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ANÁLISES CLÍNICAS

No documento 40 SC_Capa Anais (páginas 86-92)

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BIOMARCADORES BIOQUÍMICOS PARA O DIAGNÓSTICO E ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO DE PACIENTES COM NIEMANN-PICK TIPO C

BIANCA GOMES DOS REIS; TATIANE HAMMERSCHMIDT; GRAZIELA DE OLIVEIRA RIBAS; MARION DEON; VITÓRIA VOLFART DA ROCHA; CARMEN REGLA VARGAS

UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Introdução: Niemann-pick tipo C (NP-C) é uma doença lisossômica de depósito de caráter autossômico recessivo, causada por mutações nos genes NPC1 ou NPC2 que leva ao acúmulo de colesterol não esterificado nos lisossomos. As manifestações clínicas incluem hepatoesplenomegalia, disfunção psiquiátrica e cognitiva. O tratamento atual consiste em minimizar os sintomas com intuito de melhorar a qualidade de vida dos indivíduos afetados. Miglustat, uma molécula de imino- açúcar, foi o primeiro tratamento específico para NP-C proposto pois diminui a produção de glicoesfingolipídeos. O teste de Filipin, baseado na coloração das células com um antibiótico fluorescente que se liga ao colesterol acumulado nos fibroblastos, é considerado o padrão ouro para o diagnóstico da doença, porém muitas variações do teste podem causar dúvidas na interpretação do resultado, além de ser caro e invasivo. Atualmente, um metabólito marcadamente aumentado em pacientes NP-C está surgindo como biomarcador para a triagem da doença: o colestano-3β,5α,6β-triol (oxisteróis), produto de colesterol oxidado. A análise desse marcador é feita por cromatografia líquida acoplada à espectrômetro de massa em tandem (LC-MS/MS). Objetivos: Este estudo tem como objetivo avaliar os níveis plasmáticos de oxisteróis, bem como realizar a coloração de Filipin em fibroblastos de pacientes com suspeita de NP-C e em pacientes tratados com miglustat.

Materiais e métodos: Foram obtidas amostras de sangue e biópsia de pele de 76 indivíduos com suspeita de NP-C no SGM/HCPA e 7 amostras de sangue de pacientes com diagnóstico de NP-C em tratamento com miglustat. Resultados e Discussão: Considerando o ensaio molecular como padrão-ouro, verificou-se que a análise dos oxisteróis apresentou boa sensibilidade (88%) e especificidade (96%) para o diagnóstico de NP-C. No teste de Filipin, foram encontrados 1 falso positivo, 7 falso negativo e 24 casos inconclusivos, mostrando que este ensaio tem limitações importantes para o diagnóstico de NP- C. Além disso, encontramos uma diminuição significativa nas concentrações de oxisteróis em pacientes com NP-C tratados com miglustat quando comparados com pacientes não tratados. Conclusão: Em conjunto, os presentes dados mostram que a análise de oxisteróis tem potencial para ser um bom teste de triagem de NP-C e para monitorização da terapêutica com miglustat nesses pacientes.

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VALIDAÇÃO DA METODOLOGIA ÓPTICA PARA CONTAGEM DE ERITRÓCITOS E DOSAGEM DE HEMOGLOBINA NO ANALISADOR SYSMEX-XN

JENNIFER TASSONI STAEHLER; GABRIEL GIRON CORREA; IURI VICENTE CAMARGO MORKIS; CARINE GHEM HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre

