo, no entanto, necessário a administração de 2 doses
quando se pretende eliminar a circulação endógena do vírus.3 É importante referir que em populações urba-
nas a imunidade de grupo só se atinge com taxas de cobertura vacinal superiores a 95%.16
No ISN 2001-2002 verificou-se que a seroprevalência para o vírus do sarampo foi de 95,2%.10 Em 2016 a
OMS, com base nas altas taxas de cobertura vacinal e no baixo ou nulo número de casos de sarampo con-
firmados considerou o sarampo eliminado em Portugal.17 No entanto, não se exclui a possibilidade de ocor-
rência de surtos, como o que aconteceu recentemente na região de Lisboa e Algarve, quer pela introdução
de casos importados, quer pela acumulação de indivíduos suscetíveis em alguns grupos etários.18 Por este
motivo, justifica-se a avaliação periódica do nível de anticorpos, a título individual, de forma a confirmar se
o número de indivíduos suscetíveis se mantém abaixo das proporções necessárias para impedir a transmis-
são do vírus do sarampo.3
Metodologia laboratorial
A determinação da concentração de imunoglobulinas G (IgG) anti-vírus do sarampo foi efetuada pela técnica
imunoenzimática Enzyme Linked Immunosorbent Assay (ELISA), utilizando reagentes comerciais (Enzygnost®
Anti-Measles/IgG) de acordo com as instruções do fabricante.
A determinação quantitativa da concentração de anticorpos foi obtida por aplicação da fórmula:
log10 concentração de anticorpos =
α
x (absorvância)βsendo
α
eβ
parâmetros definidos para cada conjunto de reagentes, permitindo a conversão dos valores deabsorvâncias de cada soro em mUI/mL.
O limite de positividade, definido pelo fabricante, para este método é de 325 mUI/mL, devendo ser interpreta- dos como inconclusivos os resultados que apresentem concentrações entre 150 e 324 UI/mL e como negati- vos os que tenham valores abaixo de 150 mUI/mL.
Os soros com concentrações entre 150 e 324 mUI/mL foram novamente testados e avaliados de acordo com o critério definido pela OMS que considera como positivos, correspondendo à presença de imunidade, os soros com valores iguais ou superiores a 200 mUI/mL e como negativos, correspondendo à ausência de imunidade,
os que possuem concentrações inferiores a 200 mUI/ml.19
Amostragem
A amostra planeada para a determinação da concentração de imunoglobulinas G (IgG) para o vírus do saram- po foi de 2709 indivíduos, de ambos os sexos e de diferentes grupos etários residentes nas sete unidades territoriais (NUTS II) em que Portugal se encontra dividido. Contudo após a primeira análise dos resultados obtidos verificou-se que seria necessário aumentá-la nalguns grupos etários de forma a aumentar a precisão das estimativas. A amostra foi então definida para um total de 3080 indivíduos distribuídos por sexo, grupo etário e NUTS II de residência segundo critérios pré-definidos (Tabela 4.11.1, 4.11.2 e 4.11.3). O parâmetro (E-P) representa a diferença entre a amostra estudada e a planeada.
4.11. Vírus do sarampo
Coordenação: Paula Palminha
Colaboradores: Elsa Vinagre, Laura Almeida e Sofia Moura Introdução
O sarampo é uma doença grave, altamente contagiosa, causada por um vírus da família Paramyxoviridae.1 É um
vírus antigenicamente estável com um único serotipo mas com variabilidade genética, sendo esta mais acentua- da na estirpe selvagem. Atualmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece 23 genótipos de vírus
do sarampo.2
O vírus do sarampo transmite-se por via aérea, através de gotículas de aerossóis ou por contacto direto com as secreções respiratórias de indivíduos infetados. A infeção é adquirida ao nível do trato respiratório ou da
conjuntiva.1
Após um período de incubação de 10-11 dias, o paciente desenvolve sintomas prodrómicos de febre, mal-es- tar, coriza, conjuntivite e tosse. As manchas de Koplik, patognomónicas para o sarampo, ocorrem na mucosa
bucal e a erupção maculopapular generalizada surge cerca de 4 dias após o contágio.1 As complicações mais
frequentes incluem infeções bacterianas secundárias, pneumonia, encefalite, panencefalite esclerosante su- baguda e púrpura trombocitopénica. Na gravidez, a infeção pelo vírus do sarampo pode dar origem a aborto
espontâneo ou parto prematuro.1
O sarampo é uma doença conhecida desde a antiguidade e considerada tão temível como a varíola, devido à
sua elevada taxa de mortalidade infantil.3 O conhecimento sobre a epidemiologia desta doença teve início em
1846 por Peter Panum que confirmou que o sarampo era uma doença contagiosa, com um intervalo de 14 dias entre a exposição e o aparecimento de exantema, que a mortalidade era mais elevada nos grupos etários mais
