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Visitando o paradigma da complexidade para iluminar o caminhar da pesquisa

transdisciplinar a fim de poder abarcá-la coerentemente. Como a nossa preocupação é a formação de leitores na educação básica, certamente a pesquisa, na perspectiva da complexidade, nos auxiliará a compreender a problemática. Acreditamos que formar leitores não é tarefa simples e fácil, bem como não é papel exclusivo da escola, mas também é da família, das bibliotecas e da sociedade. Por isso, é preciso analisar e verificar várias facetas dessa realidade em que nos socorremos na complexidade.

Num primeiro momento trataremos da dimensão ontológica, epistemológica e metodológica a fim de discorrer sobre a complexidade da realidade e da pesquisa. Completaremos a visão de que há necessidade de transdisciplinaridade na pesquisa em todas as áreas, como na educação e no conhecimento. Ainda trataremos sobre a cabeça benfeita e não a cabeça-cheia, repensando, desta forma, a reforma, e reformando o pensamento, considerando a complexidade e a importância da cultura, das artes, da Literatura e da leitura no desvelamento do mundo, da realidade e do homem (MORIN, 2003).

Para o pensamento complexo a realidade é dinâmica, mutável e multidimensional, contínua e descontínua ao mesmo tempo, e concomitantemente estável e instável. É uma realidade incerta e de natureza complexa. Assim, há a multidimensionalidade da realidade, dos processos, dos sujeitos; a causalidade é circular de natureza recursiva ou retroativa; a

ordem e a desordem coexistem; há o indeterminismo, a incerteza, o acaso; e existem as emergências. Movemo-nos, portanto, numa realidade de processos globais, integradores, não lineares e autoeco-organizadores.

Reconhece-se a existência de uma causalidade circular de natureza retroativa ou recursiva. Percebe-se o indeterminismo inscrito na natureza da matéria e vê-se a existência de uma realidade constituída de objetos interconectados por fluxos de energia, matéria e informação, por processos autoeco-organizadores, mutantes, emergentes, convergentes ou divergentes. Uma realidade complexa, interativa, fluente, recursiva e dinâmica em que as modificações que acontecem em um dos elementos afetam e têm consequências nos demais elos da rede.

Em sua dimensão ontológica, o ser e sua realidade funcionam a partir de uma engenharia complexa, numa dinâmica de natureza recursiva ou retroativa, indeterminada, em rede. Compreender e pesquisar exige entender a realidade como dinâmica, relacional, indeterminada, difusa, imprevisível, multidimensional, constituída de diversos níveis: o macrofísico, o microfísico, o virtual e o complexo. Assim, a vida é formada de processos relacionais, interdependentes e auto-organizadores. Nesse sentido, na dimensão epistemológica da complexidade, a razão e a emoção constituem uma única trama tecida por relações subjetivo-intersubjetivas. Dentro dessa trama está também a cultura em sua dimensão histórica, a arte, a Literatura e os clássicos.

A partir da complexidade, segundo Moraes e Valente (2008) resgata-se o caráter ativo, construtivo, afetivo e histórico do sujeito aprendente e a dinâmica relacional entre ele e o meio. Desta forma, valorizam-se os processos de auto-organização, nutridores dos processos codeterminados, enativos e emergentes, assim como as histórias de vida e suas influências na pesquisa. A história de vida do pesquisador influencia e interfere na escolha do objeto de pesquisa, na sua motivação e na maneira de observar e ver a realidade circundante. Isso também precisa ser valorizado no processo da investigação. Por isso, nesta Dissertação, fizemos o registro de nossa história de vida, relatando como nos constituímos em leitor, escritor e pesquisador.

Em relação ao processo de construção do conhecimento, a realidade manifesta-se a partir do que o sujeito é capaz de ver, perceber, interpretar, construir, reconstruir conhecimento e realidade. Assim, a realidade será uma de suas possíveis interpretações a partir de processos codeterminados ocorrentes nas relações sujeito/objeto. Será uma realidade

revelada pela pesquisa e dependente do sujeito observador que está pesquisando. O observador está sempre enredado em suas próprias metanarrativas, pois objetividade e subjetividade se complementam. O princípio da intersubjetividade revela que construímos a realidade e, ao mesmo tempo, dela participamos. Da mesma forma, o pesquisador participa da realidade que busca conhecer. Todo conhecimento, portanto, é sempre uma construção individual e social que acontece em espaços consensuais representados por uma comunidade científica.