Introdução: A contagem dos eritrócitos (RBC) no analisador automatizado Sysmex XN é realizada pelo método de impedância, baseada nas oscilações de corrente gerada pela célula que atravessa um campo elétrico. Resultados errôneos de RBC ou hemoglobina (HGB) em um hemograma, podem ser causados por alguma anormalidade dos eritrócitos ou por interferentes do plasma (lipemia, icterícia, hemólise, aglutinação dos eritrócitos pela presença de crioaglutininas) e, assim, gerar um aumento espúrio da concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM). A metodologia de impedância é amplamente utilizada na rotina laboratorial, porém amostras com valor de CHCM superiores a 37,5 g/dL nesta metodologia necessitam de incubação a 37 ºC durante 1 hora, na tentativa de correção da RBC, bem como outros índices hematimétricos que são calculados indiretamente. Atualmente é possível realizar a determinação de RBC através da metodologia óptica, onde a determinação se dá após um minuto de aquecimento da amostra a 41 ºC. Objetivo: Comparar as metodologias de impedância e óptico para contagem de RBC, para fins de utilização do canal óptico presente no equipamento Sysmex XN

como forma de correção da contagem de RBC nos casos de pacientes que apresentam o índice de CHCM acima do ponto de corte. Métodos: Foram incluídos pacientes que realizaram exame de hemograma no laboratório com primeira dosagem de CHCM maior que 37,5 g/dL. As amostras foram dosadas por impedância e também no canal óptico. Resultados de HGB, RBC e CHCM obtidos foram comparados através de testes de correlação. Resultados: Os resultados foram separados em grupos de acordo com a provável causa do aumento de CHCM. Resultados preliminares mostraram uma correlação significativa para RBC (r = 0,928, p = 0,001) e para CHCM (r = 0,758, p = 0,002) no grupo de aglutinação. No grupo de recém- nascidos foi observada correlação significativa para RBC (r = 0,980, p = 0,010) e HGB (r = 0,980, p = 0,046). O mesmo perfil foi observado para anemia falciforme: RBC (r = 0,992, p = 0,004) e HGB (0,975, p = 0,001). Conclusões: A utilização do canal óptico pode ser uma alternativa na rotina laboratorial para amostras com CHCM alterado na presença de aglutinação, já que este canal faz o aquecimento no momento do processamento, reduzindo o tempo de análise e liberação dos resultados, que implica em um diagnóstico mais rápido e direcionado ao paciente.

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AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIMICROBIANA DOS ÓLEOS ESSENCIAIS EXTRAÍDOS DA FOLHA DE CURCUMA LONGA L.

ALDREY NATHÁLIA RIBEIRO CORRÊA; JOSUÉ GUILHERME LISBOA MOURA; CAMILA BETTIO MATOS; LAVÍNIA PERQUIM DE CARVALHO; MARCELLE DE PAULA KONZEN; VANESSA MOSSMANN; ROCHELE CASSANTA ROSSI;

TANISE GEMELLI

UNISINOS - Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Os óleos essenciais são obtidos através de matérias-primas naturais e apresentam compostos aromáticos, voláteis polares e apolares originados do metabolismo das plantas. Por sua composição, vêm sendo explorados em pesquisas de compostos antimicrobianos. A planta Curcuma longa L., popularmente conhecida como açafrão, amplamente utilizada em temperos e corantes, tem seu rizoma tradicionalmente empregado na cura de doenças como asma, reumatismo, sinusite e inflamações.

Porém, suas folhas são consideradas resíduos pós-colheita e estudos sobre as partes aéreas da planta atualmente são escassos em comparação ao rizoma. Com isso, o presente estudo tem como objetivo avaliar o potencial antimicrobiano in vitro do óleo essencial de Curcuma longa L. em bactérias Gram-negativas Escherichia coli, Salmonella typhimurium e Pseudomonas aeruginosa, Gram-positivas Staphylococcus aureus, Bacillus cereus e Enterococcus faecalis e na levedura Candida albicans. Utilizando a metodologia de difusão em disco para teste de sensibilidade microbiana, as bactérias mais sensíveis ao óleo foram S. aureus (15 mm), B. cereus (10 mm) e E. coli (10 mm). Na microdiluição em caldo para definição da concentração inibitória mínima (MIC) os microrganismos S. aureus, B. cereus e E. coli foram os mais inibidos, com valores de 6,25 mg/mL, seguidos de S. typhimurium e C. albicans, com concentração de 12,50 mg/mL. E. faecalis e P. aeruginosa foram os microrganismos com menor taxa de inibição, com MIC de 25,00 mg/mL. Nos resultados demonstrados através da metodologia de concentração bactericida mínima (CBM), as bactérias S. aureus, B. cereus e E. coli obtiveram valores de 12,50 mg/mL, S. typhimurium de 25,00 mg/mL e as bactérias mais resistentes à ação do óleo foram E. faecalis e P. aeruginosa com CBM de 50,00 mg/mL. De modo geral, as bactérias B. cereus e S. aureus, E. coli e a levedura C. albicans foram as mais suscetíveis ao óleo. Os resultados apresentados demonstram que as folhas do açafrão têm potencial para serem aplicadas no desenvolvimento de novos antimicrobianos naturais na produção farmacêutica ou de alimentos.