jovens e de mais idade e que a infeção proporcionava imunidade duradoura.3
Em 1954 o vírus foi isolado em cultura de tecidos e em 1963 foi licenciada a primeira vacina viva atenuada
contra o sarampo (Edmonston strain).4 Desde então, desenvolveram-se variadas vacinas, administradas em
todo o mundo, sendo na sua maioria derivadas da estirpe Edmonston.3
A vacinação em massa de crianças, em diversos países, resultou na diminuição da incidência do sarampo e
das suas complicações3 e a redução da morbidade e mortalidade associadas a esta doença foi tão elevadas
que em 1989, a Assembleia Mundial da Saúde definiu como meta, controlar o sarampo a nível global, tendo
sido mesmo equacionada a sua eliminação.5,6
Contudo, apesar dos enormes progressos conseguidos no controlo do sarampo, a nível mundial, esta doença continua a ser uma das principais causas de morte entre as crianças com menos de 5 anos e este vírus conti- nua a ser o agente etiológico responsável por grande parte das diarreias, doenças respiratórias e cegueira que
ocorrem nos países em desenvolvimento.3
Em 2005, a OMS estabeleceu o objetivo de, até 2010, conseguir eliminar o sarampo e a rubéola e prevenir o
síndrome de rubéola congénita.7 No entanto, em 2010, devido às baixas taxas de cobertura vacinal de alguns
países europeus, o sarampo reemergiu com mais de 30000 casos notificados, o que impediu a concretização
da meta programada em 2005.8 Apesar da progressiva redução do número de casos notificados de sarampo
nos últimos seis anos, ainda foram comunicados 1818 casos na região europeia da OMS, entre julho de 2015
e junho de 2016.9
Em Portugal, a prevenção do sarampo iniciou-se em 1973 com uma campanha de vacinação que abrangeu todas as crianças entre os 12 meses e os 4 anos de idade. Em 1974 a vacina entra no Programa Nacional de
Vacinação (PNV), administrada sob a forma de dose única a crianças entre os 12 e os 24 meses.10 Em 1987 a
vacina contra o sarampo (Moraten strain) é integrada numa vacina tríplice, conjuntamente com a vacina contra
a rubéola e a parotidite (VASPR) e administrada numa única dose aos 15 meses de vida.10 Seguindo-se, em
1990, a administração de duas doses de VASPR nas crianças com 15 meses e 11-13 anos respetivamente.11
Em 2000 a segunda dose da vacina foi antecipada para os 5-6 anos12 e em 2012, a idade de administração
da primeira dose foi antecipada para os 12 meses.13
À semelhança do descrito para outros países, a introdução da vacina contra o sarampo no PNV refletiu-se na di- minuição expressiva dos casos notificados. Contudo, as baixas coberturas vacinais das décadas de 80 e 90 le- varam à ocorrência de duas epidemias de sarampo, em 1989 e em 1994, com 11791 e 3230 casos notificados,
respetivamente.14
A vacina contra o sarampo (Moraten strain) induz, numa única dose, uma resposta imunitária em cerca de 98% dos indivíduos vacinados3, promovendo imunidade semelhante à infeção natural, apesar da concentra-
ção de anticorpos produzida pós-vacinação ser menor do que a que ocorre após a infeção natural.3,15 Estu-
dos realizados em diversos países demonstram que a administração universal de uma única dose de vacina contra o sarampo reduz a transmissão do vírus sendo, no entanto, necessário a administração de 2 doses
quando se pretende eliminar a circulação endógena do vírus.3 É importante referir que em populações urba-
nas a imunidade de grupo só se atinge com taxas de cobertura vacinal superiores a 95%.16
No ISN 2001-2002 verificou-se que a seroprevalência para o vírus do sarampo foi de 95,2%.10 Em 2016 a
OMS, com base nas altas taxas de cobertura vacinal e no baixo ou nulo número de casos de sarampo con-
firmados considerou o sarampo eliminado em Portugal.17 No entanto, não se exclui a possibilidade de ocor-
rência de surtos, como o que aconteceu recentemente na região de Lisboa e Algarve, quer pela introdução
de casos importados, quer pela acumulação de indivíduos suscetíveis em alguns grupos etários.18 Por este
motivo, justifica-se a avaliação periódica do nível de anticorpos, a título individual, de forma a confirmar se
o número de indivíduos suscetíveis se mantém abaixo das proporções necessárias para impedir a transmis-
são do vírus do sarampo.3
Metodologia laboratorial
A determinação da concentração de imunoglobulinas G (IgG) anti-vírus do sarampo foi efetuada pela técnica
imunoenzimática Enzyme Linked Immunosorbent Assay (ELISA), utilizando reagentes comerciais (Enzygnost®
Anti-Measles/IgG) de acordo com as instruções do fabricante.
