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Vias de acesso aos programas em alternância3.3.

Na maioria dos países europeus, antes de entrarem no EFP, os estudantes frequentam o ensino geral até aos 15-16 anos61. Normalmente, a formação profissional inicial insere-

se no ensino secundário (nível 3 da CITE), o que faz com que a maioria dos estudantes do EFP se situe na faixa etária dos 15-18 anos.

Vias de acesso ao EFP e aos programas em alternância 3.3.1.

Identificação precoce das aptidões

Em certos países, como a Áustria, a Alemanha ou os Países Baixos, os alunos são direcionados para vias educativas específicas numa fase bastante precoce dos percursos de aprendizagem.

É cada vez mais abundante a literatura que denuncia o impacto e os efeitos negativos da identificação precoce das aptidões sobre o nível e a repartição do desempenho dos alunos no ensino obrigatório.62 Nos países que praticam a identificação precoce das

aptidões, o terceiro ciclo do ensino básico diferencia-se em várias vias. Normalmente, os estudantes de vias menos orientadas para os estudos superiores entram no EFP do ensino secundário após a conclusão do terceiro ciclo do ensino básico. No entanto, situações há em que os alunos e os seus pais são obrigados a escolher prematuramente uma de diferentes vias educativas numa idade precoce, o que torna os sistemas de ensino altamente seletivos e pode levar à desmotivação dos estudantes que sejam incorretamente orientados. Não obstante, a identificação precoce das aptidões é prática corrente em sistemas de ensino (por exemplo, AT, DE e NL) onde o EFP e a aprendizagem em particular são bastante procurados e atraem alunos com alto desempenho63, e que registam taxas de desempregos juvenil relativamente reduzidas.

É de salientar que, uma vez mais, não se observa uma relação clara entre a prática da identificação de aptidões64 no terceiro ciclo do ensino básico e a participação no EFP ou

em aprendizagens.65 Por exemplo:

 Enquanto a Áustria e a Alemanha têm identificação precoce de aptidões e sistemas de aprendizagem sólidos, a Dinamarca, que apresenta também uma elevada participação nos programas de aprendizagem, tem um sistema de ensino geral abrangente sem identificação precoce.

61 OCDE (2010a).

62 Ver, por exemplo, Hanushek E.A. e Wößmann L. (2005), Does Educational Tracking Affect Performance

and Inequality? Differences-in-Differences Evidence across Countries.

63 Na Alemanha, 23,1 % dos novos estudantes do EFP em 2012 detinham uma qualificação permitindo o acesso à universidade. Fonte: Bundesministerium fuer Bildung und Forschung (2013), Berufsbildungsbericht 2013.

64 Ver Eurydice (2013), The structure of the European education systems 2013/14: schematic diagrams. 65 Relatórios por país da ReferNet (2012).

 A Lituânia pratica também a identificação precoce de aptidões no terceiro ciclo do ensino básico, mas regista uma baixa participação no EFP geral e uma proporção muito pequena de estudantes na aprendizagem.

Requisitos de acesso

Os requisitos de acesso a um programa em alternância afetam diretamente o perfil dos alunos admitidos e, com isso, dos diplomados. Nos países da UE, o requisito mais comum para aceder à via do EFP é a conclusão do terceiro ciclo do ensino básico. Alguns programas de EFP admitem pessoas que tenham concluído apenas o ensino primário (por exemplo, BG). Contudo, a admissão num programa de aprendizagem nem sempre exige um nível de ensino mínimo. Por exemplo, na Alemanha, em vez da conclusão prévia de um nível de ensino específico, os estudantes têm de garantir um lugar de formação numa empresa para iniciar a sua aprendizagem, se bem que, na prática, a maioria dos estudantes conclua anteriormente o terceiro ciclo do ensino básico.

Os prestadores de EFP ou as empresas formadoras têm igualmente um papel importante na seleção dos estudantes. Normalmente, são livres de selecionar os estudantes com base nas suas capacidades e potencial. Porém, podem realizar testes ou entrevistas de admissão ou aptidão, bem como ter o desempenho escolar e a experiência profissional anteriores em consideração. Em certos países (por exemplo, EL e FI), os prestadores de EFP têm em conta determinados critérios sociais, dando assim prioridade aos estudantes provenientes de contextos sociais mais desfavorecidos.

O acesso a um programa de aprendizagem/em alternância pode também depender do perfil específico do candidato quanto aos conhecimentos adquiridos e à experiência profissional anterior. Quanto a este aspeto, há países (por exemplo, EL66 e FI) em que o

reconhecimento do ensino não formal e informal é parte integrante do processo de seleção dos aprendizes/estudantes. O quadro A3.6 do anexo 3 resume os requisitos de acesso e o processo de seleção dos programas em alternância dos 10 países selecionados. Os dados do quadro sublinham o importante papel dos prestadores de EFP/empregadores na seleção dos estudantes, o que pode resultar na marginalização dos estudantes mais carenciados, nomeadamente na aprendizagem, situação analisada abaixo.

