6) Cenário
5.5 Análise de sensibilidade
C5 (adubação + biofertilizante): 60 diárias/ano, sua aplicação é feita durante 20 dias, três vezes no ano, para 15 hectares.
Supõe-se que o produtor realizará esse itinerário segundo algumas condições. Se a receita no subsistema for superior à soma dos gastos com a colheita (C1), roçagem (C2), poda e desbrota (C3), adensamento (C4), adubação + biofertilizante (C5), e Custos intermediários (CI), o SP irá operar com nível tecnológico 5. Caso a receita seja superior à soma de (C1), (C2), (C3), e (C4), alcançará o nível 4. Se a receita superar (C1), (C2), e (C3), ter-se-á um nível tecnológico 3. Se a receita no subsistema for maior do que os valores de (C1), e (C2), o nível alcançado será 2. Mas, se a receita for superior apenas à colheita (C1) teria um nível 1.
Os custos intermediários compõem-se da soma do valor da compra e transporte da Rocha de Ipirá18, do kit biofertilizante19, o do custo de transporte20 produtos do SP para venda dos produtos.
O rendimento físico cacau e o custo foram calculados da mesma forma dos SP anteriormente relacionados. A depreciação consiste na divisão da vida útil de 1 barcaça, 2 roçadeiras, 2 pulverizadores (motor), e o carro, que atingiu o valor total de R$ 370,00 por hectare.
capitalista localizado em Una (SP2); um patronal de maior porte em Ilhéus (SP11); dois patronais de menor porte em Ilhéus (SP1 e SP4); e um assentamento de reforma agrária de Ilhéus (SP3), considerado familiar.
A variável-chave do modelo é o preço internacional que, por sua vez possui uma forte relação com o preço pago ao produtor de cacau orgânico. Desta forma, consideraram-se as alterações no preço recebido pelo produtor de cacau orgânico do sul da Bahia para as análises de sensibilidade. Porém, na medida em que, os SPs oferecem uma gama de outros produtos consorciados, além do cacau, considerou-se uma análise de sensibilidade também envolvendo a receita do SP21, pois abarca as receitas totais de todos os produtos cultivados.
De acordo com os dados de preço, nota-se trajetória de declínio, sendo que em 2005/2006 observa-se a maior queda, e, posteriormente apresenta comportamento ascendente a partir de 2007(Figura 13).
.
2003 2004 2005 2006 2007 2008
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
Preço (R$)
Figura 13 – Evolução do preço médio de cacau orgânico recebido pelo produtor, Bahia, 2008.
Fonte: CABRUCA, 2008.
Essa oscilação no preço recebido pelo produtor provocou diferentes comportamentos nos SP analisados, em função das especificidades de cada sistema. Todavia, verificou-se que os mais diversificados apresentaram maior sensibilidade em relação à receita.
21No SP2, onde se aplica o regime de parceria, ao invés de realizar também uma análise de sensibilidade em relação à receita, fez-se em relação ao preço do látex, na medida em que a parceria considerada se dá apenas nos produtos: cacau e látex, de modo que apenas esses dois produtos provocam alterações no itinerário técnico e nos custos com mão-de-obra. Na receita do SP2 há participação de outros produtos (açaí e palmito de açaí) que não são produzidos nesse regime de parceria avaliado.
5.5.1 Nível tecnológico
Os SP1 e SP4, não se mostraram sensíveis às oscilações de preço, em relação ao nível de tecnologia adotado, ou seja, o nível tecnológico manteve-se inalterado mediante os aumentos e diminuição em até 100% do preço ao produtor. Esse fenômeno deve-se ao fato de que, durante o período analisado, a tecnologia aplicada pode ser considerada superior para o nível de rendimento físico, ou seja, nos SP são aplicados manejos com várias etapas, que se mostraram rígidos à sua diminuição, compensando-se, ainda, via diversificação e produtividade. Dessa forma, redução no preço internacional do cacau em 100% não provoca alteração no nível tecnológico adotado. Neste caso, os demais produtos que se realizam consórcios são capazes de permanecer, pelo menos, no mesmo estágio tecnológico anterior.
Porém, reduções acima de 70% na receita do SP1 (Figura 15) provocariam quedas no nível tecnológico. Essa alteração na receita levaria o produtor a reduzir consideramente as práticas culturais adotadas, restringindo-se ao mínimo necessário.
