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Variáveis do modelo de regressão truncada 97 

CAPÍTULO 1 – CUSTO REGULATÓRIO NAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO

2.3. METODOLOGIA 80 

2.3.2. Determinantes do desempenho das cooperativas de crédito 94 

2.3.2.1 Variáveis do modelo de regressão truncada 97 

Valor do custo regulatório calculado no capítulo 1.

Taxa de Capital = reservas/ativo total

O Cosif prevê diversas contas de reservas em seu item 6. Aquelas que poderiam se aplicar as instituições cooperativas e compor o numerador desta variável seriam: reserva de capital, reservas de reavaliação, reservas de lucros, que no caso cooperativo é denominada Reserva Legal ou Fundo de Reserva, e reserva para contingências. A legislação cooperativa prevê a obrigatoriedade de constituição de pelo menos duas destas reservas, o Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates60) e o Fundo de Reserva (FR), com destinação de no mínimo, 5% e 10% das sobras, respectivamente.

Como no banco de dados utilizado na pesquisa não foi possível obter estas reservas separadamente, calculou-se o valor da reserva pelo processo inverso, tendo em vista que o Patrimônio Líquido (PL) da cooperativa é composto pelo capital social, que é a soma das quotas-partes integralizadas pelos associados, as reservas já citadas acima e as sobras ou perdas acumuladas, isto é, o resultado apurado dos atos cooperativos, então, as reservas são dadas pelo PL diminuído do capital social e das sobras ou perdas acumuladas. Ressalta-se que se acrescentou o valor da conta Fates, que está elencada no item 4.9 do Cosif, que abriga as contas que representam obrigações da IFs, incluindo as sociais e estatutárias, da qual faz parte o Fates.

58 Ver Greene (2003). 59 Ver Wooldridge (2002). 60

O ativo total (AT) é formado pelas contas referentes ao ativo circulante e realizável a longo prazo (ACRLP) e o Permanente. Na conta ACRLP, encontram-se as aplicações de liquidez imediata, mantidas em caixa ou depósitos bancários de livre movimentação, e investimentos em produtos ofertados pelas demais instituições, que têm liquidez imediata. Também inclui as aplicações de recursos em títulos de renda fixa ou variável e valores de cotas em fundos de investimentos, recursos mantidos em contas de centralização e operações relativas a relações de interdependências. Da mesma forma, estão inclusas aqui as operações de crédito da cooperativa: empréstimos e títulos descontados, financiamentos e financiamentos agroindustriais, que podem ser financiamentos ofertados com recursos da própria cooperativa ou repasse de outras instituições financeiras. Outras contas que compõem o AT são a provisão para perdas com os investimentos classificada em função das categorias de risco definidas pelo Banco Central, os avais e fianças honrados pelos devedores solidários, as receitas advindas da prestação de serviços a terceiros, outros créditos, como adiantamento de salários e adiantamento de despesas da cooperativa, bem como outros valores e bens, a exemplo de antecipação de pagamento de despesas de exercícios posteriores.

Ainda compondo a conta do AT, tem-se o permanente, representando as aplicações de bens e valores de caráter fixo. Este é composto pelos investimentos, com a participação em coligadas e controladas no país, representada no caso da cooperativa pelas cotas na central e outras participações societárias, o imobilizado em uso, ou seja, os imóveis, instalações, móveis, equipamentos, bens da cooperativa e sua depreciação acumulada, por fim, o diferido, que representa os gastos que trarão benefícios futuros e só serão tratados como despesas quando gerarem receitas.

Ressalta-se que o ativo total será ainda utilizado para compor diversas variáveis deste modelo de regressão truncada.

Taxa de Liquidez = ativo líquido/ativo total

Taxa de liquidez é a proporção de recursos que a cooperativa tem disponível, dada pela relação entre o que se denominou ativo líquido e o ativo total.

