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A Educação Ambiental e a Sustentabilidade

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5. EDUCAÇÃO AMBIENTAL

5.3 A Educação Ambiental e a Sustentabilidade

O delineamento e a implementação de um conjunto de estratégias avaliativas tanto das atividades que os CEAs desenvolvem, como do próprio CEA (em todos os seus aspectos) constituem-se em importante dimensão a ser considerada junto aos Projetos Político-Pedagógicos de todo o Brasil. Para a definição dos agentes de avaliação é preciso que se perceba a necessidade de delinear e implementar processos avaliativos de duplo sentido: de caráter interno e externo. Ou seja, o CEA precisa, além de se autoavaliar, permitir que outros agentes o façam (Op. Cit., 2004).

Segundo a Rede CEAs (2011), na listagem da Rede Brasileira de Centros de Educação Ambiental, atualmente existem aproximadamente 205 contatos de CEAs cadastrados, sendo 204 no Brasil, somados a mais 01 localizado em Washington nos Estados Unidos da América (EUA).

democracia direta que se veja sustentada pela participação coletiva contendo assuntos de interesses comunitários, sociais, ambientais e culturais (Leff 2002b apud Tréllez Solís 2006).

A educação ambiental deve estimular o pensamento crítico, os saberes, a compreensão do paradigma da complexidade, mas também resultar em ações participativas, de maneira que as possibilidades reais de contribuição da sociedade e sua presença definitiva na tomada de decisões, bem como na criação de cenários de transformação e sustentabilidade, ocorram de modo crescente em países, regiões e localidades (Tréllez Solís, 2006).

Durante anos, diversas facetas de uma suposta educação ambiental têm excluído a participação real, em função de um enfoque conservacionista excludente, ou através de critérios paternalistas de ensinamentos de estilos de gestão ambiental, entendendo a participação com uma assistência a oficinas de aprendizagem, ou como a vinculação de pessoas e grupos a projetos de conservação concebidos e financiados com as mais diversas realidades. Algumas participações também são entendidas como a assistência a duvidosas sessões de auditoria ambiental para justificar os planos de manejo ambiental de empresas ou corporações, reuniões nas quais apenas alguns poucos podem contradizer ou conceder de maneira convincente a argumentação técnica contratada por grupos empresariais (Op.

Cit., 2006).

Ainda segundo Tréllez Solís (2006), a participação aparece na convenção na Declaração do Rio, adotada por governos participantes da cúpula das Nações Unidas em prol do meio ambiente e do desenvolvimento, ocorrida na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, em junho de 1992, que afirma em seu Princípio 10: “O melhor modo de tratar as questões ambientais é com a participação de todos os cidadãos interessados no nível adequado. No plano nacional toda pessoa deverá ter acesso adequado à informação que disponham as autoridades públicas sobre o meio ambiente, incluindo as informações sobre

os materiais e as atividades que ocasionem perigos às suas comunidades, assim como a oportunidade de participar dos processos de adoção de decisões.

Os Estados deverão facilitar e fomentar a sensibilização e participação da população colocando a informação à disposição de todos. Deverá proporcionar o acesso efetivo aos procedimentos judiciais e administrativos, entre estes o ressarcimento a danos e aos recursos pertinentes”.

Existem aspectos que vale a pena destacar deste Princípio, não fica claro o nível que corresponde aos cidadãos interessados para sua participação. Essa notável ambiguidade recorda sem dúvida a ambiguidade da definição de desenvolvimento sustentável realizada pela comissão de Brundlandt, cuja especial redação parece ter sido estudada a fim de não afetar os interesses de ninguém. Por isso existe uma curiosa aprovação de certos setores agressores do meio ambiente, alinhados com esta expressão que não diz muito e que só afirma que sustentabilidade é aquilo que se pode apoiar hoje e para as futuras gerações. Mas, diante de tamanha simplicidade, pode-se contestar com outra similar: sabe-se por experiência própria que a pobreza é um dos fenômenos que se tem sustentado no decorrer do tempo. Não seria essa sustentabilidade a que aspiram alguns? Qual o nível de participação correspondente dos cidadãos e cidadãs interessados? E os não interessados, acaso não existe como motivá-los a participar? Estes parecem ser excluídos do plano.

O Princípio enfatiza primordialmente a informação, assumindo talvez que a informação supostamente seja imparcial, mas o manejo dos dados tem enfoques inquestionáveis de quem os está proporcionando... O Princípio, por outro lado, estabelece o requerimento de que os Estados facilitem e fomentem a sensibilização e a participação através da informação, sem ensinar outros mecanismos participativos que deveriam dar sustento real a esta ideia (Op. Cit., 2006).

A cidadania ambiental tem que ser concebida e implementada com conceitos criativos, abordagens de participação e de democracia verdadeira. O conceito de cidadania leva a uma questão fundamental: a construção de uma sociedade de

verdadeiros seres pensantes e solidários em nosso planeta. Esse conjunto de seres humanos terá que considerar e agir como pessoas que podem e devem tomar parte ativa no processo do seu próprio desenvolvimento como indivíduos criativos, como membros de uma comunidade, grupo étnico, nação, e, além disso, como seres humanos responsáveis ligados às áreas geográficas, históricas e culturais, como indivíduos ou grupos que vivem diferentes realidades sociais e ecossistemas, aspirando a ter uma vida melhor. O vínculo da educação ambiental com o desenvolvimento político, basicamente, refere-se ao compromisso de uma parceria com a capacidade de desempenho envolvendo grupos em conexão direta com a formação de cidadãos ambientalmente conscientes de sua ligação vital com a natureza e com outros seres humanos, capazes de participação na concepção e construção de um futuro sustentável. A cidadania ambiental deve ter como primeira atuação a localidade, onde as atividades e o trabalho para o futuro das pessoas e da comunidade estão mais próximos. Mas não poderá parar por aí, porque a comunidade está inserida em uma região de um país e um planeta onde tudo está inter-relacionado de maneira dinâmica. (Tréllez Solís, 2006).