Na dimensão metodológica da complexidade, todo processo de pesquisa pode ser formalizado por meio de um método que funciona iluminando o caminho para o pesquisador. Por isso, ele precisa de estratégias de ação, de procedimentos adaptáveis à realidade e que ajudem a organizar o pensamento e as atividades para alcançar os objetivos propostos. Com o método, o pesquisador planeja suas estratégias para melhor dialogar com as circunstâncias e compreender as variáveis envolvidas nos momentos determinados.

A complexidade exige métodos de pesquisa coerentes e abertos ao inesperado, ao acaso, às emergências, à intuição, à imaginação e à criatividade. Ela é dinâmica e imprevista como é a própria vida. Será uma referência que se transforma na prática, no exercício da própria pesquisa, percebendo que a realidade não é tão previsível ou controlada como os pesquisadores muitas vezes apregoam.

O método deve ser compreendido como caminho que se descobre ao caminhar, podendo, a qualquer momento, em função das emergências, decidir por uma nova rota ou bifurcação a ser percorrida. O mesmo dá-se em relação ao foco de uma pesquisa. Desta forma, na nossa caminhada inicial estava previsto aplicar questionários em seis escolas estaduais da periferia de Santo Ângelo a fim de mostrar se os professores das Séries Iniciais do Ensino Fundamental e das Séries Finais estavam conseguindo motivar na mesma intensidade os alunos no mundo da leitura. No percurso, percebemos que seria mais produtivo “botar o pé” em três práticas consideradas exitosas de leitura em três localidades diferentes na Região das Missões e do Noroeste. Isso não é improvisação, é produto de uma atividade pensante do sujeito pesquisador, capaz de aprender, inventar, refletir e criar durante a sua caminhada. O método, portanto, nasce com a pesquisa, com o problema, e se consolida no caminho para, ao final, poder ser formulado. O método, portanto, não precede a experiência, mas nasce com ela e se apresenta ao final para uma nova viagem ou a um novo recomeço.

É uma trajetória espiralada em que pesquisador e objeto pesquisado estão sempre dialogando em constante interação. O conceito de espiral traz a ideia de processo inacabado, itinerante, ou algo em constante vir a ser impulsionado pela recursividade ou retroatividade. Por outro lado, a espiral representa também um efeito gerador, propulsor do conhecimento e da aprendizagem, avançando e progredindo continuamente e também expressa um processo interativo contínuo entre sujeito e objeto. Sempre que necessário há possibilidades de retificações. O método é apenas uma referência, uma orientação de base para garantir consistência e validade para a pesquisa, mas nunca é uma camisa de força que leve cegamente ao itinerário a priori planejado.

Não sendo separável do objeto, o método deve evoluir junto com ele. Sujeito e objeto constituem um sistema observante com influências recíprocas. Em se tratando de arte ou de cultura, o artista encontra-se fundido em sua própria obra, o escritor em seu escrito, bem como o leitor, ou o intérprete, se encontra na obra. Da mesma forma, são inseparáveis escola e livro, professor e leitura. O observador não vê a natureza ou a realidade como separada, mas como parte de si mesmo, como somente um aspecto daquilo que observa, cria e transforma. Não existe um método fora das condições do sujeito pesquisador nem das circunstâncias geradas pela própria pesquisa.

Segundo Moraes e Valente (2008, p. 56), cada grupo ou cada pesquisador fará sua trajetória na pesquisa:

Isso explica o fato de que determinada dinâmica operacional, ou uma estratégia qualquer, funcione com um grupo de alunos e não com outro. O pesquisador pode ser o mesmo, mas as circunstâncias vibracionais e contextuais geradas pela pesquisa dependem também da dinâmica operacional gerada pelas relações com o grupo em questão. Isso, por sua vez, ratifica a impossibilidade de se ter um conhecimento objetivo da realidade pesquisada, sendo esta mutante sujeita às incertezas, ao imprevisto e ao inesperado.