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VERIFICAÇÃO DA ESTABILIDADE DA CONTAGEM DOS ERITRÓCITOS POR METODOLOGIA DE IMPEDÂNCIA E ÓPTICA NO EQUIPAMENTO SYSMEX-XN.

JENNIFER TASSONI STAEHLER; GABRIEL GIRON CORREA; IURI VICENTE CAMARGO MORKIS; CARINE GHEM HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre

Introdução: O hemograma é utilizado para avaliar as células que estão em circulação de forma qualitativa e quantitativa, sendo uma ferramenta importante para o diagnóstico de diversas doenças. Analisadores hematológicos são utilizados para realizar os hemogramas, oferecendo elevada sensibilidade e precisão para quantificar células da linhagem eritrocitária. A contagem de células sanguíneas em analisadores hematológicos pode ser realizada através da metodologia de impedância, onde as células presentes no sangue são mensuradas a partir de impulsos elétricos gerados ao serem interceptadas por uma corrente elétrica enquanto passam por um orifício de 60 a 100 µm. Através dessa metodologia é possível realizar a contagem de eritrócitos (RBC) no sangue. Atualmente é possível realizar a determinação de RBC também pela metodologia óptica, onde a determinação se dá após um minuto de aquecimento da amostra a 41 ºC. Objetivos: Verificar a estabilidade na determinação de RBC no equipamento Sysmex XN ao longo do dia em amostras do controle de qualidade interno, com índices hematimétricos normais, empregando as metodologias de impedância e óptico. Métodos: Foram incluídos pacientes adultos, ambos os sexos, com índices hematimétricos dentro da faixa de normalidade. A mesma amostra foi analisada nos turnos manhã, tarde e noite. Os resultados obtidos de RBC foram comparados através de testes de Kruskal-wallis e Wilcoxon.

Resultados: Foram observadas correlações significativas para RBC (r = 0,981, p < 0,001) entre as metodologias avaliadas.

Para os turnos de manhã, tarde e noite, na metodologia por impedância, foram observadas, respectivamente, as medianas 5,00 x 4,98 x 4,99 (p = 0,986). Já para a metodologia óptica foram observadas medianas 4,88 x 4,90 x 4,93 (p = 0,475).

Conclusões: As metodologias avaliadas apresentam estabilidade ao longo do dia, porém a impedância demonstrou ter maior reprodutibilidade de resultados, com menor variação com o passar do tempo. As medianas apresentadas pela metodologia óptica tiveram valores menores, porém há correlação forte entre as metodologias e isso possibilita o uso para a avaliação da estabilidade das amostras. A verificação da estabilidade e reprodutibilidade dos resultados é de grande importância pois a

automatização permite ao laboratório a análise de um número maior de amostras e um menor intervalo de tempo, tendo grande impacto na rotina, já que exames considerados dentro da normalidade são liberados automaticamente.

