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A observação das aulas

No documento universidade estadual de santa cruz (páginas 88-98)

A partir da programação dos professores, em relação aos conteúdos a serem estudados, acompanhamos as aulas de Ciências, Geografia e Matemática. Observamos seis aulas de cada disciplina e optamos pelos dias em que os professores dessas disciplinas ministravam duas horas aulas consecutivas. Os dias das aulas não foram previamente agendados. Na conversa com os professores, o acordo foi o comparecimento às aulas em qualquer dia da semana, sem aviso prévio, dentro do terceiro bimestre. O objetivo era não permitir preparação prévia apenas para as aulas que deveriam ser assistidas pela pesquisadora. A escolha do dia seria de forma aleatória.

Consideramos importante salientar que mesmo tendo selecionado as disciplinas de Matemática, Ciências e Geografia para acompanhar as aulas, também assistimos aulas de outras disciplinas, tais como História, Língua Portuguesa, Desenho Geométrico e Religião, pois coincidiram com os dias de aulas das disciplinas selecionadas, embora em menor número de horas.

Como já relatado, planejamos o acompanhamento de seis aulas, sendo duas consecutivas, cada dia, totalizando três dias de observação das disciplinas de Ciências, Geografia e Matemática, nos quais fizemos anotações durante o acompanhamento que descrevemos a seguir.

O professor de Ciências trabalhou substâncias químicas, e a partir do tema “Água, sabendo usar não vai faltar”, fez visita ao escritório local da empresa responsável pelo abastecimento de água e tratamento de esgoto. No Quadro 11, apresentamos os conteúdos trabalhados durantes os três dias em que observamos as seis aulas de Ciências, sendo duas aulas cada dia. As aulas foram expositivas e dialogadas com a participação dos alunos. O professor explicava os conteúdos e solicitava a verificação dos alunos no livro didático para leitura dos conceitos que estavam sendo discutidos.

Quadro 11 – Conteúdos trabalhados pelo professor de Ciências durante as aulas observadas

Observação Conteúdo trabalhado 1º Dia Substâncias químicas.

Mistura de substâncias químicas.

Porcentagem das substâncias utilizadas nas misturas.

Representação das porcentagens em gráficos de setores.

Apresentação e seleção de vídeos de experiências para a feira de Ciências.

2º Dia Apresentação de vídeos pelos alunos de mistura de substâncias e experiências para a Feira de Ciências.

1º experimento: Ovo não afunda em água com sal.

Discussão sobre porcentagem de água e de sal utilizada na mistura.

Conceito de densidade.

Misturas homogêneas e heterogêneas.

Mistura e separação de substâncias. conceitos de mistura, separação, densidade.

Leitura, pelos alunos, de conceitos no livro didático.

2º experimento: Princípio de Pascal.

3º Dia Discussão sobre as porcentagens de substâncias toleráveis para o consumo humano.

Conversa sobre a visita à estação de tratamento de água.

Substâncias utilizadas na água que é distribuída à população, citadas pelos técnicos da estação de tratamento.

Leitura, pelos alunos, das orientações da CEPLAC para a coleta de água para análise.

Escolha de alunos para a realização da coleta.

Preparação dos alunos para a coleta.

A turma foi ao leito do rio para realizar a coleta.

A água foi coletada em dois pontos do rio. Antes e depois de o rio cortar a cidade.

Envio da amostra da água ao laboratório de análise.

Fonte: Dados da pesquisa.

A professora de Geografia ficou de licença, assim não houve aula durante três semanas seguidas, na quarta semana a professora substituta assumiu a turma. Assim, realizamos a observação na quinta semana. Na primeira observação a professora substituta realizou uma atividade contendo duas questões. Pediu que a turma se agrupasse em duplas e respondesse às questões propostas. Vale salientar que não houve explicação sobre nenhum conteúdo.

Escreveu as questões no quadro e recolheu no final do horário, para correção. No segundo e terceiro dias de observação, a professora titular havia voltado da licença, e os assuntos ensinados estão expostos no Quadro 12.

Quadro 12 - Conteúdos trabalhados pela professora de Geografia durante as aulas observadas

Observação Conteúdo trabalhado

1º Dia Atividade em duplas era composta de duas questões escritas no quadro:

1º) Qual a situação do Brasil quanto à disponibilidade de água? Há alguma possibilidade desse problema ser solucionado? O que poderia promover a mudança desse cenário?

Registre suas conclusões.

2º) Em sua casa é praticado o uso consciente da água? Em caso afirmativo registre que medidas são tomadas para isso. Em caso negativo, responda que medidas poderiam ser incorporadas ao dia a dia de sua família.