Uma característica que explica também o papel das vias de aprendizagem num país é o tipo de população que estas atraem. Nesta vertente, existem grandes diferenças. Enquanto na Alemanha ou na Áustria a aprendizagem é, não raro, a primeira escolha dos estudantes e uma escolha positiva, noutros países (Itália, Bélgica francófona e neerlandófona, Países Baixos ou França), os programas de aprendizagem também atraem muitos jovens que abandonaram outros programas. Este dado significativo ilustra que, nestes países, a aprendizagem é socialmente encarada como uma segunda via. Assim, o desenvolvimento da aprendizagem nos países em causa precisa de superar estes estereótipos e promover uma imagem mais positiva da aprendizagem.

66 Na Grécia, a reforma de 2013 estabeleceu uma aprendizagem ou estágio de caráter obrigatório para as Instituições do Ensino Profissional (IEK) e um período de aprendizagem de um ano para as Escolas de Formação Profissional (SEK). Os estudantes com experiência profissional mínima comprovada podem ser dispensados da formação obrigatória em contexto empresarial.

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Encontrar um local de formação para admissão numa aprendizagem e 3.3.2.

noutros programas em alternância

Um dos desafios que se colocam a um candidato a aprendiz passa por assegurar um estágio junto de um empregador. Nem todos os jovens têm atributos (pontualidade, relações com os colegas, respeito pelas regras do local de trabalho, etc.) que lhes permitam assegurar um estágio. Para apoiá-los, em muitos países, a escola ou a principal organização nacional ligada aos empregadores assume a responsabilidade de encaminhar os futuros aprendizes para as empresas.

Quadro 8: Encontrar um estágio de aprendizagem: Quem é o principal

interveniente?

Fonte: Investigação da ICF International nos países selecionados Quando são os estudantes a terem de encontrar um estágio de aprendizagem, existe o risco de, pelo facto de esse estágio ser uma condição prévia para iniciar a aprendizagem, um estudante que não consiga encontrar uma empresa disposta a acolhê-lo ficar impedido de dar início à sua aprendizagem. Este obstáculo pode levá-lo a abandonar a aprendizagem (por exemplo, este é um dos desafios que se deparam ao sistema de EFP norueguês67) ou o EFP em geral (por exemplo, na DK, onde a falta de um estágio foi

assinalada como um dos fatores indutores do abandono escolar precoce)68, ou votar o

estudante ao desemprego (IT), com efeitos severamente adversos. Na Alemanha, os estudantes que não consigam encontrar uma aprendizagem são inscritos num programa preparatório de transição69, denominado «sistema de transição».70

Estágios de aprendizagem: tendências da oferta e da procura

Em certos países, observa-se um desfasamento entre a oferta de oportunidades de aprendizagem e a procura de estágios de aprendizagem, que a crise económica veio acentuar ainda mais.71 Por exemplo, na Irlanda e na Grécia, a contração do setor da

construção, que tradicionalmente acolhia um grande número de aprendizes, levou a uma diminuição do número de estágios de aprendizagem. O equilíbrio entre a oferta e a procura de estágios de aprendizagem é ainda negativamente afetado pelo fato de as aprendizagens que permitem obter qualificações específicas poderem ser mais procuradas pelos estudantes do que as outras. Esta situação leva a um excesso de procura de certos programas de aprendizagem e a um acréscimo de custos dos programas com baixos números de aprendizes.

67 Bäckman O. et al. (2011), Dropping out in Scandinavia- Social Exclusion and Labour Market Attachment

among Upper Secondary School Dropouts in Denmark, Finland, Norway and Sweden.

68 Koudahl P. (2005), Drop-out of VET – causes and explanations.

69 Ver, por exemplo, Dietrich H. (2012), Integrating young people into the labour market: apprenticeship

training and pre-training courses.

70 Para consultar informações sobre o «sistema de transição» da Alemanha, ver o anexo 3.

71 Brunello G. (2009), The effect of economic downturns on apprenticeships and initial workplace training: A

review of the evidence.

Indivíduo Prestador de EFP Organização intermediária

Alemanha, Itália, Polónia,

Na Alemanha72, o desfasamento entre a oferta de estágios de aprendizagem e os

futuros aprendizes é um problema tido como prioritário, suscitando debates sobre o modelo do processo de seleção, a necessidade de um maior envolvimento dos empregadores e a importância da melhoria da orientação profissional em todos os programas de aprendizagem.

No Reino Unido (Inglaterra), a procura de programas de aprendizagem pelos jovens excede em muito a oferta. De acordo com o Serviço Nacional de Aprendizagem, em 2012, houve mais de 1,4 milhões de candidatos às 129 000 vagas publicadas em linha (mais 32 % do que no ano anterior), o que equivale a uma média de 11 candidatos por aprendizagem. Em certas áreas profissionais, cada jovem candidato competia com mais de 30 candidatos por lugar. Um jovem que pretenda entrar num dos melhores programas de aprendizagem a nível nacional tem pela frente um processo muito mais competitivo do que

o processo de candidatura às melhores universidades britânicas. O documento Husbands Review of Vocational Education and Training (2013) constata que, em 2012, cada jovem candidato à entrada na Universidade de Oxford tinha de competir com uma média de 5 candidatos, sendo que, no mesmo ano, a Rolls Royce atraiu 4 000 candidatos para apenas 200 vagas, ou seja, 20 candidatos por lugar.73

Igualdade de oportunidades

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