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IDENTIFICAÇÃO BACTERIANA E TESTE DE SENSIBILIDADE DIRETO DE HEMOCULTURA PARA BACILOS GRAM NEGATIVOS

PATRICIA ORLANDI BARTH; ELIANE WURDIG ROESCH; LARISSA LUTZ; ÂNDREA CELESTINO DE SOUZA; HELENA DE ÁVILA PEIXOTO E SILVA; VALÉRIO RODRIGUES AQUINO; DARIANE DE CASTRO PEREIRA

HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre

Introdução: A infecção de corrente sanguínea é um dos principais problemas de saúde pública, caracterizada por alto custo e alta mortalidade. A antibiótico terapia para pacientes sépticos começa com a terapia empírica e posteriormente revisada quando os resultados dos testes microbiológicos são disponibilizados. Novas tecnologias para o diagnóstico microbiológico foram desenvolvidas e retornam resultados em um período de tempo mais curto em comparação com as abordagens de diagnóstico convencionais. Objetivo. Neste estudo avaliamos uma metodologia rápida de identificação e de determinação da sensibilidade ao meropenem em bacilos Gram negativos (BGN) diretamente dos frascos de hemocultura. Metodologia: Foram incluídas hemoculturas sinalizadas como positivas pelo BACT/ALERT® (Biomérieux, França) entre 7h-14h com BGN de janeiro a junho de 2020. Para identificação, 3 mL da amostra foi centrifugada (10 minutos a 3000 RPM) em tubo com gel, sobrenadante descartado e o pellet lavado com 3 mL de salina e centrifugado (5 minutos/3000 RPM). O pellet foi utilizado para a identificação pelo sistema MALDI-TOF VITEK MS®. Para o teste rápido de sensibilidade ao meropenem 100 uL da amostra foi inoculada em ágar Mueller-Hinton, foi adicionado disco de Meropenem (10 ug) e incubado (35ºC/4h-6h). Para amostras resistentes ao meropenem realizou-se microdiluição em caldo para Polimixina B a partir das colônias de crescimento rápido (4-6h). A interpretação foi realizada segundo o EUCAST. Para análise dos resultados foi verificada a concordância entre os resultados obtidos pelas técnicas rápidas e os métodos tradicionais da rotina, os quais são realizados a partir de culturas de 24 horas. Resultados: Obteve-se 95% de concordância entre os métodos no total de 187 amostras identificadas:

65 de Klebsiella pneumoniae; 58 de Escherichia coli; 27 de Pseudomonas aeruginosa; 10 de Enterobacter sp. e 27 de outros BGN’s. No teste de sensibilidade, obteve-se 100% de concordância entre os métodos, no total de 84 amostras analisadas:

35 isolados de K. pneumoniae, 34 de E. coli, 13 de P. aeruginosa e 2 de A. baumannii. Treze amostras foram avaliadas pelo método de microdiluição e obteve-se 100% de concordância. Conclusão: O uso oportuno de antibióticos eficazes para controlar a infecção é crucial para o desfecho clínico. O método provou-se fácil, rápido e aplicável a rotina laboratorial, podendo reduzir em até 48h o resultado das hemoculturas positivas para BGN.

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DESENVOLVIMENTO DE FERRAMENTA CLÍNICA/EDUCACIONAL EM UROANÁLISE

YASMINI DANDARA SILVA DA SILVA ; BRUNA MARTINS SCHWEINBERGER; ANDRÉ BEVILACQUA MENEGHETTI;

GABRIEL GIRON CORRÊA; MARCIA INÊS MARASCA LAZZERI; MILENA DE ÁVILA PERES; ANA CRISITINA TROIS ENDRES; GABRIEL ALARBASE HERNADEZ; PETER TSCHERDANTZEW NETO; PRISCILA

HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre

Introdução: O exame qualitativo de urina (EQU) é um exame rotineiro no laboratório clínico, o qual envolve uma etapa de análise microscópica para identificação de elementos no sedimento urinário. Essa análise pode gerar resultados subjetivos, uma vez que a correta identificação de estruturas clinicamente significativas é dependente da experiência e capacitação do analista clínico. Objetivos: Desenvolver um aplicativo com imagens de sedimento urinário a ser utilizado como guia prático para estudantes da área da saúde e profissionais que realizam o EQU. Metodologia: O aplicativo foi desenvolvido em parceria entre 5 profissionais da área de tecnologia e inovação (desenvolvedores e analistas de sistema) e 5 profissionais da área da saúde (analistas clínicos). Para o desenvolvimento da ferramenta o trabalho foi dividido nas seguintes etapas: pesquisa de usuário; coleta de imagens e desenvolvimento da ferramenta. A pesquisa de usuários teve como objetivo avaliar o perfil dos futuros usuários do aplicativo e suas necessidades referentes a ferramenta. A coleta de imagens foi realizada durante a rotina de trabalho dos analistas clínicos seguindo critérios pré-definidos de padronização. O desenvolvimento da ferramenta foi dividido em 3 principais etapas, foram estas: desenvolvimento de um ambiente de cadastro das imagens; ferramenta de gabarito e desenvolvimento do aplicativo. Este projeto foi aprovado pelo Comitê Estratégico de Governança de Dados do HCPA (CEGD-HCPA 02/2019) e pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HCPA (GPPG 2019-0188). Resultados: A partir da pesquisa de usuário, foi possível observar 2 perfis de usuários distintos, porém ambos buscavam por um aplicativo prático, de aprendizagem informal e fácil acesso, que fosse útil nas rotinas de trabalho e estudo. O aplicativo desenvolvido conta com uma tela de login de usuários; tela principal com acesso aos grupos de imagens. Cada imagem pode ser visualizada em diferentes tipos de microscopia e o usuário tem a opção de visualizar o gabarito das estruturas presentes em cada imagem selecionada. Conclusão: Desenvolvemos um aplicativo de celular na forma de um banco de imagens moderno e usual, que buscou atender as expectativas de usuários com diferentes perfis e necessidades. A ferramenta poderá contribuir para a educação continuada de profissionais analistas clínicos, residentes, pesquisadores e estudantes na área de análises clínicas, melhorando a qualidade na realização do EQU.

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IMPLANTAÇÃO DE MARCADORES MOLECULARES DE PROGNÓSTICO EM PACIENTES COM LLA-B ATENDIDOS EM UM HOSPITAL TERCIÁRIO.

JÚLIA BIZ WILLIG; RODRIGO MINUTO PAIVA; MARIANA MICHALOWSKI; ANA PAULA ALEGRETTI HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre

A Leucemia Linfoblástica Aguda do tipo B (LLA-B) é uma neoplasia maligna de origem linfóide, suas principais alterações moleculares ligadas a definição terapêutica e prognóstico são a translocação t(12;21)(p13;q22) (TEL-AML1/ETV6-RUNX1) em 20-25% dos casos, t(1;19)(q23;p13.3)(TCF3-PBX1) em 6-7% dos casos, t(4;11)(q21;q23) (MLL-AF4/KMT2A-AFF1) em até 60% das crianças menores de 12 meses e em 3% dos adultos, e t(9;22)(BCR-ABL p190) em 3 a 5% dos casos. O presente estudo propõe a padronização e validação de um ensaio molecular para determinação dos principais transcritos na LLA-B em amostras de pacientes atendidos no Serviço de Diagnóstico Laboratorial do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Foram testadas 30 amostras de sangue de medula óssea ou sangue periférico de pacientes com solicitação de pesquisa de imunofenotipagem que tiveram diagnóstico clínico-laboratorial de LLA-B. As amostras foram submetidas ao processo de lise dos eritrócitos a fim de obter a fração de leucócitos. O RNA total foi extraído dos leucócitos pelo método de extração orgânica trizol/clorofórmio e transcrito em cDNA (Promega). O ensaio de PCR foi realizado na plataforma ABI 7500 (Applied Biosystems) utilizando Master Mix TaqMan Universal (Applied Biosystems) e primers e sondas específicos para as translocações t(12;21), t(4;11) e t(1:19). Já t(9;22) foi determinada por PCR com o kit Xgen (Mobius). A eficiência das reações de PCR foi obtida através de curvas padrão com 5 pontos de diluições seriadas na base 10, a partir de controles positivos comerciais (Thermo Fisher Scientific). A eficiência da PCR foi superior a 90% para todas as translocações, exceto para t(1;19), na qual foi 87,31%. O coeficiente de linearidade (R2) foi 0,998 para todas as translocações. Os pacientes foram classificados de acordo com aspectos imunofenotípicos e alterações moleculares. Em relação ao imunofenótipo, 93,30% dos pacientes foram classificados como LLA-B (B Comum e pré-B) e 6,70% de LLA pró-B. Já a frequência das alterações moleculares de significância prognóstica foram 16,6% para a t(12;21), 3,3% t(4;11), 3,3% t(1;19) e 16,6% t(9;22). Este estudo possibilitou a avaliação para implantação das análises de translocações cromossômicas, uma vez que estes dados possibilitam a estratificação de risco do paciente em risco favorável (t(12;21)), risco padrão, risco alto (t(1;19) e t(9;22)) e muito alto (t(4;11)) permitindo cada vez mais terapias individualizadas, e garantia de assistência de qualidade.