2º Dia Globalização e meio ambiente.

A questão da água.

O aquecimento global.

Conferências mundiais e meio ambiente.

3º Dia Os continentes: área, população, cultura, acesso à rede de esgoto e acesso à água potável.

Apresentação das informações em gráficos e tabelas, comparando os dados dos continentes.

Taxa de mortalidade.

Discussão sobre o seminário: “Água, um bem precioso”, que foi organizado e apresentado pelos alunos, um olhar voltado para a conscientização da população sobre a importância da preservação do meio ambiente, discutindo sobre a crise hídrica que assola nossa região.

Fonte: Dados da pesquisa.

No Quadro 13, apresentamos os conteúdos trabalhados durante os três dias em que observamos as seis aulas de Matemática, sendo duas aulas por dia. Na primeira observação, a professora iniciou a aula com a leitura de texto bíblico, pelas conversas entre alunos e professor percebemos que é uma prática comum em algumas disciplinas, dentre elas podemos citar Matemática e Ciências. Quando o professor não começa a aula com versículo bíblico ou mensagem de incentivo, os alunos cobram dos mesmos essa leitura. E, às vezes, os próprios alunos ficam encarregados de trazer uma mensagem de otimismo. É importante esclarecer que não se trata de doutrinação religiosa, mas de mensagens de incentivo. Por meio da mensagem eles discutem sobre valores morais, ética, respeito às diferenças e ao colega, comprometimento com os estudos. Percebemos, aqui, uma educação comprometida, não apenas com os conteúdos disciplinares, mas, também, com formação cidadã dos estudantes, valorizando o ‘nós’ ao invés do ‘eu’, de acordo com os preceitos que constituem o trabalho docente baseado na perspectiva transdisciplinar (D’AMBRÓSIO 2012).

A seguir, a professora solicitou aos alunos que formassem duplas para trabalhar os dados das contas de água das suas famílias. Após a formação das duplas, os alunos estudaram as características da conta de água. Discutiram conceitos e significados de alguns termos encontrados na conta de água, tais como hidrômetro, m³, juros, taxa de esgoto, taxa mínima, data da leitura, data do vencimento, impostos, valor do metro cúbico de água, consumo

mínimo. Alguns questionamentos foram surgindo, gerando discussão sobre economia de água, valor alto para a taxa de esgoto, que era de 80% do valor pago pela água, dentre outros.

Quadro 13 - Conteúdos trabalhados pela professora de Matemática nas aulas observadas.

Observação Conteúdo trabalhado

1º Dia Conhecendo a conta de água (discussão sobre a estrutura da conta de água)

Construção de tabelas com dados das contas de água.

Conceitos como m³, litros.

Componentes de uma tabela, linhas e colunas.

Discussão sobre diferença entre gráficos e tabelas.

Consumo familiar, consumo diário por pessoa.

Diferença de valores entre as contas, taxa mínima, impostos.

Registro do consumo das contas sem hidrômetro.

Discussão sobre média.

Transcrição de informações das contas de água para uma tabela.

Transcrição de informações da tabela para gráficos.

Discussão dos conceitos de população e amostra.

Leitura de texto sobre dados estatísticos no livro didático.

Discussão sobre a Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar - PNAD e a Pesquisa de Orçamento Familiar – POF, ambas realizadas pelo instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.

Estudo da Média, Moda e Mediana a partir dos dados das contas de água apresentados numa tabela.

Representação dos dados das contas de água em gráficos.

Estudo dos diferentes tipos de gráficos e escolha do mais adequado para apresentação dos dados.

Apresentação de informações da pesquisa PNAD em gráficos e tabelas (taxa de analfabetismo, taxa de desemprego, bens da população (fogão, geladeira, tv, filtro de água, telefone, computador)).

Fonte: Dados da pesquisa.

A partir destas observações podemos constatar que os professores de Ciências e Geografia utilizaram a Estatística para contextualizar seus conteúdos, enquanto que a professora de Matemática utilizou informações de outras áreas do conhecimento para ensinar Estatística.

Depois da primeira observação nas aulas de Matemática e Ciências, disciplinas que fazem parte daquelas escolhidas pela pesquisadora para acompanhar os professores durante as aulas e observação também de duas aulas de Língua Portuguesa e História, ocorreu o terceiro encontro, que será descrito logo a seguir.