Ao acreditarmos que a realidade é indeterminada, mutante, complexa, incerta, difusa, caótica, inter-relacional, precisamos usar métodos coerentes com essas características ontológicas. Do mesmo modo, se a realidade é imprevisível e incerta, precisamos de um observador pensante, reflexivo e criativo, um sujeito capaz de criar procedimentos adaptáveis e ajustados a essa realidade, com estratégias criativas para enfrentar o novo e o imprevisto que acontece durante a pesquisa.

Isso requer abertura e flexibilidade estrutural por parte do sujeito pesquisador e dos métodos utilizados, para que possa compreender as circunstâncias geradas pela pesquisa e responder às eventuais incertezas ou emergências, frutos de uma realidade complexa e

mutante. Por isso, Morin (2003) defende um método constituído de estratégias de ação, algo que se constrói durante o caminhar, mas que continuamente é revisado e readequado. Existe, por conseguinte, relação entre teoria e método e entre método e estratégia, na qual o método é gerado pela teoria que, ao mesmo tempo, regenera a própria teoria, bem como as estratégias metodológicas que regeneram o próprio método que lhes deu origem. A partir do método de pesquisa, portanto, é que se planejam as estratégias de ações capazes de responder às incertezas cognitivo-emocionais e históricas que se apresentam.

É possível, também, combinar métodos ou estratégias para a investigação de determinado problema, ou seja, a utilização de multimétodos em pesquisa, mas evitando justaposições inadequadas ou incoerências, prezando sempre pela prudência metodológica. Distintas perspectivas metodológicas podem ser complementares no estudo de certo problema, compensando possíveis debilidades de um ou de outro método. Um não é mais importante do que o outro, pois seus olhares são complementares. Na combinação de resultados de entrevistas e questionários ou de resultados qualitativos e quantitativos, buscaremos um conhecimento mais amplo e complexo sobre determinado problema, com maiores possibilidades de ver diversas facetas na investigação empreendida. Privilegiaremos na nossa viagem os resultados quantitativos.

No que se refere ao que caracteriza uma pesquisa de natureza transdisciplinar, é importante destacar que existem as pesquisas na área da educação e do conhecimento que são de natureza interdisciplinar. É possível, no entanto, haver uma pesquisa de caráter transdisciplinar?

Para Basabarab Nicolescu (apud MORAES; VALENTE, 2008, p. 59), a pesquisa transdisciplinar envolve o terceiro incluído, os níveis de realidade e a complexidade. A lógica do terceiro incluído assume que, além da representação A e não A, existe uma terceira possibilidade integrada pelo A e não A, na qual ambos interagem, sendo esta terceira representação diferente das anteriores. Assim, o que era contraditório passa a ser complementar. A pesquisa transdisciplinar trafega pela lógica do terceiro incluído, ou seja, pela compreensão do que acontece nos níveis de realidade, tendo a complexidade, com seus operadores cognitivos, como base fundacional de toda essa dinâmica. Esses níveis de realidade, segundo Nicolescu (apud MORAES; VALENTE, 2008, p. 59-60), existem ao mesmo tempo e a estrutura que os constitui é de natureza complexa, e cada nível é o que é porque todos os níveis existem simultaneamente, como é o caso do nível de realidade macrofísico, microfísico e virtual.

Para que uma estrutura organizacional complexa se mantenha firme e se transforme, acontecem processos autoeco-organizadores que requerem fluxos de energia, matéria ou informação, a partir dos quais os sistemas tratam suas informações, regenerando-as ou modificando-as, gerando, desta forma, novos padrões de organização. Para que assim seja, entram ainda em cena os princípios sistêmico-organizacionais, hologramáticos, retroativos, recursivos, dialógicos, da reintrodução do sujeito cognoscente ecológico de ação, da enação e do ético.

Em um pensar complexo ocorre também a causalidade circular de natureza retroativa ou recursiva, que ajuda a compreender o que acontece em determinado nível de realidade; da mesma forma há a necessidade de superação em direção a outro nível de realidade, mediante processos dialógicos e recursivos. Para isso, temos de usar uma lógica ternária que permitirá construir, reconhecer e dialogar com uma terceira possibilidade até então não prevista.

