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Todos os sujeitos disseram, a seu modo, que a PNP serviria para traçar um panorama da EPT da rede federal, servindo de fonte estatística para a produção de indicadores, além de compor a matriz orçamentária da rede.

Em relação ao suporte e funcionamento, não foram considerados satisfatórios, pelos sujeitos 1F e 3F, como pode ser visto na colocação que segue:

Olha, o suporte a gente não tem né, por que a gente não sabe quem a recorrer ainda, e eles mesmos disseram que tava em fase de teste assim. (...) muita coisa precisa ser ajustada, principalmente assim, se eles estão pegando dados do SISTEC e não tá coincidindo alguma coisa tá acontecendo. (SUJEITO 1F)

Com o sujeito 2F, o suporte é dado pela PI da instituição, que contata Brasília e depois repassa a informação a todos os campi.

Em relação ao funcionamento, foi percebido pelos 3 sujeitos um descompasso dos dados extraídos dos sistemas (SISTEC e SIAPE) com os que foram apresentados pela plataforma. Foram apontados problemas e diferenças, já mencionadas na questão 7, e outras como:

(...) aquele problema que deu ... número de vagas menor que o número de alunos, nós entramos em contato com a pesquisadora ela falou que tinha que deixar igual. Mas aí não é uma informação correta, porque na verdade tem mais aluno por causa dos editais (ingresso e reingresso), esse foi um problema. Aí aconteceu de eu fechar a minha plataforma e no outro dia a Leíse me mandar e-mail dizendo que tinha quatro, cinco alunos ainda sem eu fazer alteração. Eu tinha feito, tanto que quando tu termina ela diz lá que tá tudo completo, uma coisa assim, então reabriu esses alunos, tive que fazer de novo. Até me lembro que na época a Leise falou assim ó, ‘’façam logo porque eu já vou fechar esse negócio antes que ele comece de novo a dar pra trás e reabrir aluno que já tava feito’’ porque nós não ia acabar nunca. Então aconteceu isso daí, acho que no dia final ela entrou de novo e informou quem tinha aluno ainda por atualizar e ai

todo mundo reclamou que já tava pronto, quem tinha ali teve que entrar de novo atualizar de novo, né, aí eu comecei a fazer, eu salvava e tirava print da tela de que dizia lá que eu não tinha mais nenhum aluno pra verificar, porque tem páginas e páginas de aluno, né, eu fiz isso e a segunda vez que aconteceu isso eu mandei pra Leise, ó, eu tenho print comprovando que tal dia tal horário tava tudo como finalizado. Eu faço de novo, mas pra ti saber que alguma coisa deu no sistema, e que é o sistema que deu pane. Ali que eu não sei o que aconteceu. (SUJEITO 2F)

Alguns dados solicitados na plataforma não constavam no SISTEC, e precisaram ser inseridos diretamente nela. Esses dados são: turno, cor/raça e faixa de renda de cada aluno. Havia uma opção de fazer a inserção desses dados em lote (para vários alunos ao mesmo tempo), ou aluno por aluno, mas as explicações foram insuficientes, e não repassadas a todos os usuários.

Os sujeitos 1F e 3F, que tiveram representantes diretos nas capacitações, utilizaram o recurso mais rápido “em lote”, depois de vários contatos para ajustar a forma da plataforma receber os dados, em razão desse recurso não estar funcionando conforme foram dadas as instruções para seu uso, eles conseguiram efetuar a operação. O sujeito 2F não sabia desse recurso, e fez todas as inclusões aluno por aluno, tanto para turno, quanto para cor/raça e faixa de renda. Não há informações se esses quesitos serão pedidos no SISTEC para que o trabalho de extração seja completo, e na plataforma seja apenas feito o trabalho de conferência, correções e validação dos dados.

Outro ponto que não estava em conformidade com a realidade das instituições foram as opções de cor/raça e faixa de renda. Essas opções eram diferentes das que a PNP oferecia. Os sujeitos 1F e 3F utilizaram as opções “Não informado”, para faixa de renda, enquanto o sujeito 2F ajustou por proximidade, mesmo não havendo a faixa escolhida pelo aluno. A respeito da cor/raça, 3F inseriu “Não declarado” para todos os alunos, pois não possuía esse dado na instituição, exceto para os cotistas por raça, e pelo pouco prazo, não teria tempo hábil de consegui-lo contatando diretamente os alunos. 1F e 2F possuíam a informação e abasteceram aluno por aluno.

Outro problema apontado em seu funcionamento, foi referente aos dados extraídos do SIAPE, pertencente aos recursos humanos da instituição. Esse módulo não permitia alterações (inclusões, exclusões de servidores), e nas três instituições não estavam de acordo com o número de colaboradores de cada uma. Segue depoimento o sujeito 1F:

(...) nos técnicos administrativos, docentes, alguns não estavam, daí eu mandei e-mail, entrei em contato com eles, porém, eles disseram que eu tinha que ver isso junto ao SIAPE, junto com o órgão aqui na universidade, mas aqui na universidade ninguém nem sabia do que eu tava falando, ficou por assim, ficou registrado que eu mandei por

e-mail, que eu entrei em contato com eles, porém, não sei como vai ser agora ano que vem, eu mesma não estava na plataforma.

Como os setores que participaram da pesquisa não trabalham com dados financeiros, os sujeitos não responderam sobre a veracidade desses dados, que foram extraídos do SIAFI, e que também não permitiam alterações.

Para a rede pública o Educacenso ou o SISTEC embasam as transferências de verbas25 para as instituições, o número de alunos “ativos”, por exemplo, é um dos critérios para o cálculo do valor do recurso enviado, e este é um fato que pode influenciar na inserção ou atualização do status dos alunos nos sistemas. Durante as entrevistas, alguns sujeitos da rede pública, 1M, 1E e 2F, falaram em “perder alunos”, “receber menos verba em função disso”, ou deixar de realizar determinados movimentos, como de “em curso” para “Integralizado em fase escolar”, ou atualizar para “deixou de frequentar”, em virtude dessa situação não ser vantajosa para a instituição, em termos financeiros.

Durante os treinamentos do Educacenso e para o uso da PNP, os palestrantes também reforçaram, enfaticamente, que os abastecimentos devem seguir regras estabelecidas pelo MEC para inserções de alunos, turmas e cursos nos sistemas. Por exemplo, ter uma quantidade mínima de horas, 20 horas para SISTEC e PNP, para inserção de curso, mas que mesmo assim algumas instituições inserem atividades não reconhecidas pelo MEC para cadastro, como Jornadas acadêmicas e Simpósios, possivelmente pensando em aumentar o número de discentes, visto que, o SISTEC não faz críticas a esses dados, mas que a PNP faria, e que isso não deveria ocorrer, nem por descuido, nem por má fé.

A consciência de que a fiscalização dos dados inseridos é baixa, o fato dos sistemas não disporem de muitas críticas quanto aos seus abastecimentos, somados a preocupação dos gestores em não deixar de receber verba, também são fatores que comprometem a fidelidade dos dados inseridos.

25 Até o ano de 2017 as escolas técnicas vinculadas à Universidades Federais recebiam recursos a partir de cálculos

enviados por tabelas em Excel ao Conselho Nacional de Dirigentes das Escolas Técnicas Vinculadas às Universidades Federais (CONDETUF), não usando dados dos sistemas estudados aqui para a construção de sua matriz orçamentária.

Questão 9. Você verificou os relatórios gerados a partir do encerramento do ano base