A determinação quantitativa da concentração de anticorpos foi obtida por aplicação da fórmula:
log10 concentração de anticorpos =
α
x (absorvância)βsendo
α
eβ
parâmetros definidos para cada conjunto de reagentes, permitindo a conversão dos valores deabsorvâncias de cada soro em mUI/mL.
O limite de positividade, definido pelo fabricante, para este método é de 325 mUI/mL, devendo ser interpreta- dos como inconclusivos os resultados que apresentem concentrações entre 150 e 324 UI/mL e como negati- vos os que tenham valores abaixo de 150 mUI/mL.
Os soros com concentrações entre 150 e 324 mUI/mL foram novamente testados e avaliados de acordo com o critério definido pela OMS que considera como positivos, correspondendo à presença de imunidade, os soros com valores iguais ou superiores a 200 mUI/mL e como negativos, correspondendo à ausência de imunidade,
os que possuem concentrações inferiores a 200 mUI/ml.19
Amostragem
A amostra planeada para a determinação da concentração de imunoglobulinas G (IgG) para o vírus do saram- po foi de 2709 indivíduos, de ambos os sexos e de diferentes grupos etários residentes nas sete unidades territoriais (NUTS II) em que Portugal se encontra dividido. Contudo após a primeira análise dos resultados obtidos verificou-se que seria necessário aumentá-la nalguns grupos etários de forma a aumentar a precisão das estimativas. A amostra foi então definida para um total de 3080 indivíduos distribuídos por sexo, grupo etário e NUTS II de residência segundo critérios pré-definidos (Tabela 4.11.1, 4.11.2 e 4.11.3). O parâmetro (E-P) representa a diferença entre a amostra estudada e a planeada.
4.11. Vírus do sarampo
Coordenação: Paula Palminha
Colaboradores: Elsa Vinagre, Laura Almeida e Sofia Moura Introdução
O sarampo é uma doença grave, altamente contagiosa, causada por um vírus da família Paramyxoviridae.1 É um
vírus antigenicamente estável com um único serotipo mas com variabilidade genética, sendo esta mais acentua- da na estirpe selvagem. Atualmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece 23 genótipos de vírus
do sarampo.2
O vírus do sarampo transmite-se por via aérea, através de gotículas de aerossóis ou por contacto direto com as secreções respiratórias de indivíduos infetados. A infeção é adquirida ao nível do trato respiratório ou da
conjuntiva.1
Após um período de incubação de 10-11 dias, o paciente desenvolve sintomas prodrómicos de febre, mal-es- tar, coriza, conjuntivite e tosse. As manchas de Koplik, patognomónicas para o sarampo, ocorrem na mucosa
bucal e a erupção maculopapular generalizada surge cerca de 4 dias após o contágio.1 As complicações mais
frequentes incluem infeções bacterianas secundárias, pneumonia, encefalite, panencefalite esclerosante su- baguda e púrpura trombocitopénica. Na gravidez, a infeção pelo vírus do sarampo pode dar origem a aborto
espontâneo ou parto prematuro.1
O sarampo é uma doença conhecida desde a antiguidade e considerada tão temível como a varíola, devido à
sua elevada taxa de mortalidade infantil.3 O conhecimento sobre a epidemiologia desta doença teve início em
1846 por Peter Panum que confirmou que o sarampo era uma doença contagiosa, com um intervalo de 14 dias entre a exposição e o aparecimento de exantema, que a mortalidade era mais elevada nos grupos etários mais
jovens e de mais idade e que a infeção proporcionava imunidade duradoura.3
Em 1954 o vírus foi isolado em cultura de tecidos e em 1963 foi licenciada a primeira vacina viva atenuada
contra o sarampo (Edmonston strain).4 Desde então, desenvolveram-se variadas vacinas, administradas em
todo o mundo, sendo na sua maioria derivadas da estirpe Edmonston.3
A vacinação em massa de crianças, em diversos países, resultou na diminuição da incidência do sarampo e
das suas complicações3 e a redução da morbidade e mortalidade associadas a esta doença foi tão elevadas