A totalidade ou a natureza do que é transdisciplinar, na pesquisa ou investigação, pressupõe o desvelamento do que está subjacente ou do que está presente num outro nível de realidade, às vezes racionalmente não percebido, o que está escondido no implicado, no dobrado. Nesse nível, sabemos que não se pode penetrar sempre com a racionalidade, mas, às vezes, com a intuição, a imaginação e a sensibilidade para se desvelar o que jaz nas profundezas e que não se revela pela superfície. Desta maneira, tivemos muitas percepções nas três localidades visitadas: nas salas dos professores, na hora do chimarrão, da conversa solta antes e depois das entrevistas, nos corredores e salas ao fazer os registros fotográficos que não estão expressos nos questionários nem nas entrevistas e, muito menos, nas fotografias. Aí está a vantagem da pesquisa de natureza transdisciplinar que faz colocar razão e pensamento ao lado da intuição, do imaginário, da sensibilidade, da emoção, da criatividade. Ocorre uma relação analítico-sintética, o que requer estratégias diversificadas. Isso nem sempre é pacífico na epistemologia da pesquisa.

Esses dados fazem refletir que sempre é possível combinar a racionalidade e a linearidade com procedimentos que requerem explicitação via intuição no sentido de compreender as emergências, as instabilidades e as mudanças de trajetórias, assim como algo diferente e inovador, fruto do processo de busca no caminhar da investigação.

Com estratégias não lineares, conforme Moraes e Valente (2008), perscrutaremos as profundezas do ser ou a intensidade dos fenômenos, procurando entender melhor a intensidade do ocorrido. Teremos, portanto, mais oportunidades de conhecer o universo

afetivo do outro, o seu imaginário, a sua sensibilidade, os seus sistemas de valores, os seus símbolos e mitos, comportamentos e atitudes mais sensíveis. Para isso podem-se usar técnicas diversificadas de registro de informações além da escrita, como filmes, músicas, sons, cores, vídeos, imagens, sistemas audiovisuais, questionários abertos, escutas sensíveis, o que pode ser combinado com análise de discursos, de documentos e com entrevistas semiestruturadas. Foi fundamental, então, estarmos presentes em outros momentos da Escola Bibiana Terra, como no Projeto Autor Presente, festa de aniversário da escola e festa de São João, em que apareceram produções como danças, raps, recitais de poesias, releituras, frases, redações, poesias, cartazes, logos, mascotes, sacolas, malas, baús. Tudo isso mereceu o nosso olhar de viajante que vê de fora, mas que também está envolvido.

A criação artística se ergue como ponte entre os vários níveis da percepção e da realidade ou ainda entre os sujeitos envolvidos. A pesquisa transdisciplinar promove o encontro entre diferentes níveis de percepção da realidade, a partir de distintos níveis de representação. A criação artística engendra uma transpercepção, uma percepção em âmbito transdisciplinar. Aí entra a arte em geral, a música em particular e, da mesma forma, a Literatura em suas inúmeras manifestações; e também os clássicos que fazem parte da nossa cultura geral e particular. Por isso, somente com critérios objetivos é difícil diferençar o que é um leitor e um não leitor.

Na pesquisa transdisciplinar ocorrem as relações intersubjetivas com ênfase na multidimensionalidade dos fenômenos e dos sujeitos envolvidos, dando-se privilégio a diferentes enfoques e dimensões, como o social, o biológico, o cultural, o psicológico. Também é importante a multirreferencialidade dos processos, dos diferentes olhares sobre um objeto ou os demais sujeitos implicados. As principais relações intersubjetivas são de natureza crítica, reflexiva, intuitiva, sensível e transformadora de processos. A leitura tem diversas funções, desde a utilitária, de deleite até a “biblioterápica”.

Conforme Moraes e Valente (2008, p. 63), temos de sair da visão meramente binária e partir para uma análise ternária. Ao utilizarmos estratégias de pesquisa que colocam a intuição e a sensibilidade em diálogo com a racionalidade científica como criadoras de conceitos e geradoras de ideias que enriquecem os nossos olhares sobre o objeto, trabalhando ou utilizando a lógica ternária, estaremos reconhecendo a presença do terceiro incluído na pesquisa, de uma terceira via, anteriormente não percebida, que se expressa em outro nível de realidade e exige outro grau de percepção por parte do sujeito transdisciplinar.