No SP11 a elevação dos preços não altera o nível tecnológico, pois se utiliza do nível máximo de tecnologia. Porém, uma queda de 70% no preço, resultaria em pequena queda no nível tecnológico em 3,4%, enquanto redução em 80% no preço do cacau provocaria um decréscimo em 17%, e assim segue com reduções de tecnologia em maiores proporções até atingir o nível 1, que representa apenas a colheita. O comportamento do SP3 é semelhante, apesar de adotar um nível tecnológico menor, porém, por ser menos capitalizado este passaria a reduzir seu nível tecnológico com um decréscimo a partir de 50% no preço internacional do cacau. Esses dois SP, por apresentarem baixa diversificação com produtos de valor comercial, e por apresentarem o cacau como o produto primordial, demonstram sensibilidade semelhante em relação às oscilações da receita do SP. Nesses SP, nota-se que somente quedas grandes na receita provocam redução no nível tecnológico. Para compreensão melhor esse fenômeno, salienta-se que o cacau consiste em uma cultura que demanda tratos periódicos.
No regime de parceria, como ocorre em SP2, observa-se o inverso das tendências anteriores. Na presença de redução de preço, os níveis tecnológicos se mantêm inalterados, mas qualquer elevação no preço, seja do cacau ou do látex, provoca melhoramento tecnológico, à medida que os trabalhadores-parceiros se sentirão estimulados a aprimorarem suas técnicas, pois essas são compensadas financeiramente.
Analisando a sensibilidade do nível tecnológico (2003 a 2008), nota-se praticamente não houve alteração, seja em relação a oscilações de preço ou de receita, apresentando uma
pequena redução no SP3, o menos capitalizado, e uma redução maior no sistema de parceria SP2, a partir de 2004, quando houve queda no preço das amêndoas. Nos sistemas mais diversificados (SP1 e SP4) não houve alteração no nível de tecnologia ao longo do tempo, observando-se assim maior rigidez no itinerário técnico adotado.
0 1 2 3 4 5 6
0 0,5 1 1,5 2
Nível tecnológico
Variação Preço
SP 1 SP 3 SP 4 SP 11
SP 2 0
1 2 3 4 5 6
2003 2004 2005 2006 2007 2008
Nível Tecnológico
Ano
SP 1 SP 3 SP 4 SP 11 SP 2
Figura 14 – Sensibilidade da tecnologia atual dos sistemas de produção SP1, SP2, SP3, SP4 e SP11 às oscilações de preço internacional.
Fonte: Dados da pesquisa, 2008.
0 1 2 3 4 5 6
0 0,5 1 1,5 2
Nível tecnológico
Variação receita
SP 1 SP 3 SP 4 SP 11
SP 2 0
1 2 3 4 5 6
2003 2004 2005 2006 2007 2008
Nível tecnológico
Ano
SP 1 SP 3 SP 4 SP 11 SP 2
Figura 15 – Sensibilidade da tecnologia atual dos sistemas de produção SP1, SP2, SP3, SP4 e SP11 às oscilações na receita.
Fonte: Dados da pesquisa, 2008.
5.5.2 Rendimento físico
Nos sistemas SP1 e SP4, as alterações de preço não provocam variações no rendimento físico do cacaueiro, de modo que se supõe que estes SP operam em níveis máximos de produtividade. Além do fato de o cacau não ser o único produto de importância econômica, pois os outros cultivos também geram receitas relevantes, o que implica menor sensibilidade a quedas no preço do cacau. Trata-se de sistemas que há mais de 10 anos vem-se investindo na qualidade do solo, através do manejo orgânico. Porém, a uma variação na receita pode desencadear alterações, pois sua redução pode provocar decréscimo no rendimento da planta via redução do nível tecnológico. Em SP1 a uma redução de 70% da receita, provoca uma queda superior a de 30%, enquanto que o SP4, mais diversificado, suporta uma redução de até 90%. Nestes casos uma queda na receita, não apenas no preço específico do cacau, pode induzir o produtor a reduzir o volume de investimentos no SP.
No caso do SP3, o rendimento físico cairá a partir de uma redução de 50% do preço recebido pelo produtor. Vale salientar que, nesse sistema de produção não é aplicado o máximo da capacidade tecnológica. Desta forma, caso haja uma queda relevante nos preços, o investimentos no sistema ficará comprometido. Quanto a alterações na receita, a partir de 40%, o rendimento físico começa a declinar. Partindo do pressuposto de que quedas constantes de receita provocam redução de investimentos, o rendimento físico terá maior redução em sistemas menos capitalizados. Como o cacau é uma cultura perene, essas quedas não se apresentam de forma brusca, mas lentamente ao longo do tempo.
Mesmo não utilizando o máximo de tecnologia, o sistema SP11 possui maior nível de capitalização do que o SP3, suportando, assim maior queda de preços. Apenas a partir de quedas maiores que 70% verifica-se maior impacto do preço e da receita.