que em 1989, a Assembleia Mundial da Saúde definiu como meta, controlar o sarampo a nível global, tendo
sido mesmo equacionada a sua eliminação.5,6
Contudo, apesar dos enormes progressos conseguidos no controlo do sarampo, a nível mundial, esta doença continua a ser uma das principais causas de morte entre as crianças com menos de 5 anos e este vírus conti- nua a ser o agente etiológico responsável por grande parte das diarreias, doenças respiratórias e cegueira que
ocorrem nos países em desenvolvimento.3
Em 2005, a OMS estabeleceu o objetivo de, até 2010, conseguir eliminar o sarampo e a rubéola e prevenir o
síndrome de rubéola congénita.7 No entanto, em 2010, devido às baixas taxas de cobertura vacinal de alguns
países europeus, o sarampo reemergiu com mais de 30000 casos notificados, o que impediu a concretização
da meta programada em 2005.8 Apesar da progressiva redução do número de casos notificados de sarampo
nos últimos seis anos, ainda foram comunicados 1818 casos na região europeia da OMS, entre julho de 2015
e junho de 2016.9
Em Portugal, a prevenção do sarampo iniciou-se em 1973 com uma campanha de vacinação que abrangeu todas as crianças entre os 12 meses e os 4 anos de idade. Em 1974 a vacina entra no Programa Nacional de
Vacinação (PNV), administrada sob a forma de dose única a crianças entre os 12 e os 24 meses.10 Em 1987 a
vacina contra o sarampo (Moraten strain) é integrada numa vacina tríplice, conjuntamente com a vacina contra
a rubéola e a parotidite (VASPR) e administrada numa única dose aos 15 meses de vida.10 Seguindo-se, em
1990, a administração de duas doses de VASPR nas crianças com 15 meses e 11-13 anos respetivamente.11
Em 2000 a segunda dose da vacina foi antecipada para os 5-6 anos12 e em 2012, a idade de administração
da primeira dose foi antecipada para os 12 meses.13
À semelhança do descrito para outros países, a introdução da vacina contra o sarampo no PNV refletiu-se na di- minuição expressiva dos casos notificados. Contudo, as baixas coberturas vacinais das décadas de 80 e 90 le- varam à ocorrência de duas epidemias de sarampo, em 1989 e em 1994, com 11791 e 3230 casos notificados,
respetivamente.14
A vacina contra o sarampo (Moraten strain) induz, numa única dose, uma resposta imunitária em cerca de 98% dos indivíduos vacinados3, promovendo imunidade semelhante à infeção natural, apesar da concentra-
ção de anticorpos produzida pós-vacinação ser menor do que a que ocorre após a infeção natural.3,15 Estu-
dos realizados em diversos países demonstram que a administração universal de uma única dose de vacina contra o sarampo reduz a transmissão do vírus sendo, no entanto, necessário a administração de 2 doses
quando se pretende eliminar a circulação endógena do vírus.3 É importante referir que em populações urba-
nas a imunidade de grupo só se atinge com taxas de cobertura vacinal superiores a 95%.16
No ISN 2001-2002 verificou-se que a seroprevalência para o vírus do sarampo foi de 95,2%.10 Em 2016 a
OMS, com base nas altas taxas de cobertura vacinal e no baixo ou nulo número de casos de sarampo con-
firmados considerou o sarampo eliminado em Portugal.17 No entanto, não se exclui a possibilidade de ocor-
rência de surtos, como o que aconteceu recentemente na região de Lisboa e Algarve, quer pela introdução
de casos importados, quer pela acumulação de indivíduos suscetíveis em alguns grupos etários.18 Por este
motivo, justifica-se a avaliação periódica do nível de anticorpos, a título individual, de forma a confirmar se
o número de indivíduos suscetíveis se mantém abaixo das proporções necessárias para impedir a transmis-
são do vírus do sarampo.3
Metodologia laboratorial
A determinação da concentração de imunoglobulinas G (IgG) anti-vírus do sarampo foi efetuada pela técnica
imunoenzimática Enzyme Linked Immunosorbent Assay (ELISA), utilizando reagentes comerciais (Enzygnost®
Anti-Measles/IgG) de acordo com as instruções do fabricante.