Terceiro encontro

A discussão de conceitos e escolha de atividades para o planejamento colaborativo aconteceu nos dois primeiros encontros. Um questionamento que fizemos durante o

planejamento da pesquisa foi em relação à quantidade de encontros necessários para a elaboração do planejamento. Decidimos, inicialmente, por três encontros levando em consideração que os professores da escola, lócus da pesquisa, culturalmente, realizam o planejamento quinzenalmente e o tempo dispensado pela escola para os encontros com o coordenador é menor que o combinado entre a pesquisadora e os professores para os encontros.

Nossos encontros aconteceram nos sábados que o calendário escolar classifica como sábado letivo. Esses sábados são destinados, geralmente, para discussões, reuniões e desenvolvimento de projetos pelos professores e direção escolar. A direção da escola liberou três sábados para os encontros, mas como são dois sábados por mês e a nossa intenção era realizar o planejamento antes do início do bimestre, o grupo optou por antecipar um sábado letivo para ao iniciar o bimestre já ter ocorrido dois encontros. Nossos encontros iniciavam às oito horas, com previsão de término para as onze e meia. No intervalo entre o segundo e o terceiro encontros, alguns professores, por conta de dúvidas ao formalizar o planejamento, entraram em contato com a pesquisadora para pedir opinião sobre outras atividades que pensaram em realizar, a partir das discussões ocorridas no segundo encontro.

A intenção inicial de realizar todos os encontros, antes do início do bimestre, não foi concretizada, porque um dos sábados foi suspenso pela Secretaria Municipal de Educação. O que poderia ter sido um problema se transformou em oportunidade para a nossa pesquisa porque o terceiro encontro ocorreu depois que a pesquisadora observou as primeiras aulas. O terceiro encontro foi uma oportunidade para os professores compartilharem suas experiências.

Após os cumprimentos e início dos trabalhos, as primeiras falas foram dos professores cujas aulas já haviam sido observadas pela pesquisadora. Com a palavra o professor de Ciências:

“o conteúdo que trabalhei foi ‘substâncias químicas e suas propriedades’.

Conversamos sobre os estados físicos da água e mudanças de estado físico com auxílio do livro didático. O livro traz comentários sobre ‘nível do mar’, o que nos levou a discutir o conceito de altitude e graus célsius, o que nos levou a trabalhar com o conjunto dos números inteiros (negativo e positivo) e números decimais. Com a leitura da tabela que informa os pontos de fusão e de ebulição de algumas substâncias, conversamos sobre a organização das informações da tabela, colunas e linhas, que estão relacionados à Estatística e sugerimos a construção de gráficos de setores para representar as porcentagens de cada substância, mas os alunos não tinham material adequado (compasso e transferidor) para a atividade.”

Ao discutir com os alunos sobre misturas de substâncias, o professor sugeriu que as misturas de substâncias poderiam ser representadas por meio de um gráfico de setores, pois no mesmo apareceriam as porcentagens de cada substância utilizada nas misturas, o poderia ser feito também utilizando uma tabela para organizar as substâncias e as quantidades das

mesmas usadas para compor uma mistura, demonstrando diferentes formas de lançar mão dos conteúdos estatísticos durante sua aula.

A Figura 7 também foi citada pelo professor para indicar que utilizou a Estatística em sua aula.

Figura 7 – Tabela indicando ponto de fusão e de ebulição de substâncias, estudada pelos alunos na aula de Ciências.

Fonte: CANTO, Eduardo Leite do. (2012).

Para estudar os conceitos de matéria, massa, volume e densidade, discutimos decímetro cúbico, centímetro cúbico, metro cúbico, ou seja, vários conceitos matemáticos. Os alunos comentaram que na aula de Matemática, a professora explicou sobre m³, por causa da conta de água, conforme Figura 8.

Figura 8 – Ilustração utilizada pelo professor para explicar m³

Fonte: CANTO, Eduardo Leite do (2012).

Após explicar como ocorreram suas primeiras aulas, o professor se dirigiu ao grupo:

“O que vocês acharam da minha aula? Vocês acham que minha aula está de acordo com as

discussões que tivemos nos encontros anteriores? Gostaria de ouvir a opinião da observadora, pois estamos aqui para melhorar nossa prática”. Baseando se numa proposta interdisciplinar, o professor de Ciências adota a postura de quem faz Ciências assumindo não ter todas as respostas, mas se coloca disponível para procurar soluções, corroborando com Fazenda (2014).

Outros questionamentos foram feitos pelo professor de Ciências, que além de pedir à pesquisadora e aos colegas uma avaliação da sua postura durante as aulas, e de como ele poderia melhorar sua prática docente, perguntou: Quais rumos ele poderia dar às suas aulas?

Como poderiam se comportar diante da diversidade de comportamento dos alunos?

