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3 O SABERFAZER METODOLÓGICO A PARTIR DA EXPERIÊNCIA DO/COM O

3.2 A escolha da metodologia

3.2.5 Virtualizando as Rodas de Saberes e Formação

No modelo acima, consideramos no ambiente presencial as atividades que são características das Rodas de Saberes e Formação, aquelas que promovem o diálogo circular com bases teóricas, mas com vivências culturais que emergem das histórias de vida. Porém, forjamos as condições para que fosse possível o seu reflexo no AVA, utilizando mídias digitais e valorizando a utilização dos dispositivos móveis, como celulares, tablets e notebooks. Esta apropriação torna-se necessária para que a pesquisa tenha em seu campo os etnométodos que serão estudados,

porém buscando evidenciar, mais do que uma comparação das informações encontradas, os contrastes que emergem da complexidade dos fenômenos oportunizados.

Percebemos, portanto, que a pesquisa-ação aproxima o pesquisador dos sujeitos intervindo, quando possível, no ambiente, de modo a favorecer o êxito da ação. A mudança da estratégia de ensino é necessária para lidar com as experiências dos/as estudantes, a fim de descobrir a natureza das coisas e corrigir erros de planos baseados em hipóteses do professor (TRIPP, 2005). A centralização do ensino no/a professor/a ou a repetição de uma didática que desfavorece a participação de estudantes na construção do conhecimento, além de ser uma

metodologia amplamente questionada pela educação contemporânea,

impossibilitam o uso do AVA, bem como o sucesso das modalidades não presenciais.

Assim, na modalidade presencial, as atividades baseadas na metodologia das narrativas (auto)biográficas utilizando as RSF precisariam ocorrer através de instrumentos didáticos, como a leitura de textos, mostra de vídeos, registros das aulas, além das avaliações, diálogos circulares e explicações docentes sobre as teorias e textos trabalhados. Adicionamos ao modelo as entrevistas gravadas com os estudantes acerca da pesquisa, recurso utilizado na abordagem de documentação biográfica.

Na modalidade EAD, para refletir as atividades, usamos os recursos do Moodle, como tarefas, fóruns, chats, webconferência e questionário, podendo realizar todas as ações independente do local e do horário em que os estudantes estivessem acessando a turma virtual. A maioria das atividades poderia ser realizada em qualquer momento, por serem assíncronas, como o download e leitura dos textos, o acompanhamento dos vídeos, a participação nos fóruns, os registros de aulas e as respostas aos questionários. Apenas os diálogos através de chats e as videoaulas com os docentes seriam síncronas ou online, necessitando do agendamento de horários.

Todavia, este modelo não versa sobre a separação das modalidades e repetição das atividades, mas sim a sua interseção com a possibilidade de complementar no AVA as reflexões ainda em sala ou iniciar na turma virtual a discussão de um novo assunto, que será debatido presencialmente. O ambiente virtual não dá significado aos momentos extra-sala, mas em se estar conectado

independentemente do espaço-tempo educativo. Por isso, na seção de Apresentação das turmas virtuais, coloquei o seguinte convite:

ILUSTRAÇÃO 3: APRESENTAÇÃO DA TURMA VIRTUAL NO MOODLE

FONTE: O PRÓPRIO AUTOR

Esta experiência com a aprendizagem híbrida propicia a comparação das

práticas pedagógicas colaborativas, como o Construtivismo20 e o

Sociointeracionismo21, com o Conectivismo (MORAN, 2015). De acordo com esta

teoria a aprendizagem ocorre em rede, tecnologicamente potencializada, conectando nós especializados ou fontes de informação, e o/a professor/a atua como um mediador que incentiva a manutenção das conexões entre diversas áreas e conceitos e valoriza a criatividade e a curiosidade pela atualização do conhecimento.

Desse modo, o processo educativo que tem se baseado na interação, ou produção de sentido entre interlocutores, e na interatividade, quando o hipertexto que está entre o emissor e o receptor pode ser alterado/recriado (POSSARI, 2009) para a produção de saberes, encontra nas TICs os recursos que mantêm

interligados os atores, tanto síncrona, quanto assincronamente – em tempos

diferentes de comunicação. No contexto desta pesquisa, a relação entre professores/as e estudantes, mediada pela tecnologia, promove uma comunicação

20 Construtivismo ou Desenvolvimento Cognitivo (Jean Piaget) é a teoria que caracteriza a aquisição do

conhecimento a partir de estágios de estruturação sensório-motor. Baseada no desenvolvimento infantil, considera 4 fatores: biológico, de experiências e exercícios, de interações sociais e de equilibração das ações.

21Sociointeracionismo (Lev Vygostsky) é uma teoria da aprendizagem baseada na interação do indivíduo com o

meio, por isso é um ser histórico-cultural, impulsionada pela linguagem e pelo pensamento indissociáveis. Baseada na mediação de instrumentos e signos, a relação do aprendiz com um mediador conduz-lhe da Zona de Desenvolvimento Real, ou etapa em que aprende de forma independente, para a Zona de Desenvolvimento Potencial, a fim de alcançar saberes mais complexos, caracterizando a ZDP ou Zona de Desenvolvimento Proximal.

constante a fim de interagir com as histórias de vida em tempo real, produzindo conhecimento colaborativamente.

Com isso, desejamos trabalhar com a permanência dos/as estudantes no ambiente virtual, interagindo com os instrumentos metodológicos e com os recursos disponíveis, com o intuito de compartilhar o conhecimento através do vivido em tempo real e o contato com os saberes registrados na memória ou na zona de transição entre o pensamento e a linguagem características desta cibercultura (LÉVY, 1999). Tal compreensão levou-nos a trabalhar com as ferramentas de comunicação do AVA, como mensagens e fóruns, e-mails e a criação de grupos no aplicativo Whatsapp, que favoreceram uma comunicação mais eficaz.

Concluímos este percurso metodológico optando pela abordagem da Etnopesquisa-formação (MACEDO, 2000), sendo uma pesquisa qualitativa, baseada na multirreferencialidade (ARDOINO apud MARTINS, 2004), e na pesquisa-ação (TRIPP, 2005), aproveitando os resultados das narrativas de histórias de vida e formação (JOSSO, 2002) no ambiente presencial, e tendo como instrumentos as Rodas de Saberes e Formação (NASCIMENTO e JESUS, 2010), a observação

participante em ambientes semipresenciais (ABIB, 2013), a entrevista

semiestruturada (ORNELLAS, 2011), as metodologias ativas (MORAN, 2015), como sala de aula invertida e aprendizagem baseada em projetos, e os recursos do Moodle e o aplicativo Whatsapp.