A cidadania ambiental deve conduzir os seres humanos a serem coerentes com as situações ambientais que ocorrem em todo o mundo. Os outros países ou grupos estrangeiros necessitam participar nas decisões relativas à gestão dos recursos naturais de qualquer localidade, como ocorreu na célebre polêmica, felizmente resolvida, sobre a Amazônia ser tratada como um patrimônio mundial da humanidade, uma condição que, supostamente, permitiria a intervenção na sua gestão. A ecocidadania deve dar ênfase na condição de cidadãos planetários, entretanto, não pode se tornar uma arma de intervencionismo descabida. Mas precisa ser reforçada e se tornar um instrumento de apoio mútuo, sempre que possível compartilhando experiências e propostas de ação que se traduzam em níveis de integração e cooperação, especialmente entre os países latino-americanos (Trelléz Solís, 2005).

A educação ambiental visando à sustentabilidade e à formação para a cidadania ambiental necessita ser especificamente relacionada com o reconhecimento e proteção dos direitos ambientais. Mas também, em grande parte, com o cumprimento dos deveres ambientais que não consiste somente em seguir as normas estabelecidas e sim criar uma ligação direta com a visão de sustentabilidade e compromisso para tentar avançar no objetivo comunitário. A interação dinâmica da educação ambiental, cidadania e sustentabilidade, precisam estar ligadas à mobilização social e política. A participação não pode se limitar a fórmulas repetitivas que contam apenas com as listas de participantes em reuniões bastante interessantes. A educação ambiental precisa inovar, renovar, reconstruir a cada dia na busca constante de formas de incentivar e motivar a permitir a sustentabilidade através de seus próprios esforços, identificando as expectativas e exigências do que se deseja para abrir portas para se alcançar um amanhã melhor (Op. Cit, 2005).

Evidentemente, a educação ambiental participativa não é a solução para todas as situações ambientais e não é o único processo que pode levar à sustentabilidade política. Mas é um compromisso de vida em termos de formação e ação social em busca de um futuro melhor. E é aí que deve ocorrer a ajuda para esclarecer quais são as competências individuais, políticas e coletivas, visando a saber o que é necessário solicitar juntamente com as comunidades, não somente delegando decisões, mas construindo novas competências sociais com base nas capacidades coletivas, individuais e culturais. Deve prevalecer a determinação e forte convicção. E no decorrer dessa participação, aprender a criar as bases de independência para que essas se tornem verdadeiros eixos e guias de desenvolvimento. A participação deve fazer parte de uma revolução ordenada e dispersa, pacifista combativa, que os ambientalistas, educadores ambientais em particular, necessitam promover. Há muitos grupos e muitas pessoas que contribuem diariamente para a comunidade através de vozes e reações cotidianas, estabelecendo a ligação

com as suas propostas para trabalhar o entrelaçamento da sociedade, do homem e da natureza. Cabe ressaltar que os jovens podem compor fortes gr upos para agir em prol da sustentabilidade (Tréllez Solís, 2005).

A ideia de sustentabilidade pode ajudar a projetar e desenhar uma nova visão e uma nova compreensão, urgentes e necessárias para enfrentar os grandes desafios. A mudança fundamental não é realizada em nível da tecnologia, política ou economia, mas é com base no nível das crenças humanas.

São elas que deter minam o mundo habitado.

Sustentabilidade e o futuro são dois conceitos inseparáveis.

Futuro sustentável não deve ser tomado especificamente como um objeto de conhecimento, mas como uma multiplicidade de potenciais que podem ser construídos nas realidades locais e comunidade. Precisa haver opção para definir o futuro, estratégias possíveis e desejáveis, através das rupturas necessárias para atingir a autogestão (Elizalde 2004 apud Tréllez Solís, 2006).

A educação ambiental precisa aprofundar sua visão política e estratégica sobre as relações entre grupos sociais, construindo mais pontes, entre formais e não formais. A educação ambiental tem de assumir o desafio de construir, junto com outros setores, um novo acordo entre os seres humanos, que se baseia na construção de sociedades sustentáveis, nas quais existam novas relações, novos padrões de consumo e novos meios de produção.

As culturas devem estar presentes com a sua diversidade e visões de mundo. A biodiversidade, os conhecimentos científicos e conhecimentos relacionados precisam contribuir criativamente para o modo de viver, um ao outro, constituindo caleidoscópios que se aproximem de um futuro intercultural e coerente preservando da melhor forma as cores iridescentes, sabores, sons e texturas locais e regionais, com versões infinitas, qualidade de vida e perfis de pensamento criativo (Tréllez Solís, 2006).

5.4 O Saber Ambiental nas Instituições Educativas

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