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IMPLANTAÇÃO DO PAINEL NEURO9 QPCR NA ROTINA ASSISTENCIAL DE UM HOSPITAL TERCIÁRIO.

FERNANDO GUIMARÃES CAVATÃO; MARIA CRISTINA DE OLIVEIRA AMARO RITTER; EDUARDO WANDAME GOMEZ;

JÚLIA BIZ WILLIG; BRUNA DONIDA; ANA PAULA ALEGRETTI HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre

Introdução: A encefalite é uma inflamação que acomete o parênquima cerebral causada por mais de 100 tipos de vírus e causa sintomas como: confusão mental e sonolência, associados a sinais de fraqueza e crises convulsivas; além de meningite, radiculite e mielite. Em pacientes imunocomprometidos o cuidado deve ser maior devido à reativação do vírus.

Neste sentido, é fundamental a diferenciação do microrganismo para o adequado tratamento do paciente, reduzindo assim possíveis sequelas. Objetivo: Verificação da performance do Kit Multi Neuro 9 para detecção qualitativa de ácido nucleico viral em amostras de líquor em comparação com a técnica in house. Metodologia: Foram analisadas 28 amostras reais e batizadas com o Kit Xgen Multi Neuro 9 (Mobius) pelo método de PCR em Tempo Real, com sondas e primers específicos (os vírus de RNA são primeiramente transcritos em cDNA através da etapa de transcrição reversa) em paralelo com os testes in house dos vírus separadamente. O teste tem registro na ANVISA e detecta os seguintes patógenos: Adenovirus humano (HAdV), Citomegalovirus (CMV), Vírus Epstein-Barr (EBV), Vírus Herpes Simplex 1 e 2 (HSV1 e HSV2), Vírus Varicela-Zoster (HZV), Parecovirus humano (HPeV), Eritrovírus B19 (B19), Herpes vírus humano 6 e 7 (HHV6 e HHV7), e Enterovírus (EV).

Resultados: O Painel viral molecular Neuro9 apresentou acima de 90% de concordância com o método in house e passou em todos os critérios do controle de qualidade. Conclusão: Os resultados apresentados demonstram bons índices de desempenho laboratorial, tornando favorável o uso do painel Neuro9 na rotina. Cabe salientar, que a utilização do painel Neuro9 em detrimento das técnicas hoje utilizadas, possui registro na ANVISA, não elevou o custos dos exames, acrescentou a análise concomitante dos 9 patógenos em uma única amostra diminuindo o tempo de liberação e eliminando o risco de falso negativo por sequentes ciclos de congelamentos (análise de patógenos em corridas/dias diferentes).

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CITOMETRIA DE FLUXO COMO FERRAMENTA DIAGNÓSTICA NO NEUROBLASTOMA.

