6. Ambiente Colaborativo de Aprendizagem Interdisciplinar - ACAI
6.3. Arquitetura proposta para o ACAI
6.3.1. Camada de Interface
Representa as diferentes visões dentro do ambiente, estas visões são criadas a partir do perfil de seu utilizador, como formador, administrador e aprendiz. Cada visão dá acesso a um subconjunto de funções relacionadas ao perfil do utilizador. Nesta camada existe uma interseção da interface formador com a interface aprendiz, esta interseção está
representa na Figura 6.2 pelo gerenciador de mensagens e alertas e pelo gerenciador de comunidades de aprendizagem. Estes componentes têm as mesmas funcionalidades e independem da visão do utilizador por serem componentes comuns, sendo detalhados a seguir.
a. Gerenciador de Mensagens e Alertas: utilizado pelo formador/aprendiz para compor e receber mensagens. Estas mensagens podem ser de qualquer utilizador do ambiente ou até mesmo uma mensagem gerada por um dos mecanismos do módulo do processo de ensino-aprendizagem, tais como: uma recomendação de objeto de aprendizagem a ser utilizado, um novo conteúdo inserido, uma atividade que foi entregue, etc.
b. Gerenciador de Comunidades de Aprendizagem: utilizado pelo formador/aprendiz para criar ou participar de uma ou mais comunidades de aprendizagem. Permite também pesquisar quais as comunidades existentes e exibe quais as comunidades de aprendizagem estão ligadas ao formador /aprendiz em questão.
A seguir serão detalhados de forma específica as funcionalidades das interfaces do formador, aprendiz e administrador.
6.3.1.1. Interface Formador
Permite aos formadores gerenciar objetos de aprendizagem e atividades. Nessa interface o formador tem acesso a quatro ferramentas: a) editor de objetos de aprendizagem; b) editor de atividades; c) módulo de consultas (objetos de aprendizagem, atividades, desempenho dos aprendizes e desempenho das turmas) e d) módulo de monitoramento (objetos de aprendizagem e atividades).
a) Editor de Objetos de Aprendizagem
Esta ferramenta permite que o formador crie um objeto ou simplesmente utilize um dos objetos já existentes no repositório de objetos de aprendizagem. Os objetos de aprendizagem servirão como apoio no processo ensino-aprendizagem, sejam eles ferramentas, conteúdos, vídeos, simuladores, etc. Por exemplo, um formador que irá ministrar a disciplina Banco de Dados poderá escolher previamente quais objetos deseja
utilizar no decorrer do curso. Para isso ele busca objetos relacionados à área de conhecimento em questão por meio de consultas e os disponibiliza para as turmas relacionadas à disciplina. No momento em que os aprendizes acessarem o ambiente eles terão em sua estação de aprendizagem todos os objetos associados a cada uma das disciplinas que estiverem cursando naquele ano/semestre.
O Editor de Objetos de aprendizagem permite realizar quatro operações básicas:
1. Consulta: permite ao formador realizar uma busca no repositório de objetos de aprendizagem para localizar um objeto que deseja utilizar ou recomendar para uma turma;
2. Inclusão: se depois de realizada a busca no repositório de objetos de aprendizagem o formador não encontrar o que deseja ele poderá incluir um novo objeto, que fará parte do repositório de objetos e poderá ser utilizado por outros formadores.
3. Recomendações de melhorias: ao encontrar um objeto de aprendizagem, que não seja de sua autoria, o formador pode recomendar modificações nesse objeto. Essas recomendações serão enviadas ao formador que criou o objeto e caso ele as aprove poderá editar o objeto implementando as modificações sugeridas.
4. Distribuição: ao iniciar uma disciplina o formador poderá selecionar os objetos de aprendizagem que utilizará em uma disciplina e distribuí-los as suas respectivas turmas.
São associados a um objeto de aprendizagem os seguintes atributos: a disciplina a ele relacionada; o nome do objeto; o tipo de objeto que será criado (ferramenta ou documento); palavras-chave; dados do autor; sua localização e tipo de compartilhamento.
Vale ressaltar que os objetos não ficarão associados de forma rígida a um curso ou disciplina específica, essa atribuição é feita apenas para facilitar futuras buscas e por questões de desempenho no momento da pesquisa. O que classifica o objeto de aprendizagem é sua área principal de conhecimento bem como as palavras-chave a ele associadas. Isto permite que a busca dos objetos de aprendizagem seja feita por vários critérios de pesquisa.
b) Editor de Atividades
A ferramenta de edição de atividades permite que os formadores criem atividades relacionadas a uma ou mais disciplinas. O princípio de funcionamento da ferramenta é o mesmo do editor de objetos de aprendizagem, ou seja, quando uma atividade é criada ela passa a fazer parte de um repositório de atividades que pode ser utilizado por qualquer formador relacionado à área principal dessa atividade e que poderá designá-la a uma ou mais turmas.