Tabela 12 – Descrição das contas do COSIF que compõe as variáveis operacionais usadas no modelo Tobit

Variável: TAXA DE CAPITAL Contas para compor: reservas

6.0.0.00.00.000 Patrimônio líquido

6.1.1.00.00.000 (-) Capital social

6.1.7.00.00.000 (-) Sobras ou perdas acumuladas

4.9.3.20.00.000 (+) RATES

Contas para compor: Ativo Total (AT)

(+) 1.0.0.00.00-7 Circulante e Realizável a Longo Prazo (+) 2.0.0.00.00-4 Permanente

Variável: TAXA DE LIQUIDEZ Contas para compor: ativo líquido

(+) 1.1.0.00.00.000 Disponibilidades

(+) 1.2.0.00.00.000 Aplicações interfinanceiras de liquidez (+) 1.4.5.00.00.000 Centralização financeira – cooperativas

Contas para compor: Ativo Total (AT)

(+) 1.0.0.00.00-7 Circulante e Realizável a Longo Prazo (+) 2.0.0.00.00-4 Permanente

Variável: RECURSO MOVIMENTADO Contas para compor: operações de crédito

1.6.0.0.00.00.000 Operações de crédito

Contas para compor: Ativo Total (AT)

(+) 1.0.0.00.00-7 Circulante e Realizável a Longo Prazo (+) 2.0.0.00.00-4 Permanente

Variável: TAXA DE DIVIDENDOS Contas para compor: capital social

6.1.1.00.00.000 Capital social

Contas para compor: dividendos (sobras ou perdas acumuladas)

6.1.7.00.00.000 Sobras ou perdas acumuladas

Variável: CRESCIMENTO NOS ATIVOS Contas para compor: Ativo Total (AT)

(+) 1.0.0.00.00-7 Circulante e Realizável a Longo Prazo (+) 2.0.0.00.00-4 Permanente

Variável: TAXA DE INADIMPLÊNCIA Contas para compor: Inadimplência

1.6.9.00.00.000 Provisões para operações de crédito

7.1.9.20.00.000 (-) Recuperação de créditos baixados como prejuízo

Contas para compor: operações de crédito

1.6.1.00.00-4 Empréstimos e títulos descontados 1.6.2.00.00-7 Financiamentos

1.6.3.00.00-0 Financiamentos rurais e agroindustriais Fonte: elaborado pela autora

Ativo líquido refere-se ao montante de recursos disponíveis ou que poderão ser transformados em disponibilidade com certa facilidade. Para compô-lo, foram agregadas as contas disponibilidades e aplicações interfinanceiras de liquidez que são as aplicações em recursos de liquidez imediata, representando os valores em caixa e em depósitos bancários de livre movimentação e o montante à disposição da cooperativa, o valor da centralização financeira representado pelos depósitos em conta que a entidade possui na Central.

Empréstimo sobre total de ativos = operações de crédito/ ativo total

Representa a proporção do ativo da cooperativa que está sendo movimentado por ela.

Congrega os empréstimos e títulos descontados – adiantamento a depositantes, empréstimos diversos e títulos descontados - os financiamentos - em geral empréstimos de longo prazo para atividades não agrícolas com necessidade de elaboração de projetos - e os financiamentos rurais e agroindustriais, que, como o nome sugere, estão voltado para a área agrícola, podendo ter origem em recursos próprios ou repasses de outros programas, como o Pronaf.

Taxa de Dividendos = dividendos/ capital social (quotas partes)

Taxa de dividendos é a proporção do retorno tido pelos cooperados em relação ao capital investido por eles na cooperativa.