VICTOR JABLONSKI SOARES; GISLAINE FURLANETTO; FABIANE SPAGNOL; MARIELA GRANERO FARIAS; ANA PAULA ALEGRETTI; JISEH FAGUNDES LOSS; LIANE ESTEVES DAUDT; MARIANA BOHNS MICHALOWSKI

HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre

Introdução: Nos últimos anos houve uma expansão no uso da imunofenotipagem por Citometria de Fluxo (CF) nas neoplasias sólidas da infância buscando um diagnóstico mais rápido e preciso assim como uma metodologia mais sensível no acompanhamento destas patologias. Entre elas, o neuroblastoma (NB) é o tumor sólido extracraniano mais comum da infância, sendo responsável por 8-10% das neoplasias nesta faixa etária, com um imunofenótipo característico CD56+, CD81+, CD9+, CD90+, GD2+ e CD45-. Objetivos: No presente estudo buscamos comparar a sensibilidade ao diagnóstico da CF e do exame anatomopatológico (AP) de crianças com NB. Métodos: Foram analisadas 30 amostras (22 medulas ósseas, 6 tumores primários e 2 outros materiais) de 19 pacientes com suspeita/diagnóstico de NB de 3 hospitais referências desta

patologia de um estado do sul do Brasil no período de maio de 2019 a agosto de 2020. Todos os responsáveis pelos pacientes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Para a marcação das amostras foram utilizados os anticorpos CD9, CD45, CD73, GD2, CD56, CD90 e CD81, conjugados com os fluorocromos, Pacific Blue, Pacific Orange, PE, PerCP-CY5-5, PE-CY7, APC e APC-H7, respectivamente. A aquisição dos materiais ocorreu no citômetro FACSCanto II e a análise no software Infinicyt™. Os resultados dos exames anatomopatológicos foram extraídos dos prontuários.

Resultados: Os pacientes avaliados apresentaram uma mediana de 59 meses de idade (mínimo 0; máximo 216 meses), destes 12 eram do sexo masculino (63,2%, 12/19). As técnicas foram concordantes em 86,7% (26/30) dos casos. A CF foi 10% (3/30) mais sensível que o AP no diagnóstico de amostras positivas. Conclusões: Este estudo demonstra que as duas metodologias são concordantes na maioria dos casos, no entanto, a CF apresenta-se mais sensível que o AP em algumas situações.

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INOVAÇÃO E PANDEMIA: IMPLANTAÇÃO DO NOVO CORREIO PNEUMÁTICO, SISTEMA DE TRANSPORTE INTERNO, NA UNIDADE DE TRIAGEM EM TEMPOS DE PANDEMIA.

JÉSSICA MORGANA GEDIEL PINHEIRO; JANAINA APARECIDA RISCZIK ARRUDA CORREA; CARLA TAIS ROSA CHAGAS; HERMES ROZA DE ALMEIDA; GUSTAVO LUIS BUSS; VANDERLEA MARIA MACIEL DA SILVA; HOZANA ELIENAI VARGAS OLIVEIRA; RITA DE CASSIA DA SILVA DE MEDEIROS; LEÍS DA SILV

HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre

Introdução: O correio pneumático foi criado no século XIX pelo engenheiro William Murdochno, e mais tarde aperfeiçoado pela London Pneumatic Dispatch Company. Na área hospitalar destina-se a aplicação em solução para a logística de pequenas cargas (materiais biológicos, hemocomponentes e medicamentos). No hospital de clínicas o primeiro correio pneumático foi implantado em 1995. Neste ano um novo correio pneumático começou o funcionamento. Objetivos: Relatar a experiência dos técnicos de laboratório da unidade de triagem do SDLAB sobre suas atuações frente à implantação do novo correio pneumático em meio a pandemia. Metodologias: Projeto desenvolvido para atender todas as áreas de internação hospitalar, incluindo os blocos A e B, onde a unidade de triagem teve uma forte atuação por ser o setor com maior utilização do sistema. Instalação de estações de envio e recebimento. Validação do material enviado pelo sistema, com avaliação da representatividade e integridade da amostra a ser analisada para evitar danos ao paciente. Treinamentos desenvolvidos pelo setor de triagem como cartazes e orientações presenciais para a padronização do envio das amostras. Observações e Modificações: Enfrentou-se diversas dificuldades na padronização do sistema de transporte interno de envio das amostras biológicas, devido a implantação ter sido feita em um período atípico com adesão de funcionários novos para suprir a demanda do atendimento de pacientes internados por Covid-19 bem como diminuição temporária da equipe pelo adoecimento pelo vírus. Foram criados mais de 100 leitos para atendimento de pacientes com problemas respiratórios causados pelo Sars- Cov-2 tendo um aumento na demanda de envios de amostras ao laboratório. Muitos erros de utilização do correio pneumático foram observados. Portanto, treinamentos direcionados às equipes foram necessários e uma forte atuação da unidade para orientações diárias as equipes do fronte. Conclusões: A implantação de um sistema interno de transporte em meio a pandemia foi desafiador e extremamente necessário. Diminui-se o deslocamento e trânsito de funcionários dentro do hospital, importante frente a necessidade do distanciamento social. Porém o trabalho de treinamentos sobre a utilização contínua constante, pois ainda é necessário melhorias contínuas na sistemática de envios, sendo fundamental o trabalho entre as equipes para alcançar boa qualidade do sistema.

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RESISTÊNCIA AOS BETA-LACTÂMICOS EM BACTÉRIAS POTENCIALMENTE PRODUTORAS DE BETA- LACTAMASES DO TIPO AMPC ISOLADAS DE AMOSTRAS CLÍNICAS DE PACIENTES ATENDIDOS EM HOSPITAL TERCIÁRIO DO SUL DO BRASIL

PATRICIA ORLANDI BARTH; DARIANE CASTRO PEREIRA; LARISSA LUTZ; ÂNDREA CELESTINO DE SOUZA; HELENA DE ÁVILA PEIXOTO E SILVA; ELIANE WURDIG ROESCH; VALÉRIO RODRIGUES AQUINO

HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre

Introdução: Beta Lactamases do tipo AmpC tem importância clínica devido ao fato de que isolados produtores são resistentes a maioria dos antimicrobianos beta-lactâmicos, incluindo cefalosporinas de 1ª e 2ª geração, cefamicinas, penicilinas e as combinações com inibidores de beta-lactamases, limitando as opções terapêuticas. Bactérias com AmpC cromossomal geralmente são sensíveis às cefalosporinas de 3ª e 4ª geração, mas podem produzir cepas mutantes resistentes à essas drogas e levar à falha no tratamento.

Objetivo: Avaliar a suscetibilidade aos antimicrobianos beta-lactâmicos: cefalosporinas de 3º e 4º geração (ceftazidima e cefepime) e carbapenêmicos (meropenem) em isolados potenciais produtores de beta-lactamases do tipo AmpC cromossomal (ppblAmpC) de amostras clínicas de pacientes atendidos no Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Métodos: Foi realizado um estudo transversal retrospectivo no período de janeiro a julho de 2020. Os isolados bacterianos foram identificados pelo sistema MALDI-TOF Vitek®MS (bioMérieux, França) e o teste de sensibilidade aos antimicrobianos (TSA) foi realizado por disco-difusão segundo padronização do BrCAST 2020.

Resultados: Foram identificados 224 isolados bacterianos ppblAmpc: Enterobacter sp (50%), Serratia marcescens (18,3%), Citrobacter sp (15,2%), Morganella morganii (14,3%) e Providencia sp (2,2%). Os materiais clínicos mais prevalentes foram urina (61,6%), secreções do trato respiratório (11,6%) e sangue (5,3%); 26 amostras (11,6%) eram de outros materiais. Um total de 82% dos isolados apresentaram-se sensíveis à ceftazidima, 79,9% à cefepime e 98% ao meropenem.

No documento 40 SC_Capa Anais (páginas 86-92)