O conhecimento transdisciplinar, revelado pela pesquisa, é um conhecimento que implica olhares amplos e profundos sobre o objeto investigado para se perceber a presença de outra alternativa – um terceiro incluído, que a lógica ternária exige –, pois na lógica binária o contraditório é excluído. Essa lógica do terceiro incluído, fruto do pensar complexo, manifesta-se a partir da percepção do que é possível ocorrer em um outro nível de realidade. É um conhecimento que expressa e reconhece a multidimensionalidade do ser humano. Hoje, muitas leituras são vistas sob o olhar da Psicologia, da Medicina, além da perspectiva da Literatura, da Linguística, da linguagem ou da arte.

A complexidade, com seus princípios e características principais, como a ambiguidade e ambivalência, articula e interliga o que acontece nos diversos níveis de realidade a fim de que o terceiro incluído possa emergir a partir de uma dialógica que acontece entre os elementos envolvidos. A percepção do nível de realidade pelo sujeito pesquisador depende também do seu grau de consciência em evolução.

A pesquisa transdisciplinar pressupõe habilidades para pensar, utilizando as categorias ou os operadores cognitivos da complexidade, que nos ajudam a associar conceitos e categorias aparentemente excludentes, mas, quando associados, produzem outra importante e significativa realidade. Com o grande número de dados gerados e analisáveis, já se produziram softwares que auxiliam a analisar e compreender o que ocorre com essa realidade complexa e multifacetal. Não fosse a análise mais qualitativa, teríamos de usar um software para analisar quantitativamente todos os dados que trouxemos para esta Dissertação.

Quando estamos trabalhando numa pesquisa-ação, visando à melhoria ou à transformação de determinada realidade social, estamos usando como base as causalidades de natureza retroativa ou recursiva, posto que neste tipo de investigação existe um anel recursivo ou retroativo entre a ação desenvolvida e a pesquisa, que se nutrem mutuamente. Ambas estão imbricadas na dinâmica processual que acontece para gerar conhecimento. A pesquisa necessita de uma prática ou de uma ação transformadora como força motriz capaz de mudar ou de influenciar a organização envolvida. A qualidade e a eficácia dessa ação transformadora dependem do conhecimento gerado na pesquisa, e assim vai avançando o processo de criação e autocriação.

Durante a pesquisa-ação esse circuito vai-se repetindo continuamente, articulando a atividade reflexiva da pesquisa com a ação transformadora. O mesmo ocorre na relação teoria/prática em que, para a evolução do processo, ambas vão se nutrindo mutuamente. É

uma prática impregnada de teoria, e uma teoria cheia do conhecimento gerado na prática transformadora. É preciso ter claro que nenhuma é mais importante do que a outra. Ambas dialogam entre si, nutrem-se, enriquecem-se e reinventam-se. Da prática nasce uma nova teorização ou uma nova perspectiva enriquecedora de outras ações, gerando um processo evolutivo em constante renovação. É uma dialética dinâmica na realidade complexa. Na atualidade, os professores e as equipes diretivas das escolas públicas estaduais do Rio Grande do Sul com o Ensino Médio Politécnico, trabalham muito com a pesquisa-ação, e os alunos do Ensino Médio estão envolvidos diariamente com pesquisas e relatos em feiras ou espaços criados nas feiras pedagógicas das escolas. O mesmo ocorre na culminância de projetos de leitura e outros nas escolas, e também poderia acontecer no Ensino Fundamental, tanto nos anos iniciais quanto nos finais.

É importante combinar diferentes tipos de estratégias, pois existem aquelas que favorecem um tipo de causalidade, mas não dão conta de explicar a realidade educacional de natureza complexa. A complexidade da realidade exige outras formas de explicação ou interpretação; também incentiva a combinação de certos tipos de procedimentos ou técnicas de coleta de dados, de forma compatível e expressos na multidimensionalidade. A incerteza faz-se presente na realidade pesquisada e no processo de construção do conhecimento. Por isso, toda Dissertação sempre parte de uma ou duas perguntas básicas e não de uma ou duas afirmações categóricas. Atualmente a escola e as ciências, muitas vezes, movem-se unicamente na busca das certezas. Olhando historicamente, por muito tempo a escola e as ciências foram profetas das certezas.

Temos de estar atentos na investigação a fim de perscrutar a necessidade de seguir adiante ou de refazer a rota, ou de usar outra metodologia. Conforme Moraes e Valente (2008, p. 66),

a pesquisa necessita adotar procedimentos abertos às flutuações, às bifurcações, às incertezas e às mudanças sempre que necessário. Isto faz com que o seu