As operações que podem ser realizadas no editor de atividades são as mesmas descritas no editor de objetos de aprendizagem com a inclusão da operação de avaliação, esta operação é utilizada para avaliar e comentar uma atividade quando entregue por um aprendiz. Os atributos associados a uma atividade são: a disciplina a ela relacionada; o seu nome; o tipo de objeto que será criado (software ou documento); e seus objetivos. Assim como no editor de objetos de aprendizagem, o que classifica uma atividade são os atributos: área principal de conhecimento e palavras-chave.
c) Módulo de Consultas: que se subdivide em: consulta de objetos de aprendizagem e atividades e consulta de desempenho dos aprendizes e das turmas.
c.1) Módulo de Consulta de Objetos de Aprendizagem e Atividades
O formador poderá realizar buscas nos repositórios de objetos de aprendizagem e atividades utilizando vários critérios que podem ou não ser combinados. Se nenhum critério for especificado a consulta é feita a partir da área ao qual o formador está ligado, ou seja, os primeiros resultados da busca serão em função do perfil do formador. Caso o formador especifique os critérios de busca estes serão utilizados como parâmetros adicionais na consulta.
c.2) Módulo de Consulta de Desempenho dos Aprendizes e das Turmas
O formador poderá visualizar o desempenho de um dado aprendiz, em uma ou mais disciplinas e por área de conhecimento, o mesmo podendo ser feito para uma turma em particular.
d) Módulo de Monitoramento de Objetos de Aprendizagem e Atividades Este módulo permite que o formador visualize quantas vezes um dado objeto de aprendizagem ou atividade foi utilizado por um aprendiz ou turma.
6.3.1.2. Interface Aprendiz
A interface Aprendiz é a principal forma de interação dos aprendizes com o ACAI. Na arquitetura proposta, esta interface divide-se em duas, mas de fato é única. A diferença está somente na visualização da interface pelo aprendiz, se nenhuma interação foi realizada com a interface ela é denominada Estação Turma; à medida que o aprendiz interage com a estação turma, ela então sofre modificações e neste momento passa a ser denominada Estação de Aprendizagem.
Estação Turma
Exibe os objetos de aprendizagem e as atividades que foram previamente relacionados às disciplinas, essas disciplinas por sua vez estão relacionadas aos aprendizes matriculados em uma determinada turma.
À medida que utilizam a estação turma, esta tende a adequar-se às características de cada aprendiz. As interações do aprendiz são armazenadas em seu modelo de usuário, que também armazena toda e qualquer modificação feita pelo próprio aprendiz nessa estação, como por exemplo, novos conteúdos inseridos. Os elementos que compõem a interface estarão organizados de acordo com o estágio no qual se encontra o aprendiz, quanto mais um aprendiz interage com sua estação mais essa estação tende a se adaptar as suas particularidades (personalização) dando origem à estação de aprendizagem.
Estação de Aprendizagem
Após as primeiras interações com a estação turma, os efeitos das ações de cada aprendiz já podem ser observados pelos demais aprendizes após cada sessão no ambiente, estas ações refletem na estação de aprendizagem. Os módulos de apoio ao processo de ensino/aprendizagem monitoram as ações dos aprendizes para prover adaptação da interface. Um dos efeitos da adaptação na interface é, por exemplo, o posicionamento dos itens mais acessados, que estarão sendo monitorados a cada interação, e terão prioridade de apresentação sobre os outros itens existentes na interface. Esta ação contribui para aliviar a
carga cognitiva do usuário e diminuir a complexidade na interação da interface. Este recurso pode ainda ser utilizado pelos formadores para detectar o número de vezes que um dado objeto de aprendizagem ou atividade foi acessado por um aprendiz ou por uma turma.
Ao observar as interações dos aprendizes, as interfaces podem adaptar-se às necessidades identificadas pelo perfil de seu utilizador, estabelecendo padrões de uso mais adequados. Cada estação de aprendizagem terá características próprias em função principalmente de sua utilização, além é claro de receber elementos de interação de forma automática propostos pelo próprio ambiente. A idéia central é que as interfaces tenham características pró-ativas, detectando as ações do usuário no ambiente.
6.3.1.3. Interface Administrador
As interfaces administrativas são acessadas por formadores com perfis administrativos, que permitem ao seu utilizador alimentar as tabelas básicas do ambiente.
As tabelas básicas são essenciais para o funcionamento inicial do ambiente. Por meio dessa interface é possível informar os detalhes de todas as entidades que compõem o ambiente tais como: dados cadastrais de aprendizes, turmas, disciplinas, formadores, áreas de conhecimento, etc.