De acordo com a lei nº 6.404 /76 das S.A.s, dividendo é a parcela do lucro apurado pela empresa, distribuído aos acionistas por ocasião do encerramento do exercício social; no caso da cooperativa, é o valor das sobras que serão repartidas entre os associados. Utilizou-se o saldo da conta sobras ou perdas acumuladas como

proxy para dividendos. Ressalta-se que seria mais adequada a utilização do valor

presente na conta sobras ou perdas a distribuir conforme AGO, visto que nem sempre o valor da sobra ou perda acumulada será revertido aos cooperados, podendo ser destinado a outros fins, como composição de alguma reserva ou outra forma de reinvestimento na cooperativa. Contudo, a não disponibilidade desta conta nos balanços ou a forma de calculá-la impossibilitou sua utilização.

Como informado acima, o capital social refere-se ao somatório das quotas- partes integralizadas pelos associados.

Crescimento nos ativos = (AT do mês corrente/ AT do mês anterior) – 1

O crescimento do ativo total de uma cooperativa indica como têm se comportado os investimentos da IF no último período. A taxa de crescimento é dada pela relação entre o ativo do mês corrente em relação ao do mês anterior.

Índice de Inadimplência = Inadimplência / operações de crédito

Índice de Inadimplência (maus empréstimos) indica a relação entre a provisão para crédito em liquidação e o valor total de crédito realizado pela instituição. Medido em percentual, expressa os empréstimos mal deferidos pelas instituições, ou seja, de difícil recebimento. Quanto menor, melhor são os critérios de concessão de crédito pelos bancos.

O valor da provisão de crédito é o valor da inadimplência já calculado no item anterior, no qual a provisão é reduzida dos créditos baixados como prejuízo e que foram recuperados.

Empréstimo bruto determina o valor total de recursos repassados aos cooperados sob a forma de empréstimos e financiamentos.

Outras variáveis:

Também compõem o modelo variáveis dummies para captar se tamanho, idade, filiação e tipo influenciam na eficiência da cooperativa. As variáveis estão descritas na Tabela 13. Destaca-se que para a variável número de associados só estava disponível o total de cooperados para o ano de 2008, sendo utilizado este valor para todos os anos em análise.

Tabela 13 – Descrição das variáveis sobre perfil e forma organizacional da cooperativa utilizadas no modelo Tobit

Número de associados – nº de associados em cada cooperativa

Idade – nº de anos da cooperativa da data de constituição até o ano em análise Central– variável dummy que assume os seguintes valores:

Central 1001 assume valor 1 se a cooperativa for filiada a esta central e 0 caso contrário;

Central 1002 assume valor 1 se a cooperativa for filiada a esta central e 0 caso contrário;

Central 1003 assume valor 1 se a cooperativa for filiada a esta central e 0 caso contrário;

Central 1005 assume valor 1 se a cooperativa for filiada a esta central e 0 caso contrário;

Central 1006 assume valor 1 se a cooperativa for filiada a esta central e 0 caso contrário;

Central 1007 assume valor 1 se a cooperativa for filiada a esta central e 0 caso contrário;

Central 2003 assume valor 1 se a cooperativa for filiada a esta central e 0 caso contrário;

Central 2004 assume valor 1 se a cooperativa for filiada a esta central e 0 caso contrário;

Central 2007 assume valor 1 se a cooperativa for filiada a esta central e 0 caso contrário;

Central 2008 assume valor 1 se a cooperativa for filiada a esta central e 0 caso contrário;

Central 2009 assume valor 1 se a cooperativa for filiada a esta central e 0 caso contrário;

Tipo de cooperativa– variável dummy que assume os seguintes valores:

Rural assume valor 1 se a cooperativa for do tipo rural e 0 caso contrário Livre

admissão

assume valor 1 se a cooperativa for do tipo de livre admissão e 0 caso contrário

Empregados públicos

assume valor 1 se a cooperativa for do tipo empregados públicos e 0 caso contrário

Empregados privados

assume valor 1 se a cooperativa for do tipo empregados privados e 0 caso contrário

Profissionais assume valor 1 se a cooperativa for do tipo profissionais e 0 caso contrário

Empresários assume valor 1 se a cooperativa for do tipo empresários e 0 caso contrário