A partir desses questionamentos, outros professores colocaram suas angústias em relação à prática docente:

“Por que não estamos tendo o êxito que desejamos em nossa prática de ensino? Por que não estamos alcançando o aluno? Estamos com a sensação de que a geração atual está lá na frente e nós estamos tentando alcança-la? O que fazer para mudar essa situação?” Professor de História.

O professor de Língua Portuguesa questionou: “Que postura podemos adotar para nos aproximarmos mais dos alunos, para falar o que os alunos estariam dispostos a ouvir?”

Essas dúvidas, questionamentos nos remetem à característica da transdisciplinaridade, de ir mais além. De acordo com Moraes (2015) O professor transdisciplinar deseja ir além do conteúdo, do que foi herdado. Acercar-se do mistério humano, transgredindo as fronteiras do conhecimento, explorando novos territórios e se conscientizando de que nada sabemos.

O professor de Ciências questionou quais informações sobre Estatística e água ele poderia estar trabalhando nas aulas de Ciências, pois estava preocupado em interferir ou invadir o trabalho de outros professores. Combinamos de que essa não deveria ser preocupação de nenhum dos professores, uma vez dentre as características que marcavam nosso trabalho estavam a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade. Quando o professor pediu sugestões para as aulas seguintes, a colega de Matemática comentou que como ele trabalharia os níveis de substâncias da água recomendados para o consumo humano, estaria ajudando a aula dela trabalhando com gráficos e porcentagens. O que ele informou que era essa a ideia das atividades que estaria desenvolvendo.

A preocupação em não invadir o espaço do colega ou tornar as discussões repetitivas foi assumida pela maioria dos professores. Até que ponto poderiam discutir um conteúdo ou uma informação que, sob a ótica dele, fazia parte de outra área do conhecimento? Reforçando as ideias de Moraes (2015) ao sugerir que uma escola transdisciplinar é capaz de assumir riscos, pensar, agir e comprometer-se com o mais humano do humano, não significa ser

perfeita, significa comprometer-se com o que nos caracteriza como indivíduos complexos e em permanente mutação.

As falas dos professores deram indícios de que eles também esperavam retorno do trabalho desenvolvido. E a preocupação que tínhamos no início dos trabalhos de que os professores poderiam se fechar ou se sentirem constrangidos em partilhar suas experiências se dissipou. Naquele momento, a confiança e o respeito encontravam-se instalados dentro do grupo e permitiram que os professores falassem abertamente sobre as experiências vividas e o desejo de partilhar com seus pares tais experiências, pedindo, inclusive, avaliação de suas práticas, corroborando os trabalhos desenvolvidos por Santos (2015). A mudança de data do terceiro encontro nos proporcionou esse momento ímpar durante nossa pesquisa, nos revelando uma importante vantagem do trabalho com dimensões colaborativas: juntar várias pessoas que interagem, dialogam e refletem em conjunto, criando sinergias que possibilitam uma capacidade de reflexão acrescida de possibilidades de aprendizagem mútua, permitindo que o grupo vá mais longe e criando melhores condições para enfrentar, com êxito, as incertezas e obstáculos que surgem, conforme sugere Boavida e Ponte (2002).

A professora de Matemática comentou sobre a construção do gráfico de setores e sugeriu que o professor de Desenho Geométrico poderia aproveitar suas aulas sobre ângulos para construir gráficos de setores com os alunos, considerando o nível de dificuldade para a construção dos mesmos, pois “o pensar interdisciplinar parte da premissa de que nenhuma forma de conhecimento é, em si mesma, exaustiva, porque tenta o diálogo com outras fontes de saber, deixando-se irrigar por ela” (FAZENDA, 2014, p.21).

Com a palavra, a professora de Matemática:

“Meu maior desafio é em relação a alguns conceitos que já deveriam ter sido aprendidos por alunos do 9º ano. As dificuldades deles em realizar as atividades sozinhos, a insegurança. A gente explica e acha que eles entenderam, na aula seguinte não se lembram mais. Estou trabalhando com as contas de água das famílias dos alunos, mas o que considero interessante é poder trabalhar essa sequência de ensino em outras turmas. Estou aproveitando a oportunidade e desenvolvendo essas atividades nas turmas do oitavo ano também. Nos dá a oportunidade de discutir desperdício de água, racionamento, uso consciente dos recursos naturais. O bom, também, é que a gente pode trabalhar vários conceitos matemáticos a partir dessa sequência. Estamos na construção da tabela com o consumo de água das famílias dos alunos. Demora um pouco porque da conta de água a gente estuda outros conteúdos de Matemática: porcentagem, soma divisão, medidas de capacidade etc. Sem contar que ainda temos conteúdos relacionados a outras disciplinas que podemos discutir a partir do tema “Água”. Para a feira de Ciências, decidimos apresentar gráficos com os resultados da coleta de dados das contas de água.”

