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Como vimos, foram várias as dificuldades enfrentadas durante o Ensino Remoto Emergencial, em especial para as discentes mulheres e mães. Pois vivemos numa sociedade, em que apesar da mulher ter garantido, não sem luta, alguns direitos, ela ainda é posta num lugar de submissão, destinando a elas papeis e deveres, simplesmente porque são mulheres.

Este estudo identificou e analisou as principais barreiras encontradas pelas mulheres acadêmicas de Licenciatura em Educação Física da Faculdade de Educação Física e Dança (FEFD) da Universidade Federal de Goiás (UFG). Para isso, além de pesquisa bibliográfica sobre o tema, utilizou-se de aplicação de questionários e entrevistas semiestruturadas, aos/às estudantes em questão.

Foi possível observar que o ERE foi muito desafiante para todos/as, em especial para as mulheres, pois elas eram mais sobrecarregadas com as demandas domésticas, enquanto elas dedicavam em média duas horas e meia diariamente a essas atividades, os homens dedicam apenas uma hora e meia. O cuidado com outras pessoas também foi um fator de sobrecarga, principalmente para as acadêmicas mães, que relataram rotinas de cansaço e exaustão, em que os estudos eram sufocados pelas demandas de ser mãe, pois a nossa sociedade ainda delega que todo e qualquer tipo de cuidado é de responsabilidade da mãe.

Conciliar os estudos com o trabalho remunerado, foi outra barreira apontada na pesquisa. A maioria das mulheres trabalhavam e estudavam durante o ERE (72%), em relação aos homens esse percentual cai para 44%. Nem sempre havia essa separação de horários, pois há relatos sobre trabalhar enquanto “ouviam” as aulas.

As mulheres também ficaram mais suscetíveis a violência doméstica, 18%

das mulheres que responderam o questionário revelaram que foram vítimas de violência, seja ela física, psicológica ou sexual.

Além das dificuldades próprias desse formato de ensino, onde não há o contato presencial com os/as professores/as e com os/as colegas, em que a interação por meio da tela é extremamente comprometida, muitas vezes não tem um local adequado para acompanhar as aulas, ainda há o medo de morrer e a dor da perda de pessoas por conta da doença. Soma-se a esses elementos, as dificuldades econômicas e ter que contribuir nas despesas familiares. Todos esses fatores, são

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agravados às estudantes, que estavam mais suscetíveis a uma sobrecarga de trabalho, cobrança e vulnerabilidades pelo fato de serem mulheres.

As mulheres, em sua maioria eram sobrecarregadas com as demandas de trabalho, atividades domésticas, cuidado com outras pessoas (não somente as mães). Algumas, ainda sofreram violência. Esse é o retrato das discentes da FEFD, e com certeza todos esses fatores influenciaram na formação enquanto professoras, cabendo à universidade, a coordenação do curso, a toda a comunidade em si, buscar meios de preencher essas lacunas deixadas pelo ERE.

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APÊNDICE A - Questionário de pesquisa com os/as estudantes de Licenciatura em Educação Física da FEFD/UFG

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