Em SP2, o movimento das curvas ocorre de forma inversa aos demais. Mesmo se tratando do produtor mais capitalizado, o nível do rendimento físico sofrerá acréscimo apenas para elevações no preço do cacau acima de 30%. No preço do látex, apenas a partir de aumentos superiores a 50%, sofrerá aumento importante no rendimento físico. O fato de se tratar de um sistema de parceira, a elevação no preço recebido provoca um maior estímulo para os cuidados e manejos na produção que, por sua vez, são realizados pelos parceiros.
As alterações no rendimento físico, observadas ao longo dos anos, demonstram um aumento paulatino nos SP1, SP4 e SP 11, de forma que se percebem os benefícios da cultura orgânica para a fertilidade do solo. Em muitos Sistemas de Produção, no decorrer desta
pesquisa, diagnosticou-se uma elevação na qualidade do solo, comprovada através de estudos pedológicos realizados em alguns anos. No SP3, sendo o menos capitalizado não houve relevante oscilação do rendimento, enquanto que o SP2, esse rendimento se apresenta declinante ao longo dos anos, considerando que o manejo é realizado por parceiros e não pelo proprietário da terra, ou seja, a preocupação e os cuidados com o manejo, não se dá da mesma maneira dos demais SP.
0 5 10 15 20 25 30 35 40
0 0,5 1 1,5 2
Rendimento Físico/hectare
Variação Preço
SP 1 SP 3 SP 4 SP 11
SP 2 0
5 10 15 20 25 30 35 40 45
2003 2004 2005 2006 2007 2008
Rendimento Físico/h a
Ano
SP 1 SP 3 SP 4 SP 11 SP 2
Figura 16 – Sensibilidade do rendimento físico atual dos sistemas de produção SP1, SP2, SP3, SP4 e SP11 às oscilações do preço internacional.
Fonte: Dados da pesquisa, 2008.
0 5 10 15 20 25 30 35
0 0,5 1 1,5 2
Rendimento Físico/h a
Variação Receita
SP 1 SP 3 SP 4 SP 11
SP 2 0
5 10 15 20 25 30 35 40 45
2003 2004 2005 2006 2007 2008
Rendimento Físico/h a
Ano
SP 1 SP 3 SP 4 SP 11 SP 2
Figura 17 – Sensibilidade do rendimento físico atual dos sistemas de produção SP1, SP2, SP3, SP4 e SP11 às na receita.
Fonte: Dados da pesquisa, 2008.
5.5.3 Lucro
Quanto à sensibilidade de lucro dos SPs, os melhores desempenhos, seja considerando as oscilações de receita ou do preço de cacau, ocorrem no SP4, que é o sistema mais diversificado, enquanto que os de menores desempenhos são o SP2 e o SP3 que, são o menos capitalizado e de grande dependência econômica do cacau, respectivamente.
O lucro por hectare apresenta maior sensibilidade em relação às oscilações da receita, devido à própria importância dessa variável, sobretudo no SP4 onde, mesmo com variações no preço do cacau, apresenta valores de lucro razoáveis e significativamente superiores aos demais SP, devido ao grau de diversificação com produtos de importância econômica.
De acordo com as Figuras 18 e 19, lucro entre os anos de 2004 e 2006 decresce, resultante da queda do preço do cacau orgânico. Contudo, de acordo com as análises de sensibilidade, em um SP mais diversificado, de modo que não seja totalmente dependente de apenas do cacau, torna-se menos propícias as reduções de nível tecnológico, rendimento físico e lucro por hectare, decorrentes de oscilações no preço internacional das amêndoas. Para uma maior sensibilidade, a própria receita do SP deve oscilar, o que significaria a ocorrência de variações de preço e/ou rendimento físico das demais culturas consorciadas. Assim, a diversificação seria uma importante prevenção às crises econômicas nos Sistemas de Produção.
0 2000 4000 6000 8000 10000 12000
0 0,5 1 1,5 2
Lucro/h a
Variação Preço
SP 1 SP 3 SP 4 SP 11
SP 2 0
1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000
2003 2004 2005 2006 2007 2008
Lucro/h a
Ano
SP 1 SP 3 SP 4 SP 11 SP 2
Figura 18 – Sensibilidade do lucro atual dos sistemas de produção SP1, SP2, SP3, SP4 e SP11 às oscilações do preço internacional.
Fonte: Dados da pesquisa, 2008.
-5000 0 5000 10000 15000 20000
0 0,5 1 1,5 2
Lucro
Variação receita
SP 1 SP 3 SP 4 SP 11
SP 2 0
1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000
2003 2004 2005 2006 2007 2008
Lucro
Ano
SP 1 SP 3 SP 4 SP 11 SP 2
Figura 19 – Sensibilidade do lucro atual dos sistemas de produção SP1, SP2, SP3, SP4 e SP11 às oscilações na receita.
Fonte: Dados da pesquisa, 2008.