A professora de Matemática relatou a experiência de trabalhar com a sequência de ensino “Planeta Água”. Pontuou sobre as dificuldades de alguns alunos em ter acesso à conta

de água de sua casa, pela desconfiança dos pais. Outra colocação foi em relação aos alunos que residem na zona rural, onde não existe água encanada e, consequentemente, não tem conta de água. Fato que, segundo ela, exigiu adaptação da sequência à realidade de sua turma.

A professora comentou, ainda, sobre algumas discussões levantadas pelos alunos durante a aula; como por exemplo, o porquê do valor do metro cúbico de água entre as residências que são beneficiadas pela tarifa social; ou ainda a diferença do valor do metro cúbico entre imóveis residenciais e comerciais, porque, por equívoco, uma aluna levou uma conta de um imóvel comercial. Discutiram a diferença entre imóveis residenciais e comerciais. Algumas contas apresentaram valores bem diferentes entre o valor cobrado pelos primeiros 10 metros cúbicos gastos e os demais, o que gerou muita discussão sobre os artifícios utilizados pela empresa de fornecimento de água para obrigar os moradores a economizar água. As colocações da professora de Matemática vem corroborar com Moraes (2015) ao sugerir que o professor de Matemática, por mais que se empenhe em reduzir suas atividades docentes, exclusivamente, à sua área de atuação, ao que está colocado no currículo oficial, terá que adotar pontos de vista e ações que não são exclusivas da Matemática.

Trabalha também com outras áreas do conhecimento; linguagem, comunicação, conduta, ética.

No trabalho desenvolvido com a sequência de ensino “Planeta Água”, a professora de Matemática organizou a turma em duplas, para que os alunos ajudassem uns aos outros. Nesta aula não estavam estudando exclusivamente conceitos matemáticos, mas também, discutiram sobre assuntos como economia de água, proteção das nascentes, racionamento de água, armazenamento adequado de água, ou seja, características do conhecimento, da aprendizagem e desenvolvimento humano que não se limitam às disciplinas, mas estão além delas e que Moraes (2015) conceitua como interdisciplinaridade.

Na Figura 9, temos o trecho da tabela que estava sendo preenchida com as informações retiradas das contas de água das famílias dos alunos.

Figura 9 - Trecho da tabela utilizada para registrar os dados das contas de água.

Fonte: Construção da professora de Matemática para trabalhar com a SE “Planeta Água.”.

Ao concluir o preenchimento da tabela, os alunos tiveram uma visão geral do consumo de água de suas famílias, fazendo comparativos entre consumo e quantidade de pessoas da família, meses de maior e menor consumo. Com as informações organizadas, discutiram alguns fatores que poderiam contribuir para maior ou menor consumo, de acordo com os meses do ano.

A professora titular de Geografia apresentou seu planejamento, pois ainda não havia dado nenhuma aula no bimestre por conta de seu afastamento, por problemas pessoais.

Informou que uma das atividades de sua disciplina seria um seminário apresentado pelos alunos das turmas de 8ª série com a participação dos pais.

O professor de Religião apresentou seu planejamento, colocando como ponto principal a importância da água e sua relação com a finitude humana. Estabeleceu como objetivos compreender a importância da água para sobrevivência humana; entender como seria a vida se a água passasse a ser de domínio particular e fosse escassa; entender a importância do uso consciente da água; Identificar os diversos locais onde o uso da água é imprescindível; citar diversas atividades domésticas onde se usa água e o que aconteceria se a humanidade ficasse sem ela.

Apresentou algumas atividades que seriam desenvolvidas pelos alunos a partir do tema proposto. A confecção de uma revista em quadrinho (Gibi) e a construção de maquetes, a partir das ideias dos alunos sobre sustentabilidade e imóveis que contribuem para a harmonia entre homem e meio ambiente.

O encontro ocorreu após uma reunião com a coordenação e a direção da escola, que estavam organizando as ações do PDE já citadas anteriormente, inclusive com a organização das atividades e divisão de grupos para a Feira de Ciências. Uma das propostas da coordenação foi que o tema da Feira fosse “Meio Ambiente” e as produções dos alunos versariam sobre água, lixo, plantas. Porém os professores não concordaram e argumentaram

No documento universidade estadual de santa cruz (páginas 88-98)