Nas palavras de Moraes Filho e Flores de Moraes77, o Direito do Trabalho “é um ramo novo, autônomo, independente, da comum ciência jurídica, e por isso mesmo reveste-se de manifestações próprias, de notas típicas, que bem o singularizam e o destacam em relação às outras espécies do gênero único do direito”.
Os autores Moraes Filho e Flores de Moraes a fim de fixar o que consideram caracteres fundamentais do Direito do Trabalho, fizeram a seguinte exposição:
a) é um direito in fieri, que tende cada vez mais a ampliar-se; b) trata-se de uma reivindicação de classe tuitivo por isso mesmo; c) é intervencionista, contra o dogma liberal da economia, por isso mesmo cogente, imperativo, irrenunciável; d) é de cunho nitidamente cosmopolita, internacional ou universal; a) os seus institutos mais típicos são de ordem coletiva ou
75 SÜSSEKIND, Arnaldo [et at]. Instituições de Direito do Trabalho. p. 107.
76 MORAES FILHO, Evaristo de; FLORES DE MORAES, Antonio Carlos. Introdução ao Direito do Trabalho. p. 81.
77 MORAES FILHO, Evaristo de; FLORES DE MORAES, Antonio Carlos. Introdução ao Direito do Trabalho. p. 59.
socializante; f) é um direito de transição, para uma civilização em mudança78.
No parecer de Lima79 as característias do Direito do Trabalho são: “socialidade, imperatividade, protecionismo, coletivismo, justiça social, distribuição de riqueza”.
Seguindo o mesmo entendimento, Barros leciona que entre as características do Direito do Trabalho, a doutrina nacional aponta:
a) a tendência in fieri, isto é, à ampliação crescente; b) o fato de ser um direito ‘tuitivo’, de reivindicação de classe; c) de cunho untervencionista; d) o caráter cosmopolita, isto é, influenciado pelas normas internacionais; e) o fato de os seus institutos jurídicos mais típicos serem de ordem coletiva ou socializante; f) o fato de ser um direito em transição80.
Assim, como ramo jurídico autônomo, o Direito do Trabalho possui características próprias, que, em seu conjunto, o diferenciam dos demais ramos do Direito. Pode-se apontar, como características principais as seguintes: a) tendência ampliativa; b) protecionismo; c) dirigismo estatal; d) estabelecimento de relações de subordinação; e) enfoque coletivo; f) caráter cosmopolita; g) promoção de reformas sociais e h) socialidade81.
Com relação a tendência ampliativa, significa que o Direito do Trabalho é um direito em formação, que ainda não alcançou a plenitude de seus institutos. Possui, portanto, propensão à ampliação de seu conteúdo.
Toma-se a lição de Lima82, afirmando “o protecionismo, significa que este ramo jurídico, por meio de suas regras e princípios, cumpre uma função tutelar do trabalhador, protegendo-o diante do detentor do poder econômico que com ele se relaciona”.
Com relação o dirigismo estatal, pode-se afirmar segundo Moraes Filho e Flores de Moraes83 que ele “é realizado por meio da legislação trabalhista, ou seja, o Estado assumi a postura positiva diante do impulso individualista dos detentores dos meios de produção, mitigando a liberdade de contratar das classes trabalhadoras, impondo direitos subjetivos
78 MORAES FILHO, Evaristo de; FLORES DE MORAES, Antonio Carlos. Introdução ao Direito do Trabalho. p. 59.
79 LIMA, Francisco Meton Marques de. Elementos de Direito do Trabalho. p. 28.
80 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: LTr, 2005. p. 87.
81 MORAES FILHO, Evaristo de; FLORES DE MORAES, Antonio Carlos. Introdução ao Direito do Trabalho. p. 59.
82 LIMA, Francisco Meton Marques de. Elementos de Direito do Trabalho. p. 30.
83 MORAES FILHO, Evaristo de; FLORES DE MORAES, Antonio Carlos. Introdução ao Direito do Trabalho. p. 60.
irrenunciáveis aos trabalhadores e, conseqüentemente, deveres jurídicos inegociáveis aos que exploram sua faina”.
A característica que se refere ao estabelecimento de relações de subordinação, funciona da seguinte maneira: O Direito do Trabalho não trata os sujeitos da relação como iguais, capazes de se relacionarem em condições equivalentes, mas, pelo contrário, reconhece a inferioridade do trabalhador diante do empresário, motivo por que cria privilégios ao hipossuficiente, a favor de quem suas normas devem ser interpretadas, a fim de reduzir, por meio da desigualdade jurídica criada, a desigualdade de fato existente84.
Sobre o enfoque coletivo do Direito do Trabalho, pode-se dizer que ele atualmente, consagra o primado do todo sobre as partes, tendo em vista uma certa coletividade de trabalhadores, e não o trabalhador individualmente considerado85.
No que se refere ao caráter cosmopolita do Direito do Trabalho, o reflexo mais evidente é a atividade exercida pela Organização Internacional do Trabalho – OIT na formulação de regras de aplicação universal, que, paulatinamente, tendem a igualar as condições de trabalho em diversos Estados do mundo86.
A característica “promoção de reformas sociais” é apontada por Lima como sendo “a função coordenadora dos interesses de empresários e trabalhadores, exercida pelo Direito do Trabalho, por meio de medidas que visam realizar os fins sociais almejados pela sociedade”, ou seja:
[...] em momentos de crise, a legislação trabalhista pode adotar uma postura menos protecionista, restringindo vantagens normalmente asseguradas aos trabalhadores, para atender as exigências impostas pela situação econômica do Estado. Nestes casos, não se deve falar em desvio de finalidade ou de função, mas em realização de uma reforma que atenda, ainda que transitoriamente, aos fins sociais mais imediatos, como a manutenção dos empregos87.
A última característica trata-se da socialidade do Direito do Trabalho. Nesse sentido, toma-se os ensinamentos de Belmonte88 expondo que “o Direito do Trabalho sempre procurou
84 LIMA, Francisco Meton Marques de. Elementos de Direito do Trabalho. p. 30.
85 MORAES FILHO, Evaristo de; FLORES DE MORAES, Antonio Carlos. Introdução ao Direito do Trabalho. p. 60.
86 LIMA, Francisco Meton Marques de. Elementos de Direito do Trabalho. p. 30.
87 LIMA, Francisco Meton Marques de. Elementos de Direito do Trabalho. p. 31.
88 BELMONTE, Alexandre Agra. Instituições civis no Direito do Trabalho. 3. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2004. p. 24.
compensar as desigualdades econômicas através de mecanismos de proteção obtidos por meio do estabelecimento de desigualdades jurídicas”, tem-se que as normas contidas na CLT foram engendradas de acordo com esse princípio socializante”.